HORTA E ENCONTRO DE BOAS NOTÍCIAS COMO PROGRAMA DE ESTIMULAÇÃO INFANTIL
O uso de intervenções extracurriculares visando desenvolver e fortalecer aspectos neuropsiquiátricos infantis tem se expandido, principalmente no que tange às habilidades emocionais. Discute-se também que as funções executivas podem ser desenvolvidas com prática e estimulação. Por isso este trabalho teve como objetivos propor, realizar e avaliar intervenções guiadas, compostas por uma ou duas atividades - montagem de horta, e encontros de boas notícias -, e verificar se as intervenções poderiam contribuir para o desenvolvimento de aspectos neuropsiquiátricos e desempenho escolar das crianças. Participaram 46 crianças, sala A como grupo controle (N = 10), sala B como horta (N = 22) e sala C como horta + boas notícias (N = 14). Todas foram submetidas a questionários, testes cognitivos, escalas e uma avaliação escolar, e avaliadas novamente após a intervenção. No grupo controle foi significativa a variação da avaliação de Matemática Geometria, com melhor desempenho, e no escore composto de funções executivas e matemática. No grupo horta, duas variáveis apresentaram melhor desempenho e foram significativas: avaliação de Matemática frações com tamanho de efeito moderado e avaliação de Matemática de geometria com tamanho de efeito moderado, e no escore composto o de matemática e visuoespacial. No grupo horta + boas notícias não foi observada variação significativa. Na avaliação intragrupos não foi observada diferença significativa que pudesse ser relacionada com a intervenção. Avaliando a média dos deltas pareados, apesar de não haver dados significativos, notou-se um aumento nos níveis de ansiedade, e uma diminuição nos níveis de resiliência. Este trabalho concluiu que a horta escolar pode ser promissora na promoção de habilidades visuoespaciais e habilidades matemáticas em crianças, e que a intervenção de boas notícias não apresentou benefícios nos moldes em que foram apresentadas, por oito semanas. Trabalhos futuros deverão ter uma amostra maior, com participantes de todas as salas em todos os grupos, escalas mais robustas e intervenção mais longa.