Percursos da Internacionalização do Ensino Superior: discussões em torno da agenda recente brasileira e possíveis caminhos pós-pandemia.
Esta tese investiga a construção da agenda e o ciclo das políticas públicas de Internacionalização da Educação Superior Brasileira (ESB) no período compreendido entre a redemocratização (1985) e o presente (2025). A análise se fundamenta em um arcabouço teórico tripartido que articula: (1) a teoria da Formação de Agenda (Agenda-Setting) e do Ciclo de Políticas Públicas, para decodificar os processos decisórios; (2) a Teoria do Equilíbrio Pontuado (Punctuated Equilibrium Theory), para explicar as dinâmicas de estabilidade e mudança abrupta; e (3) a Geopolítica do Conhecimento, inspirada em Milton Santos, para situar a inserção do Brasil em um cenário global assimétrico. A partir desse enquadramento, a tese reconstrói a trajetória de atores estatais centrais (CAPES, MCTI, MEC, CNPq) e de programas estruturantes, como o Ciência sem Fronteiras, o CAPES-PrInt e o CAPES-Global.Edu, evidenciando a passagem de um modelo “passivo”, centrado no envio de estudantes ao exterior, para um modelo “semi-ativo” de cooperação estratégica e, mais recentemente, para arranjos em rede baseados em alianças interinstitucionais. Sustenta-se que o legado desses programas, somado aos impactos da crise da COVID-19 e à legitimação do ensino híbrido, abriu uma “janela de oportunidade” (policy window) para um novo paradigma, em que ganham centralidade a Internacionalização em Casa (IeC) e a Internacionalização do Currículo (IdC). Nesse contexto, a tese propõe o conceito de “mobilidades curriculares”, que articula mobilidades físicas, virtuais e híbridas em diálogo com experiências como as European Universities Initiative (EUI), e argumenta pela emergência de um “5º período” da internacionalização no Brasil, orientado por estratégias mais inclusivas, sustentáveis e soberanas.