Memória Verbal de Curto Prazo e Leitura em Crianças em Alfabetização: Avaliação e Intervenção
A memória verbal de curto prazo (VeSTM) é uma habilidade cognitiva fundamental para o sucesso na alfabetização, pois auxilia no processamento de informações durante a leitura. Seu desenvolvimento na infância está diretamente ligado ao amadurecimento das áreas cerebrais, como córtex frontal e pré-frontal. Considerando o baixo desempenho do Brasil em alfabetização, investigar como a VeSTM se relaciona com nível socioeconômico e outros fatores sociodemográficos, durante esse período crítico pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias de intervenção mais eficazes, com potencial de equalizar os níveis de aprendizado. Assim, o objetivo deste é avaliar e comparar por meio de testes cognitivos o nível de VeSTM e leitura em crianças do primeiro ano do ensino fundamental. Adicionalmente, busca-se identificar a ativação do córtex pré-frontal associada à VeSTM, utilizando a técnica de fNIRS durante tarefas de repetição de dígitos e de escuta de histórias infantis em contexto naturalístico. Pretende-se também avaliar o impacto da intervenção de alfabetização, com método Kalulu, nas medidas cognitivas quanto na ativação cerebral das crianças. Participaram 125 crianças, 73 do grupo experimental e 52 do grupo controle, com idade média de 5,97 anos, do primeiro ano do ensino fundamental de 14 escolas públicas de Cambé, Paraná (CAAE: 88208918.4.0000.5594). As avaliações ocorreram em duas sessões, incluindo testes padronizados de VeSTM, medidas de leitura, consciência fonológica e tarefas naturalísticas para registro de fNIRS com NIRSport 8x8. Os resultados da análise mostraram correlação forte e positiva entre VeSTM e consciência fonológica (rho = 0,52; p < 0,001), além de correlações moderadas entre consciência fonológica e medidas de leitura (nomeação de letras, leitura de pseudopalavras e leitura de palavras), rho = 0,39; p < 0,001; rho = 0,31; p < 0,001) e rho = 0,29; p < 0,01, respectivamente. Não foram encontradas diferenças na pré-intervenção entre os grupos (controle e experimental). Os dados de neuroimagem mostraram ativação nas regiões 10 e 11 de Brodmann (frontopolar/orbitofrontal) durante a tarefa de repetição de dígitos, enquanto a análise da tarefa naturalística com cinco contrastes revelou cenários complexos e heterogêneos.