Parceria Estratégica China-Rússia: da Organização para a Cooperação de Xangai às Novas Rotas da Seda e à nova arquitetura geoeconômica eurasiática
As civilizações russa e chinesa possuem um longo histórico de relações comuns, bilaterais e construídas regionalmente. Com o fim da Guerra Fria e dissolução da URSS e da bipolaridade no sistema internacional, a Federação Russa e a China (RPC) normalizaram suas relações e construíram uma parceria estratégica consistente. Isso ocorreu tanto devido às necessidades geopolíticas de ganho de confiança recíprocos e estabilização regional, quando em relação à necessidade de integração geoeconômica entre si e com os parceiros de seu entorno eurasiático, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos, em aliança e instrumentalizando seus aliados, vêm tensionando paulatinamente relações tanto com China quanto com a Rússia há três décadas. A Organização para a Cooperação de Xangai (OCX), lançada em 2001, foi criada para garantir estabilidade regional, sendo um complexo geopolítico de defesa e segurança, cuja função inicial era combater os chamados três males (terrorismo, separatismo e extremismo), ameaças comuns indicadas pelos governos da China, Rússia e parceiros e tem ganhado cada vez mais importância em diversos campos, como o cultural, diplomático e educacional. A partir de tais condições, a aliança entre Rússia e China no sistema internacional tem crescido, o que implica sua necessidade de compreensão em termos de dinâmica da economia política mundial. Os impactos podem se estender além das relações internacionais, como em termos de política externa, economia, padrões tecnológicos e na governança mundial. A pesquisa procura analisar como a formação da OCX contribuiu para a inserção geopolítica da China e da Rússia e sua integração geoeconômica regional e contemporânea. Dessa forma, considera-se a relevância da construção geopolítica da OCX para a consolidação da integração geoeconômica regional e multilateral, principalmente a partir de iniciativas das Novas Rotas da Seda (BRI), propostas pela RPC, que tem como conexões importantes a União Econômica Eurasiática (UEE), proposta pela Rússia, o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) e o BRICS e seu Banco (NDB). Para tal, será realizado um estudo histórico-descritivo com base em documentos oficiais de ambos os governos e de organizações internacionais, bem como em bases de dados, livros e artigos especializados nesta temática. A base teórica empregada compreende a utilização do Marxismo, particularmente no que se refere aos conceitos de imperialismo, hegemonia e estruturas econômicas, políticas e sociais; esta abordagem é associada a autores da tradição do Realismo nas Relações Internacionais, os quais destacam a análise do Estado e das relações de poder no sistema internacional dinâmico; por fim, este enfoque é combinado ainda com autores de tradição da análise geopolítica clássica e moderna, a fim de uma maior contribuição acerca do estudo das estratégias nacionais, parcerias, cooperação e rivalidades entre as potências. Deste modo, argumentamos que a reconstrução histórica envolvendo o processo de desenvolvimento e a integração geopolítica regional, viabilizada pela OCX, China e Rússia, tem apresentado uma aliança estratégica e estariam lançando as bases para uma integração geoeconômica mais robusta, favorecida ainda por instituições como o BRI, AIIB, BRICS e UEE. Tais fatos nos mostram novas dinâmicas de inserção na economia e na geopolítica contemporânea.