As representações sociais de futuros professores de física em relação à automatização da coleta de dados e ao pensamento computacional: uma análise comparativa entre discursos discentes e projetos pedagógicos
Este relatório de qualificação investiga as representações sociais de estudantes e professores de Instituições Públicas do Estado de São Paulo (IPES) sobre o uso didático das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC), com ênfase na automatização da coleta de dados em laboratórios didáticos e no desenvolvimento do pensamento computacional como prática formativa. A pesquisa adota abordagem mista e método confirmatório, com análise de dados de 19 IPES paulistas, envolvendo 63 professores formadores, 137 estudantes (a partir do 6.º semestre) e 19 Projetos Pedagógicos de Cursos (PPCs). Os referenciais teóricos utilizados são a Teoria das Representações Sociais (TRS), e a Teoria do Núcleo Central (TNC). A revisão bibliográfica revelou que, embora ferramentas como Arduino e Tracker despertem interesse, a abordagem predominante nos estudos enfatiza aspectos técnicos, com pouca articulação à modelação e à literacia científica. A análise dos PPCs evidenciou uma lacuna na incorporação da automatização, com o termo “tecnologia” tratado de forma genérica e não vinculado a práticas formativas. Quanto à coleta de dados, em relação a automatização, 63 professores participaram; 44 utilizam métodos manuais e 19 método automatizados. Sobre o pensamento computacional apenas 24 conhecem o conceito; entre esses, 19 utilizam coleta automatizada e 5 utilizam métodos manuais. As representações sociais dos professores que utilizam métodos automatizados estão ancoradas em termos como experimento, laboratório, ensino, aprendizagem e resultado. Já os que preferem métodos manuais evocam termos como estudante, escola, pensar, ensino e formação, revelando que a automatização é, por vezes, percebida como prejudicial à formação do físico. Entre os licenciandos, as analises revelaram que o núcleo central das representações sobre automatização está ancorado no termo “sensor”, evidenciando uma valorização dos aspectos técnicos das TDIC. Quanto ao pensamento computacional, o termo central foi “simulador”, especialmente o PHET, o que aponta para uma desconexão com os pilares conceituais dessa abordagem. Na etapa final da pesquisa, serão apresentados dados de 7 instituições portuguesas sobre as possíveis representações sociais a respeito da automatização da coleta de dados e do desenvolvimento do pensamento computacional entre estudantes e professores que ministram aulas experimentais no curso de Mestrado em Ensino de Física e Química. Esse curso é requisito básico para a formação de docentes no ensino secundário, conforme o Tratado de Bolonha. Todos os dados processados no IRaMuTeQ serão feitos uma análise semântica no ORA-Lite, utilizando a Eigenvector Centrality. Em seguida, serão conduzidas análises comparativas dos dados de professores e estudantes sobre contextos formativos de Portugal e São Paulo em relação a TDIC em laboratórios didáticos de Física e o impacto da legislação nos dois países.