Investigação de possíveis alterações em temporal binding em pacientes com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade
A percepção temporal é uma habilidade essencial e sujeita a vieses e distorções, como o temporal binding, em que causa e consequência parecem mais próximas no tempo do que eventos não relacionados. No TDAH, déficits de percepção temporal são frequentemente descritos, mas a literatura é heterogênea quanto às populações, aos intervalos e às tarefas utilizadas, e poucos estudos investigaram adultos, intervalos curtos e o processamento temporal implícito. Neste estudo, investigamos se adultos com TDAH (n = 25) diferem de controles (n = 26) na magnitude do temporal binding, utilizando duas tarefas que supostamente dependem de processamentos temporais distintos: a estimativa temporal, de natureza explícita, e o Relógio de Libet, de natureza implícita. O efeito de binding foi observado em ambas as tarefas. Na estimativa temporal, sua magnitude não diferiu entre os grupos. Quanto à acurácia, os erros foram predominantemente positivos (superestimação) e maiores na condição não causal. Nos controles, as estimativas na condição causal não diferiram das durações reais, enquanto no grupo TDAH a superestimação permaneceu significativa na maior parte dos intervalos, embora sem interação significativa entre condição e grupo. No Relógio de Libet, o efeito de binding foi observado apenas no grupo TDAH. A variabilidade das respostas não diferiu entre os grupos em nenhuma das tarefas. Esses resultados preliminares sugerem diferenças em componentes específicos do processamento temporal, em vez de uma alteração geral no TDAH, o que é compatível com a dissociação entre as duas medidas de binding.