PRODUÇÃO DE SCAFFOLDS ÓSSEOS DE PCL/β-TCP POR IMPRESSÃO 3D E BIOATIVAÇÃO COM MATRIZ EXTRACELULAR DÉRMICA BIOFABRICADA
A regeneração de defeitos ósseos de tamanho crítico permanece um desafio clínico relevante, impulsionando o desenvolvimento de estratégias baseadas em engenharia tecidual. Nesse contexto, scaffolds polimérico-cerâmicos produzidos por impressão tridimensional (3D) destacam-se por possibilitar o controle da arquitetura porosa e da composição do biomaterial. O presente trabalho teve como objetivo desenvolver scaffolds compósitos de poli(ε-caprolactona) (PCL)/β-fosfato tricálcico (β-TCP) por impressão 3D baseada em evaporação de solvente e investigar a influência do solvente de processamento (2,2,2-trifluoroetanol (TFE) ou clorofórmio) e de estratégias de bioativação com colágeno de rato tipo I (CR) e matriz extracelular dérmica humana biofabricada (QMatrix) sobre as propriedades estruturais, físico químicas e biológicas dos sistemas obtidos. A fidelidade geométrica foi avaliada por análise macroscópica e microscopia eletrônica de varredura (MEV), enquanto a caracterização química e térmica foi realizada por espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR) e análise termogravimétrica (TGA). O desempenho biológico foi investigado por ensaios de citotoxicidade (resazurina), viabilidade celular (MTT), adesão celular por MEV, atividade de fosfatase alcalina (ALP) e mineralização por vermelho de alizarina. Os resultados demonstraram que ambos os solventes permitiram a obtenção de scaffolds semelhante, porém o clorofórmio proporcionou maior estabilidade geométrica. As análises de FTIR confirmaram a incorporação física do β-TCP à matriz polimérica e ausência de resíduos de solvente. Nos ensaios biológicos, todos os grupos apresentaram elevada citocompatibilidade (viabilidade > 90%). O colágeno de rato induziu aumento da atividade de ALP aos 10 dias, entretanto, apresentou mineralização mais heterogênea e inferior ao controle aos 17 dias. O QMatrix, por sua vez, sustentou mineralização mais homogênea e desempenho equilibrado entre proliferação e diferenciação celular. Em conjunto, os resultados indicam que scaffolds de PCL/β-TCP produzidos por impressão 3D via evaporação de solvente são estruturalmente estáveis, biocompatíveis e capazes de sustentar resposta osteogênica in vitro.