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Dissertações |
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GIOVANNA FERRARI
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LAVAGEM DE DINHEIRO POR ORGANIZAÇÃO CRIMINAL DE BASE PRISIONAL – A IMPORTÂNCIA DAS REDES
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Orientador : CAMILA CALDEIRA NUNES DIAS
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Data: 25/02/2025
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O presente trabalho explora inicialmente a discussão teórica sobre o conceito de crime organizado e passa a questões introdutórias sobre a problemática da lavagem de dinheiro. Em seguida é apresentado um breve recorrido histórico sobre o Primeiro Comando da Capital e a atual dinâmica criminal presente, especialmente, em relação aos objetivos “empresarias” dessas organizações criminosas. O segundo capítulo explora as redes criminais, suas características e funcionalidades, demonstrando a importância das conexões firmadas para a obtenção do sucesso de uma determinada operação “comercial”, o que gera valores vultuosos e o motivo pelo qual é necessária a prática da lavagem de dinheiro, seja para reinvestir em novas operações, seja para aportar dinheiro na própria organização criminosa, seja para que seus integrantes possam galgar outros estilos de vida. O segundo capítulo se encerra com a análise da Operação Brabo, em que é possível constatar toda a dinâmica operada pela rede para o sucesso do tráfico internacional e a necessidade da reinserção do dinheiro ilícito obtido dentro da economia regular. O terceiro capítulo, por sua vez, explora mais umbilicalmente a lavagem de dinheiro, suas características e as modalidades de lavagem de capital mais usualmente utilizadas, analisando, em seus últimos tópicos, a Operação Fim da Linha, que demonstra como o Primeiro Comando da Capital se utilizou de uma estrutura lícita para maquiar o capital ilícito obtido com atividades ilegais, e a Operação Terra Fértil. Ao final, as conclusões são apresentadas diante de todo o estudo feito ao longo desse trabalho, demonstrando que a utilização mais usual é de lavadores ativos, passivos e oportunistas, e que as modalidades de lavagem de dinheiro mais utilizadas ainda são a aquisição de bens de luxo e a utilização de estruturas empresariais lícitas.
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O presente trabalho explora inicialmente a discussão teórica sobre o conceito de crime organizado e passa a questões introdutórias sobre a problemática da lavagem de dinheiro. Em seguida é apresentado um breve recorrido histórico sobre o Primeiro Comando da Capital e a atual dinâmica criminal presente, especialmente, em relação aos objetivos “empresarias” dessas organizações criminosas. O segundo capítulo explora as redes criminais, suas características e funcionalidades, demonstrando a importância das conexões firmadas para a obtenção do sucesso de uma determinada operação “comercial”, o que gera valores vultuosos e o motivo pelo qual é necessária a prática da lavagem de dinheiro, seja para reinvestir em novas operações, seja para aportar dinheiro na própria organização criminosa, seja para que seus integrantes possam galgar outros estilos de vida. O segundo capítulo se encerra com a análise da Operação Brabo, em que é possível constatar toda a dinâmica operada pela rede para o sucesso do tráfico internacional e a necessidade da reinserção do dinheiro ilícito obtido dentro da economia regular. O terceiro capítulo, por sua vez, explora mais umbilicalmente a lavagem de dinheiro, suas características e as modalidades de lavagem de capital mais usualmente utilizadas, analisando, em seus últimos tópicos, a Operação Fim da Linha, que demonstra como o Primeiro Comando da Capital se utilizou de uma estrutura lícita para maquiar o capital ilícito obtido com atividades ilegais, e a Operação Terra Fértil. Ao final, as conclusões são apresentadas diante de todo o estudo feito ao longo desse trabalho, demonstrando que a utilização mais usual é de lavadores ativos, passivos e oportunistas, e que as modalidades de lavagem de dinheiro mais utilizadas ainda são a aquisição de bens de luxo e a utilização de estruturas empresariais lícitas.
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CARLOS AUGUSTO PEREIRA DE ALMEIDA
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'Se geral cair tá lascado': a exploração dos trabalhadores no varejo do tráfico com a expansão do PCC.
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Orientador : CAMILA CALDEIRA NUNES DIAS
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Data: 27/02/2025
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Este trabalho tem como principal objetivo demonstrar as dinâmicas do tráfico de drogas no varejo com um olhar atento aos pontos de venda na região metropolitana de São Paulo, destacando as relações de trabalho entre seus atores, agentes que atuam na extremidade mais pobre e vulnerável do tráfico de drogas, as “bocas de fumo” ou “biqueiras” que atualmente são chamadas de “lojinhas”. Nossa proposta é expor as condições precárias que os trabalhadores dessas lojinhas estão submetidos, pois além de sofrerem com a intensa exploração de sua mão de obra, estão a mercê dos diversos tipos de violência que este tipo de trabalho pode proporcionar, como ações repressivas do Estado representado pelas polícias e pelo judiciário e dos próprios atores que coordenam o tráfico. Utilizamos como metodologia revisão bibliográfica destacando o mercado de drogas no varejo e apontando como ocorre a exploração da mão de obra nesses espaços, desmistificando a ideia de que o tráfico é um mercado universalmente lucrativo, pois, para quem atua na extremidade deste mercado a realidade é outra, além de entrevistas realizadas com algumas pessoas que por algum tempo atuaram nessa linha de frente. Neste sentido, pretendemos trazer à tona um lado do tráfico de drogas que não possui vantagem econômica, pois seus trabalhadores estão inseridos em um contexto de exploração e violência, o que não os permite qualquer tipo de ascensão social, ao invés disso o torna cada vez mais dependente deste modelo explorador. Em suma, neste trabalho iremos decompor a estrutura hierárquica da “lojinha”, classificando as funções de cada trabalhador, observando os problemas e riscos que cada um deles corre em sua atividade específica, descrevendo a atuação de cada um deles.
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Este trabalho tem como principal objetivo demonstrar as dinâmicas do tráfico de drogas no varejo com um olhar atento aos pontos de venda na região metropolitana de São Paulo, destacando as relações de trabalho entre seus atores, agentes que atuam na extremidade mais pobre e vulnerável do tráfico de drogas, as “bocas de fumo” ou “biqueiras” que atualmente são chamadas de “lojinhas”. Nossa proposta é expor as condições precárias que os trabalhadores dessas lojinhas estão submetidos, pois além de sofrerem com a intensa exploração de sua mão de obra, estão a mercê dos diversos tipos de violência que este tipo de trabalho pode proporcionar, como ações repressivas do Estado representado pelas polícias e pelo judiciário e dos próprios atores que coordenam o tráfico. Utilizamos como metodologia revisão bibliográfica destacando o mercado de drogas no varejo e apontando como ocorre a exploração da mão de obra nesses espaços, desmistificando a ideia de que o tráfico é um mercado universalmente lucrativo, pois, para quem atua na extremidade deste mercado a realidade é outra, além de entrevistas realizadas com algumas pessoas que por algum tempo atuaram nessa linha de frente. Neste sentido, pretendemos trazer à tona um lado do tráfico de drogas que não possui vantagem econômica, pois seus trabalhadores estão inseridos em um contexto de exploração e violência, o que não os permite qualquer tipo de ascensão social, ao invés disso o torna cada vez mais dependente deste modelo explorador. Em suma, neste trabalho iremos decompor a estrutura hierárquica da “lojinha”, classificando as funções de cada trabalhador, observando os problemas e riscos que cada um deles corre em sua atividade específica, descrevendo a atuação de cada um deles.
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SIDNEI FERREIRA DA SILVA
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JUVENTUDE, DIREITOS HUMANOS E PRECARIEDADE: AS CONTRADIÇÕES DO TRABALHO COM ARTE E CULTURA EM SAPOPEMBA
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Orientador : MARIA LIVIA DE TOMMASI
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Data: 27/02/2025
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Trabalhar como arte educadores, oficineiros, agitadores/articuladores/ produtores culturais é uma condição que se tornou mais comum entre jovens moradores das periferias das cidades, envolvidos com atividades de arte e cultura. A pesquisa se debruça sobre essa condição, problematizando o trabalho com arte e cultura desenvolvido pelo Centro de defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente - Mônica Paião Trevisan - CEDECA de Sapopemba, distrito da zona leste da cidade de São Paulo, durante seus 35 anos de atuação. Objetivo é tanto sistematizar e apresentar as metodologias de trabalho com jovens, como refletir sobre as condições e as rotinas de trabalho dos educadores, muitas vezes ex-beneficiários das atividades do próprio CEDECA. Se por um lado essas atividades contribuem na formação de crianças, adolescentes e jovens na perspectiva das artes e dos direitos humanos, elas contribuem também com a produção de trabalhadores precarizados. Com abordagem de tipo qualitativo, a pesquisa se utiliza de entrevistas, grupos focais, observação e análise documental.
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Trabalhar como arte educadores, oficineiros, agitadores/articuladores/ produtores culturais é uma condição que se tornou mais comum entre jovens moradores das periferias das cidades, envolvidos com atividades de arte e cultura. A pesquisa se debruça sobre essa condição, problematizando o trabalho com arte e cultura desenvolvido pelo Centro de defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente - Mônica Paião Trevisan - CEDECA de Sapopemba, distrito da zona leste da cidade de São Paulo, durante seus 35 anos de atuação. Objetivo é tanto sistematizar e apresentar as metodologias de trabalho com jovens, como refletir sobre as condições e as rotinas de trabalho dos educadores, muitas vezes ex-beneficiários das atividades do próprio CEDECA. Se por um lado essas atividades contribuem na formação de crianças, adolescentes e jovens na perspectiva das artes e dos direitos humanos, elas contribuem também com a produção de trabalhadores precarizados. Com abordagem de tipo qualitativo, a pesquisa se utiliza de entrevistas, grupos focais, observação e análise documental.
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ELANE JESUS DA CONCEIÇÃO DESIDERIO
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População Negra, Sobrevivência e Empreendedorismo: O Caso de Três Empreendedoras negras no município de São Paulo
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Orientador : PAULO SERGIO DA COSTA NEVES
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Data: 28/02/2025
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O empreendedorismo de mulheres negras no Brasil tem sido historicamente uma estratégia de resistência e sobrevivência, desde o período colonial até os dias atuais. Este estudo analisa as trajetórias de três mulheres negras empreendedoras de regiões periféricas de São Paulo, destacando os desafios e estratégias que caracterizam suas experiências. A pesquisa parte de uma abordagem interseccional, considerando como raça, gênero e classe se entrelaçam para moldar a realidade dessas mulheres, e explora o impacto do racismo estrutural e das desigualdades socioeconômicas em suas jornadas. O contexto histórico revela que, mesmo após a abolição, a população negra permaneceu marginalizada, enfrentando dificuldades de acesso ao mercado de trabalho formal. Dados recentes do IBGE confirmam a persistência das desigualdades raciais, refletidas na disparidade salarial e na sub-representação de negros em cargos gerenciais. No empreendedorismo, embora negros representem 51% dos empreendedores no país, a maioria enfrenta obstáculos financeiros e estruturais para consolidar seus negócios. A motivação da pesquisa tem uma dimensão pessoal, pois a pesquisadora, enquanto mulher negra, reconhece na própria trajetória e na de sua mãe desafios semelhantes aos enfrentados pelas entrevistadas. Essa perspectiva reforça o compromisso com um olhar crítico e engajado na busca por justiça social e equidade racial. Os resultados mostram que o empreendedorismo, para essas mulheres, vai além da independência financeira; é um ato de resistência e afirmação de identidade. Apesar das dificuldades, como acesso limitado a crédito e discriminação racial e de gênero, elas encontram nas redes de apoio e no compartilhamento de saberes comunitários formas de fortalecimento e crescimento. No entanto, barreiras estruturais ainda dificultam a expansão de seus negócios. O estudo conclui destacando a necessidade de políticas públicas e iniciativas que promovam maior equidade e oportunidades para mulheres negras empreendedoras. Reconhecer e valorizar essas trajetórias é essencial, pois elas representam não apenas resistência, mas também inovação e impacto social. A pesquisa contribui para o debate sobre empreendedorismo negro no Brasil, reforçando a importância de combater as desigualdades estruturais e promover a inclusão econômica e social dessas mulheres.
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O empreendedorismo de mulheres negras no Brasil tem sido historicamente uma estratégia de resistência e sobrevivência, desde o período colonial até os dias atuais. Este estudo analisa as trajetórias de três mulheres negras empreendedoras de regiões periféricas de São Paulo, destacando os desafios e estratégias que caracterizam suas experiências. A pesquisa parte de uma abordagem interseccional, considerando como raça, gênero e classe se entrelaçam para moldar a realidade dessas mulheres, e explora o impacto do racismo estrutural e das desigualdades socioeconômicas em suas jornadas. O contexto histórico revela que, mesmo após a abolição, a população negra permaneceu marginalizada, enfrentando dificuldades de acesso ao mercado de trabalho formal. Dados recentes do IBGE confirmam a persistência das desigualdades raciais, refletidas na disparidade salarial e na sub-representação de negros em cargos gerenciais. No empreendedorismo, embora negros representem 51% dos empreendedores no país, a maioria enfrenta obstáculos financeiros e estruturais para consolidar seus negócios. A motivação da pesquisa tem uma dimensão pessoal, pois a pesquisadora, enquanto mulher negra, reconhece na própria trajetória e na de sua mãe desafios semelhantes aos enfrentados pelas entrevistadas. Essa perspectiva reforça o compromisso com um olhar crítico e engajado na busca por justiça social e equidade racial. Os resultados mostram que o empreendedorismo, para essas mulheres, vai além da independência financeira; é um ato de resistência e afirmação de identidade. Apesar das dificuldades, como acesso limitado a crédito e discriminação racial e de gênero, elas encontram nas redes de apoio e no compartilhamento de saberes comunitários formas de fortalecimento e crescimento. No entanto, barreiras estruturais ainda dificultam a expansão de seus negócios. O estudo conclui destacando a necessidade de políticas públicas e iniciativas que promovam maior equidade e oportunidades para mulheres negras empreendedoras. Reconhecer e valorizar essas trajetórias é essencial, pois elas representam não apenas resistência, mas também inovação e impacto social. A pesquisa contribui para o debate sobre empreendedorismo negro no Brasil, reforçando a importância de combater as desigualdades estruturais e promover a inclusão econômica e social dessas mulheres.
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JULIANA MASTRASCUSA ESPÍNDOLA
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A campanha presidencial de 2022 em tuites: o storytelling de Lula e Bolsonaro no Twitter
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Orientador : CLAUDIO LUIS DE CAMARGO PENTEADO
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Data: 10/03/2025
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O storytelling ao longo dos anos se tornou uma ferramenta importante no marketing político para a elaboração discursiva de candidaturas, a partir da Jornada do Herói. A popularização da Internet e das redes sociais, no entanto, pautou transformações tanto na construção de narrativas quanto na comunicação das candidaturas. Com uma revisão bibliográfica sobre storytelling e marketing político eleitoral, este trabalho olha para o papel dos perfis oficiais no Twitter na construção de narrativas dos dois principais candidatos nas eleições de 2022 no Brasil, Lula e Bolsonaro. A partir da organização de posts semana a semana durante o período eleitoral, buscamos compreender a evolução das narrativas das candidaturas durante o período; e a possibilidade de elementos da Jornada Coletiva na construção de storytelling dos dois candidatos.
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O storytelling ao longo dos anos se tornou uma ferramenta importante no marketing político para a elaboração discursiva de candidaturas, a partir da Jornada do Herói. A popularização da Internet e das redes sociais, no entanto, pautou transformações tanto na construção de narrativas quanto na comunicação das candidaturas. Com uma revisão bibliográfica sobre storytelling e marketing político eleitoral, este trabalho olha para o papel dos perfis oficiais no Twitter na construção de narrativas dos dois principais candidatos nas eleições de 2022 no Brasil, Lula e Bolsonaro. A partir da organização de posts semana a semana durante o período eleitoral, buscamos compreender a evolução das narrativas das candidaturas durante o período; e a possibilidade de elementos da Jornada Coletiva na construção de storytelling dos dois candidatos.
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ANA CRISTINA GREIN MARRA
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TECENDO REDES DE CUIDADO E AFETO A PARTIR DAS SAIDINHAS NAS PRISÕES FEMININAS
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Orientador : ALESSANDRA TEIXEIRA
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Data: 11/03/2025
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Nesta dissertação, pretendo propor uma conexão entre Cuidado, Reprodução Social, Gênero e Sistema Prisional. Parto do pressuposto de que o Cuidado é socialmente feminizado, porque é exercido, na maior parte dos casos, por mulheres e por corpos femininos. Minha hipótese é de que quem cuida das mulheres presas e das saídas temporárias são, principalmente, outras mulheres, também responsáveis pelos cuidados das suas casas, comunidades e pelo trabalho de reprodução social. A revisão de literatura constatou que a maioria das mulheres encarceradas, além de ser mãe, jovem e negra, é pobre e não tem companheiro/a, fatores que lhes dificultam o acesso ao cuidado de si, de sua família e à própria sobrevivência. Problematizo, portanto, o cuidado vivenciado por essas mulheres, à luz de teorias feministas críticas e estudos de gênero, recorrendo a teorias feministas do cuidado, à teoria da reprodução social, ao feminismo negro e decolonial, utilizando, ainda, os conceitos foucaultianos de dispositivo disciplinar, dispositivo de sexualidade e de vigilância. Para tanto, busco responder às seguintes perguntas: Quais são as relações de cuidado que se estabelecem em torno das saídas temporárias das mulheres encarceradas? Quem cuida da organização dos movimentos sociais para que seja possível a saída temporária? Podemos considerar a “saidinha” como uma estratégia política de cuidado reivindicada por esses movimentos? A metodologia adotada foi qualitativa, através do uso da técnica de observação participante, acrescida de revisão bibliográfica, análise documental e da realização de entrevistas semiestruturadas. Minhas observações de pesquisa se guiaram, sobretudo, pela observação, participação e análise de movimentos de resistência contra o cárcere e o sistema prisional. Constatei, nas atividades dos citados grupos, que não há políticas públicas suficientes para o cuidado das pessoas encarceradas no Brasil e que os movimentos anti-cárcere, sobretudo os liderados por mulheres, são responsáveis por dar apoio e criar redes de cuidado para as mulheres presas e egressas, antes, durante e após as saídas temporárias, que concluímos ser uma estratégia política de cuidado reivindicada por esses movimentos.
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Nesta dissertação, pretendo propor uma conexão entre Cuidado, Reprodução Social, Gênero e Sistema Prisional. Parto do pressuposto de que o Cuidado é socialmente feminizado, porque é exercido, na maior parte dos casos, por mulheres e por corpos femininos. Minha hipótese é de que quem cuida das mulheres presas e das saídas temporárias são, principalmente, outras mulheres, também responsáveis pelos cuidados das suas casas, comunidades e pelo trabalho de reprodução social. A revisão de literatura constatou que a maioria das mulheres encarceradas, além de ser mãe, jovem e negra, é pobre e não tem companheiro/a, fatores que lhes dificultam o acesso ao cuidado de si, de sua família e à própria sobrevivência. Problematizo, portanto, o cuidado vivenciado por essas mulheres, à luz de teorias feministas críticas e estudos de gênero, recorrendo a teorias feministas do cuidado, à teoria da reprodução social, ao feminismo negro e decolonial, utilizando, ainda, os conceitos foucaultianos de dispositivo disciplinar, dispositivo de sexualidade e de vigilância. Para tanto, busco responder às seguintes perguntas: Quais são as relações de cuidado que se estabelecem em torno das saídas temporárias das mulheres encarceradas? Quem cuida da organização dos movimentos sociais para que seja possível a saída temporária? Podemos considerar a “saidinha” como uma estratégia política de cuidado reivindicada por esses movimentos? A metodologia adotada foi qualitativa, através do uso da técnica de observação participante, acrescida de revisão bibliográfica, análise documental e da realização de entrevistas semiestruturadas. Minhas observações de pesquisa se guiaram, sobretudo, pela observação, participação e análise de movimentos de resistência contra o cárcere e o sistema prisional. Constatei, nas atividades dos citados grupos, que não há políticas públicas suficientes para o cuidado das pessoas encarceradas no Brasil e que os movimentos anti-cárcere, sobretudo os liderados por mulheres, são responsáveis por dar apoio e criar redes de cuidado para as mulheres presas e egressas, antes, durante e após as saídas temporárias, que concluímos ser uma estratégia política de cuidado reivindicada por esses movimentos.
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AMANDA HILDEBRAND OI
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Entre permanências e transformações: a emergência do debate antirracista nas organizações de direitos humanos com atuação na justiça criminal
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Orientador : ALESSANDRA TEIXEIRA
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Data: 12/03/2025
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O presente trabalho parte da premissa central de que o debate racial emergiu com mais intensidade ao longo da década de 2010. Com um olhar atento às organizações de direitos humanos com atuação no campo da justiça criminal, o trabalho busca compreender as transformações que acarretaram na emergência do debate racial dentro daquele campo. A partir do enfoque na atuação de organizações de direitos humanos e da perspectiva de atores sociais que tiveram participação nos debates travados por essas organizações institucionalmente e na esfera pública, a pesquisa também se propôs a identificar os elementos que contribuíram para que a agenda antirracista passasse a integrar, com significativa relevância, as discussões relacionadas a justiça criminal no Brasil na segunda metade da década de 2010. Ao investigar os elementos que contribuíram com a emergência do debate racial, o trabalho também identificou resistências que indicam, ao mesmo tempo, a operação e também possibilidades de superação do racismo.
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O presente trabalho parte da premissa central de que o debate racial emergiu com mais intensidade ao longo da década de 2010. Com um olhar atento às organizações de direitos humanos com atuação no campo da justiça criminal, o trabalho busca compreender as transformações que acarretaram na emergência do debate racial dentro daquele campo. A partir do enfoque na atuação de organizações de direitos humanos e da perspectiva de atores sociais que tiveram participação nos debates travados por essas organizações institucionalmente e na esfera pública, a pesquisa também se propôs a identificar os elementos que contribuíram para que a agenda antirracista passasse a integrar, com significativa relevância, as discussões relacionadas a justiça criminal no Brasil na segunda metade da década de 2010. Ao investigar os elementos que contribuíram com a emergência do debate racial, o trabalho também identificou resistências que indicam, ao mesmo tempo, a operação e também possibilidades de superação do racismo.
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BRUNA DOS SANTOS GONÇALVES
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Não-estar da maternidade: maternidades plurais e não-maternidade voluntária entre discentes da graduação e pós-graduação da Universidade Federal do ABC.
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Orientador : ARLENE MARTINEZ RICOLDI
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Data: 23/04/2025
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A não-maternidade voluntária constitui um fenômeno com contornos globais, apesar de suas características regionalizadas. As compreensões ligadas à rejeição da maternidade, dentro dos estudos de gênero, tendem a conectá-la às próprias consequências da maneira como a maternidade se estruturou e foi operacionalizada sócio-historicamente e, dessa construção, à refração de um “maternalismo” ou, como se explora neste trabalho, de uma maternidade hegemônica, que consiste em um padrão socialmente legitimado de práticas ligadas às mulheres e sua relação com a gestação e a filiação que, dentre outros efeitos, conecta-as, em um esquema “natural”, a todo o trabalho reprodutivo. Para compreender essa recusa voluntária à maternidade neste contexto de transformações sociais das últimas décadas, lidas mais especificamente a partir de perspectivas e estudos feministas. Conduziu-se, então, uma pesquisa em duas fases, consistente de duas fases, a primeira, de feição mais quantitativa, com a aplicação de um questionário destinado às mulheres com vínculo discente com a Universidade Federal do ABC, respondido por 174 mulheres, que buscou mapear as principais fontes de pressão pela maternidade e os principais fatores de negociação da decisão pela não-maternidade dentre o público pesquisado. Em seguida, em uma fase de natureza qualitativa, dentre as respondentes do questionário, foram selecionadas 8 mulheres para serem entrevistadas, objetivando um aprofundamento daqueles temas. Os resultados foram múltiplos, mas destaca-se, da primeira fase, a família como eixo organizador da pressão pela maternidade e a persistência, consoante a teoria sobre o tema, da carreira profissional como o principal fator ligado à não-maternidade voluntária. Na fase qualitativa, aparecem com destaque perspectivas críticas acerca das experiências com o trabalho reprodutivo na infância e a leitura das experiências maternas e familiares com a maternidade.
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A não-maternidade voluntária constitui um fenômeno com contornos globais, apesar de suas características regionalizadas. As compreensões ligadas à rejeição da maternidade, dentro dos estudos de gênero, tendem a conectá-la às próprias consequências da maneira como a maternidade se estruturou e foi operacionalizada sócio-historicamente e, dessa construção, à refração de um “maternalismo” ou, como se explora neste trabalho, de uma maternidade hegemônica, que consiste em um padrão socialmente legitimado de práticas ligadas às mulheres e sua relação com a gestação e a filiação que, dentre outros efeitos, conecta-as, em um esquema “natural”, a todo o trabalho reprodutivo. Para compreender essa recusa voluntária à maternidade neste contexto de transformações sociais das últimas décadas, lidas mais especificamente a partir de perspectivas e estudos feministas. Conduziu-se, então, uma pesquisa em duas fases, consistente de duas fases, a primeira, de feição mais quantitativa, com a aplicação de um questionário destinado às mulheres com vínculo discente com a Universidade Federal do ABC, respondido por 174 mulheres, que buscou mapear as principais fontes de pressão pela maternidade e os principais fatores de negociação da decisão pela não-maternidade dentre o público pesquisado. Em seguida, em uma fase de natureza qualitativa, dentre as respondentes do questionário, foram selecionadas 8 mulheres para serem entrevistadas, objetivando um aprofundamento daqueles temas. Os resultados foram múltiplos, mas destaca-se, da primeira fase, a família como eixo organizador da pressão pela maternidade e a persistência, consoante a teoria sobre o tema, da carreira profissional como o principal fator ligado à não-maternidade voluntária. Na fase qualitativa, aparecem com destaque perspectivas críticas acerca das experiências com o trabalho reprodutivo na infância e a leitura das experiências maternas e familiares com a maternidade.
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JAQUELINE GALDINO DA SILVA
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THINK TANKS E POLÍTICAS PÚBLICAS:
O CASO DA REPÓRTER BRASIL NO COMBATE À ESCRAVIDÃO CONTEMPORÂNEA
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Orientador : SIDNEY JARD DA SILVA
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Data: 23/04/2025
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De origem norte-americana, os think tanks são instituições que se dedicam a produzir conhecimento especializado sobre variados temas de interesse público, a fim de influenciar a agenda política e a opinião coletiva. Nesse sentido, como se poderá constatar, a escolha da Repórter Brasil como objeto de estudo não se deu de forma aleatória. No decorrer das duas últimas décadas, este think tank tem atuado como um dos principais defensores do combate ao Trabalho Escravo Contemporâneo (TEC). Além de ter promovido mudanças substanciais nas políticas públicas de enfrentamento, as constatações empíricas apontadas pela Repórter Brasil acerca das continuidades históricas do escravismo no Brasil, também vêm sendo corroboradas pelas evidências teóricas apresentadas por Brito Filho (2014), Figueira (2015) e Miraglia (2018). Para compreensão do TEC, portanto, se faz necessário considerar todos os atravessamentos interseccionais que conduzem trabalhadores, fragilizados pela miserabilidade e carência de oportunidades, a serem “escravos da precisão”, referenciando o termo cunhado por Flávia Moura (2009). Embora os think tanks sejam apresentados como instituições influentes no campo das políticas públicas, pode-se dizer que os estudos sobre as contribuições desses atores, em especial no contexto brasileiro, ainda permanecem pouco exploradas. Desse modo, a fim de contribuir para a compreensão dos processos sociais que confluíram no desenvolvimento do II Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (PNETE), bem como, expor a forma como tais instituições influenciam e modelam, em alguma medida, a ação dos atores políticos com base em sua expertise, o presente estudo tem como objetivo compreender como a Repórter Brasil conduziu a inserção do Programa “Escravo, Nem Pensar!” no II PNETE, tomando como dimensão de análise as estratégias de atuação encampadas pelo think tank Repórter Brasil à luz do modelo dos múltiplos fluxos de John Kingdon (2014). Já os objetivos específicos estão traduzidos em: (1) caracterizar os termos do debate sobre o surgimento e disseminação dos think tanks, com foco na conjuntura brasileira, com vistas a explicitar as principais características e formas de atuação que os posiciona como atores centrais no processo decisório; (2) contextualizar os antecedentes históricos do TEC no Brasil; (3) descrever o processo político-institucional anterior à vigência do II PNETE, em 2008; e (4) analisar, a partir das evidências teóricas e empíricas, as estratégias de atuação utilizadas pela Repórter Brasil para inserir o programa “Escravo, Nem Pensar!” no II PNETE. Do exposto, sustenta-se a hipótese de que tal processo foi facilitado pela expertise acumulada que a Repórter Brasil possui na temática da escravidão contemporânea de modo que, em razão do seu conhecimento especializado, este TT pôde estreitar relações com os policy makers e, assim, fez com que o seu Programa fosse alçado à condição de modelo preventivo de abrangência nacional pelo Estado. Portanto, a Repórter Brasil aproveitou a ‘janela de oportunidade’ propiciada pela convergência entre os fluxos dos problemas, soluções e político, agindo como empreendedora de políticas, e não apenas como disseminadora de informações, fato que reafirmou a sua posição enquanto think tank. O aporte metodológico utilizado concentra-se na abordagem qualitativa, a partir do estudo de caso único.
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De origem norte-americana, os think tanks são instituições que se dedicam a produzir conhecimento especializado sobre variados temas de interesse público, a fim de influenciar a agenda política e a opinião coletiva. Nesse sentido, como se poderá constatar, a escolha da Repórter Brasil como objeto de estudo não se deu de forma aleatória. No decorrer das duas últimas décadas, este think tank tem atuado como um dos principais defensores do combate ao Trabalho Escravo Contemporâneo (TEC). Além de ter promovido mudanças substanciais nas políticas públicas de enfrentamento, as constatações empíricas apontadas pela Repórter Brasil acerca das continuidades históricas do escravismo no Brasil, também vêm sendo corroboradas pelas evidências teóricas apresentadas por Brito Filho (2014), Figueira (2015) e Miraglia (2018). Para compreensão do TEC, portanto, se faz necessário considerar todos os atravessamentos interseccionais que conduzem trabalhadores, fragilizados pela miserabilidade e carência de oportunidades, a serem “escravos da precisão”, referenciando o termo cunhado por Flávia Moura (2009). Embora os think tanks sejam apresentados como instituições influentes no campo das políticas públicas, pode-se dizer que os estudos sobre as contribuições desses atores, em especial no contexto brasileiro, ainda permanecem pouco exploradas. Desse modo, a fim de contribuir para a compreensão dos processos sociais que confluíram no desenvolvimento do II Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (PNETE), bem como, expor a forma como tais instituições influenciam e modelam, em alguma medida, a ação dos atores políticos com base em sua expertise, o presente estudo tem como objetivo compreender como a Repórter Brasil conduziu a inserção do Programa “Escravo, Nem Pensar!” no II PNETE, tomando como dimensão de análise as estratégias de atuação encampadas pelo think tank Repórter Brasil à luz do modelo dos múltiplos fluxos de John Kingdon (2014). Já os objetivos específicos estão traduzidos em: (1) caracterizar os termos do debate sobre o surgimento e disseminação dos think tanks, com foco na conjuntura brasileira, com vistas a explicitar as principais características e formas de atuação que os posiciona como atores centrais no processo decisório; (2) contextualizar os antecedentes históricos do TEC no Brasil; (3) descrever o processo político-institucional anterior à vigência do II PNETE, em 2008; e (4) analisar, a partir das evidências teóricas e empíricas, as estratégias de atuação utilizadas pela Repórter Brasil para inserir o programa “Escravo, Nem Pensar!” no II PNETE. Do exposto, sustenta-se a hipótese de que tal processo foi facilitado pela expertise acumulada que a Repórter Brasil possui na temática da escravidão contemporânea de modo que, em razão do seu conhecimento especializado, este TT pôde estreitar relações com os policy makers e, assim, fez com que o seu Programa fosse alçado à condição de modelo preventivo de abrangência nacional pelo Estado. Portanto, a Repórter Brasil aproveitou a ‘janela de oportunidade’ propiciada pela convergência entre os fluxos dos problemas, soluções e político, agindo como empreendedora de políticas, e não apenas como disseminadora de informações, fato que reafirmou a sua posição enquanto think tank. O aporte metodológico utilizado concentra-se na abordagem qualitativa, a partir do estudo de caso único.
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HELOISA COLI BIZZOTO
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MULHERES E O RECONHECIMENTO NO ESPAÇO PÚBLICO: representação feminina nas honrarias legislativas em São Bernardo do Campo - SP
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Orientador : ARLENE MARTINEZ RICOLDI
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Data: 07/05/2025
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Na história ocidental, a divisão sexual do trabalho estabeleceu um modelo dicotômico em que as mulheres vivenciavam o espaço privado, enquanto os homens dominavam o espaço público. A partir desta reflexão, este trabalho busca compreender quem são as mulheres que obtiveram reconhecimento no espaço público através da análise da representação feminina nas honrarias legislativas de São Bernardo do Campo. Para isso, foram analisados os decretos legislativos de 1967 a 2023 para identificação de todas as homenagens legislativas da Câmara Municipal de São Bernardo do Campo e foram analisadas as biografias de mulheres homenageadas entre a 13ª e a 17ª legislatura, abrangendo o período de 2001 a 2020, em perspectiva comparada com os homens homenageados no mesmo período.
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Na história ocidental, a divisão sexual do trabalho estabeleceu um modelo dicotômico em que as mulheres vivenciavam o espaço privado, enquanto os homens dominavam o espaço público. A partir desta reflexão, este trabalho busca compreender quem são as mulheres que obtiveram reconhecimento no espaço público através da análise da representação feminina nas honrarias legislativas de São Bernardo do Campo. Para isso, foram analisados os decretos legislativos de 1967 a 2023 para identificação de todas as homenagens legislativas da Câmara Municipal de São Bernardo do Campo e foram analisadas as biografias de mulheres homenageadas entre a 13ª e a 17ª legislatura, abrangendo o período de 2001 a 2020, em perspectiva comparada com os homens homenageados no mesmo período.
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ENIO TANIGUTI
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Obstáculos e desafios ao envelhecimento digno: ausências e motivações para a implantação de Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPIs) de natureza pública.
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Orientador : JOSE BLANES SALA
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Data: 29/05/2025
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O presente trabalho é voltado a analisar as dificuldades do acesso às Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), principalmente as de natureza pública. As ILPIs públicas, apesar de cada vez mais demandadas em razão do rápido envelhecimento no país, constatado pelo censo IBGE 2020, e das desigualdades sociais, praticamente não figuram como alternativa de cuidados principalmente para os idosos de maior vulnerabilidade socioeconômica. O Brasil oferece uma legislação voltada para as pessoas idosas, como a Política Nacional do Idoso (1994) e o Estatuto da Pessoa Idosa (2003), mas infelizmente não proporciona na prática o que se define nas leis, principalmente no que concerne à proteção e ao cuidado de longo prazo. Isto pode ser exemplificado nos raros estudos sobre os censos e levantamentos de ILPIs, onde se constatou alta concentração nas regiões sul e sudeste, em sua maioria de natureza filantrópica e privada, e pouquíssimas unidades de instituições públicas. Neste sentido, pergunta-se se as instituições, principalmente de natureza pública, são necessárias para o atendimento às pessoas idosas vulneráveis? Para responder à indagação foi feita uma revisão bibliográfica sobre o tema do envelhecimento e de políticas de cuidado de longo prazo, em especial voltadas para as ILPIs. Também se realizou pesquisas de artigos publicados na mídia, na internet, estudos de casos, de documentações e legislações. O trabalho também contou com o acréscimo de entrevistas com profissionais e conselheiros relacionados diretamente com a temática. Identificou-se que existe uma espécie de silêncio público sobre a necessidade de ILPIs que atinge principalmente as pessoas idosas que dependem de acolhimento pelo estado. Há uma demanda evidente que não se concretiza nos territórios, muito por conta de um conjunto de situações que vão desde o preconceito sobre os idosos e suas instituições até a permanência de uma política de cunho neoliberal que prioriza o mercado. O estudo procura apontar a necessidade e viabilidade do acesso às ILPIs públicas.
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O presente trabalho é voltado a analisar as dificuldades do acesso às Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), principalmente as de natureza pública. As ILPIs públicas, apesar de cada vez mais demandadas em razão do rápido envelhecimento no país, constatado pelo censo IBGE 2020, e das desigualdades sociais, praticamente não figuram como alternativa de cuidados principalmente para os idosos de maior vulnerabilidade socioeconômica. O Brasil oferece uma legislação voltada para as pessoas idosas, como a Política Nacional do Idoso (1994) e o Estatuto da Pessoa Idosa (2003), mas infelizmente não proporciona na prática o que se define nas leis, principalmente no que concerne à proteção e ao cuidado de longo prazo. Isto pode ser exemplificado nos raros estudos sobre os censos e levantamentos de ILPIs, onde se constatou alta concentração nas regiões sul e sudeste, em sua maioria de natureza filantrópica e privada, e pouquíssimas unidades de instituições públicas. Neste sentido, pergunta-se se as instituições, principalmente de natureza pública, são necessárias para o atendimento às pessoas idosas vulneráveis? Para responder à indagação foi feita uma revisão bibliográfica sobre o tema do envelhecimento e de políticas de cuidado de longo prazo, em especial voltadas para as ILPIs. Também se realizou pesquisas de artigos publicados na mídia, na internet, estudos de casos, de documentações e legislações. O trabalho também contou com o acréscimo de entrevistas com profissionais e conselheiros relacionados diretamente com a temática. Identificou-se que existe uma espécie de silêncio público sobre a necessidade de ILPIs que atinge principalmente as pessoas idosas que dependem de acolhimento pelo estado. Há uma demanda evidente que não se concretiza nos territórios, muito por conta de um conjunto de situações que vão desde o preconceito sobre os idosos e suas instituições até a permanência de uma política de cunho neoliberal que prioriza o mercado. O estudo procura apontar a necessidade e viabilidade do acesso às ILPIs públicas.
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KELLY CRISTINA QUINTILIANO
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ITÉRAMÃXE, PERSEVERANDO PELAS NARRATIVAS DA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA
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Orientador : CAROLINA BEZERRA MACHADO
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Data: 11/06/2025
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Esta pesquisa objetiva investigar o coletivo educacional Itéramãxe, sob a perspectiva teórica do aquilombamento (Beatriz Nascimento, 1982) e quilombismo (Abdias do Nascimento, 1980), questionando seu papel social tanto na inserção de corpos dissidentes na pós-graduação quanto nas possíveis alterações sociais que possam ocorrer nos Ori-entadores e Ori-entandes, remodelando o próprio Coletivo. A ausência ou apagamento de corpos não convencionais resulta tanto na não ocupação dos lugares como no epistemicídio a que estão sujeitos os saberes dos corpos dissidentes. Pretende-se, portanto, apresentar realidades possíveis, voltadas a dar visibilidade aos corpos diversos que acessam a pós-graduação, o combate à subalternização dos corpos e saberes e práticas educacionais antirracistas, que se relacionam com o processo de aquilombamento. Trazendo em seu arcabouço uma revisão bibliográfica sobre os temas apresentados, bem como pela análise das entrevistas e das redes sociais do Coletivo Itéramãxe, pretende-se demonstrar se é possível a alteração dos espaços acadêmicos ocupados e a consequente pluralidade na produção de conhecimento como resultado do processo quilombista. A relevância está em contribuir para registrar modelos de educação antirracista que questionam a educação como espaço de poder, apresentando como contraproposta uma educação afrocentrada e afroreferenciada a partir da dinâmica orientador-orientande e suas vivências múltiplas.
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Esta pesquisa objetiva investigar o coletivo educacional Itéramãxe, sob a perspectiva teórica do aquilombamento (Beatriz Nascimento, 1982) e quilombismo (Abdias do Nascimento, 1980), questionando seu papel social tanto na inserção de corpos dissidentes na pós-graduação quanto nas possíveis alterações sociais que possam ocorrer nos Ori-entadores e Ori-entandes, remodelando o próprio Coletivo. A ausência ou apagamento de corpos não convencionais resulta tanto na não ocupação dos lugares como no epistemicídio a que estão sujeitos os saberes dos corpos dissidentes. Pretende-se, portanto, apresentar realidades possíveis, voltadas a dar visibilidade aos corpos diversos que acessam a pós-graduação, o combate à subalternização dos corpos e saberes e práticas educacionais antirracistas, que se relacionam com o processo de aquilombamento. Trazendo em seu arcabouço uma revisão bibliográfica sobre os temas apresentados, bem como pela análise das entrevistas e das redes sociais do Coletivo Itéramãxe, pretende-se demonstrar se é possível a alteração dos espaços acadêmicos ocupados e a consequente pluralidade na produção de conhecimento como resultado do processo quilombista. A relevância está em contribuir para registrar modelos de educação antirracista que questionam a educação como espaço de poder, apresentando como contraproposta uma educação afrocentrada e afroreferenciada a partir da dinâmica orientador-orientande e suas vivências múltiplas.
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GUILHERME MANOEL DE LIMA VIANA
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TECNOLOGIA E DIREITOS HUMANOS: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO COMBATE AO TRÁFICO DE PESSOAS
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Orientador : JOSE BLANES SALA
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Data: 24/07/2025
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A dissertação investiga como ferramentas tecnológicas, especialmente aquelas baseadas em inteligência artificial, podem ser aplicadas no enfrentamento de um dos crimes mais complexos e desafiadores da atualidade. O tráfico de pessoas, caracterizado pela exploração de indivíduos em contextos de trabalho forçado, exploração sexual, remoção de órgãos e adoção ilegal, representa uma grave violação dos direitos humanos e exige soluções inovadoras e eficazes. Nesse contexto, a pesquisa busca compreender de que forma a inteligência artificial pode ser utilizada para prevenir, identificar e combater essas práticas ilícitas, analisando tanto seu potencial quanto seus desafios éticos, jurídicos e técnicos. O principal objetivo da pesquisa é avaliar a viabilidade do uso de tecnologias baseadas em inteligência artificial no combate ao tráfico de pessoas, destacando suas aplicações práticas, limitações e os cuidados necessários para evitar abusos e discriminações. Um dos problemas centrais enfrentados é equilibrar a eficiência tecnológica com a garantia da privacidade, segurança dos dados e não discriminação, evitando vieses algorítmicos que possam reforçar desigualdades existentes. A pesquisa também procura explorar como as ferramentas tecnológicas podem ser integradas a políticas públicas, garantindo uma abordagem mais holística e colaborativa no enfrentamento do problema. Para alcançar esses objetivos, a dissertação adota uma metodologia qualitativa e interdisciplinar, que combina análise documental, revisão bibliográfica e estudo de casos reais de implementação de tecnologias de inteligência artificial no combate ao tráfico de pessoas. Foram analisados exemplos concretos de uso de sistemas de vigilância avançados, algoritmos preditivos e ferramentas de reconhecimento facial em diversas partes do mundo, com o intuito de identificar boas práticas e possíveis falhas nos processos. Entre as principais conclusões, destaca-se que a inteligência artificial possui um enorme potencial para otimizar os esforços de combate ao tráfico de pessoas. Ferramentas como algoritmos de análise preditiva podem identificar padrões suspeitos em grandes volumes de dados, enquanto sistemas de reconhecimento facial podem ser usados para localizar vítimas desaparecidas ou identificar traficantes. No entanto, os desafios são significativos: há preocupações éticas quanto ao uso indevido de dados pessoais, à privacidade dos indivíduos monitorados e à possibilidade de discriminação algorítmica. Além disso, a dependência excessiva de tecnologia pode desviar a atenção de abordagens mais humanas e preventivas. A dissertação propõe, como produto final, recomendações concretas para aprimorar a implementação da inteligência artificial no combate ao tráfico de pessoas. Entre as recomendações estão a realização periódica de auditorias nos algoritmos utilizados, a criação de plataformas colaborativas que integrem diferentes órgãos governamentais e organizações não-governamentais, bem como a capacitação contínua de profissionais que operam esses sistemas. A pesquisa ressalta, ainda, a importância de políticas públicas que regulamentem de forma clara e transparente o uso dessas tecnologias, garantindo que sua aplicação esteja sempre alinhada aos princípios fundamentais dos direitos humanos. Dessa forma, o estudo reforça que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta poderosa no enfrentamento ao tráfico de pessoas, mas que seu uso deve ser cuidadosamente regulamentado e monitorado para evitar que sua aplicação reproduza injustiças sociais ou viole direitos fundamentais. A integração entre tecnologia, políticas públicas eficazes e abordagens humanitárias é essencial para que essa ferramenta possa realmente contribuir para a erradicação desse crime.
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A dissertação investiga como ferramentas tecnológicas, especialmente aquelas baseadas em inteligência artificial, podem ser aplicadas no enfrentamento de um dos crimes mais complexos e desafiadores da atualidade. O tráfico de pessoas, caracterizado pela exploração de indivíduos em contextos de trabalho forçado, exploração sexual, remoção de órgãos e adoção ilegal, representa uma grave violação dos direitos humanos e exige soluções inovadoras e eficazes. Nesse contexto, a pesquisa busca compreender de que forma a inteligência artificial pode ser utilizada para prevenir, identificar e combater essas práticas ilícitas, analisando tanto seu potencial quanto seus desafios éticos, jurídicos e técnicos. O principal objetivo da pesquisa é avaliar a viabilidade do uso de tecnologias baseadas em inteligência artificial no combate ao tráfico de pessoas, destacando suas aplicações práticas, limitações e os cuidados necessários para evitar abusos e discriminações. Um dos problemas centrais enfrentados é equilibrar a eficiência tecnológica com a garantia da privacidade, segurança dos dados e não discriminação, evitando vieses algorítmicos que possam reforçar desigualdades existentes. A pesquisa também procura explorar como as ferramentas tecnológicas podem ser integradas a políticas públicas, garantindo uma abordagem mais holística e colaborativa no enfrentamento do problema. Para alcançar esses objetivos, a dissertação adota uma metodologia qualitativa e interdisciplinar, que combina análise documental, revisão bibliográfica e estudo de casos reais de implementação de tecnologias de inteligência artificial no combate ao tráfico de pessoas. Foram analisados exemplos concretos de uso de sistemas de vigilância avançados, algoritmos preditivos e ferramentas de reconhecimento facial em diversas partes do mundo, com o intuito de identificar boas práticas e possíveis falhas nos processos. Entre as principais conclusões, destaca-se que a inteligência artificial possui um enorme potencial para otimizar os esforços de combate ao tráfico de pessoas. Ferramentas como algoritmos de análise preditiva podem identificar padrões suspeitos em grandes volumes de dados, enquanto sistemas de reconhecimento facial podem ser usados para localizar vítimas desaparecidas ou identificar traficantes. No entanto, os desafios são significativos: há preocupações éticas quanto ao uso indevido de dados pessoais, à privacidade dos indivíduos monitorados e à possibilidade de discriminação algorítmica. Além disso, a dependência excessiva de tecnologia pode desviar a atenção de abordagens mais humanas e preventivas. A dissertação propõe, como produto final, recomendações concretas para aprimorar a implementação da inteligência artificial no combate ao tráfico de pessoas. Entre as recomendações estão a realização periódica de auditorias nos algoritmos utilizados, a criação de plataformas colaborativas que integrem diferentes órgãos governamentais e organizações não-governamentais, bem como a capacitação contínua de profissionais que operam esses sistemas. A pesquisa ressalta, ainda, a importância de políticas públicas que regulamentem de forma clara e transparente o uso dessas tecnologias, garantindo que sua aplicação esteja sempre alinhada aos princípios fundamentais dos direitos humanos. Dessa forma, o estudo reforça que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta poderosa no enfrentamento ao tráfico de pessoas, mas que seu uso deve ser cuidadosamente regulamentado e monitorado para evitar que sua aplicação reproduza injustiças sociais ou viole direitos fundamentais. A integração entre tecnologia, políticas públicas eficazes e abordagens humanitárias é essencial para que essa ferramenta possa realmente contribuir para a erradicação desse crime.
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LUCIANA ELENA VAZQUEZ
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Novas tecnologias, controle migratório e direito a migrar: uma análise sobre o processo de informatização do Sistema de Registro Nacional Migratório do Brasil (SISMIGRA).
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Orientador : ROBERTA GUIMARAES PERES
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Data: 15/08/2025
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A pesquisa toma como ponto de partida o processo de informatização dos procedimentos de cadastro para regularização migratória com a criação do Sistema de Registro Nacional Migratório (SISMIGRA). A partir disso, o objetivo é analisar seus efeitos na política migratória brasileira, cuja Lei de Migração n°13.445/2017 apresenta uma visão da pessoa migrante como sujeito de direitos, articulando com uma reflexão mais ampla sobre o direito à migração e à segurança da informação no Brasil. O novo sistema foi criado para a digitalização dos processos da Divisão de Registro Migratório (DRM) da Polícia Federal (PF) e integra o Cadastro Base do Cidadão e o Comitê Central de Governança de Dados (Decreto n° 10.046/2019), cuja função é viabilizar uma estrutura de governança no compartilhamento de dados no âmbito da administração pública federal. Nesse processo de construção de um regime da razão de Estado digitalizada, no caso da migração, a prevenção ao crime e ao tráfico de pessoas é utilizada como argumento para um controle securitista, seguindo a onda de recrudescimento das políticas migratórias de países europeus e dos Estados Unidos, agora também predominante na América do Sul. Essa temática, além de dizer respeito à reflexão sobre o papel, legitimação e atuação do Estado diante dos fluxos transnacionais da atualidade, bem como às novas tecnologias de vigilância do mesmo, toca também na questão das metodologias e transparências na coleta e tratamento de dados. A PF, enquanto instituição responsável no país pelo registro migratório, tem em suas bases uma fonte importante de dados populacionais, que vêm sendo utilizadas ao longo dos anos como subsídios para a tomada de decisão de políticas públicas e para pesquisas sobre a temática migratória no Brasil. Para tanto, a pesquisa será desenvolvida a partir de levantamento bibliográfico, análise de documentos oficiais e entrevistas semiestruturadas com atores-chave no processo de idealização, criação e implementação do SISMIGRA. A metodologia também contará com a análise de formulários analógicos de cadastro de regularização migratória e do cadastro digital do SISMIGRA
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A pesquisa toma como ponto de partida o processo de informatização dos procedimentos de cadastro para regularização migratória com a criação do Sistema de Registro Nacional Migratório (SISMIGRA). A partir disso, o objetivo é analisar seus efeitos na política migratória brasileira, cuja Lei de Migração n°13.445/2017 apresenta uma visão da pessoa migrante como sujeito de direitos, articulando com uma reflexão mais ampla sobre o direito à migração e à segurança da informação no Brasil. O novo sistema foi criado para a digitalização dos processos da Divisão de Registro Migratório (DRM) da Polícia Federal (PF) e integra o Cadastro Base do Cidadão e o Comitê Central de Governança de Dados (Decreto n° 10.046/2019), cuja função é viabilizar uma estrutura de governança no compartilhamento de dados no âmbito da administração pública federal. Nesse processo de construção de um regime da razão de Estado digitalizada, no caso da migração, a prevenção ao crime e ao tráfico de pessoas é utilizada como argumento para um controle securitista, seguindo a onda de recrudescimento das políticas migratórias de países europeus e dos Estados Unidos, agora também predominante na América do Sul. Essa temática, além de dizer respeito à reflexão sobre o papel, legitimação e atuação do Estado diante dos fluxos transnacionais da atualidade, bem como às novas tecnologias de vigilância do mesmo, toca também na questão das metodologias e transparências na coleta e tratamento de dados. A PF, enquanto instituição responsável no país pelo registro migratório, tem em suas bases uma fonte importante de dados populacionais, que vêm sendo utilizadas ao longo dos anos como subsídios para a tomada de decisão de políticas públicas e para pesquisas sobre a temática migratória no Brasil. Para tanto, a pesquisa será desenvolvida a partir de levantamento bibliográfico, análise de documentos oficiais e entrevistas semiestruturadas com atores-chave no processo de idealização, criação e implementação do SISMIGRA. A metodologia também contará com a análise de formulários analógicos de cadastro de regularização migratória e do cadastro digital do SISMIGRA
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FRANCIELLEN CARNEIRO CELESTINO DA SILVA
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CORPOS DA MODA: ANÁLISE SEMIÓTICA SOBRE CORPOS DISSIDENTES NA REVISTA VOGUE BRASIL
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Orientador : ARLENE MARTINEZ RICOLDI
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Data: 09/09/2025
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Este projeto busca traçar uma análise sobre a representação da mulher brasileira nas capas da revista Vogue Brasil. O estudo é baseado na análise semiótica peirceana das capas publicadas na edição brasileira ao longo da década de 1970, período da chegada da publicação no Brasil, e leva em conta o contexto histórico do país, as articulações da imprensa, em especial a imprensa feminina e recortes essenciais como gênero e raça para a discussão do cenário da moda no contexto político e social da época. Além disso, procura-se reconhecer qual era a mulher brasileira representada nas publicações.
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Este projeto busca traçar uma análise sobre a representação da mulher brasileira nas capas da revista Vogue Brasil. O estudo é baseado na análise semiótica peirceana das capas publicadas na edição brasileira ao longo da década de 1970, período da chegada da publicação no Brasil, e leva em conta o contexto histórico do país, as articulações da imprensa, em especial a imprensa feminina e recortes essenciais como gênero e raça para a discussão do cenário da moda no contexto político e social da época. Além disso, procura-se reconhecer qual era a mulher brasileira representada nas publicações.
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ANDREA ALVES PINTO
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O impacto da falta disciplinar grave sobre a população negra encarcerada: uma análise interseccional dos efeitos da punição nas prisões paulistas
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Orientador : CAMILA CALDEIRA NUNES DIAS
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Data: 17/10/2025
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Este trabalho investiga os efeitos da falta grave, o impacto na manutenção do superencarceramento e a racialização no sistema punitivo. Toma por base a teoria social crítica da interseccionalidade e avalia os impactos na execução da pena, do aumento do tempo e o acúmulo da violação de direitos na prisão. De natureza qualitativa, utiliza metodologias mistas e complementares, como: observação in locus, escuta ativa das PPLs[1]; aplicação de questionários; registro de relatos das pessoas punidas; estudo de grupo focal; e dados oficiais (quantitativos) da SAP/SP[2], informados via LAI[3]. O estudo de campo decorre em virtude das visitas realizadas nas unidades prisionais do Complexo Prisional de Franco da Rocha/SP, no ano de 2023, favorecido pelo trabalho da pesquisadora e agente da Pastoral Carcerária[4]. Ao estudo da operacionalização do aparelho prisional e sua mecânica disciplinar na produção de corpos obedientes apoia-se aos pressupostos foucaultianos do dispositivo disciplinar, da autonomização da pena, e do ilegalismo, a fim de fundamentar os fenômenos intramuros. Os trabalhos de Dias (2014), Cacicedo (2018), Machado e Pinto (2019), Giamberardino (2019), apontam às dinâmicas produzidas pela falta grave no sistema prisional punitivo. Ademais, os estudos das intelectuais negras (brasileiras e norte-americanas), Alves (2015), Borges (2019), Lúcio (2024), Alexander (2017), Davis (2018) e Collins (2024), indicam a relação do encarceramento da população negra, no continuum processo de colonização e o aprofundamento das opressões sob este grupo. Essa investigação aponta que o racismo estrutural e institucionalizado nas prisões se estabelece nas relações, manipula a discricionariedade nas ações dos agentes prisionais e sustenta violações de todo tipo. Revela que a população negra encarcerada é a mais impactada pelo sistema punitivo (82% das pessoas que respondem por falta grave) e, portanto, mantenedora do fenômeno do superencarceramento. Porquanto, no conjunto: da experiência empírica; do cruzamento das informações elencadas neste trabalho; do arcabouço teórico-metodológico alicerçados aos conceitos - do poder disciplinar, de Michel Foucault (2014), do dispositivo de racialidade, de Sueli Carneiro (2023), e do necropoder, de Achille Mbembe (2016), ao serem articulados ao estado de coisas inconstitucional do sistema prisional brasileiro e o sistema penal punitivo, configura-se no necroencarceramento - fenômeno que irrompe do/no sistema prisional brasileiro -, e aponta para engrenagem que mantém o bom funcionamento das prisões, haja vista, os efeitos de instrumentalização da necropolítica do Estado no cárcere, que segue engenhosamente seu curso em favor do projeto de genocídio da população negra no Brasil.
[1] Pessoas privadas de liberdade
[2] Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo
[3] Lei de Acesso à Informação
[4] O/a agente da Pastoral Carcerária é um(a) trabalhador(a) voluntário(a) de iniciativa sociotransformadora da Igreja Católica, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reconhecida nacional e internacionalmente pela luta em prol da garantia dos Direitos Humanos.
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Este trabalho investiga os efeitos da falta grave, o impacto na manutenção do superencarceramento e a racialização no sistema punitivo. Toma por base a teoria social crítica da interseccionalidade e avalia os impactos na execução da pena, do aumento do tempo e o acúmulo da violação de direitos na prisão. De natureza qualitativa, utiliza metodologias mistas e complementares, como: observação in locus, escuta ativa das PPLs[1]; aplicação de questionários; registro de relatos das pessoas punidas; estudo de grupo focal; e dados oficiais (quantitativos) da SAP/SP[2], informados via LAI[3]. O estudo de campo decorre em virtude das visitas realizadas nas unidades prisionais do Complexo Prisional de Franco da Rocha/SP, no ano de 2023, favorecido pelo trabalho da pesquisadora e agente da Pastoral Carcerária[4]. Ao estudo da operacionalização do aparelho prisional e sua mecânica disciplinar na produção de corpos obedientes apoia-se aos pressupostos foucaultianos do dispositivo disciplinar, da autonomização da pena, e do ilegalismo, a fim de fundamentar os fenômenos intramuros. Os trabalhos de Dias (2014), Cacicedo (2018), Machado e Pinto (2019), Giamberardino (2019), apontam às dinâmicas produzidas pela falta grave no sistema prisional punitivo. Ademais, os estudos das intelectuais negras (brasileiras e norte-americanas), Alves (2015), Borges (2019), Lúcio (2024), Alexander (2017), Davis (2018) e Collins (2024), indicam a relação do encarceramento da população negra, no continuum processo de colonização e o aprofundamento das opressões sob este grupo. Essa investigação aponta que o racismo estrutural e institucionalizado nas prisões se estabelece nas relações, manipula a discricionariedade nas ações dos agentes prisionais e sustenta violações de todo tipo. Revela que a população negra encarcerada é a mais impactada pelo sistema punitivo (82% das pessoas que respondem por falta grave) e, portanto, mantenedora do fenômeno do superencarceramento. Porquanto, no conjunto: da experiência empírica; do cruzamento das informações elencadas neste trabalho; do arcabouço teórico-metodológico alicerçados aos conceitos - do poder disciplinar, de Michel Foucault (2014), do dispositivo de racialidade, de Sueli Carneiro (2023), e do necropoder, de Achille Mbembe (2016), ao serem articulados ao estado de coisas inconstitucional do sistema prisional brasileiro e o sistema penal punitivo, configura-se no necroencarceramento - fenômeno que irrompe do/no sistema prisional brasileiro -, e aponta para engrenagem que mantém o bom funcionamento das prisões, haja vista, os efeitos de instrumentalização da necropolítica do Estado no cárcere, que segue engenhosamente seu curso em favor do projeto de genocídio da população negra no Brasil.
[1] Pessoas privadas de liberdade
[2] Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo
[3] Lei de Acesso à Informação
[4] O/a agente da Pastoral Carcerária é um(a) trabalhador(a) voluntário(a) de iniciativa sociotransformadora da Igreja Católica, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reconhecida nacional e internacionalmente pela luta em prol da garantia dos Direitos Humanos.
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HELOISA GABRIELA GREGORIO
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Evolução do uso de indicadores de cor ou raça em políticas públicas de ação afirmativa racial no Brasil: dilemas contemporâneos sobre a visibilização e invisibilização da população negra.
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Orientador : SIDNEY JARD DA SILVA
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Data: 21/10/2025
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A desigualdade racial é uma característica de longa data e ainda estruturalmente nociva na sociedade brasileira, impactando a qualidade de vida de sua população. Assim como dados demográficos, como os produzidos através dos censos nacionais, são importantes para orientar políticas públicas para o bem-estar da população em geral, o recorte por cor ou raça desses dados é fundamental para a produção de indicadores étnico-raciais, adequados para focalizar políticas públicas de promoção da igualdade racial. Esta pesquisa investigou a evolução do recorte cor ou raça na produção de indicadores de política pública no Brasil. Explorou em perspectiva histórica e contemporânea a articulação das dimensões: ideologia racial hegemônica; política de Estado para a questão racial; e modulação dos quesitos de classificação racial, como modelo explicativo das continuidades, descontinuidades e possíveis rupturas na produção e uso de indicadores étnico-raciais e nas políticas públicas de ação afirmativa de promoção da igualdade racial. Concluiu-se que as modulações históricas das categorias de classificação racial, e a sobreposição de ideologias raciais distintas, legariam ao debate racial brasileiro atual uma tensão identitária, apontando para possíveis rupturas, que não excluí novas invisibilização e desorganização de pretos e pardos.
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A desigualdade racial é uma característica de longa data e ainda estruturalmente nociva na sociedade brasileira, impactando a qualidade de vida de sua população. Assim como dados demográficos, como os produzidos através dos censos nacionais, são importantes para orientar políticas públicas para o bem-estar da população em geral, o recorte por cor ou raça desses dados é fundamental para a produção de indicadores étnico-raciais, adequados para focalizar políticas públicas de promoção da igualdade racial. Esta pesquisa investigou a evolução do recorte cor ou raça na produção de indicadores de política pública no Brasil. Explorou em perspectiva histórica e contemporânea a articulação das dimensões: ideologia racial hegemônica; política de Estado para a questão racial; e modulação dos quesitos de classificação racial, como modelo explicativo das continuidades, descontinuidades e possíveis rupturas na produção e uso de indicadores étnico-raciais e nas políticas públicas de ação afirmativa de promoção da igualdade racial. Concluiu-se que as modulações históricas das categorias de classificação racial, e a sobreposição de ideologias raciais distintas, legariam ao debate racial brasileiro atual uma tensão identitária, apontando para possíveis rupturas, que não excluí novas invisibilização e desorganização de pretos e pardos.
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MARIA LUIZA CAVAZOTTO GUILHERME
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Migrantes e pessoas em situação de refúgio: os perfis de interesse das empresas privadas
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Orientador : GILBERTO MARCOS ANTONIO RODRIGUES
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Data: 07/11/2025
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Esta pesquisa pretende compreender o cenário do trabalho no campo da imigração em condições de vulnerabilidade e das pessoas em situação de refúgio no Brasil, a partir da análise de relatórios e pesquisas disponibilizadas pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), agências para migrantes e pessoas em condição de refúgio da Organização das Nações Unidas (ONU). A pesquisa tem como objetivo geral identificar o perfil profissional que empresas privadas oferecem para a população migrante e para a população em refúgio no Brasil, buscando identificar os fatores que contribuem para uma inclusão justa, segundo o que está previsto na legislação do país e nos acordos internacionais. Fundamentado na metodologia de tipo bibliográfico documental, o trabalho realizou uma análise aprofundada de estudos específicos sobre as ações na área do trabalho para examinar as vagas oferecidas para as pessoas migrantes e em condição de refúgio, além de trazer uma visão crítica sobre a legislação nacional e internacional e o papel do Estado e do setor privado na construção do trabalho dessa população
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Esta pesquisa pretende compreender o cenário do trabalho no campo da imigração em condições de vulnerabilidade e das pessoas em situação de refúgio no Brasil, a partir da análise de relatórios e pesquisas disponibilizadas pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), agências para migrantes e pessoas em condição de refúgio da Organização das Nações Unidas (ONU). A pesquisa tem como objetivo geral identificar o perfil profissional que empresas privadas oferecem para a população migrante e para a população em refúgio no Brasil, buscando identificar os fatores que contribuem para uma inclusão justa, segundo o que está previsto na legislação do país e nos acordos internacionais. Fundamentado na metodologia de tipo bibliográfico documental, o trabalho realizou uma análise aprofundada de estudos específicos sobre as ações na área do trabalho para examinar as vagas oferecidas para as pessoas migrantes e em condição de refúgio, além de trazer uma visão crítica sobre a legislação nacional e internacional e o papel do Estado e do setor privado na construção do trabalho dessa população
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MARIANA BOMFIM SOUSA FERREIRA
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Solidão e saúde mental de mulheres negras: reflexões com usuárias do Centro de Atenção Psicossocial II de Cidade Tiradentes - SP.
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Orientador : BRUNA MENDES DE VASCONCELLOS
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Data: 07/11/2025
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Este trabalho reflete, a partir das experiências e narrativas biográficas de mulheres negras que residem em Cidade Tiradentes, sobre a solidão das mulheres negras. Analisa se o preterimento nas relações afetivo-sexuais e sociais, somado ao abandono das estruturas econômico-sociais, possui vínculos com o sofrimento psíquico vivenciado por essas mulheres. As imagens de controle fazem parte da estrutura social que coloca essas mulheres no mais baixo lugar de desejabilidade afetiva e das possibilidades de autonomia socioeconômica. Para refletir sobre o tema, foram entrevistadas quatro mulheres que se auto identificam como pretas, pardas ou negras, atendidas no CAPS – Centro de Atenção Psicossocial de Cidade Tiradentes – e que têm diagnóstico em alguma psicopatologia. A partir das narrativas e do testemunho de suas próprias experiências pessoais, foram analisados os discursos a fim de investigar a experiência da solidão registrada em suas vidas. O objetivo deste trabalho é, portanto, analisar os efeitos dos abandonos estruturais e afetivos na saúde mental de mulheres negras. A análise das entrevistas realizadas, em conjunto com a bibliografia selecionada, revela que o abandono das instituições sociais possui vínculos com o adoecimento mental dessas mulheres negras. Por outro lado, o abandono afetivo-sexual, por vezes, é sentido mesmo quando as entrevistadas estão em um relacionamento sério com alguém. Outras nuances da solidão relacionada ao seio familiar também foram perceptíveis. Todas as participantes relataram momentos precisos — traumáticos — que desencadearam a ruptura de sua saúde mental. Com vistas a situar a emocionalidade no campo da construção das relações sociais, procura-se aqui aprofundar nesse debate também com o objetivo de subsidiar futuras políticas públicas na área da saúde mental.
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Este trabalho reflete, a partir das experiências e narrativas biográficas de mulheres negras que residem em Cidade Tiradentes, sobre a solidão das mulheres negras. Analisa se o preterimento nas relações afetivo-sexuais e sociais, somado ao abandono das estruturas econômico-sociais, possui vínculos com o sofrimento psíquico vivenciado por essas mulheres. As imagens de controle fazem parte da estrutura social que coloca essas mulheres no mais baixo lugar de desejabilidade afetiva e das possibilidades de autonomia socioeconômica. Para refletir sobre o tema, foram entrevistadas quatro mulheres que se auto identificam como pretas, pardas ou negras, atendidas no CAPS – Centro de Atenção Psicossocial de Cidade Tiradentes – e que têm diagnóstico em alguma psicopatologia. A partir das narrativas e do testemunho de suas próprias experiências pessoais, foram analisados os discursos a fim de investigar a experiência da solidão registrada em suas vidas. O objetivo deste trabalho é, portanto, analisar os efeitos dos abandonos estruturais e afetivos na saúde mental de mulheres negras. A análise das entrevistas realizadas, em conjunto com a bibliografia selecionada, revela que o abandono das instituições sociais possui vínculos com o adoecimento mental dessas mulheres negras. Por outro lado, o abandono afetivo-sexual, por vezes, é sentido mesmo quando as entrevistadas estão em um relacionamento sério com alguém. Outras nuances da solidão relacionada ao seio familiar também foram perceptíveis. Todas as participantes relataram momentos precisos — traumáticos — que desencadearam a ruptura de sua saúde mental. Com vistas a situar a emocionalidade no campo da construção das relações sociais, procura-se aqui aprofundar nesse debate também com o objetivo de subsidiar futuras políticas públicas na área da saúde mental.
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ERIK RODRIGUES DAS DORES
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MASCULINIDADES EM JOGO:
Gênero em disputa no futebol de várzea da cidade de Santo André
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Orientador : ARLENE MARTINEZ RICOLDI
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Data: 10/11/2025
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Esta dissertação analisa as masculinidades a partir da experiência de um time misto de futebol de várzea na cidade de Santo André. Partimos da compreensão de que o futebol no Brasil é um esporte tradicionalmente masculinizado e de socialização dos homens. Assim, a presente pesquisa se insere no campo dos estudos de gênero que compreendem as masculinidades como construção social. O objeto de estudo são as masculinidades no espaço de homossociabilidade do futebol amador. O objetivo geral desta pesquisa é compreender como as masculinidades se manifestam nesse espaço. A metodologia utilizada foi a etnografia baseada na observação participante durante as partidas da equipe Celeste Proletária. Para delimitar o local onde foi desenvolvida a pesquisa, introduzimos uma contextualização histórica do processo de exclusivismo masculino do futebol no país, além de indicarmos os circuitos futebolísticos da cidade de Santo André. Apresentamos a equipe Celeste Proletária Futebol e Luta de Classes, time amador misto – ainda que a maioria de seus participantes sejam do sexo masculino – que atua contra times masculinos aos fins de semana, bem como o circuito dos times-coletivos. Com base na análise das observações de campo, buscamos identificar como as masculinidades negociam com o currículo esperado para homens nesse espaço, bem como relacionam-se entre si. Por fim, buscamos identificar possíveis inflexões causadas pela presença feminina como jogadoras na experiência do time misto, chegando à conclusão de que a presença feminina acirra as disputas entre os homens, além de colocar em evidência as tensões causadas pela desigualdade de gênero, que usualmente ficam escondidas
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Esta dissertação analisa as masculinidades a partir da experiência de um time misto de futebol de várzea na cidade de Santo André. Partimos da compreensão de que o futebol no Brasil é um esporte tradicionalmente masculinizado e de socialização dos homens. Assim, a presente pesquisa se insere no campo dos estudos de gênero que compreendem as masculinidades como construção social. O objeto de estudo são as masculinidades no espaço de homossociabilidade do futebol amador. O objetivo geral desta pesquisa é compreender como as masculinidades se manifestam nesse espaço. A metodologia utilizada foi a etnografia baseada na observação participante durante as partidas da equipe Celeste Proletária. Para delimitar o local onde foi desenvolvida a pesquisa, introduzimos uma contextualização histórica do processo de exclusivismo masculino do futebol no país, além de indicarmos os circuitos futebolísticos da cidade de Santo André. Apresentamos a equipe Celeste Proletária Futebol e Luta de Classes, time amador misto – ainda que a maioria de seus participantes sejam do sexo masculino – que atua contra times masculinos aos fins de semana, bem como o circuito dos times-coletivos. Com base na análise das observações de campo, buscamos identificar como as masculinidades negociam com o currículo esperado para homens nesse espaço, bem como relacionam-se entre si. Por fim, buscamos identificar possíveis inflexões causadas pela presença feminina como jogadoras na experiência do time misto, chegando à conclusão de que a presença feminina acirra as disputas entre os homens, além de colocar em evidência as tensões causadas pela desigualdade de gênero, que usualmente ficam escondidas
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DÉBORA PEREIRA DE ALMEIDA
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Maternidades Ambivalentes: Gênero, trabalho e cuidado nas trajetórias de mulheres-mães trabalhadoras do Grande ABC
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Orientador : MARILDA APARECIDA DE MENEZES
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Data: 28/11/2025
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O presente trabalho contribui para a compreensão dos modos pelos quais mulheres-mães trabalhadoras, residentes da Região do Grande ABC, articulam o trabalho do cuidado e o trabalho assalariado, bem como quais os potenciais sentidos construídos no seio de relações interpessoais e da nova perspectiva que surgem com o tornar-se mãe, através da análise de suas trajetórias e experiências, presentes em suas narrativas. Em sociedades capitalistas modernas, a divisão sexual do trabalho atribui às mulheres o exercício não remunerado, ou precarizado, do trabalho reprodutivo, nele contido o trabalho do cuidado (Federici, 2019; Fraser, 2016; Hirata & Kergoat, 2007; Hirata & Guimarães, 2012). Contemporaneamente, a inserção feminina no mercado de trabalho assalariado ocorre sob limitações de espaço, qualidade dos vínculos e dupla jornada (Biroli, 2018), condição que se agrava diante da maternidade (Guiginski & Wajnman, 2022). Partindo de uma perspectiva do “nó” de Saffioti (2015) o estudo enfoca experiências de mães trabalhadoras consideradas aos seus diferentes posicionamentos de raça e classe, observando-se, também a literatura análoga relacionada à interseccionalidade (Davis, 2016; Collins & Bilge, 2021). A maternidade, como eixo interseccional, surge como categoria ambivalente: como aprofundamento da opressão de gênero, ao mesmo tempo como fonte de potencialidades de resistências de mulheres (O’Reilly, 2019; Barbosa, 2019). Nas suas experiências (Thompson, 1981) e trajetórias, observaremos as estratégias utilizadas por elas enquanto ocupantes de dois espaços: doméstico – do trabalho reprodutivo, do cuidado, e externo, do trabalho assalariado, na vida pública. A estratégia da flexibilização dos vínculos de trabalho, encontrada nos relatos das mulheres-mães trabalhadoras, é investigada em sua dubiedade: como elemento precarizante, bem como forma de resistência, possibilitando a construção de autonomia financeira e pessoal destas mulheres. Ainda, foram investigadas práticas de resistências e microrresistências (Scott, 2013) pautadas em afeto, em suas diversas conformações, em que mulheres-mães, para além da instituição da maternidade e da utilidade desse afeto em um Estado neoliberal, desenvolvem na experiência da maternagem, potencialidades nas relações construídas junto às suas comunidades, a outras mães (sororidade materna) e à sua família, no contexto das subjetividades do trabalho do cuidado, e a sua importância na construção de perspectivas de si e do social. Para o desenvolvimento da pesquisa, sob o método qualitativo, em história oral, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, com 8 (oito) mulheres-mães trabalhadoras residentes na Região do Grande ABC (SP), complementadas por questionário aplicado a 50 mães trabalhadoras, bem como por estatísticas de gênero disponibilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O referencial teórico abrange a literatura sobre gênero, divisão sexual do trabalho, maternidade, precarização do trabalho e resistência das classes subalternas.
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O presente trabalho contribui para a compreensão dos modos pelos quais mulheres-mães trabalhadoras, residentes da Região do Grande ABC, articulam o trabalho do cuidado e o trabalho assalariado, bem como quais os potenciais sentidos construídos no seio de relações interpessoais e da nova perspectiva que surgem com o tornar-se mãe, através da análise de suas trajetórias e experiências, presentes em suas narrativas. Em sociedades capitalistas modernas, a divisão sexual do trabalho atribui às mulheres o exercício não remunerado, ou precarizado, do trabalho reprodutivo, nele contido o trabalho do cuidado (Federici, 2019; Fraser, 2016; Hirata & Kergoat, 2007; Hirata & Guimarães, 2012). Contemporaneamente, a inserção feminina no mercado de trabalho assalariado ocorre sob limitações de espaço, qualidade dos vínculos e dupla jornada (Biroli, 2018), condição que se agrava diante da maternidade (Guiginski & Wajnman, 2022). Partindo de uma perspectiva do “nó” de Saffioti (2015) o estudo enfoca experiências de mães trabalhadoras consideradas aos seus diferentes posicionamentos de raça e classe, observando-se, também a literatura análoga relacionada à interseccionalidade (Davis, 2016; Collins & Bilge, 2021). A maternidade, como eixo interseccional, surge como categoria ambivalente: como aprofundamento da opressão de gênero, ao mesmo tempo como fonte de potencialidades de resistências de mulheres (O’Reilly, 2019; Barbosa, 2019). Nas suas experiências (Thompson, 1981) e trajetórias, observaremos as estratégias utilizadas por elas enquanto ocupantes de dois espaços: doméstico – do trabalho reprodutivo, do cuidado, e externo, do trabalho assalariado, na vida pública. A estratégia da flexibilização dos vínculos de trabalho, encontrada nos relatos das mulheres-mães trabalhadoras, é investigada em sua dubiedade: como elemento precarizante, bem como forma de resistência, possibilitando a construção de autonomia financeira e pessoal destas mulheres. Ainda, foram investigadas práticas de resistências e microrresistências (Scott, 2013) pautadas em afeto, em suas diversas conformações, em que mulheres-mães, para além da instituição da maternidade e da utilidade desse afeto em um Estado neoliberal, desenvolvem na experiência da maternagem, potencialidades nas relações construídas junto às suas comunidades, a outras mães (sororidade materna) e à sua família, no contexto das subjetividades do trabalho do cuidado, e a sua importância na construção de perspectivas de si e do social. Para o desenvolvimento da pesquisa, sob o método qualitativo, em história oral, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, com 8 (oito) mulheres-mães trabalhadoras residentes na Região do Grande ABC (SP), complementadas por questionário aplicado a 50 mães trabalhadoras, bem como por estatísticas de gênero disponibilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O referencial teórico abrange a literatura sobre gênero, divisão sexual do trabalho, maternidade, precarização do trabalho e resistência das classes subalternas.
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BIANCA PESSOA TENÓRIO WANDERLEY
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COMUNICAÇÃO FEMINISTA POPULAR: VIDA E LUTA DAS MULHERES NO CENTRO DA NARRATIVA
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Orientador : BRUNA MENDES DE VASCONCELLOS
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Data: 17/12/2025
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A comunicação popular na América Latina emerge como prática política vinculada aos movimentos sociais desde a década de 1970, articulando a organização coletiva à construção de narrativas próprias sobre as lutas populares e seus militantes. Ao longo das décadas, suas formas e ferramentas se renovaram, mantendo como princípio base a construção de sentidos e o fortalecimento das lutas. Nesse contexto, a comunicação feminista popular se constitui como um desdobramento e aprofundamento dessas práticas, desenvolvida a partir da auto-organização das mulheres nos movimentos feministas populares. Enraizada nos territórios, nos corpos e nas histórias das mulheres e de seus movimentos, ela narra as experiências de luta e de construção de alternativas a partir da solidariedade e do trabalho coletivo. Mais que uma ferramenta de difusão, a comunicação feminista popular atua como campo de produção de conhecimento, fundamentada no saber acumulado e na prática cotidiana dos movimentos, suas militantes e das trabalhadoras da comunicação.
As experiências de comunicação feminista popular analisadas nesta pesquisa, a saber: o portal Capire, a Rádio Mundo Real e o Editorial de la Mujer, demonstram como essa comunicação se realiza por meio de metodologias colaborativas e perspectivas que reconhecem as mulheres como produtoras de saber e agentes de transformação. Ao contrapor-se à lógica hegemônica da mídia corporativa, essas práticas comunicacionais fortalecem a autonomia dos movimentos feministas populares e disputam as narrativas hegemônicas. Assim, essa pesquisa analisou como a comunicação feminista popular se consolida como prática política com caráter epistêmico e como expressão concreta de comunicação contra-hegemônica.
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A comunicação popular na América Latina emerge como prática política vinculada aos movimentos sociais desde a década de 1970, articulando a organização coletiva à construção de narrativas próprias sobre as lutas populares e seus militantes. Ao longo das décadas, suas formas e ferramentas se renovaram, mantendo como princípio base a construção de sentidos e o fortalecimento das lutas. Nesse contexto, a comunicação feminista popular se constitui como um desdobramento e aprofundamento dessas práticas, desenvolvida a partir da auto-organização das mulheres nos movimentos feministas populares. Enraizada nos territórios, nos corpos e nas histórias das mulheres e de seus movimentos, ela narra as experiências de luta e de construção de alternativas a partir da solidariedade e do trabalho coletivo. Mais que uma ferramenta de difusão, a comunicação feminista popular atua como campo de produção de conhecimento, fundamentada no saber acumulado e na prática cotidiana dos movimentos, suas militantes e das trabalhadoras da comunicação.
As experiências de comunicação feminista popular analisadas nesta pesquisa, a saber: o portal Capire, a Rádio Mundo Real e o Editorial de la Mujer, demonstram como essa comunicação se realiza por meio de metodologias colaborativas e perspectivas que reconhecem as mulheres como produtoras de saber e agentes de transformação. Ao contrapor-se à lógica hegemônica da mídia corporativa, essas práticas comunicacionais fortalecem a autonomia dos movimentos feministas populares e disputam as narrativas hegemônicas. Assim, essa pesquisa analisou como a comunicação feminista popular se consolida como prática política com caráter epistêmico e como expressão concreta de comunicação contra-hegemônica.
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Teses |
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TARCIZIO ROBERTO DA SILVA
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RACISMO ALGORÍTMICO E REGULAÇÃO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: O CONTRATO RACIAL NA PRODUÇÃO DO PL 2338/2023
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Orientador : SERGIO AMADEU DA SILVEIRA
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Data: 07/02/2025
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A tese discute o fenômeno do racismo algorítmico e sua relação com a regulação da inteligência artificial, com foco na elaboração do Projeto de Lei 2338/2023. O texto é desenvolvido a partir de uma abordagem crítica, utilizando as Teorias Críticas da Raça (TCR) como principal referencial teórico. O autor argumenta que o racismo é um componente estrutural das sociedades contemporâneas, profundamente enraizado nas práticas tecnológicas e institucionais, e que a opacidade dos algoritmos pode perpetuar e intensificar as desigualdades raciais. Examina como as tecnologias de IA, principalmente sistemas algorítmicos, são utilizadas para reforçar hierarquias raciais sob a lógica do capitalismo racial. A análise abrange o desenvolvimento histórico das categorias raciais e como elas continuam sendo reconfiguradas para atender aos interesses econômicos e políticos das potências coloniais e pós-coloniais.
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A tese discute o fenômeno do racismo algorítmico e sua relação com a regulação da inteligência artificial, com foco na elaboração do Projeto de Lei 2338/2023. O texto é desenvolvido a partir de uma abordagem crítica, utilizando as Teorias Críticas da Raça (TCR) como principal referencial teórico. O autor argumenta que o racismo é um componente estrutural das sociedades contemporâneas, profundamente enraizado nas práticas tecnológicas e institucionais, e que a opacidade dos algoritmos pode perpetuar e intensificar as desigualdades raciais. Examina como as tecnologias de IA, principalmente sistemas algorítmicos, são utilizadas para reforçar hierarquias raciais sob a lógica do capitalismo racial. A análise abrange o desenvolvimento histórico das categorias raciais e como elas continuam sendo reconfiguradas para atender aos interesses econômicos e políticos das potências coloniais e pós-coloniais.
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THIAGO SALES BARBOSA
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COOPERAÇÃO EDUCACIONAL SUL-SUL: UM ESTUDO SOBRE A PARTICIPAÇÃO DOS PAÍSES AFRICANOS DE LÍNGUA OFICIAL PORTUGUESA (PALOP) NO PROGRAMA ESTUDANTES-CONVÊNIO (PEC)
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Orientador : PAULO SERGIO DA COSTA NEVES
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Data: 10/02/2025
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Este trabalho resulta de uma pesquisa acerca da participação dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) no Programa de Estudantes-Convênio (PEC). Embora as relações socioculturais entre o Brasil e os PALOP remetam ao período colonial, as relações diplomáticas entre esses países datam de meados dos anos 1970, quando esses últimos conquistaram suas respectivas independências em relação a Portugal. Antes disso, entre fins dos anos 1950 e início dos anos 1960, influenciado pelas discussões ocorridas na Conferência de Bandung de 1955, o governo brasileiro identificou nas atividades culturais e educacionais uma oportunidade de aproximar-se da África, que até então era vista como um concorrente comercial do país devido às similaridades dos produtos daquele continente. O que se iniciou nos anos 1960 com ações pontuais de intercâmbios acadêmicos entre o Brasil e os então recém-independentes países africanos, Gana, Senegal e Nigéria, foi gradualmente tornando-se algo mais efetivo com as assinaturas de acordos culturais bilaterais (que à época incluíam o aspecto educacional) e, em seguida, com a participação de estudantes africanos no Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), nos anos 1970, e no Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG), nos anos 1980. Contudo, ao longo das duas décadas seguintes os países em desenvolvimento em geral enfrentaram diversos desafios, tanto em seus ambientes domésticos quanto no cenário internacional. Neste período, por conseguinte, as relações Brasil-África arrefeceram. No início dos anos 2000 houve uma reaproximação Brasil-África e, em especial, Brasil-PALOP. Isto ensejou um aumento importante do número de estudantes PALOP participando das duas modalidades então existentes do Programa de Estudantes-Convênio (PEC-G e PEC-PG). Mas, a partir de meados dos anos 2010 o Brasil e os PALOP passaram por novas turbulências político-sociais em seus respetivos ambientes domésticos, e a conjuntura internacional também se alterou de modo significativo. Para piorar, em março de 2020 foi decretada a pandemia de covid-19, que afligiu o mundo como um todo, mas impactou especialmente os países em desenvolvimento, sobretudo no continente africano. Soma-se a isso, nos últimos anos, a ascensão de extremismos políticos e a emergência climática, entre outros fatores que têm ameaçado não só a busca pelo desenvolvimento sustentável como a própria existência humana, haja vista o aumento na frequência dos eventos climáticos extremos. A fim de mitigar os efeitos desses eventos, em 2015 os países membros das Nações Unidas estabeleceram a Agenda 2030, com metas a serem alcançadas até o ano de 2030. Entre os objetivos dessa agenda incluem-se a intensificação de ações de cooperação internacional para o desenvolvimento, com destaque para a Cooperação Sul-Sul, e o fomento à “educação de qualidade” em todos os níveis, objetivo este ao qual se vinculam as ações de cooperação educacional como as que são desenvolvidas por meio do PEC no Brasil. Neste cenário, sem perder de vista esses fatores mencionados, procuramos compreender como tem se dado a participação dos PALOP no PEC. Constatamos, porém, que embora não haja dúvidas sobre a relevância dessa participação, os órgãos brasileiros responsáveis pelo programa não dispõem de dados consistentes que nos permitam uma avaliação mais detalhada.
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Este trabalho resulta de uma pesquisa acerca da participação dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) no Programa de Estudantes-Convênio (PEC). Embora as relações socioculturais entre o Brasil e os PALOP remetam ao período colonial, as relações diplomáticas entre esses países datam de meados dos anos 1970, quando esses últimos conquistaram suas respectivas independências em relação a Portugal. Antes disso, entre fins dos anos 1950 e início dos anos 1960, influenciado pelas discussões ocorridas na Conferência de Bandung de 1955, o governo brasileiro identificou nas atividades culturais e educacionais uma oportunidade de aproximar-se da África, que até então era vista como um concorrente comercial do país devido às similaridades dos produtos daquele continente. O que se iniciou nos anos 1960 com ações pontuais de intercâmbios acadêmicos entre o Brasil e os então recém-independentes países africanos, Gana, Senegal e Nigéria, foi gradualmente tornando-se algo mais efetivo com as assinaturas de acordos culturais bilaterais (que à época incluíam o aspecto educacional) e, em seguida, com a participação de estudantes africanos no Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), nos anos 1970, e no Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG), nos anos 1980. Contudo, ao longo das duas décadas seguintes os países em desenvolvimento em geral enfrentaram diversos desafios, tanto em seus ambientes domésticos quanto no cenário internacional. Neste período, por conseguinte, as relações Brasil-África arrefeceram. No início dos anos 2000 houve uma reaproximação Brasil-África e, em especial, Brasil-PALOP. Isto ensejou um aumento importante do número de estudantes PALOP participando das duas modalidades então existentes do Programa de Estudantes-Convênio (PEC-G e PEC-PG). Mas, a partir de meados dos anos 2010 o Brasil e os PALOP passaram por novas turbulências político-sociais em seus respetivos ambientes domésticos, e a conjuntura internacional também se alterou de modo significativo. Para piorar, em março de 2020 foi decretada a pandemia de covid-19, que afligiu o mundo como um todo, mas impactou especialmente os países em desenvolvimento, sobretudo no continente africano. Soma-se a isso, nos últimos anos, a ascensão de extremismos políticos e a emergência climática, entre outros fatores que têm ameaçado não só a busca pelo desenvolvimento sustentável como a própria existência humana, haja vista o aumento na frequência dos eventos climáticos extremos. A fim de mitigar os efeitos desses eventos, em 2015 os países membros das Nações Unidas estabeleceram a Agenda 2030, com metas a serem alcançadas até o ano de 2030. Entre os objetivos dessa agenda incluem-se a intensificação de ações de cooperação internacional para o desenvolvimento, com destaque para a Cooperação Sul-Sul, e o fomento à “educação de qualidade” em todos os níveis, objetivo este ao qual se vinculam as ações de cooperação educacional como as que são desenvolvidas por meio do PEC no Brasil. Neste cenário, sem perder de vista esses fatores mencionados, procuramos compreender como tem se dado a participação dos PALOP no PEC. Constatamos, porém, que embora não haja dúvidas sobre a relevância dessa participação, os órgãos brasileiros responsáveis pelo programa não dispõem de dados consistentes que nos permitam uma avaliação mais detalhada.
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MARIANA EUNICE ALVES DE ALMEIDA
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OS DIREITOS LINGUÍSTICOS DE MIGRANTES FORÇADOS: um estudo comparativo entre o estado de São Paulo e a comunidade autônoma da Catalunha a partir de suas políticas regionais
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Orientador : JOSE BLANES SALA
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Data: 11/04/2025
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Pessoas que passam por migrações forçadas enfrentam diversos desafios para se integrarem à comunidade de acolhida, tendo a língua como um fator que tanto pode facilitar quanto dificultar esse processo. Atuando na questão migratória, vemos que os governos nacionais costumam se ocupar com a proteção e regularização da migração, enquanto os governos locais (municípios) geralmente promovem a garantia de acesso a direitos e a integração local. Por isso, indagamos qual é a atuação do nível governamental regional (que se coloca entre o nacional e o local) na promoção da integração linguística desses migrantes. O Brasil se destaca na América Latina, e a Espanha no continente europeu, por serem países que têm recebido grande número de pedidos de proteção internacional nos últimos anos. O estado de São Paulo e a comunidade autônoma da Catalunha estão dentre as regiões de cada país que têm vivenciado uma crescente recepção dessa população. Por isso, a partir de pesquisa de campo combinada a pesquisa documental, este estudo buscou comparar os direitos linguísticos presentes nas iniciativas de política linguística para migrantes forçados nessas duas regiões. A Declaração Universal dos Direitos Linguísticos (DUDL) foi o documento que serviu de base para os direitos observados nos doze tipos de iniciativas encontradas. Verificamos que nenhuma das regiões possui uma política linguística oficial voltada exclusivamente a migrantes forçados. Porém, a partir da atuação de quatro grupos de atores – governos, organizações internacionais, organizações da sociedade civil e universidades –, o que denominamos de iniciativas de política linguística promovem seis dos sete direitos linguísticos direcionados especificamente a esse público. A análise comparativa apresenta como resultado: a) que embora não tenha caráter vinculante, a DUDL se coloca como um documento orientador relevante para guiar políticas que busquem a garantia/promoção de direitos linguísticos de migrantes forçados; b) das regiões estudadas, São Paulo se destaca não somente pela quantidade, mas também pela diversidade de iniciativas de política linguística que promove e, como consequência, direitos linguísticos; c) considerando a atuação em nível regional, os órgãos governamentais apresentam poucas ações para garantir acolhimento e integração linguística ao público em questão; d) o que se destaca é a ação de organizações da sociedade civil, em maior peso, seguida das organizações internacionais e universidades; e finalmente, e) a constatação de que a maior parte dos direitos linguísticos acabam sendo garantidos/promovidos por políticas linguísticas consideradas implícitas.
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Pessoas que passam por migrações forçadas enfrentam diversos desafios para se integrarem à comunidade de acolhida, tendo a língua como um fator que tanto pode facilitar quanto dificultar esse processo. Atuando na questão migratória, vemos que os governos nacionais costumam se ocupar com a proteção e regularização da migração, enquanto os governos locais (municípios) geralmente promovem a garantia de acesso a direitos e a integração local. Por isso, indagamos qual é a atuação do nível governamental regional (que se coloca entre o nacional e o local) na promoção da integração linguística desses migrantes. O Brasil se destaca na América Latina, e a Espanha no continente europeu, por serem países que têm recebido grande número de pedidos de proteção internacional nos últimos anos. O estado de São Paulo e a comunidade autônoma da Catalunha estão dentre as regiões de cada país que têm vivenciado uma crescente recepção dessa população. Por isso, a partir de pesquisa de campo combinada a pesquisa documental, este estudo buscou comparar os direitos linguísticos presentes nas iniciativas de política linguística para migrantes forçados nessas duas regiões. A Declaração Universal dos Direitos Linguísticos (DUDL) foi o documento que serviu de base para os direitos observados nos doze tipos de iniciativas encontradas. Verificamos que nenhuma das regiões possui uma política linguística oficial voltada exclusivamente a migrantes forçados. Porém, a partir da atuação de quatro grupos de atores – governos, organizações internacionais, organizações da sociedade civil e universidades –, o que denominamos de iniciativas de política linguística promovem seis dos sete direitos linguísticos direcionados especificamente a esse público. A análise comparativa apresenta como resultado: a) que embora não tenha caráter vinculante, a DUDL se coloca como um documento orientador relevante para guiar políticas que busquem a garantia/promoção de direitos linguísticos de migrantes forçados; b) das regiões estudadas, São Paulo se destaca não somente pela quantidade, mas também pela diversidade de iniciativas de política linguística que promove e, como consequência, direitos linguísticos; c) considerando a atuação em nível regional, os órgãos governamentais apresentam poucas ações para garantir acolhimento e integração linguística ao público em questão; d) o que se destaca é a ação de organizações da sociedade civil, em maior peso, seguida das organizações internacionais e universidades; e finalmente, e) a constatação de que a maior parte dos direitos linguísticos acabam sendo garantidos/promovidos por políticas linguísticas consideradas implícitas.
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WILLIAM VINICIUS PINTO
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A PRESENÇA DA JUSTIÇA RESTAURATIVA NA EXECUÇÃO DAS MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS EM MEIO ABERTO NA REGIÃO DO GRANDE ABCD
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Orientador : JOSE BLANES SALA
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Data: 16/05/2025
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A investigação se volta à necessidade de identificar a presença e as nuances da Justiça Restaurativa na execução das medidas socioeducativas em meio aberto, tendo como foco compreender o quanto essa relação promove a Garantia dos Direitos no atendimento prestado aos adolescentes em conflito com a lei. Um dos autores que compõem o referencial teórico é Howard Zehr, essencial por abordar as necessidades determinantes e emergentes do conflito, aproximar, corresponsabilizar, restaurar laços sociais e gerar novas formas de relacionamento. O trabalho está alicerçado na análise dos seguintes planos: Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo, Estadual e dos municípios que compõem o ABCD, parte da Região Metropolitana de São Paulo. A metodologia incluiu pesquisa documental, bibliográfica, levantamento de artigos, dissertações e teses que versam sobre o tema, entrevistas semiestruturadas com profissionais que atuam nas executoras de medidas socioeducativas. Diante disso, os resultados foram analisados, levando em consideração as seguintes categorias: Restauração, Medida Socioeducativa e Prática Restaurativa. Enfim, a tese pretende contribuir na implantação e implementação de novas diretrizes para o atendimento prestado aos adolescentes em conflito com a lei.
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A investigação se volta à necessidade de identificar a presença e as nuances da Justiça Restaurativa na execução das medidas socioeducativas em meio aberto, tendo como foco compreender o quanto essa relação promove a Garantia dos Direitos no atendimento prestado aos adolescentes em conflito com a lei. Um dos autores que compõem o referencial teórico é Howard Zehr, essencial por abordar as necessidades determinantes e emergentes do conflito, aproximar, corresponsabilizar, restaurar laços sociais e gerar novas formas de relacionamento. O trabalho está alicerçado na análise dos seguintes planos: Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo, Estadual e dos municípios que compõem o ABCD, parte da Região Metropolitana de São Paulo. A metodologia incluiu pesquisa documental, bibliográfica, levantamento de artigos, dissertações e teses que versam sobre o tema, entrevistas semiestruturadas com profissionais que atuam nas executoras de medidas socioeducativas. Diante disso, os resultados foram analisados, levando em consideração as seguintes categorias: Restauração, Medida Socioeducativa e Prática Restaurativa. Enfim, a tese pretende contribuir na implantação e implementação de novas diretrizes para o atendimento prestado aos adolescentes em conflito com a lei.
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EDNAN SILVA SANTOS SCHMID
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Vigilância, Confissão e Poder: Uma Genealogia da Reordenação de Corpos e Mentes nas Comunidades Terapêuticas sob a Governamentalidade Neoliberal
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Orientador : ALESSANDRA TEIXEIRA
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Data: 27/05/2025
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Esta pesquisa de doutorado tem como intenção analisar a influência do neoliberalismo nas práticas de Comunidades Terapêuticas religiosas e suas ações missionárias voltadas à evangelização de usuários de drogas. A presente tese é resultado de uma pesquisa qualitativa, interdisciplinar, mas situada no campo da história. Por isso, construí um diálogo contínuo entre disciplinas como ciências sociais, políticas públicas, saúde, filosofia e teologia. A seguinte questão direciona essa pesquisa: de que modo as Comunidades Terapêuticas evangélicas destinadas ao acolhimento de usuários de drogas no Brasil, emergiram e se desenvolveram ao longo do tempo? Esse problema de pesquisa está diretamente relacionado ao estudo da governamentalidade neoliberal. Para a produção deste trabalho utilizei diversas fontes, tais como documentos institucionais, entrevista, materiais audiovisuais. Como o leitor irá perceber, todas as fontes foram analisadas a partir das de uma perspectiva etnográfica, o que proporcionou uma perspectiva multissituada e crítica dessas fontes a partir daqueles que passaram pelas Comunidades Terapêuticas. Assim como a apresentação de novas abordagens sobre as práticas missionárias contemporâneas e seus impactos no cotidiano dessas pessoas, na história e na sociedade brasileira. O referencial teórico adotado se baseia nas análises foucaultianas, a partir de uma analítica do poder para compreender as complexas tramas que envolvem o objeto de estudo. Estudar o poder a partir das ferramentas oferecidas por Foucault nos possibilita observar os dispositivos de poder e como ele transita nas imagens, estratégias políticas e mecanismos de gestão articulados a ordens discursivas e narrativas sobre o uso de drogas, a religião e o tratamento de usuários de drogas na história do Brasil.
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Esta pesquisa de doutorado tem como intenção analisar a influência do neoliberalismo nas práticas de Comunidades Terapêuticas religiosas e suas ações missionárias voltadas à evangelização de usuários de drogas. A presente tese é resultado de uma pesquisa qualitativa, interdisciplinar, mas situada no campo da história. Por isso, construí um diálogo contínuo entre disciplinas como ciências sociais, políticas públicas, saúde, filosofia e teologia. A seguinte questão direciona essa pesquisa: de que modo as Comunidades Terapêuticas evangélicas destinadas ao acolhimento de usuários de drogas no Brasil, emergiram e se desenvolveram ao longo do tempo? Esse problema de pesquisa está diretamente relacionado ao estudo da governamentalidade neoliberal. Para a produção deste trabalho utilizei diversas fontes, tais como documentos institucionais, entrevista, materiais audiovisuais. Como o leitor irá perceber, todas as fontes foram analisadas a partir das de uma perspectiva etnográfica, o que proporcionou uma perspectiva multissituada e crítica dessas fontes a partir daqueles que passaram pelas Comunidades Terapêuticas. Assim como a apresentação de novas abordagens sobre as práticas missionárias contemporâneas e seus impactos no cotidiano dessas pessoas, na história e na sociedade brasileira. O referencial teórico adotado se baseia nas análises foucaultianas, a partir de uma analítica do poder para compreender as complexas tramas que envolvem o objeto de estudo. Estudar o poder a partir das ferramentas oferecidas por Foucault nos possibilita observar os dispositivos de poder e como ele transita nas imagens, estratégias políticas e mecanismos de gestão articulados a ordens discursivas e narrativas sobre o uso de drogas, a religião e o tratamento de usuários de drogas na história do Brasil.
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ROBERTA MOYA OLIVEIRA
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Defloradas, pervertidas e abandonadas: uma genealogia da violência sexual a partir da gestão de “menores” entre as décadas de 1940 e 1950 na cidade de São Paulo
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Orientador : ALESSANDRA TEIXEIRA
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Data: 30/05/2025
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Este trabalho procurou traçar uma genealogia, ou uma de suas possíveis vertentes, do estupro no Brasil, refletindo sobre os discursos e instrumentos utilizados no controle e repressão da sexualidade feminina. Baseamos nosso estudo nos registros de prontuários de crianças e adolescentes submetidas ao Serviço Social de Menores e ao Juizado de Menores de São Paulo, no período de 1940 a 1958. Observamos as situações de “defloramento” e estupro e refletimos sobre a maneira como as meninas e adolescentes atingidas pelas violências sexuais foram tratadas, como os discursos incidiram sobre elas, assim como os instrumentos médicos e jurídicos, analisando enfim a influência dos padrões e valores morais impostos a essas meninas e adolescentes sobre suas trajetórias. A maioria dessas meninas teve seus caminhos perpassados por violências, pobreza e abandono, e suas vidas atravessadas pelos discursos que se utilizam do gênero, da classe e da raça para reafirmar preconceitos e impor controle e repressão, produzidos em regra pelas instituições, que, no entanto, deveriam zelar por seus cuidados. Voltamos a esse passado recente, de meninas e adolescentes marcadas pela violência sexual, no intuito de verificar até que ponto os dispositivos de sexualidade utilizados atualmente podem ser rastreados e analisados, identificando o contexto e momento histórico que possibilitaram sua emergência com essa finalidade.
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Este trabalho procurou traçar uma genealogia, ou uma de suas possíveis vertentes, do estupro no Brasil, refletindo sobre os discursos e instrumentos utilizados no controle e repressão da sexualidade feminina. Baseamos nosso estudo nos registros de prontuários de crianças e adolescentes submetidas ao Serviço Social de Menores e ao Juizado de Menores de São Paulo, no período de 1940 a 1958. Observamos as situações de “defloramento” e estupro e refletimos sobre a maneira como as meninas e adolescentes atingidas pelas violências sexuais foram tratadas, como os discursos incidiram sobre elas, assim como os instrumentos médicos e jurídicos, analisando enfim a influência dos padrões e valores morais impostos a essas meninas e adolescentes sobre suas trajetórias. A maioria dessas meninas teve seus caminhos perpassados por violências, pobreza e abandono, e suas vidas atravessadas pelos discursos que se utilizam do gênero, da classe e da raça para reafirmar preconceitos e impor controle e repressão, produzidos em regra pelas instituições, que, no entanto, deveriam zelar por seus cuidados. Voltamos a esse passado recente, de meninas e adolescentes marcadas pela violência sexual, no intuito de verificar até que ponto os dispositivos de sexualidade utilizados atualmente podem ser rastreados e analisados, identificando o contexto e momento histórico que possibilitaram sua emergência com essa finalidade.
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JOÃO FRANCISCO CASSINO
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Soberania Fatiada: Controle das Infraestruturas e Subordinação da Autoridade Pública no Mundo Digital
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Orientador : SERGIO AMADEU DA SILVEIRA
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Data: 02/06/2025
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A presente Tese de Doutorado parte da necessidade do Estado brasileiro intensificar o uso de tecnologias digitais no mundo contemporâneo. No entanto, para além das inúmeras vantagens que essas tecnologias trazem, há efeitos adversos, como o risco de fuga de dados sensíveis para fora do controlo estatal e a dependência da administração pública das grandes empresas do sector de Tecnologias da Informação e da Comunicação. Para compreender o problema, esta pesquisa realizou uma revisão bibliográfica detalhada sobre as principais teorias que abordam esta realidade. Também retomamos a discussão sobre o que é o conceito de soberania e as alterações que vem sofrendo nas últimas décadas. A soberania passa a ser dividida, com o Estado tornando-se refém de infraestruturas controladas por empresas privadas ou privatizadas, sendo a maior parte delas multinacionais estrangeiras. As soluções tecnológicas que o Estado brasileiro está adotando para superar as condições de perda de soberania digital e de soberania de dados são insuficientes. Os produtos e serviços dos modelos de “nuvens soberanas” em implantação mantêm o Brasil em uma condição bastante frágil em relação ao poder das Big Techs. A pesquisa analisa contratos, licenças de uso e legislações do Brasil, EUA e União Europeia para comprovar como a situação atual não melhora a posição brasileira, que segue como vítima de um novo tipo de colonialismo na era digital.
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A presente Tese de Doutorado parte da necessidade do Estado brasileiro intensificar o uso de tecnologias digitais no mundo contemporâneo. No entanto, para além das inúmeras vantagens que essas tecnologias trazem, há efeitos adversos, como o risco de fuga de dados sensíveis para fora do controlo estatal e a dependência da administração pública das grandes empresas do sector de Tecnologias da Informação e da Comunicação. Para compreender o problema, esta pesquisa realizou uma revisão bibliográfica detalhada sobre as principais teorias que abordam esta realidade. Também retomamos a discussão sobre o que é o conceito de soberania e as alterações que vem sofrendo nas últimas décadas. A soberania passa a ser dividida, com o Estado tornando-se refém de infraestruturas controladas por empresas privadas ou privatizadas, sendo a maior parte delas multinacionais estrangeiras. As soluções tecnológicas que o Estado brasileiro está adotando para superar as condições de perda de soberania digital e de soberania de dados são insuficientes. Os produtos e serviços dos modelos de “nuvens soberanas” em implantação mantêm o Brasil em uma condição bastante frágil em relação ao poder das Big Techs. A pesquisa analisa contratos, licenças de uso e legislações do Brasil, EUA e União Europeia para comprovar como a situação atual não melhora a posição brasileira, que segue como vítima de um novo tipo de colonialismo na era digital.
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ELIANE CRISTINA DE CARVALHO MENDOZA MEZA
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MULHERES, MEMÓRIAS E LUTAS:
O ENGAJAMENTO FEMININO NO GRANDE ABC
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Orientador : MARILDA APARECIDA DE MENEZES
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Data: 05/06/2025
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Nossa proposta nesta tese é registrar e compreender a trajetória e articulações de algumas mulheres da região do Grande ABC, estado de São Paulo. Buscamos entender como foi para elas lidar com a pressão social, estar militando em movimentos sociais e cuidar de casa, marido e filhos (as que tiveram). O recorte do período escolhido para a tese não foi especificamente com datas, mas buscamos mulheres que começaram suas atuações na época da ditadura. Foram feitas entrevistas com oito mulheres, de idades variadas, mas com o ponto em comum de terem destaques na atuação dentro dos movimentos sociais da regão do Grande ABC. As análises das entrevistas demonstraram que a maioria das mulheres tiveram dinâmicas bem parecidas na interface público x privado, mesmo atuando de formas diferentes e em outros movimentos diferentes do Movimento de Mulheres. Esse foi outro ponto em comum: a maioria das entrevistadas participaram do chamado Movimento de Mulheres da região; era um movimento que juntava as mulheres da região para pressão política e luta por direitos voltados especificamente para as mulheres, trabalhadoras dentro ou fora de casa.
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Nossa proposta nesta tese é registrar e compreender a trajetória e articulações de algumas mulheres da região do Grande ABC, estado de São Paulo. Buscamos entender como foi para elas lidar com a pressão social, estar militando em movimentos sociais e cuidar de casa, marido e filhos (as que tiveram). O recorte do período escolhido para a tese não foi especificamente com datas, mas buscamos mulheres que começaram suas atuações na época da ditadura. Foram feitas entrevistas com oito mulheres, de idades variadas, mas com o ponto em comum de terem destaques na atuação dentro dos movimentos sociais da regão do Grande ABC. As análises das entrevistas demonstraram que a maioria das mulheres tiveram dinâmicas bem parecidas na interface público x privado, mesmo atuando de formas diferentes e em outros movimentos diferentes do Movimento de Mulheres. Esse foi outro ponto em comum: a maioria das entrevistadas participaram do chamado Movimento de Mulheres da região; era um movimento que juntava as mulheres da região para pressão política e luta por direitos voltados especificamente para as mulheres, trabalhadoras dentro ou fora de casa.
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THIAGO PELLEGRINI VALVERDE
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A ECONOMIA POLÍTICA DO CRIME: CRÍTICA À ANÁLISE ECONÔMICA DO DIREITO PENAL E SUAS BASES NA RACIONALIDADE NEOLIBERAL
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Orientador : JOSE BLANES SALA
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Data: 19/11/2025
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Investiga-se a aplicabilidade da Análise Econômica do Direito (AED) como ferramenta teórica para o Direito Penal no modo de produção capitalista, com ênfase no contexto neoliberal. Parte-se da hipótese de que a AED, ao ser utilizada no campo penal, deve fundamentar-se na macroeconomia, e não na microeconomia, integrando uma perspectiva crítica que considere a totalidade das relações sociais. O objetivo geral é propor uma metodologia alternativa ao uso hegemônico da AED, questionando sua aplicação reducionista, que ignora fatores estruturais como desigualdade, racismo, patriarcado e as dinâmicas do capitalismo. A tese estrutura-se em três eixos: (i) crítica à Teoria da Escolha Racional, que reduz o crime a um cálculo de custo-benefício e desconsidera dimensões emocionais, sociais e neurobiológicas, legitimando políticas punitivistas ineficazes; (ii) conexão entre Direito Penal e capitalismo, mostrando como o Direito Penal neoliberal reforça a criminalização da pobreza e mantém a ordem econômica em detrimento da proteção de direitos fundamentais; e (iii) interdisciplinaridade e totalidade, propondo uma análise que incorpore economia política, criminologia crítica, neurociências e psicologia. Com base em aportes de autores como Byung-Chul Han e da criminologia crítica brasileira, demonstra-se que a AED, em sua forma atual, serve mais à racionalidade neoliberal do que à justiça social. Conclui-se que, para se tornar emancipatória, a AED deve ser reconstruída a partir da macroeconomia marxista, reconhecendo o Direito Penal como instrumento de dominação, mas também como espaço potencial de resistência.
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Investiga-se a aplicabilidade da Análise Econômica do Direito (AED) como ferramenta teórica para o Direito Penal no modo de produção capitalista, com ênfase no contexto neoliberal. Parte-se da hipótese de que a AED, ao ser utilizada no campo penal, deve fundamentar-se na macroeconomia, e não na microeconomia, integrando uma perspectiva crítica que considere a totalidade das relações sociais. O objetivo geral é propor uma metodologia alternativa ao uso hegemônico da AED, questionando sua aplicação reducionista, que ignora fatores estruturais como desigualdade, racismo, patriarcado e as dinâmicas do capitalismo. A tese estrutura-se em três eixos: (i) crítica à Teoria da Escolha Racional, que reduz o crime a um cálculo de custo-benefício e desconsidera dimensões emocionais, sociais e neurobiológicas, legitimando políticas punitivistas ineficazes; (ii) conexão entre Direito Penal e capitalismo, mostrando como o Direito Penal neoliberal reforça a criminalização da pobreza e mantém a ordem econômica em detrimento da proteção de direitos fundamentais; e (iii) interdisciplinaridade e totalidade, propondo uma análise que incorpore economia política, criminologia crítica, neurociências e psicologia. Com base em aportes de autores como Byung-Chul Han e da criminologia crítica brasileira, demonstra-se que a AED, em sua forma atual, serve mais à racionalidade neoliberal do que à justiça social. Conclui-se que, para se tornar emancipatória, a AED deve ser reconstruída a partir da macroeconomia marxista, reconhecendo o Direito Penal como instrumento de dominação, mas também como espaço potencial de resistência.
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GIOVANNA OLINDA DOS SANTOS BERNARDINO
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AMORES HETEROTÓPICOS: análise do dispositivo do amor por meio de experiências etnográficas junto às pessoas que vivem nas ruas
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Orientador : ALESSANDRA TEIXEIRA
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Data: 26/11/2025
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Buscando conhecer as significações amorosas junto às pessoas que vivem no universo das ruas, esta tese esmiuçou o dispositivo do amor a fim de fazer emergir tanto as atuações dos ideários amorosos de nossa sociedade, quanto as narrativas de outras margens sobre o amor. Esse caminho permitiu um panorama diversificado de diferentes significados do amor, ancorados em espaço-tempo específicos, suscitando tensões e reflexões próprias dos lugares etnografados. Utilizando-se de perspectivas multissituadas, explicitamos as aproximações e distâncias culturais entre as ruas do Brasil e dos Estados Unidos, reforçando a multiplicidade dos discursos, bem como as singularidades territoriais. Por meio de olhares fotográficos e escutas afetadas, essa tese produziu terceiras imagens sobre o povo da rua, afirmando seus rostos, mas também, propiciando um debate crítico sobre as relações de poder presentes nas imagens e a força bárbara do olhar humano, precário por natureza. Por fim, refinando a atenção para as questões de gênero no universo da rua, potencializamos as tensões dessa temática ao confrontar os discursos amorosos românticos com os amores que encontramos em campo: heterotópicos, de tão reais.
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Buscando conhecer as significações amorosas junto às pessoas que vivem no universo das ruas, esta tese esmiuçou o dispositivo do amor a fim de fazer emergir tanto as atuações dos ideários amorosos de nossa sociedade, quanto as narrativas de outras margens sobre o amor. Esse caminho permitiu um panorama diversificado de diferentes significados do amor, ancorados em espaço-tempo específicos, suscitando tensões e reflexões próprias dos lugares etnografados. Utilizando-se de perspectivas multissituadas, explicitamos as aproximações e distâncias culturais entre as ruas do Brasil e dos Estados Unidos, reforçando a multiplicidade dos discursos, bem como as singularidades territoriais. Por meio de olhares fotográficos e escutas afetadas, essa tese produziu terceiras imagens sobre o povo da rua, afirmando seus rostos, mas também, propiciando um debate crítico sobre as relações de poder presentes nas imagens e a força bárbara do olhar humano, precário por natureza. Por fim, refinando a atenção para as questões de gênero no universo da rua, potencializamos as tensões dessa temática ao confrontar os discursos amorosos românticos com os amores que encontramos em campo: heterotópicos, de tão reais.
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MÔNICA PERALLI BROTI
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NAS COMUNIDADES ISLÂMICAS EM SÃO PAULO: AS MÚLTIPLAS POSSIBILIDADES DE SER E PODER SER MULHER MUÇULMANA BRASILEIRA, ÁRABE E AFRICANA
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Orientador : ARLENE MARTINEZ RICOLDI
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Data: 09/12/2025
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Esta tese tem por finalidade verificar os elementos que constituem a vivência de mulheres muçulmanas em São Paulo. Para captar uma certa diversidade, almeja analisar a convivência e a sociabilidade nas comunidades islâmicas entre três categorias de religiosas: migrantes de procedência africana, brasileiras sem ascendência étnica árabe (denominada revertida) e das muçulmanas árabes ou de família árabe, a partir de uma combinação singular de autopercepção e reconhecimento, sentimento de pertencimento, valores e crenças religiosas. Para se cumprir esta proposta analítica, foi indispensável o registro de experiências das religiosas muçulmanas que, através do uso da História Oral (HO) e da técnica de observação participante junto às Mesquitas Brasil, Liga da Juventude Islâmica Beneficente do Brasil, Central de Guarulhos, Abu Baker Assadik e Bilal Al Habashi. Procuro apreender: (I) as identificações específicas da identidade muçulmana; (II) em que medida os indicadores sociais correntes, como renda, tipo de ocupação, raça, tradição contribuem (ou não) para as relações estabelecidas entre as religiosas; (III) o reconhecimento social no que respeita a pluralidade de identidades culturais nos espaços religiosos islâmicos. Por fim, o estudo no que respeita a mulher muçulmana com perfis tão distintos, quanto às três categorias de religiosas, permite analisar noções como: estratificação social, reconhecimento, estigmatização, diferenças raciais ou étnicas no interior das mesquitas.
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Esta tese tem por finalidade verificar os elementos que constituem a vivência de mulheres muçulmanas em São Paulo. Para captar uma certa diversidade, almeja analisar a convivência e a sociabilidade nas comunidades islâmicas entre três categorias de religiosas: migrantes de procedência africana, brasileiras sem ascendência étnica árabe (denominada revertida) e das muçulmanas árabes ou de família árabe, a partir de uma combinação singular de autopercepção e reconhecimento, sentimento de pertencimento, valores e crenças religiosas. Para se cumprir esta proposta analítica, foi indispensável o registro de experiências das religiosas muçulmanas que, através do uso da História Oral (HO) e da técnica de observação participante junto às Mesquitas Brasil, Liga da Juventude Islâmica Beneficente do Brasil, Central de Guarulhos, Abu Baker Assadik e Bilal Al Habashi. Procuro apreender: (I) as identificações específicas da identidade muçulmana; (II) em que medida os indicadores sociais correntes, como renda, tipo de ocupação, raça, tradição contribuem (ou não) para as relações estabelecidas entre as religiosas; (III) o reconhecimento social no que respeita a pluralidade de identidades culturais nos espaços religiosos islâmicos. Por fim, o estudo no que respeita a mulher muçulmana com perfis tão distintos, quanto às três categorias de religiosas, permite analisar noções como: estratificação social, reconhecimento, estigmatização, diferenças raciais ou étnicas no interior das mesquitas.
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