A ECONOMIA POLÍTICA DO CRIME: CRÍTICA À ANÁLISE ECONÔMICA DO DIREITO PENAL E SUAS BASES NA RACIONALIDADE NEOLIBERAL
Investiga-se a aplicabilidade da Análise Econômica do Direito (AED) como ferramenta teórica para o Direito Penal no modo de produção capitalista, com ênfase no contexto neoliberal. Parte-se da hipótese de que a AED, ao ser utilizada no campo penal, deve fundamentar-se na macroeconomia, e não na microeconomia, integrando uma perspectiva crítica que considere a totalidade das relações sociais. O objetivo geral é propor uma metodologia alternativa ao uso hegemônico da AED, questionando sua aplicação reducionista, que ignora fatores estruturais como desigualdade, racismo, patriarcado e as dinâmicas do capitalismo. A tese estrutura-se em três eixos: (i) crítica à Teoria da Escolha Racional, que reduz o crime a um cálculo de custo-benefício e desconsidera dimensões emocionais, sociais e neurobiológicas, legitimando políticas punitivistas ineficazes; (ii) conexão entre Direito Penal e capitalismo, mostrando como o Direito Penal neoliberal reforça a criminalização da pobreza e mantém a ordem econômica em detrimento da proteção de direitos fundamentais; e (iii) interdisciplinaridade e totalidade, propondo uma análise que incorpore economia política, criminologia crítica, neurociências e psicologia. Com base em aportes de autores como Byung-Chul Han e da criminologia crítica brasileira, demonstra-se que a AED, em sua forma atual, serve mais à racionalidade neoliberal do que à justiça social. Conclui-se que, para se tornar emancipatória, a AED deve ser reconstruída a partir da macroeconomia marxista, reconhecendo o Direito Penal como instrumento de dominação, mas também como espaço potencial de resistência.