Gays com Deficiência Física: Sim, Nós Existimos
Esta pesquisa analisa as relações preconceituosas vivenciadas por homens cis endossexo gays com deficiência física (GcDF), fundamentando-se em uma perspectiva interseccional que articula deficiência, sexualidade, capacitismo e passabilidade. A análise visa responder ao questionamento chave sobre como ocorrem as discriminações sofridas por GcDF, sendo a hipótese inicialmente formulada confirmada apenas em parte. Partiu-se do pressuposto de que o preconceito sofrido estaria relacionado ao tipo e ao grau da deficiência, contudo, percebeu-se a inserção da variável passabilidade nas discriminações sofridas, tendo em vista que o preconceito é diretamente proporcional ao quanto essa deficiência pode ser ocultada. O objetivo central é investigar as formas de exclusão e invisibilidade social de GcDF, problematizando o controle sobre corpos dissidentes e a negação da sexualidade da PcD. Para tanto, a pesquisa estabelece como objetivos específicos a delimitar os conceitos de homoafetividade e capacitismo, refletir sobre a violência interseccional e a caracterizar os processos discriminatórios a partir da visibilidade da deficiência. Metodologicamente combinou-se pesquisa bibliográfica e documental, o levantamento de acessibilidade em meios de hospedagem segundo as maiores plataformas de pesquisa e reserva de acomodações e entrevistas abertas com GcDF, integrando elementos autoetnográficos que validam o local de fala do autor. Os principais aspectos discutidos revelam que o preconceito varia conforme o grau de percepção da deficiência e a conformidade aos padrões de masculinidade heteronormativa, sugerindo que a relação entre preconceito e passabilidade é marcada por uma tensão contínua entre barreiras arquitetônicas e atitudinais que limitam seu pertencimento e autonomia e a invisibilização ou fetichização da sua sexualidade. Conclui-se que a interseção entre deficiência e homoafetividade produz formas únicas de exclusão, reforçando a discussão sobre corpos dissidentes como sujeitos legítimos de desejo e a falta de estudos sobre a intersecção entre PcDs e LGBTQIAPN+