A INDÚSTRIA BRASILEIRA DE EXTRAÇÃO DE PETRÓLEO SOB A ÓTICA DA MATRIZ INSUMO-PRODUTO: uma simulação entre cenários factual e contrafactual
Esta tese analisa o papel estrutural do setor de extração de petróleo na economia brasileira a partir da abordagem insumo-produto, considerando um cenário factual e quatro cenários contrafactuais simulados. O referencial teórico-metodológico baseia-se no modelo de Wassily Leontief (1931), operado por meio da matriz insumo-produto do Sistema de Contabilidade Nacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao ano-base de 2015 e atualizado para 2018 pelo Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (NEREUS/USP). A partir dessa estrutura analítica, a economia observada foi definida como cenário factual (C1), o qual é comparado a cenários contrafactuais construídos por meio da técnica de Extração Hipotética Total. No cenário C2, o setor de extração de petróleo é integralmente removido, com sua oferta transferida para a conta de importações. O cenário C3 amplia essa hipótese ao retirar, simultaneamente, os setores de extração e refino de petróleo. Por outro lado, o cenário C4 considera um aumento da participação dos biocombustíveis, permitindo avaliar trajetórias produtivas alternativas associadas à transição energética. Complementarmente, incorpora-se um exercício prospectivo relacionado à Margem Equatorial, baseado em um choque positivo de demanda proveniente de investimentos voltados à expansão da produção petrolífera. As análises são conduzidas nos modelos aberto e fechado, possibilitando avaliar impactos diretos, indiretos e induzidos sobre produção, emprego, renda e encadeamentos intersetoriais. Os resultados evidenciam o grau de centralidade do setor petrolífero na estrutura produtiva, na arrecadação e no equilíbrio externo, bem como suas limitações quanto à difusão intersetorial e à geração de emprego. A comparação entre cenários contribui para ampliar o debate sobre políticas públicas e implicações econômicas e estruturais, oferecendo subsídios à redefinição de trajetórias equilibradas de transição produtiva e energética no Brasil.