QUEM CONTROLA O CONHECIMENTO? Análise da dependência infraestrutural nas instituições públicas brasileiras de ensino superior
Esta pesquisa analisa as dinâmicas de dependência infraestrutural no ecossistema das Instituições de Ensino Superior (IES) públicas brasileiras em relação a provedores externos, serviços privados nacionais, infraestruturas públicas nacionais e arranjos híbridos que sustentam suas atividades digitais acadêmicas e administrativas. Parte-se do problema de que a plataformização e a crescente presença da inteligência artificial, além de ser uma dimensão estratégica da autonomia institucional, afetam condições de produção, circulação e classificação do conhecimento. A tese traz para os debates sobre infraestruturas de conhecimento, inversão infraestrutural, classificação, e inteligência artificial como mecanização e captura da inteligência social. Este trabalho propõe um gesto metodológico de inversão infraestrutural para analisar as camadas profundas, técnicas e historicamente invisibilizadas da rede como o Sistema de Nomes de Domínio (DNS,) Sistemas Autônomos (ASN), Autoridades Certificadoras e cabeçalhos HTTP/HTTPS, onde se consolidam os arranjos materiais da soberania digital ou da subordinação geopolítica do conhecimento. A hipótese central é que essa dependência não se restringe ao uso de plataformas visíveis aos usuários, mas alcança camadas técnicas menos aparentes, como DNS, registros MX, CNAME, TXT, IP, ASN, certificados SSL/TLS, autenticação, hospedagem, conectividade e serviços de nuvem. Foram analisados 9.145 hosts da IES públicas, dos quais 2.225 apresentaram evidências técnicas ativas. O estudo busca demonstrar que a dependência infraestrutural não é apenas operacional, mas também política, epistemológica e cognitiva, pois envolve o controle das condições materiais e técnicas pelas quais a vida acadêmica é registrada, organizada, classificada e convertida em dados processáveis. Os resultados preliminares revelam um cenário complexo e assimétrico, os dados evidenciam que essa dependência não ocorre de maneira homogênea. Há arranjos híbridos nos quais infraestruturas públicas, institucionais e cooperativas, como a RNP, coexistem com serviços de grandes fornecedores privados, como Google, Microsoft, Amazon e Cloudflare.