Movimentos Sociais e Educação Informal em Santos: entre ações e reações (1895-1930)
A presente pesquisa de doutorado, tem se dedicado a analisar o complexo enredo dos primeiros movimentos sociais, vinculados à formação da classe trabalhadora enquanto práticas de educação informal, na cidade de Santos entre os anos de 1890 e 1930. A pesquisa parte do pressuposto que uma cidade é a produção da história e da atuação de seus indivíduos, moldada a partir de ações capitalistas e afirmação da classe burguesa, o que invariavelmente gera espaços geográficos e sociais distintos para os que nela habitam. É a partir dessas imposições que a classe trabalhadora se forma em suas vivências e experiências. São essas práticas e conhecimentos que formam os trabalhadores na perspectiva da Educação Informal, aquela que se dá fora dos espaços formais de escolarização, como é o caso da cidade referenciada nesta pesquisa.
Um dos eixos centrais deste trabalho é a investigação de como a classe trabalhadora, diante da escassez de espaços de instrução formal e de uma educação pública incapaz de prover as demandas da população, buscou alternativas para sua educação e como essa prática foi fundamental na organização da classe trabalhadora. Na ausência de escolas e de professores que dialogassem com seus ideais, o operariado santista utilizou-se de jornais, panfletos, círculos sociais e ações diretas como ferramentas de educação popular. Essas práticas tinham como objetivo não apenas a reivindicação de direitos básicos, como redução da jornada de trabalho e melhorias salariais, mas também a resistência contra a hegemonia cultural imposta pela elite cafeeira que invariavelmente marginaliza esses trabalhadores e os colocavam em situação de vulnerabilidade.