Caracterização da conectividade funcional em repouso e sua relação com o desempenho cognitivo utilizando equipamento de ultra-campo (7.0 Tesla) em adultos analfabetos.
A alfabetização promove mudanças estruturais e funcionais em redes cerebrais relacionadas à linguagem, visão e cognição. Entretanto, ainda são escassos os estudos que investigam a organização funcional do cérebro de adultos analfabetos. Este estudo teve como objetivo caracterizar os padrões de conectividade funcional em repouso de adultos analfabetos e investigar sua relação com o desempenho cognitivo utilizando ressonância magnética funcional de ultra-alto campo (7 Tesla). Participaram 21 adultos analfabetos, com idade entre 40 e 70 anos, recrutados em programas de Educação de Jovens e Adultos. Foram aplicados testes cognitivos de rastreio, memória de trabalho, nomeação rápida e leitura, além da aquisição de imagens de resting-state fMRI. As análises de conectividade funcional foram realizadas por meio de abordagem seed-to-voxel utilizando a Visual Word Form Area (VWFA) como região semente. Os resultados identificaram associações entre o desempenho em leitura e a conectividade da VWFA com regiões occipitais e pré-frontais direitas. Adicionalmente, observou-se correlação entre a conectividade do cluster occipital lateral direito e medidas de memória de trabalho e desempenho cognitivo global. Embora os resultados sejam preliminares e limitados pelo tamanho amostral, os achados sugerem que diferenças individuais na habilidade leitora estão associadas a padrões específicos de conectividade funcional, contribuindo para a compreensão da neuroplasticidade relacionada à alfabetização tardia.