ROTEIROS FORMATIVOS NO ENSINO DE ENGENHARIA PARA CAPACITAÇÃO TECNOLÓGICA E PROFISSIONAL EM ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA
O setor de energia solar fotovoltaica tem apresentado crescimento acelerado em escala global,
consolidando-se como um dos principais pilares da transição energética e impulsionando a
geração de empregos e a diversificação da matriz elétrica. Países como China, Estados Unidos e
Índia lideram a expansão da capacidade instalada, enquanto o Brasil ocupa posição de destaque
no cenário internacional, impulsionado sobretudo pelo avanço da geração distribuída. Apesar
desse dinamismo, a rápida expansão do setor tem evidenciado desafios estruturais relacionados
à formação e à qualificação da mão de obra, especialmente no que se refere à disponibilidade de
profissionais com competências técnicas e comportamentais alinhadas às demandas da cadeia de
valor fotovoltaica.
No contexto brasileiro, embora o setor solar empregue um contingente expressivo de trabalhadores,
observa-se forte concentração das atividades nos segmentos de instalação e operação, com
lacunas relevantes em áreas estratégicas como planejamento, projetos, análise de viabilidade,
operação avançada, manutenção, descomissionamento e reciclagem. Estudos setoriais indicam
que grande parte dos profissionais ingressa no setor por meio da prática ou de treinamentos internos,
o que reflete a limitada presença de conteúdos estruturados sobre energia solar fotovoltaica
nos currículos de graduação em engenharia.
Diante desse cenário, este trabalho tem como objetivo desenvolver uma matriz curricular de
referência para a capacitação em energia solar fotovoltaica, voltada à formação de engenheiros
com competências técnicas e comportamentais compatíveis com as exigências atuais e futuras
do setor. A metodologia adotada envolveu a identificação de tópicos-chave da cadeia de
valor fotovoltaica, aos quais foram atribuídos pesos relativos conforme sua relevância técnica e
profissional. Em seguida, foram analisados os projetos pedagógicos e as ementas de disciplinas de
28 cursos brasileiros de graduação em Engenharia Elétrica, Engenharia de Energia e Engenharia
de Energias Renováveis, selecionados com base no Ranking Mundial de Universidades 2024 do
Times Higher Education.
Os resultados evidenciam que, na maioria das instituições analisadas, os conteúdos relacionados
à energia solar fotovoltaica são ofertados predominantemente como disciplinas optativas,
o que limita a formação abrangente dos estudantes. Apenas uma instituição apresentou média
ponderada superior a 4,5 pontos na avaliação de aderência curricular, enquanto as demais
registraram médias significativamente inferiores. Esse diagnóstico reforça a necessidade de
revisão e atualização dos currículos de engenharia no Brasil, de modo a fortalecer a qualificação
profissional e apoiar uma transição energética mais eficiente e segura no país.