A PRODUÇÃO DO ESPAÇO NOS EIXOS DE ADENSAMENTO EM SÃO PAULO E AS CONTRADIÇÕES NA RELAÇÃO ENTRE PLANEJAMENTO, PRODUÇÃO IMOBILIÁRIA E NATUREZA
A pesquisa desenvolvida aborda a relação entre planejamento urbano e materialização do espaço construído, destacando o desencontro entre a lógica de ordenação territorial e a lógica de produção do espaço. Considerando, de um lado, as atualizações nos instrumentos e estratégias de planejamento e, de outro, a persistência dos problemas urbanos e ambientais no município de São Paulo, aponta-se a existência de contradições na relação entre planejamento, produção imobiliária e natureza. Neste contexto, a pesquisa se volta para a regulação da produção imobiliária no município, tendo como objetivo analisar como as estratégias e parâmetros relativos à qualificação ambiental são apropriados na prática (em especial o tratamento dado à vegetação na produção imobiliária) e que espaço é produzido a partir dessa apropriação (bem como para quem esse espaço se destina), com enfoque nos Eixos de Estruturação da Transformação Urbana (Eixos). Para alcançar tal objetivo, a pesquisa utilizou procedimentos de análise bibliográfica e documental e análise de dados quantitativos, dedicando-se às produções técnicas e científicas sobre os Eixos, à legislação urbanística e a dados que podem ser associados à produção imobiliária. A partir da análise do aumento da área construída, mudanças nos padrões de construção e usos do solo, supressão e compensação arbórea e variação populacional e de domicílios ocorridas entre os anos de 2010 e 2022, constatou-se baixa preservação da vegetação existente, aumento de construções de padrões médio e alto e adensamento populacional destoante do adensamento construtivo nos locais investigados, localizados no entorno das estações de metrô Vila Madalena e Vila Prudente. As análises permitem problematizar a adoção dos Eixos como um modelo de adensamento e a possibilidade de que esse modelo promova a qualificação urbanística e ambiental necessária no município. Conclui-se que, para recomposição, valorização e fruição da natureza, é preciso repensar a lógica de compensações, bem como o modelo de adensamento adotado.