NO PONTO DE NÃO RETORNO: CURRÍCULO, RACISMO AMBIENTAL E OUTRAS PEDAGOGIAS
Esta pesquisa apresenta uma análise crítica do Currículo da Cidade-Educação Ambiental do município de São Paulo, entendendo-o como documento curricular e fonte histórica da área do ensino e história das ciências. Orientada pelo conceito do racismo ambiental, o estudo investiga as presenças legitimadas e que constituem o currículo, colocando em evidência, disputas epistemológicas, políticas e sociais que permeiam a produção do conhecimento científico, assim como a transposição desses conhecimentos para o cotidiano da escola desde a infância. Tomando como horizonte o campo da história da Ciência, aqui compreendida não como descrição cronológica de fatos e descobertas, mas como análise crítica de processos históricos de produção, legitimação e divulgação de saberes científicos, a investigação parte do entendimento de que a ciência é uma prática social e cultural situada que é atravessada por disputas epistemológicas, interesses institucionais e relações de poder cujos conceitos e métodos são construídos em conjunturas históricas específicas. Alicerçada por perspectivas antirracistas e no diálogo com epistemologias afro-indígenas, a pesquisa questiona a hegemonia de referências científicas eurocentradas presentes no documento curricular, demonstrando silenciamentos históricos, exclusões epistemológicas e a desqualificação de outras formas de produzir, interpretar e ensinar conhecimentos sobre a natureza, cultura essa diretamente relacionada ao ponto de não retorno ecológico.