SOBERANIA COGNITIVA: PADRÕES ENGANOSOS, ALGORITMOS, IA E O DEVER DE CUIDAR NO DESIGN DE INTERFACE VICIOSO DA META
Esta tese investiga a modulação comportamental e a indução ao vício nas plataformas da Meta (Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads), analisando a arquitetura técnica dessas interfaces e a responsabilidade ética dos profissionais que as operam. A pesquisa fundamenta-se na hipótese de que a Meta instrumentaliza a ciência do vício por meio de uma "burocracia algorítmica" e de uma Arquitetura de Escolha Induzida, onde o empilhamento estratégico de deceptive patterns, como confirmshaming e o uso deliberado de gatilhos emocionais, atua na exploração sistemática de vulnerabilidades neurocognitivas. Argumenta-se que, ao negligenciar o dever de cuidar em favor da maximização da economia da atenção, essas interfaces operam sob uma "banalidade do mal" técnica, normalizando danos psíquicos e cognitivos previsíveis. O arcabouço teórico articula os fundamentos da ciência cognitiva (vieses, heurísticas e neurobiologia do vício) com a crítica às tecnologias de modulação comportamental, a dimensão política do design e o capitalismo cognitivo. Metodologicamente, a pesquisa combina uma auditoria técnica de interfaces com entrevistas semiestruturadas junto a colaboradores da Meta e lideranças de agências de publicidade, visando investigar a intencionalidade do design e a percepção ética sobre a normalização do dano aditivo. Os resultados evidenciam que tais mecanismos não constituem erros pontuais de usabilidade, mas estratégias deliberadas de coerção psicológica que cerceiam a soberania cognitiva do sujeito, transformando a autonomia do usuário em um custo psíquico sistematicamente onerado pelo design.