Possibilidades e desafios do ensino de genética não-mendeliana na compreensão de estudantes superando o determinismo genético
Esta investigação analisa as potencialidades e desafios de uma intervenção pedagógica pautada na Genética Não-Mendeliana para a superação de visões deterministas em estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental de uma instituição privada em São Paulo. A biologia contemporânea transita para uma "Era da Complexidade", onde o fenótipo emerge de interações dinâmicas entre o genoma e ambiente. Contudo, o ensino de genética permanece frequentemente ancorado em um determinismo reducionista e em uma causalidade linear. A fundamentação teórica e metodológica baseia-se na Análise Discursiva Semiótico-Epistêmica (ADSE), que articula a epistemologia pluralista de Paul Feyerabend com a semiótica estrutural de Louis Hjelmslev. Esta abordagem permite mapear as transformações ontológicas nas concepções dos estudantes, observando se a mudança na "Forma da Expressão"—através de novas metáforas e vocabulários técnicos—resulta em um efetiva reformatação da "Forma do Conteúdo" acerca do gene. A sequência didática experimental, inspirada nas abordagens de Weldon, Radick e Dougherty, privilegia a interação gene-ambiente e a plasticidade fenotípica. Os resultados preliminares, analisados sob as lentes da contraindução e da incomensurabilidade, sugerem que o uso de narrativas fílmicas e o foco na materialidade da molécula de DNA auxiliam na desconstrução da ideia do gene como "ditador do destino". A pesquisa demonstra que a reintegração da história e da filosofia da ciência no currículo é capaz de mitigar o dogmatismo científico, promovendo uma compreensão mais sistêmica, crítica e plural dos fenômenos biológicos, essencial para o letramento científico e o enfrentamento de preconceitos de base biológica.