Microcrédito para melhorias habitacionais: limites, contradições e perspectivas a partir do caso Vivenda
: Esta dissertação analisa a formação e o funcionamento das iniciativas de melhorias habitacionais no Brasil, examinando seu papel no enfrentamento do déficit habitacional qualitativo e na promoção da transformação social em contextos urbanos marcados pela precariedade. Partindo da compreensão de que a maior parcela da carência habitacional brasileira se manifesta nas inadequações das moradias existentes, o estudo investiga como intervenções voltadas à qualificação do ambiente construído, viabilizadas por instrumentos de microcrédito habitacional, contribuem para a melhoria das condições de vida das populações de baixa renda.
A pesquisa acompanha a emergência e a evolução do microcrédito aplicado ao setor habitacional, analisando a consolidação desse mercado no contexto brasileiro e o papel desempenhado por instituições financeiras, organizações da sociedade civil, organismos internacionais e plataformas tecnológicas na formulação de soluções inovadoras. São estabelecidos parâmetros analíticos para avaliar essas iniciativas, considerando a qualificação do ambiente construído, a sustentabilidade financeira das operações e os riscos associados ao endividamento das famílias atendidas.
O estudo de caso da empresa Vivenda é mobilizado como estratégia empírica para compreender os modelos de atuação no campo das melhorias habitacionais, evidenciando arranjos institucionais, estratégias territoriais, inovações financeiras, como a emissão de debêntures sociais, e os desafios relacionados à mensuração de impacto social e à sustentabilidade no longo prazo.
Os resultados indicam que o fortalecimento das iniciativas de melhorias habitacionais constitui um instrumento relevante para a qualificação das moradias populares e para a promoção da inclusão social e da redução das desigualdades urbanas. Ao evidenciar limites e possibilidades do microcrédito habitacional no contexto brasileiro, a dissertação contribui para o debate sobre políticas habitacionais, financiamento urbano e inovação social, ressaltando a necessidade de articulação entre instrumentos financeiros, assistência técnica e políticas públicas estruturantes.