Entre postos e Filiais: a expansão do Instituto Butantan em território nacional (1909 - 1925)
Nas primeiras décadas do século XX, o Instituto Butantan ganha maior notoriedade no Brasil, e um dos motivos é sua expansão em território nacional por meio de duas filiais, o Instituto de Higiene de Pelotas, em Pelotas-RS em 1917 e o posto antiofídico, em Salvador-BA em 1921 que tinham como objetivos aumentar o recebimento de serpentes por parte da instituição paulista, além de auxiliar nos serviços de saúde pública para a população local. O projeto parte da compreensão que a historiografia referente ao período de expansão do Instituto Butantan para outros estados foi pouco estudada e deve ser melhor explorada para preencher lacunas. Deste modo, a partir das fontes levantadas que tratam sobre os processos de planejamento e instalação das filiais, assim como a bibliografia que aborda a formação da saúde pública no começo do século XX em São Paulo e no Brasil e discussão sobre a formação da identidade paulista, pretende-se analisar as influências que as filiais geraram em suas localidades, os conflitos que ocorreram a partir delas e suas possíveis descobertas científicas. O projeto trabalha com as hipóteses centrais de que os postos foram usados como forma de propagar a imagem dos paulistas como um estado que cuida dos outros, mas que ao mesmo tempo procurava proteger-se de possíveis problemas sanitários, de servir como pano de fundo para disputas políticas que estavam ocorrendo entre cientistas como Arthur Neiva, Vital Brazil e Afrânio do Amaral, além de ter fornecido descobertas científicas para o caso da filial da Bahia, no qual as fontes apontam para uma nova descoberta de um gênero de serpente da família bothrops.