A BURGUESIA INDUSTRIAL BRASILEIRA, O CAPITAL EUROPEU E O
MERCOSUL (2014-2024)
O objetivo desta tese é analisar as relações existentes entre a burguesia brasileira, o capital
europeu e o Mercosul. Entendemos que o entrelaçamento de interesses entre capitais de
origem europeia no Brasil e a burguesia industrial brasileira criou uma situação de grande
dependência das empresas brasileiras em relação ao comportamento do capital estrangeiro
internalizado de origem europeia, permitindo a competição europeia pelo Mercosul em meio à
atual disputa entre Estados Unidos e China, tendo no Acordo Mercosul-União Europeia um
de seus instrumentos. Utilizamos três referenciais teóricos nesta pesquisa: i) as formulações
da Escola Francesa da Regulação para tratar dos regimes de acumulação de capital
internacionais e nacionais; ii) a Teoria Marxista do Estado para a análise do bloco no poder
existente nos Estados nacionais que determinam o regime de acumulação; iii) e a teoria das
Redes Globais de Produção para examinar como o capital de origem europeia organiza sua
estrutura produtiva no Brasil e extrai valor. Utilizamos dados quantitativos (extensivos e
intensivos) e qualitativos na pesquisa. Como metodologia, utilizamos os métodos de Análise
de Conteúdo, entrevistas semiestruturadas e tratamentos econométricos. Os resultados
encontrados no primeiro capítulo nos mostram que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial,
o continente europeu exerceu uma relativa autonomia frente aos Estados Unidos, com os
regimes de acumulação dos Estados mais poderosos do continente, Alemanha, Países Baixos,
Áustria, Espanha e Itália, se voltando para as exportações de bens, serviços e capitais,
podendo recrudescer o imperialismo europeu sobre regiões de seu interesse, como o
Mercosul. No segundo capítulo realizamos um estudo de caso que analisa as redes de
produção alemãs na região do Grande ABC Paulista e encontramos uma relação de grande
imbricação e dependência tecnológica e financeira da burguesia industrial brasileira de
capitais alemães. No terceiro capítulo, realizamos uma Análise de Conteúdo dos
posicionamentos da burguesia industrial brasileira acerca da inserção internacional brasileira e
discutimos o ferramental teórico utilizado por grande parte dessa fração de classe para
justificar os posicionamentos encontrados. O quarto capítulo apresenta e discute o
comportamento da burguesia alemã e a entrada de capitais no Brasil, mostrando os efeitos das
políticas macroeconômicas adotadas no período selecionado e da não conclusão definitiva do
Acordo Mercosul-União Europeia.