CONTRIBUIÇÕES PARA ESCOLHA DE LIVROS DIDÁTICOS DE CIÊNCIAS DA NATUREZA: UMA AVALIAÇÃO DAS IMAGENS
Este estudo tem como objetivo analisar criticamente as imagens presentes em um livro didático de Ciências da Natureza destinado aos anos finais do Ensino Fundamental. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, no formato multipaper, que compreende o livro didático como ferramenta essencial para o processo de ensino-aprendizagem, tanto para estudantes quanto para docentes. No ensino de Ciências da Natureza, as imagens desempenham papel central ao auxiliar na compreensão de fenômenos macroscópicos, submicroscópicos e simbólicos, além de apoiar a organização e condução das aulas. Contudo, essas imagens também veiculam discursividades que podem tanto reforçar preconceitos historicamente estabelecidos quanto promover concepções plurais e inclusivas. Embora o PNLD, a partir das regras estabelecidas em edital, forneça pareceres técnicos para as coleções aprovadas, observa-se que os critérios de avaliação das imagens carecem de objetividade, resultando em análises generalistas. Este estudo realiza uma análise técnica com base na taxonomia de Perales e Jiménez (2002), aplicando-a a 383 imagens do volume do 7º ano da coleção Ciências: Tecnologias, Sociedade e Ambiente, de Martha Reis. As imagens foram classificadas segundo as categorias de sequência didática, funcionalidade, iconicidade, relação com o texto principal e etiquetas verbais. Paralelamente, foi realizada uma análise das discursividades, com foco nas representações humanas, em consonância com a Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira. Para isso, o estudo se ancora no conceito de dispositivo de racialidade, formulado por Sueli Carneiro (2023), compreendido como um conjunto de práticas simbólicas e institucionais que naturalizam a centralidade do sujeito branco e a marginalização de corpos racializados. Verificou-se a aplicabilidade da taxonomia de Perales e Jiménez para a avaliação de imagens no ensino de Ciências da Natureza. No entanto, foram identificados problemas no uso de imagens que podem comprometer a aprendizagem, tornando-as mais completas quando contam com vetores e signos explicativos. Além disso, observou-se uma representação desigual entre pessoas racializadas e não racializadas, sendo que, neste último grupo, algumas imagens apresentaram descontextualização ou reforço de estereótipos, o que contraria os princípios de equidade racial. O estudo reafirma a importância das imagens no ensino de Ciências da Natureza e propõe que sua avaliação seja realizada com critérios técnicos e políticos mais rigorosos, de modo a contribuir para práticas pedagógicas antirracistas e para a desconstrução de discursos colonialistas ainda presentes no material didático.