Como tornar acessíveis os conhecimentos sobre o Oceano a todos os estudantes? Um estudo sobre os princípios e as práticas dos professores do Brasil e de Portugal, sob a lente do Desenho Universal de Aprendizagem
A presente pesquisa, de abordagem qualitativa, investigou como processos formativos ancorados no Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e no uso de linguagens multimodais em materiais didáticos sobre cultura oceânica favorecem a acessibilidade e a mudança de perspectiva docente sobre a inclusão, ampliando a autoconfiança para o planejamento e a avaliação acessíveis. A questão central foi: “Qual é a perspectiva dos professores diante da importância do seu papel para a promoção da educação inclusiva e como cursos focados em DUA e multimodalidade impactam essa perspectiva?”. A tese foi estruturada em formato multipaper, sendo composta por três artigos. O primeiro artigo apresenta um levantamento, com entrevistas e questionários, sobre percepções, desafios e sentimentos de docentes frente à inclusão em seu cotidiano escolar. O segundo, à luz dos achados do primeiro, apresenta o processo de desenho pedagógico, implementação e avaliação de duas edições de um curso de formação continuada voltado à cultura oceânica, ao DUA e à multimodalidade, e analisa, a partir de feedbacks dos concluintes, as contribuições do percurso formativo para a elaboração/adaptação de materiais didáticos inclusivos por professores do Brasil e de Portugal, visando maior segurança no atendimento a turmas cada vez mais diversas. Por fim, o terceiro artigo analisa produtos finais (propostas de materiais inclusivos) e discute em que medida a experiência formativa se associa a mudanças de perspectiva docente sobre sua responsabilidade na promoção da acessibilidade e da compreensão dos conteúdos. Com estes dados em mãos, evidenciou-se alta demanda e engajamento nas formações, bem como insegurança inicial frente à heterogeneidade discente, a qual se atenuou ao longo do processo. A produção de materiais multimodais e o exercício do planejamento escrito funcionaram como artefatos formativos, ampliando repertórios e a confiança docente na seleção de estratégias pedagógicas e avaliativas acessíveis. Conclui-se que, embora os desafios para a inclusão sejam múltiplos (materiais, institucionais e formativos), processos de formação baseados em DUA e multimodalidade se mostram viáveis e transformadores, apoiando práticas mais equitativas em cultura oceânica. Recomenda-se a continuidade de ações formativas, com apoio institucional e diretrizes de acessibilidade, para consolidar mudanças de médio prazo nas escolas.