Comunicação, território e planejamento urbano: práticas insurgentes e táticas de sobrevivência por movimentos periféricos na Brasilândia, Zona Noroeste de São Paulo (SP)
Esta dissertação investiga as práticas insurgentes e as táticas de sobrevivência articuladas por movimentos populares e periféricos na Brasilândia, zona Noroeste de São Paulo (SP), como estratégias de enunciação dos lugares em contraposição à urbanização corporativa e fragmentada imposta pelo neoliberalismo e pela financeirização da economia. A partir da análise do território usado e praticado, com base em Milton Santos e Ana Clara Torres Ribeiro, a pesquisa analisa: (1) a formação territorial da Brasilândia, desde os quilombos e sítios coloniais até os atuais conflitos urbanos envolvendo grandes projetos viários e habitacionais; (2) uma cartografia da ação de coletivos culturais (saraus, rodas de samba, batalhas de rap, entre outras intervenções artísticas) e veículos de comunicação comunitária (Rádio Cantareira e Rádio Urbanos), evidenciando a densidade comunicacional e a comunicação ascendente como vetores contra-hegemônicos; (3) a cobertura midiática sobre a Brasilândia, confrontando as representações da mídia hegemônica, alternativa e comunitária; e (4) os limites da participação institucional e a potência dos espaços de ação inventados, em diálogo com as teorias do planejamento insurgente, do comum, dos novos ativismos e das tecnopolíticas urbanas. Os resultados apontam que, enquanto o planejamento estatal e a mídia hegemônica tendem a silenciar e criminalizar as periferias, os movimentos periféricos, enraizados na ancestralidade negra e na experiência dos movimentos sociais e populares, redefinem o direito à cidade e à comunicação por meio de práticas que confrontam a psicosfera do medo e a violência da informação. A pesquisa conclui que a favela e a periferia se afirmam como territórios de potência e reinvenção da cidade, onde a cultura popular e a comunicação comunitária constituem gestos-fio capazes de costurar sociabilidades e projetos de futuro, reivindicando um planejamento pautado pelo cotidiano vivido e pela corporificação de direitos.