TRAJETÓRIA DA LEI KANDIR: Política de desonerações das exportações e equilíbrio federativo
A presente pesquisa analisa a trajetória da política de desoneração das exportações no Brasil, com enfoque na Lei Kandir e seus impactos sobre o federalismo fiscal brasileiro. A investigação busca compreender como a desoneração do ICMS sobre exportações ingressou na agenda governamental após a Constituição de 1988, culminando na edição da Lei Kandir e em sua posterior constitucionalização pela Emenda Constitucional nº 42/2003. O estudo parte do contexto das reformas econômicas liberalizantes dos anos 1990 e da necessidade de ampliar a competitividade externa brasileira diante dos desequilíbrios da balança comercial no período do Plano Real. Nesse cenário, a União promoveu a retirada da incidência do ICMS sobre produtos primários e semielaborados destinados à exportação, utilizando mecanismos de negociação federativa e compensações financeiras aos estados. A pesquisa examina os efeitos dessa política sobre a autonomia financeira dos entes subnacionais, especialmente dos estados exportadores de commodities, que sofreram perdas arrecadatórias significativas e passaram a depender de mecanismos compensatórios frequentemente considerados insuficientes. À luz do modelo dos múltiplos fluxos de John Kingdon, o trabalho busca demonstrar como fatores econômicos, institucionais e políticos convergiram para a construção da agenda das desonerações das exportações. O estudo também discute como a Lei Kandir se consolidou como instrumento de política econômica voltado à inserção internacional do país, ao mesmo tempo em que aprofundou tensões federativas e desigualdades regionais.