Museus de Ciências e o Instagram: um panorama brasileiro
Os centros e museus de ciência brasileiros vêm ampliando sua atuação para além dos espaços físicos, incorporando ambientes digitais como parte de suas estratégias de comunicação, divulgação científica e aproximação com diferentes públicos. Embora essas instituições tenham evoluído de espaços voltados apenas à preservação e exposição para ambientes mais interativos e educativos, a participação de jovens ainda é limitada, tornando as redes sociais, especialmente o Instagram, um importante canal para ampliar o diálogo com a sociedade. Nesse contexto, esta pesquisa investiga como os museus de ciência brasileiros utilizam essa plataforma para comunicar ciência e promover o engajamento de seus públicos. O estudo está estruturada em três artigos complementares. O primeiro apresenta uma Revisão Sistemática da Literatura sobre museus de ciência e redes sociais, abrangendo publicações entre 2010 e 2025. A análise identificou cinco eixos temáticos predominantes: dinâmicas socioculturais, transformações digitais durante e após a pandemia, recursos digitais e engajamento, divulgação científica e circulação do conhecimento, e preservação da memória. Os resultados evidenciam que as redes sociais ampliaram o potencial educativo e sociocultural dos museus, mas também revelam desafios relacionados à comunicação dialógica, à inclusão digital e à integração entre experiências presenciais e virtuais. O segundo artigo realiza um panorama da presença institucional dos museus de ciência brasileiros no Instagram, analisando indicadores quantitativos como adesão à plataforma, número de seguidores, frequência de publicações e taxas de engajamento. Os resultados demonstram ampla adoção da rede social, mas evidenciam diferenças significativas entre as instituições quanto ao alcance, à regularidade das postagens e à capacidade de mobilizar seus públicos. Também se observa que perfis menores tendem a apresentar maior engajamento proporcional, enquanto instituições maiores nem sempre convertem sua audiência em interação. Esses estudos fundamentam o terceiro artigo, que analisará o conteúdo das publicações dos museus de ciências brasileiros no Instagram, buscando identificar se predominam estratégias de comunicação unidirecionais ou práticas que favoreçam o diálogo, a aprendizagem informal, a interação com os visitantes e o fortalecimento do interesse público pela ciência. Em conjunto, a pesquisa pretende contribuir para a compreensão da comunicação digital dos museus de ciência brasileiros e oferecer subsídios para o aprimoramento de suas estratégias de divulgação científica e educação não formal.