SENTIDOS SOBRE CIÊNCIA, UNIVERSIDADE E INFÂNCIA: DISCURSOS PRODUZIDOS NO ÂMBITO DO PROJETO UNIVERSIDADE DAS CRIANÇAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC
Esta tese tem como objetivo analisar os discursos produzidos no contexto da ação de extensão Universidade das Crianças, da Universidade Federal do ABC, buscando compreender como práticas comunicacionais e dialógicas de divulgação científica, voltadas ao público infantil, constroem interpretações a partir das interações entre crianças, professoras e cientistas, e cientistas e como contribuem para a constituição de uma cultura científica desde a infância. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter interpretativo, fundamentada na pesquisa participante e desenvolvida no formato multipaper, o que possibilitou a análise do fenômeno a partir de diferentes recortes e níveis de aprofundamento. A produção dos dados ocorreu por meio de observação participante, entrevistas e rodas de conversa, no contexto de encontros realizados no âmbito da ação extensionista. A análise foi conduzida à luz da Análise Textual Discursiva, envolvendo processos de unitarização, categorização e construção de metatextos interpretativos. O percurso analítico estruturou-se a partir de quatro dimensões articuladas: estrutura das práticas, mediação pedagógica, produção científica e recepção infantil, permitindo compreender o fenômeno em sua complexidade e resultando em quatro artigos. Entre os principais achados, destaca-se que ações de divulgação científica, quando orientadas por práticas dialógicas, configura-se como uma experiência formativa, na qual os sujeitos não apenas acessam conteúdos, mas produzem sentidos sobre a ciência, a universidade e seus próprios lugares nesses espaços. Evidencia-se, ainda, o deslocamento do papel do cientista, que passa de uma posição centrada na autoridade do saber para uma atuação marcada pela mediação e pela escuta, bem como a produção, pelas crianças, de interpretações complexas que envolvem pertencimento, acesso e projeção de futuro. A tese contribui, assim, para a compreensão da divulgação científica na infância como uma prática social e formativa, que questiona modelos transmissivos, reconfigura relações de poder nos processos comunicacionais e ampliam as formas de relação com a ciência desde a infância.