Esta dissertação consiste em compreender as razões e o processo legislativo que levaram ao afastamento da Lei nº 9.099/1995 originalmente concebida para infrações de menor potencial ofensivo nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, e a sua substituição pelo regime jurídico próprio e protetivo da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). O foco reside em desvelar como e por que ocorreu essa transição legislativa fundamental, investigando a interação entre os movimentos sociais (especialmente o Consórcio de ONGs Feministas) e o Estado nas arenas decisórias. O objetivo principal da pesquisa é analisar o processo legislativo da Lei Maria da Penha e a vedação da Lei nº 9.099/1995. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza histórico-institucional, combinando análise documental e revisão bibliográfica, com núcleo empírico concentrado no período de 2001 a 2006, considerado decisivo pela articulação entre a atuação do Consórcio de ONGs Feministas. A investigação mobiliza a técnica de process tracing, com aplicação de testes de processo do tipo hoop tests e smoking-gun tests, orientada por um codebook analítico que operacionaliza categorias teóricas e jurídico-institucionais em indicadores observáveis, permitindo sustentar inferências causais sobre a incorporação das demandas feministas no texto legal, especialmente no que se refere ao artigo 41.Assim sendo, a pesquisa está estruturada em 5 capítulos que contemplam revisão da literatura e referencial teórico, descrição metodológica, análise histórica e empírica do processo legislativo, discussão dos resultados jurídicos, incluindo debates sobre constitucionalidade, igualdade material e autonomia das mulheres e considerações finais. Espera-se que a pesquisa contribua para os estudos sobre políticas públicas e gênero ao evidenciar o papel das coalizões feministas na redefinição do tratamento jurídico da violência doméstica no Brasil.