Avaliação da ocorrência de substâncias perfluoradas (PFAS) em águas superficiais da região do Sistema Cantareira
Substâncias perfluoroalquiladas (PFAS) são compostos sintéticos caracterizados por alta estabilidade química e propriedades surfactantes, sendo amplamente conhecidas como “forever chemicals” devido à sua persistência no ambiente. Nas últimas décadas, esses compostos têm sido detectados globalmente em ecossistemas aquáticos e terrestres, com destaque para o ácido perfluorooctanossulfônico (PFOS), frequentemente identificado em amostras ambientais. Após sua inclusão no Anexo B da Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, o uso de PFAS passou a ser restrito a aplicações específicas, como a formulação de iscas formicidas.
No Brasil, a principal substância utilizada para esse fim é a N-etil perfluorooctanossulfonamida, conhecida como Sulfluramida, amplamente empregada no controle químico de formigas cortadeiras (Atta spp. e Acromyrmex spp.), consideradas pragas de importância econômica para a silvicultura. Áreas de plantio de eucalipto inseridas em zonas de proteção de mananciais, como aquelas situadas na região do Sistema Cantareira — responsável pelo abastecimento de milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo — têm registrado uso intensivo e não regulamentado dessa substância.
A degradação da Sulfluramida no solo leva à formação de PFOS, um composto altamente móvel entre compartimentos ambientais e com grande potencial de bioacumulação. Diante disso, este projeto teve como objetivo avaliar a ocorrência de compostos perfluorados (PFAS) em águas superficiais da região do Sistema Cantareira, por meio de um diagnóstico ambiental associado à aplicação do formicida. Os resultados visam preencher lacunas sobre a contaminação por PFAS em áreas de mananciais impactadas por atividades silviculturais, contribuindo para a compreensão de seus efeitos ambientais e para a formulação de políticas públicas voltadas à proteção da qualidade da água.