Terra, Sangue e Trabalho: a (re)organização rural no desenvolvimento da reforma agrária chinesa.
Esta dissertação investiga as transformações na organização da China rural decorrentes das políticas agrárias implementadas em dois momentos: a Reforma Agrária e a Agricultura Camponesa Familiar (1949-1953) e a Coletivização Agrícola (a partir de 1953). O percurso metodológico estrutura-se em torno de quatro categorias econômicas de análise: propriedade da terra, relações de produção, papel do Estado e incentivos econômicos, permitindo esquadrinhar as dinâmicas de produção e distribuição no campo chinês.
Os objetivos específicos consistem em: 1) mapear a evolução do debate político sobre a questão agrária nas Obras Escolhidas de Mao Zedong durante os períodos estudados; e 2) analisar de que maneira essas formulações se articulam às transformações organizacionais no campo decorrentes das políticas implementadas. Para alcançá-los, foram selecionadas fontes documentais das coletâneas mencionadas, submetidas a um mapeamento temático orientado pela relação entre seu conteúdo e as categorias econômicas elencadas.
Em contraposição à predominância, na literatura ocidental, de interpretações que compreendem as reformas de 1978 como uma inflexão antissocialista e uma ruptura com a Era Mao, esta pesquisa propõe um caminho analítico inverso: examinar as mudanças no campo chinês a partir da evolução do debate político nacional e dos constrangimentos reais enfrentados pelos planificadores socialistas.