Reestruturação urbana, gentrificação e desigualdade racial no território da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada na cidade de São Paulo: uma análise a partir dos dados censitários (2001–2022)
A financeirização reconfigura o papel das cidades e intensifica desigualdades socioespaciais historicamente construídas. No contexto brasileiro, esse processo se expressa na concentração das classes médias e altas em áreas com melhor infraestrutura, enquanto populações de baixa renda permanecem nas periferias. Em São Paulo, essa dinâmica assume também o caráter racial, com a população negra concentrada majoritariamente nas áreas periféricas. Nesse contexto, o presente trabalho analisa como a Operação Urbana Consorciada Água Espraiada se enquadra em um processo de gentrificação que reproduz e conserva a segregação urbana racial. Metodologicamente, a pesquisa combina revisão bibliográfica crítica, fundamentada nos debates sobre gentrificação, produção do espaço urbano e raça, com a análise de dados dos Censos Demográficos do IBGE de 2000, 2010 e 2022, a partir da leitura espacial por setores censitários e mapas em Sistemas de Informação Geográfica. Se busca evidenciar permanências e tendências na produção desigual do espaço urbano no perímetro da operação na perspectiva da segregação racial.