NOS DOMÍNIOS DE ÎAGÛARA: investimento produtivo no capitalismo financeirizado no Brasil, de 2011 a 2015
A presente tese trata do investimento produtivo no Brasil, com especial interesse no período de 2011 a 2015, que corresponde aos dois mandatos do governo da Presidenta Dilma Vana Rousseff. Apresento este tema inserido nas condições existentes do desenvolvimento das forças produtivas capitalistas, caracterizado pela acumulação com predominância financeira, nos seus reflexos na periferia do sistema, neste início do século XXI. O investimento produtivo foi retratado no contexto de suas relações com algumas das políticas econômicas adotadas pelo governo, entre 2011 e 2015, que visavam ativar o investimento produtivo privado, comparando os resultados esperados por essas políticas, e aqueles que foram efetivamente alcançados. A contribuição que aqui se busca é identificar os limites pelos quais o atual regime de acumulação financeira impõe à efetivação de políticas de Estado que busquem dinamizar o investimento produtivo. Tem-se como objetivos, primeiramente, relacionar as limitações colocadas pelo atual estágio da acumulação capitalista em nível mundial às políticas de incentivo à expansão do investimento produtivo privado no Brasil. Em seguida se objetiva interpretar os elementos que caracterizem os reflexos da financeirização, também identificando aqueles que sejam específicos da trajetória histórica brasileira. O trabalho se desenvolve a partir do estudo da aplicação da política econômica, e do investimento no governo Dilma. Em seguida é apresentada a teoria da financeirização de François Chesnais e são apresentados os elementos teóricos das estratégias contemporâneas de acumulação capitalista das grandes corporações, com os reflexos da introdução da lógica financeira. Neste contexto será apresentado um estudo de caso utilizando indicadores econômico-financeiros da Petrobrás, no período estudado. Na parte final do trabalho serão apresentados elementos da Política Industrial como instrumento consciente do Estado para o comando da aplicação do excedente. Tem-se por hipóteses que, i) o malogro das medidas aplicadas no período em questão, é significativamente explicado pela configuração financeirizada do processo de acumulação capitalista vigente; ii) que as formas particulares em que se conformam a inserção periférica e subordinada da economia brasileira, no sistema capitalista mundial, oferecem limitações ainda maiores para o comando do Estado sobre o destino do excedente.