AS ELITES POLÍTICAS E AS SOCIEDADES CIVIS NO DESENVOLVIMENTO DA GUINÉ-BISSAU
Esta dissertação analisa o papel das elites políticas e das sociedades civis no desenvolvimento da Guiné-Bissau, tendo como eixo empírico os projetos estatais Terra Ranka e Mon na Lama. Parte-se da constatação de que, desde as primeiras eleições multipartidárias de 1994 até 2025, nenhum governo concluiu o mandato, em um contexto de golpes, dissoluções e sucessivas crises. A pergunta central é por que grandes planos estratégicos, anunciados como soluções para o desenvolvimento, não se consolidam como políticas de Estado. A hipótese é que o país vive menos um simples “subdesenvolvimento” e mais um padrão de desenvolvimento bloqueado, produzido pela combinação entre disputas intra-elite pelo controle do Estado e dos recursos, inserção internacional periférica e dependente, instituições frágeis e uma sociedade civil com capacidade limitada de influência. Metodologicamente, adota-se abordagem qualitativa, com pesquisa bibliográfica e análise documental (constituições, planos, relatórios de doadores, documentos de ONGs e imprensa), em um estudo de caso da Guiné-Bissau com dois estudos de caso internos (Terra Ranka e Mon na Lama). Os resultados mostram, primeiro, a continuidade de uma minoria dirigente, da elite colonial à elite da luta e à nova classe política, e a expansão ambivalente da sociedade civil após 1991. Em seguida, evidenciam estratégias de desenvolvimento marcadas por industrializações desalinhadas, programas de ajustamento estrutural e crescente dependência externa. Por fim, demonstram que Terra Ranka e Mon na Lama materializam projetos concorrentes de elite, cuja disputa agrava a instabilidade e limita a participação substantiva da sociedade civil, contribuindo para a manutenção de uma democratização incompleta.
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