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Dissertações |
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REGINA BARBOSA DO NASCIMENTO
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O funcionamento de instituições participativas no contexto da revisão do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) de Ribeirão Pires
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Orientador : ADALBERTO MANTOVANI MARTINIANO DE AZEVEDO
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Data: 12/02/2026
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Esta pesquisa aborda o desafio contemporâneo da gestão e gerenciamento da elevada quantidade de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), gerados em decorrência do desenvolvimento urbano, crescimento populacional e aumento do consumo. Quando destinados inadequadamente comprometem a saúde pública, prejudicam o meio ambiente, intensificam a emissão de gases de efeito estufa e agravam o aquecimento global. No Brasil, há quantidades crescentes na geração de resíduos. Para enfrentamento do problema é necessário que os governos formulem políticas públicas que organizem o sistema e promovam a atuação dos envolvidos. Entre as diretrizes de formulação dessas políticas estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) inclui-se o incentivo à participação social na formulação de planejamentos. O objetivo geral deste estudo é analisar o funcionamento de instituições participativas nas políticas públicas, estudando-se o caso da formulação do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) de Ribeirão Pires, publicado em 2024. A questão de pesquisa, orientada por trabalhos teóricos e estudos de caso sobre participação, é sobre os limites e possibilidades das instituições participativas Conselho Setorial, Consulta Pública e Audiência Pública, todos presentes no caso estudado. A pesquisa é norteada por 3 eixos de literatura: 1. Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos (GGRSU): discussão sobre políticas, legislações e normativos (1981 a 2024), com destaque para a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PLANARES), políticas estaduais e seus indicadores e o PMGIRS; 2. Conceitos e modelos de análise de políticas públicas, com destaque para o ciclo de políticas públicas e modelos de formulação (incrementalismo e os múltiplos fluxos); e 3. Participação Social: conceitos, discussão, fundamentos e momentos históricos da participação no Brasil (1960 a atual). A coleta de dados incluiu análise bibliográfica (livros, artigos, teses e dissertações); documental (notícias em jornais/revistas/websites, relatórios técnicos, dados estatísticos, legislações, normativos, dados da consulta e audiência públicas e atas de reuniões, incluindo a gravação da audiência pública); e observação em campo (participação no processo de revisão, visita à cooperativa, participação na audiência pública, reuniões de grupo de estudos e oficina com atores envolvidos). Os resultados apontam que as políticas, legislações e normativos ao longo do tempo indicam que as decisões são tomadas a partir de mudanças graduais e incrementais (LINDBLOM, 1959; 1979). Verificamos que os desenhos das instituições influenciam na efetividade, podem legitimar decisões, defender interesses dos representados e buscar melhores resoluções para os problemas públicos. Entretanto, o Estado é discricionário para acolher ou rejeitar as demandas, tem responsabilidade em adotar mecanismos adequados e equilibrar assimetrias entre os participantes.
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Esta pesquisa aborda o desafio contemporâneo da gestão e gerenciamento da elevada quantidade de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), gerados em decorrência do desenvolvimento urbano, crescimento populacional e aumento do consumo. Quando destinados inadequadamente comprometem a saúde pública, prejudicam o meio ambiente, intensificam a emissão de gases de efeito estufa e agravam o aquecimento global. No Brasil, há quantidades crescentes na geração de resíduos. Para enfrentamento do problema é necessário que os governos formulem políticas públicas que organizem o sistema e promovam a atuação dos envolvidos. Entre as diretrizes de formulação dessas políticas estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) inclui-se o incentivo à participação social na formulação de planejamentos. O objetivo geral deste estudo é analisar o funcionamento de instituições participativas nas políticas públicas, estudando-se o caso da formulação do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) de Ribeirão Pires, publicado em 2024. A questão de pesquisa, orientada por trabalhos teóricos e estudos de caso sobre participação, é sobre os limites e possibilidades das instituições participativas Conselho Setorial, Consulta Pública e Audiência Pública, todos presentes no caso estudado. A pesquisa é norteada por 3 eixos de literatura: 1. Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos (GGRSU): discussão sobre políticas, legislações e normativos (1981 a 2024), com destaque para a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PLANARES), políticas estaduais e seus indicadores e o PMGIRS; 2. Conceitos e modelos de análise de políticas públicas, com destaque para o ciclo de políticas públicas e modelos de formulação (incrementalismo e os múltiplos fluxos); e 3. Participação Social: conceitos, discussão, fundamentos e momentos históricos da participação no Brasil (1960 a atual). A coleta de dados incluiu análise bibliográfica (livros, artigos, teses e dissertações); documental (notícias em jornais/revistas/websites, relatórios técnicos, dados estatísticos, legislações, normativos, dados da consulta e audiência públicas e atas de reuniões, incluindo a gravação da audiência pública); e observação em campo (participação no processo de revisão, visita à cooperativa, participação na audiência pública, reuniões de grupo de estudos e oficina com atores envolvidos). Os resultados apontam que as políticas, legislações e normativos ao longo do tempo indicam que as decisões são tomadas a partir de mudanças graduais e incrementais (LINDBLOM, 1959; 1979). Verificamos que os desenhos das instituições influenciam na efetividade, podem legitimar decisões, defender interesses dos representados e buscar melhores resoluções para os problemas públicos. Entretanto, o Estado é discricionário para acolher ou rejeitar as demandas, tem responsabilidade em adotar mecanismos adequados e equilibrar assimetrias entre os participantes.
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LELTON SILVESTRE SILVA
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Pessoas em situação de rua em Piracicaba-SP: uma análise interpretativa dos documentos que orientam os serviços de assistência social no município
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Orientador : LUCIO NAGIB BITTENCOURT
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Data: 20/02/2026
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Partindo da multideterminação do fenômeno situação de rua, a presente dissertação foi iniciada com uma breve discussão sobre vulnerabilidade e exclusão como consequências do sistema de produção capitalista; ainda na introdução, foram apresentadas a pergunta de pesquisa e a relevância do estudo, motivada pelas mudanças territoriais, pelos fluxos migratórios e pelo aumento da população em situação de extrema pobreza identificado em 2022, quando o Brasil voltou ao mapa da fome, tendo como objetivo geral contribuir com as discussões sobre a política de Assistência Social voltada à pessoa em situação de rua e, especificamente, identificar os marcadores sociais de maior prevalência e os elementos discursivos subjacentes ao enquadramento dado nos documentos institucionais. No Capítulo I, é apresentada a caracterização da pessoa em situação de rua, contida no Decreto nº 7.053/2009, e a estruturação da política de Assistência Social, do nível federal, abordando os principais marcos normativos, até o nível local, com o histórico de estruturação da política em âmbito municipal, com especial destaque aos serviços socioassistenciais voltados à pessoa em situação de rua. Em seguida, no Capítulo II, é apresentado todo o percurso metodológico adotado para a execução da pesquisa, situada enquanto uma pesquisa interpretativa, fortemente inspirada nas obras de Yanow, tendo como fundamentação epistemológica termos-chave, como o conhecimento situado de Donna Haraway e o campo-tema de Peter Spink. Na sequência, o Capítulo III contém a análise dos documentos, um por serviço da rede socioassistencial, com a identificação dos critérios utilizados por cada serviço para enquadrar o público destinatário da política pública, assim como as narrativas institucionais subjacentes às características apresentadas e alguns dos dados contidos nas pesquisas censitárias realizadas no nível local sobre a pessoa em situação de rua. O Capítulo IV apresenta a discussão da pesquisa, articulando os achados dos documentos institucionais com o referencial teórico, congregando à discussão os conceitos de marcadores sociais da diferença e interseccionalidades, fundamentais para a compreensão do fenômeno; ainda no mesmo capítulo, foi incluída uma subseção com as contribuições da psicologia social para o campo das políticas públicas, enquanto campo interdisciplinar. Ao final do trabalho, na Conclusão, são retomadas as caracterizações feitas por cada serviço em seus respectivos enquadramentos e os elementos discursivos identificados. Dentre as principais contribuições, a intersetorialidade foi identificada como estratégica para o atendimento da pessoa em situação de rua, pois a multideterminação do fenômeno, os marcadores sociais da diferença e suas diferentes intersecções exigem ações articuladas das diferentes políticas públicas; no que tange aos elementos discursivos contidos nos documentos, foi identificada uma ênfase em características que possuem maior interface com as políticas de Assistência Social e Saúde, enquanto a falta de moradia, embora reconhecida, não ocupou posição central no enquadramento dos documentos. Também foram indicadas algumas sugestões para pesquisas futuras.
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Partindo da multideterminação do fenômeno situação de rua, a presente dissertação foi iniciada com uma breve discussão sobre vulnerabilidade e exclusão como consequências do sistema de produção capitalista; ainda na introdução, foram apresentadas a pergunta de pesquisa e a relevância do estudo, motivada pelas mudanças territoriais, pelos fluxos migratórios e pelo aumento da população em situação de extrema pobreza identificado em 2022, quando o Brasil voltou ao mapa da fome, tendo como objetivo geral contribuir com as discussões sobre a política de Assistência Social voltada à pessoa em situação de rua e, especificamente, identificar os marcadores sociais de maior prevalência e os elementos discursivos subjacentes ao enquadramento dado nos documentos institucionais. No Capítulo I, é apresentada a caracterização da pessoa em situação de rua, contida no Decreto nº 7.053/2009, e a estruturação da política de Assistência Social, do nível federal, abordando os principais marcos normativos, até o nível local, com o histórico de estruturação da política em âmbito municipal, com especial destaque aos serviços socioassistenciais voltados à pessoa em situação de rua. Em seguida, no Capítulo II, é apresentado todo o percurso metodológico adotado para a execução da pesquisa, situada enquanto uma pesquisa interpretativa, fortemente inspirada nas obras de Yanow, tendo como fundamentação epistemológica termos-chave, como o conhecimento situado de Donna Haraway e o campo-tema de Peter Spink. Na sequência, o Capítulo III contém a análise dos documentos, um por serviço da rede socioassistencial, com a identificação dos critérios utilizados por cada serviço para enquadrar o público destinatário da política pública, assim como as narrativas institucionais subjacentes às características apresentadas e alguns dos dados contidos nas pesquisas censitárias realizadas no nível local sobre a pessoa em situação de rua. O Capítulo IV apresenta a discussão da pesquisa, articulando os achados dos documentos institucionais com o referencial teórico, congregando à discussão os conceitos de marcadores sociais da diferença e interseccionalidades, fundamentais para a compreensão do fenômeno; ainda no mesmo capítulo, foi incluída uma subseção com as contribuições da psicologia social para o campo das políticas públicas, enquanto campo interdisciplinar. Ao final do trabalho, na Conclusão, são retomadas as caracterizações feitas por cada serviço em seus respectivos enquadramentos e os elementos discursivos identificados. Dentre as principais contribuições, a intersetorialidade foi identificada como estratégica para o atendimento da pessoa em situação de rua, pois a multideterminação do fenômeno, os marcadores sociais da diferença e suas diferentes intersecções exigem ações articuladas das diferentes políticas públicas; no que tange aos elementos discursivos contidos nos documentos, foi identificada uma ênfase em características que possuem maior interface com as políticas de Assistência Social e Saúde, enquanto a falta de moradia, embora reconhecida, não ocupou posição central no enquadramento dos documentos. Também foram indicadas algumas sugestões para pesquisas futuras.
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ABRAÃO MARQUES AGUILERA LEITE
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Entre o presidente e o comércio: postura crítica da imprensa à Política Externa Brasileira
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Orientador : IVAN FILIPE DE ALMEIDA LOPES FERNANDES
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Data: 30/04/2026
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Este trabalho investiga a postura crítica da imprensa brasileira face à política externa através das distintas pautas temáticas que a compõem, partindo de duas hipóteses: a diplomacia presidencial acentua a crítica em artigos de opinião e editoriais, enquanto a pauta de negociações comerciais a ameniza. Fundamentada na Análise de Política Externa (APE) e na Análise de Políticas Públicas (APP), a pesquisa reconhece a imprensa como ator influente no ambiente doméstico. Utilizando dados do Observatório de Política Externa da Imprensa (OPEI/CEBRAP), aplicamos um modelo de Regressão Logística Ordinal (RLO) que confirmou as hipóteses centrais. Adicionalmente, uma Análise de Sentimentos Automatizada (ASA) via OplexiconPT v.3.0 em uma amostra representativa demonstrou forte convergência com a análise do OPEI, obtendo associação significativa entre artigos contrários e a predominância de sentimentos negativos.
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Este trabalho investiga a postura crítica da imprensa brasileira face à política externa através das distintas pautas temáticas que a compõem, partindo de duas hipóteses: a diplomacia presidencial acentua a crítica em artigos de opinião e editoriais, enquanto a pauta de negociações comerciais a ameniza. Fundamentada na Análise de Política Externa (APE) e na Análise de Políticas Públicas (APP), a pesquisa reconhece a imprensa como ator influente no ambiente doméstico. Utilizando dados do Observatório de Política Externa da Imprensa (OPEI/CEBRAP), aplicamos um modelo de Regressão Logística Ordinal (RLO) que confirmou as hipóteses centrais. Adicionalmente, uma Análise de Sentimentos Automatizada (ASA) via OplexiconPT v.3.0 em uma amostra representativa demonstrou forte convergência com a análise do OPEI, obtendo associação significativa entre artigos contrários e a predominância de sentimentos negativos.
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MAYARA DE SOUZA MODESTO
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Vulnerabilidade Socioclimática e Participação Popular na Formulação de Políticas Públicas: um Estudo sobre a Governança Climática em São Vicente/SP
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Orientador : ADALBERTO MANTOVANI MARTINIANO DE AZEVEDO
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Data: 06/05/2026
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As mudanças climáticas impõem desafios complexos e crescentes, especialmente para regiões costeiras, como a Baixada Santista, onde a vulnerabilidade socioambiental se manifesta devido a processos históricos de ocupação e desigualdades socioespaciais. Nesse cenário, a efetividade das políticas públicas climáticas depende não apenas de sua existência, mas da maneira como são formuladas e da capacidade de atender às populações mais vulnerabilizadas. Embora a literatura reconheça a urgência de abordagens inclusivas e equitativas na governança climática, a participação popular ainda enfrenta resistências, como assimetrias de informação, acesso limitado a espaços deliberativos e baixa representatividade das comunidades mais atingidas.
Diante disso, esta dissertação investiga em que medida as políticas públicas climáticas formuladas em São Vicente/SP incorporam a participação popular e respondem às vulnerabilidades climáticas de suas populações mais expostas. O objetivo geral é analisar a dinâmica da formulação dessas políticas no município de São Vicente, visando subsidiar propostas para o aprimoramento da governança climática local. O estudo de caso de São Vicente, de natureza qualitativa com suporte em dados secundários quantitativos, compreende: (i) análise documental de políticas públicas municipais e instrumentos participativos; (ii) levantamento de dados secundários socioeconômicos e ambientais para caracterização da vulnerabilidade territorial; e (iii) entrevistas semiestruturadas com atores-chave por meio da observação participante. Os dados serão analisados por meio de Análise de Conteúdo ou Análise de Discurso, com triangulação dos dados qualitativos e quantitativos.
O arcabouço teórico abrange a análise do ciclo de políticas públicas com ênfase na formulação; a participação popular (conceitos, instrumentos e limites na prática institucional); e a vulnerabilidade socioambiental e justiça climática (principais abordagens, dimensões e perspectiva do Sul Global). A discussão culmina na governança climática local e o papel estratégico dos municípios, destacando desafios e oportunidades para uma gestão participativa. Espera-se que esta pesquisa contribua para o avanço do conhecimento em políticas públicas climáticas e subsidie recomendações concretas para o fortalecimento da participação popular e da inclusão das populações vulneráveis na governança climática de São Vicente/SP, promovendo cidades mais resilientes e justas.
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As mudanças climáticas impõem desafios complexos e crescentes, especialmente para regiões costeiras, como a Baixada Santista, onde a vulnerabilidade socioambiental se manifesta devido a processos históricos de ocupação e desigualdades socioespaciais. Nesse cenário, a efetividade das políticas públicas climáticas depende não apenas de sua existência, mas da maneira como são formuladas e da capacidade de atender às populações mais vulnerabilizadas. Embora a literatura reconheça a urgência de abordagens inclusivas e equitativas na governança climática, a participação popular ainda enfrenta resistências, como assimetrias de informação, acesso limitado a espaços deliberativos e baixa representatividade das comunidades mais atingidas.
Diante disso, esta dissertação investiga em que medida as políticas públicas climáticas formuladas em São Vicente/SP incorporam a participação popular e respondem às vulnerabilidades climáticas de suas populações mais expostas. O objetivo geral é analisar a dinâmica da formulação dessas políticas no município de São Vicente, visando subsidiar propostas para o aprimoramento da governança climática local. O estudo de caso de São Vicente, de natureza qualitativa com suporte em dados secundários quantitativos, compreende: (i) análise documental de políticas públicas municipais e instrumentos participativos; (ii) levantamento de dados secundários socioeconômicos e ambientais para caracterização da vulnerabilidade territorial; e (iii) entrevistas semiestruturadas com atores-chave por meio da observação participante. Os dados serão analisados por meio de Análise de Conteúdo ou Análise de Discurso, com triangulação dos dados qualitativos e quantitativos.
O arcabouço teórico abrange a análise do ciclo de políticas públicas com ênfase na formulação; a participação popular (conceitos, instrumentos e limites na prática institucional); e a vulnerabilidade socioambiental e justiça climática (principais abordagens, dimensões e perspectiva do Sul Global). A discussão culmina na governança climática local e o papel estratégico dos municípios, destacando desafios e oportunidades para uma gestão participativa. Espera-se que esta pesquisa contribua para o avanço do conhecimento em políticas públicas climáticas e subsidie recomendações concretas para o fortalecimento da participação popular e da inclusão das populações vulneráveis na governança climática de São Vicente/SP, promovendo cidades mais resilientes e justas.
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MARCELA NOGUEIRA VEGA
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Anjos e Demônios. Uma análise a partir do conceito de Devil e Angel Shift na disputa entre Coalizões de Defesa para Política de Financiamento da Educação Básica - Caso Novo FUNDEB
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Orientador : IVAN FILIPE DE ALMEIDA LOPES FERNANDES
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Data: 13/07/2026
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Esta dissertação analisa a dinâmica de disputa entre coalizões de defesa no processo de reformulação do Novo FUNDEB, entre 2015 e 2020, a partir dos conceitos de devil shift e angel shift, desenvolvidos no âmbito do Advocacy Coalition Framework (ACF). Partindo do pressuposto de que os subsistemas de políticas públicas são estruturados por coalizões que compartilham sistemas de crenças e disputam a definição legítima dos problemas públicos e de suas soluções, a pesquisa busca compreender como a Campanha Nacional pelo Direito à Educação (CNDE) e o Todos Pela Educação (TPE) perceberam seus aliados e adversários ao longo da formulação do FUNDEB Permanente. A investigação fundamenta-se em abordagem qualitativa e mobiliza análise documental e discursiva de diferentes corpora empíricos produzidos no período, incluindo audiências públicas da Comissão Especial da PEC nº 15/2015, notas taquigráficas, documentos institucionais, notas técnicas, artigos jornalísticos, transmissões virtuais e publicações de organizações da sociedade civil e instituições governamentais. A partir da operacionalização analítica das hipóteses da literatura da área, foram identificadas manifestações sistemáticas de devil shift e angel shift nas estratégias discursivas das coalizões dominantes. Os resultados demonstram que as percepções sobre aliados e oponentes constituíram mecanismos centrais de organização política, legitimação discursiva e fortalecimento identitário. Evidencia-se, ainda, que o devil shift assumiu formas assimétricas: enquanto a CNDE mobilizou uma demonização de caráter estrutural e ideológico, o TPE operou majoritariamente pela deslegitimação técnico-econômica das propostas adversárias. Por fim, conclui-se que esses fenômenos estimularam a mobilização política e o refinamento argumentativo no processo decisório. A pesquisa contribui para o aprofundamento teórico e metodológico do ACF no contexto nacional, ampliando o debate sobre conflito, crenças e disputas discursivas na formulação de políticas públicas educacionais no Brasil.
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Esta dissertação analisa a dinâmica de disputa entre coalizões de defesa no processo de reformulação do Novo FUNDEB, entre 2015 e 2020, a partir dos conceitos de devil shift e angel shift, desenvolvidos no âmbito do Advocacy Coalition Framework (ACF). Partindo do pressuposto de que os subsistemas de políticas públicas são estruturados por coalizões que compartilham sistemas de crenças e disputam a definição legítima dos problemas públicos e de suas soluções, a pesquisa busca compreender como a Campanha Nacional pelo Direito à Educação (CNDE) e o Todos Pela Educação (TPE) perceberam seus aliados e adversários ao longo da formulação do FUNDEB Permanente. A investigação fundamenta-se em abordagem qualitativa e mobiliza análise documental e discursiva de diferentes corpora empíricos produzidos no período, incluindo audiências públicas da Comissão Especial da PEC nº 15/2015, notas taquigráficas, documentos institucionais, notas técnicas, artigos jornalísticos, transmissões virtuais e publicações de organizações da sociedade civil e instituições governamentais. A partir da operacionalização analítica das hipóteses da literatura da área, foram identificadas manifestações sistemáticas de devil shift e angel shift nas estratégias discursivas das coalizões dominantes. Os resultados demonstram que as percepções sobre aliados e oponentes constituíram mecanismos centrais de organização política, legitimação discursiva e fortalecimento identitário. Evidencia-se, ainda, que o devil shift assumiu formas assimétricas: enquanto a CNDE mobilizou uma demonização de caráter estrutural e ideológico, o TPE operou majoritariamente pela deslegitimação técnico-econômica das propostas adversárias. Por fim, conclui-se que esses fenômenos estimularam a mobilização política e o refinamento argumentativo no processo decisório. A pesquisa contribui para o aprofundamento teórico e metodológico do ACF no contexto nacional, ampliando o debate sobre conflito, crenças e disputas discursivas na formulação de políticas públicas educacionais no Brasil.
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BRUNO ALEXANDRE FREITAS
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O efeito da ideologia partidária na celebração de contratos de concessões em municípios brasileiros: evidências em eleições acirradas
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Orientador : ADALBERTO MANTOVANI MARTINIANO DE AZEVEDO
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Data: 03/09/2026
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Esta dissertação investiga se a ideologia política do partido do prefeito afeta a celebração de contratos de parceria público-privada (PPP) em municípios brasileiros. Para tanto, utiliza-se um desenho de Regressão Descontínua (RDD) em eleições municipais acirradas entre candidatos de esquerda e de não esquerda, abrangendo os mandatos de 2017–2020 e 2021–2024. A classificação ideológica dos partidos baseia-se nos escores da Pesquisa Legislativa Brasileira (Zucco e Power, 2021), e os dados de contratos são provenientes do Radar PPP. A variável de atribuição é a margem de vitória do candidato de esquerda, e o ponto de corte é determinado pelo resultado eleitoral, configurando um RDD do tipo sharp. Os testes de balanceamento e o teste de densidade de McCrary confirmam a validade do desenho de pesquisa. Os resultados indicam que a eleição de prefeitos de esquerda não produz efeito causal estatisticamente significativo sobre o número de contratos de PPP celebrados durante o mandato. Essa conclusão é robusta à inclusão de covariáveis, à variação da banda de estimação e a especificações alternativas por modelos Tobit, Poisson e com variável dependente binária. Os achados são consistentes com a literatura internacional e brasileira, que identifica uma convergência pragmática na adoção de PPPs, cuja celebração responde primordialmente a determinantes fiscais, institucionais e de capacidade técnica, e não a compromissos ideológicos. A dissertação contribui com a primeira estimativa causal do efeito da ideologia sobre PPPs municipais no Brasil, em um período de polarização partidária acentuada, e reforça a tese de que as PPPs constituem instrumento de gestão pública que transcende clivagens partidárias tradicionais.
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Esta dissertação investiga se a ideologia política do partido do prefeito afeta a celebração de contratos de parceria público-privada (PPP) em municípios brasileiros. Para tanto, utiliza-se um desenho de Regressão Descontínua (RDD) em eleições municipais acirradas entre candidatos de esquerda e de não esquerda, abrangendo os mandatos de 2017–2020 e 2021–2024. A classificação ideológica dos partidos baseia-se nos escores da Pesquisa Legislativa Brasileira (Zucco e Power, 2021), e os dados de contratos são provenientes do Radar PPP. A variável de atribuição é a margem de vitória do candidato de esquerda, e o ponto de corte é determinado pelo resultado eleitoral, configurando um RDD do tipo sharp. Os testes de balanceamento e o teste de densidade de McCrary confirmam a validade do desenho de pesquisa. Os resultados indicam que a eleição de prefeitos de esquerda não produz efeito causal estatisticamente significativo sobre o número de contratos de PPP celebrados durante o mandato. Essa conclusão é robusta à inclusão de covariáveis, à variação da banda de estimação e a especificações alternativas por modelos Tobit, Poisson e com variável dependente binária. Os achados são consistentes com a literatura internacional e brasileira, que identifica uma convergência pragmática na adoção de PPPs, cuja celebração responde primordialmente a determinantes fiscais, institucionais e de capacidade técnica, e não a compromissos ideológicos. A dissertação contribui com a primeira estimativa causal do efeito da ideologia sobre PPPs municipais no Brasil, em um período de polarização partidária acentuada, e reforça a tese de que as PPPs constituem instrumento de gestão pública que transcende clivagens partidárias tradicionais.
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ANDRÉ FERREIRA SIMÕES
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"Implementação do programa de gestão e desempenho nas Universidades Federais após a pandemia da Covid-19"
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Orientador : BENI TROJBICZ
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Data: 04/09/2026
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Esta pesquisa analisa a implementação do Programa de Gestão e Desempenho (PGD) nas Universidades Federais no contexto pós-pandemia da Covid-19, instituído pelo Decreto nº 11.072/2022, que marca a transição do controle de assiduidade para a gestão por resultados no serviço público federal. Com abordagem qualitativa e estruturada como estudo de caso múltiplo, utiliza análise documental, dados abertos, entrevistas e questionários com gestores e lideranças institucionais. Busca-se compreender como essa política tem sido adotada nas universidades, identificando fatores que favorecem ou dificultam sua implementação e analisando variações institucionais conforme contextos estruturais e culturais. O referencial teórico articula conceitos da Nova Gestão Pública, da reforma gerencial brasileira e da avaliação de políticas públicas. O foco está em avaliar o grau de conformidade com as etapas normativas do Art. 4º da Instrução Normativa Conjunta nº 24/2023. A pesquisa visa oferecer subsídios para o aperfeiçoamento da política de gestão por resultados, contribuindo para o fortalecimento do desempenho institucional e a melhoria dos serviços públicos.
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Esta pesquisa analisa a implementação do Programa de Gestão e Desempenho (PGD) nas Universidades Federais no contexto pós-pandemia da Covid-19, instituído pelo Decreto nº 11.072/2022, que marca a transição do controle de assiduidade para a gestão por resultados no serviço público federal. Com abordagem qualitativa e estruturada como estudo de caso múltiplo, utiliza análise documental, dados abertos, entrevistas e questionários com gestores e lideranças institucionais. Busca-se compreender como essa política tem sido adotada nas universidades, identificando fatores que favorecem ou dificultam sua implementação e analisando variações institucionais conforme contextos estruturais e culturais. O referencial teórico articula conceitos da Nova Gestão Pública, da reforma gerencial brasileira e da avaliação de políticas públicas. O foco está em avaliar o grau de conformidade com as etapas normativas do Art. 4º da Instrução Normativa Conjunta nº 24/2023. A pesquisa visa oferecer subsídios para o aperfeiçoamento da política de gestão por resultados, contribuindo para o fortalecimento do desempenho institucional e a melhoria dos serviços públicos.
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MARIA CLEUSA BASTOS PEREIRA
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O papel dos burocratas de médio escalão na implementação de cotas para mulheres em situação de violência doméstica nas contratações de serviços terceirizados das IFES - Uma análise pós-decreto 11.430/2023
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Orientador : ARTUR ZIMERMAN
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Data: 16/09/2026
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Esta dissertação analisa a implementação da cláusula afirmativa prevista na Lei de Licitações e regulamentada pelo Decreto nº 11.430/2023, que estabelece a reserva de vagas para mulheres em situação de violência doméstica nas contratações públicas de serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra, sob a perspectiva da sustentabilidade social. O objetivo geral consiste em investigar os fatores que explicam a baixa incidência dessas contratações nas licitações públicas das Instituições Federais de Ensino Superior, considerando o papel dos burocratas de médio escalão na implementação da cláusula afirmativa. Para tanto, adota-se abordagem metodológica mista, de natureza exploratória e descritiva, estruturada em estratégia explanatória sequencial. A primeira etapa consistiu na análise documental e levantamento de dados secundários extraídos da plataforma contratos.gov , com foco nos contratos de serviços firmados nos dois primeiros anos de vigência do Decreto. A segunda etapa consistiu na aplicação de survey a servidores envolvidos na fiscalização contratual, e por fim, a terceira etapa foram conduzidas entrevistas semiestruturadas com burocratas que atuam em diferentes momentos do ciclo da contratação pública, analisadas por meio da análise de conteúdo temática. Os resultados indicam que, embora exista volume expressivo de contratos potencialmente elegíveis à aplicação da cláusula, sua conversão em contratações efetivas permanece reduzida. O survey evidenciou desconhecimento parcial da norma, ausência de capacitação institucional, dependência de iniciativas individuais e percepção de insegurança quanto à operacionalização da política. As entrevistas aprofundam esses achados ao indicar que a subutilização da cota não decorre de rejeição à legitimidade ou relevância social da política pública, mas da indefinição de fluxos, à baixa articulação com os Organismos de Políticas para Mulheres, à fragilidade dos bancos de beneficiárias e às dificuldades de fiscalização. A análise demonstra, portanto, que a baixa implementação resulta da distância entre a formulação normativa e a construção de condições institucionais, operacionais e intersetoriais necessárias à sua execução. Conclui-se que o Decreto nº 11.430/2023 se insere em um contexto de Implementação Experimental, marcado por relativo consenso quanto aos seus fins e elevada ambiguidade quanto aos meios, sendo sua efetividade condicionada à capacitação dos agentes públicos, à padronização de procedimentos e ao fortalecimento da articulação interinstitucional.
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Esta dissertação analisa a implementação da cláusula afirmativa prevista na Lei de Licitações e regulamentada pelo Decreto nº 11.430/2023, que estabelece a reserva de vagas para mulheres em situação de violência doméstica nas contratações públicas de serviços contínuos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra, sob a perspectiva da sustentabilidade social. O objetivo geral consiste em investigar os fatores que explicam a baixa incidência dessas contratações nas licitações públicas das Instituições Federais de Ensino Superior, considerando o papel dos burocratas de médio escalão na implementação da cláusula afirmativa. Para tanto, adota-se abordagem metodológica mista, de natureza exploratória e descritiva, estruturada em estratégia explanatória sequencial. A primeira etapa consistiu na análise documental e levantamento de dados secundários extraídos da plataforma contratos.gov , com foco nos contratos de serviços firmados nos dois primeiros anos de vigência do Decreto. A segunda etapa consistiu na aplicação de survey a servidores envolvidos na fiscalização contratual, e por fim, a terceira etapa foram conduzidas entrevistas semiestruturadas com burocratas que atuam em diferentes momentos do ciclo da contratação pública, analisadas por meio da análise de conteúdo temática. Os resultados indicam que, embora exista volume expressivo de contratos potencialmente elegíveis à aplicação da cláusula, sua conversão em contratações efetivas permanece reduzida. O survey evidenciou desconhecimento parcial da norma, ausência de capacitação institucional, dependência de iniciativas individuais e percepção de insegurança quanto à operacionalização da política. As entrevistas aprofundam esses achados ao indicar que a subutilização da cota não decorre de rejeição à legitimidade ou relevância social da política pública, mas da indefinição de fluxos, à baixa articulação com os Organismos de Políticas para Mulheres, à fragilidade dos bancos de beneficiárias e às dificuldades de fiscalização. A análise demonstra, portanto, que a baixa implementação resulta da distância entre a formulação normativa e a construção de condições institucionais, operacionais e intersetoriais necessárias à sua execução. Conclui-se que o Decreto nº 11.430/2023 se insere em um contexto de Implementação Experimental, marcado por relativo consenso quanto aos seus fins e elevada ambiguidade quanto aos meios, sendo sua efetividade condicionada à capacitação dos agentes públicos, à padronização de procedimentos e ao fortalecimento da articulação interinstitucional.
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ALESSANDRA DE SOUSA FRANCO
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Escolas de Governo no Brasil: Institucionalização e Capacidades Estatais na Gestão Pública Municipal - O Caso da Escola Municipal de Administração Pública de Santos (2018-2025)
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Orientador : RENATO ELISEU COSTA
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Data: 28/09/2026
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Esta dissertação analisa o processo de institucionalização da Escola Municipal de Administração Pública de Santos (EMAPS), no período de 2018 a 2025, como estudo de caso único instrumental no campo da gestão pública municipal. A pesquisa parte do pressuposto de que a administração pública municipal não se realiza apenas por normas, estruturas, sistemas ou instrumentos de gestão, mas pelo trabalho concreto dos servidores públicos, responsáveis por interpretar regras, instruir processos, operar sistemas, produzir informações, atender demandas e preservar a continuidade administrativa. Nessa perspectiva, a formação de servidores constitui dimensão essencial associada ao desenvolvimento de capacidades estatais, sobretudo em contextos locais marcados por desafios de coordenação, qualificação técnica, retenção do conhecimento organizacional, política de pessoal, condições de trabalho e sustentabilidade institucional. O objetivo geral consiste em analisar o processo de institucionalização da EMAPS, no período de 2018 a 2025, identificando seus mecanismos institucionais, organizacionais e formativos, sua articulação com a formação continuada dos servidores e com a política municipal de gestão de pessoas, bem como os indícios e limites sob os quais sua atuação pode ser associada ao desenvolvimento de capacidades técnicas, administrativas, organizacionais e institucionais na gestão pública municipal. A investigação adotou abordagem qualitativa, com triangulação entre análise documental, dados institucionais descritivos, benchmark documental complementar e nove entrevistas semiestruturadas com atores situados em diferentes posições da administração municipal. O benchmark foi utilizado como parâmetro interpretativo, e não como estudo comparado. Os dados foram examinados por meio de análise de conteúdo temática, orientada por categorias relativas à institucionalização, ao funcionamento interno, à política de pessoal, aos resultados atribuídos, à avaliação e à sustentabilidade. As inferências foram classificadas conforme sua base empírica, distinguindo evidências documentais, evidências mistas, resultados atribuídos, percepções qualificadas, achados de contraste e lacunas institucionais. Os achados indicam que a EMAPS apresenta trajetória incremental de institucionalização, sustentada por base normativa, funcionamento contínuo, reconhecimento organizacional, uso de servidores multiplicadores, ampliação do repertório formativo e aproximação progressiva com instrumentos da política municipal de pessoal. Entre 2018 e 2025, foram registrados 671 cursos e 15.180 participações, indicando alcance, cobertura e continuidade operacional. As entrevistas apontam resultados atribuídos à Escola, como atualização normativa, padronização de procedimentos, circulação de informações, redução de dúvidas, recepção de novos servidores e apoio a rotinas administrativas. Esses elementos constituem mecanismos observáveis associados a capacidades técnicas, administrativas, organizacionais e institucionais, mas não autorizam inferência causal direta entre formação e desempenho institucional. A análise também explicita limites quanto à avaliação de resultados, à devolutiva das chefias, à mensuração de custos, à descentralização das ações, ao acesso às formações, às condições concretas de participação dos servidores e aos mecanismos de monitoramento e aprendizagem organizacional. Conclui-se que a EMAPS constitui experiência municipal relevante de institucionalização da formação de servidores. Os achados reforçam que o desenvolvimento institucional da administração pública local depende da valorização, da qualificação e das condições concretas de atuação dos servidores públicos. Sua consolidação, contudo, depende do fortalecimento de mecanismos de governança, planejamento, financiamento, avaliação e sustentabilidade, bem como da conexão entre política formativa, valorização dos servidores, prioridades institucionais e problemas públicos.
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Esta dissertação analisa o processo de institucionalização da Escola Municipal de Administração Pública de Santos (EMAPS), no período de 2018 a 2025, como estudo de caso único instrumental no campo da gestão pública municipal. A pesquisa parte do pressuposto de que a administração pública municipal não se realiza apenas por normas, estruturas, sistemas ou instrumentos de gestão, mas pelo trabalho concreto dos servidores públicos, responsáveis por interpretar regras, instruir processos, operar sistemas, produzir informações, atender demandas e preservar a continuidade administrativa. Nessa perspectiva, a formação de servidores constitui dimensão essencial associada ao desenvolvimento de capacidades estatais, sobretudo em contextos locais marcados por desafios de coordenação, qualificação técnica, retenção do conhecimento organizacional, política de pessoal, condições de trabalho e sustentabilidade institucional. O objetivo geral consiste em analisar o processo de institucionalização da EMAPS, no período de 2018 a 2025, identificando seus mecanismos institucionais, organizacionais e formativos, sua articulação com a formação continuada dos servidores e com a política municipal de gestão de pessoas, bem como os indícios e limites sob os quais sua atuação pode ser associada ao desenvolvimento de capacidades técnicas, administrativas, organizacionais e institucionais na gestão pública municipal. A investigação adotou abordagem qualitativa, com triangulação entre análise documental, dados institucionais descritivos, benchmark documental complementar e nove entrevistas semiestruturadas com atores situados em diferentes posições da administração municipal. O benchmark foi utilizado como parâmetro interpretativo, e não como estudo comparado. Os dados foram examinados por meio de análise de conteúdo temática, orientada por categorias relativas à institucionalização, ao funcionamento interno, à política de pessoal, aos resultados atribuídos, à avaliação e à sustentabilidade. As inferências foram classificadas conforme sua base empírica, distinguindo evidências documentais, evidências mistas, resultados atribuídos, percepções qualificadas, achados de contraste e lacunas institucionais. Os achados indicam que a EMAPS apresenta trajetória incremental de institucionalização, sustentada por base normativa, funcionamento contínuo, reconhecimento organizacional, uso de servidores multiplicadores, ampliação do repertório formativo e aproximação progressiva com instrumentos da política municipal de pessoal. Entre 2018 e 2025, foram registrados 671 cursos e 15.180 participações, indicando alcance, cobertura e continuidade operacional. As entrevistas apontam resultados atribuídos à Escola, como atualização normativa, padronização de procedimentos, circulação de informações, redução de dúvidas, recepção de novos servidores e apoio a rotinas administrativas. Esses elementos constituem mecanismos observáveis associados a capacidades técnicas, administrativas, organizacionais e institucionais, mas não autorizam inferência causal direta entre formação e desempenho institucional. A análise também explicita limites quanto à avaliação de resultados, à devolutiva das chefias, à mensuração de custos, à descentralização das ações, ao acesso às formações, às condições concretas de participação dos servidores e aos mecanismos de monitoramento e aprendizagem organizacional. Conclui-se que a EMAPS constitui experiência municipal relevante de institucionalização da formação de servidores. Os achados reforçam que o desenvolvimento institucional da administração pública local depende da valorização, da qualificação e das condições concretas de atuação dos servidores públicos. Sua consolidação, contudo, depende do fortalecimento de mecanismos de governança, planejamento, financiamento, avaliação e sustentabilidade, bem como da conexão entre política formativa, valorização dos servidores, prioridades institucionais e problemas públicos.
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Teses |
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CAIO CESAR MARINHO RODRIGUES DE SOUZA
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Percursos da internacionalização da educação superior: Discussões em torno da agenda recente brasileira e possíveis caminhos
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Orientador : ARTUR ZIMERMAN
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Data: 27/01/2026
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Esta tese investiga a construção da agenda e o ciclo das políticas públicas de Internacionalização da Educação Superior Brasileira (ESB) no período compreendido entre a redemocratização (1985) e o presente (2025). A análise se fundamenta em um arcabouço teórico tripartido que articula: (1) a teoria da Formação de Agenda (Agenda-Setting) e do Ciclo de Políticas Públicas, para decodificar os processos decisórios; (2) a Teoria do Equilíbrio Pontuado (Punctuated Equilibrium Theory), para explicar as dinâmicas de estabilidade e mudança abrupta; e (3) a Geopolítica do Conhecimento, inspirada em Milton Santos, para situar a inserção do Brasil em um cenário global assimétrico. A partir desse enquadramento, a tese reconstrói a trajetória de atores estatais centrais (CAPES, MCTI, MEC, CNPq) e de programas estruturantes, como o Ciência sem Fronteiras, o CAPES-PrInt e o CAPES-Global.Edu, evidenciando a passagem de um modelo “passivo”, centrado no envio de estudantes ao exterior, para um modelo “semi-ativo” de cooperação estratégica e, mais recentemente, para arranjos em rede baseados em alianças interinstitucionais. Sustenta-se que o legado desses programas, somado aos impactos da crise da COVID-19 e à legitimação do ensino híbrido, abriu uma “janela de oportunidade” (policy window) para um novo paradigma, em que ganham centralidade a Internacionalização em Casa (IeC) e a Internacionalização do Currículo (IdC). Nesse contexto, a tese propõe o conceito de “mobilidades curriculares”, que articula mobilidades físicas, virtuais e híbridas em diálogo com experiências como as European Universities Initiative (EUI), e argumenta pela emergência de um “5º período” da internacionalização no Brasil, orientado por estratégias mais inclusivas, sustentáveis e soberanas.
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Esta tese investiga a construção da agenda e o ciclo das políticas públicas de Internacionalização da Educação Superior Brasileira (ESB) no período compreendido entre a redemocratização (1985) e o presente (2025). A análise se fundamenta em um arcabouço teórico tripartido que articula: (1) a teoria da Formação de Agenda (Agenda-Setting) e do Ciclo de Políticas Públicas, para decodificar os processos decisórios; (2) a Teoria do Equilíbrio Pontuado (Punctuated Equilibrium Theory), para explicar as dinâmicas de estabilidade e mudança abrupta; e (3) a Geopolítica do Conhecimento, inspirada em Milton Santos, para situar a inserção do Brasil em um cenário global assimétrico. A partir desse enquadramento, a tese reconstrói a trajetória de atores estatais centrais (CAPES, MCTI, MEC, CNPq) e de programas estruturantes, como o Ciência sem Fronteiras, o CAPES-PrInt e o CAPES-Global.Edu, evidenciando a passagem de um modelo “passivo”, centrado no envio de estudantes ao exterior, para um modelo “semi-ativo” de cooperação estratégica e, mais recentemente, para arranjos em rede baseados em alianças interinstitucionais. Sustenta-se que o legado desses programas, somado aos impactos da crise da COVID-19 e à legitimação do ensino híbrido, abriu uma “janela de oportunidade” (policy window) para um novo paradigma, em que ganham centralidade a Internacionalização em Casa (IeC) e a Internacionalização do Currículo (IdC). Nesse contexto, a tese propõe o conceito de “mobilidades curriculares”, que articula mobilidades físicas, virtuais e híbridas em diálogo com experiências como as European Universities Initiative (EUI), e argumenta pela emergência de um “5º período” da internacionalização no Brasil, orientado por estratégias mais inclusivas, sustentáveis e soberanas.
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EVANI LARISSE DOS SANTOS CARVALHO
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PARTICIPAÇÃO SOCIAL E POLÍTICAS DE SAÚDE PARA A POPULAÇÃO RIBEIRINHA NA AMAZÔNIA: o caso da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns
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Orientador : MARIA DA GLORIA MARCONDES GOHN
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Data: 11/02/2026
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As cidades amazônicas abrigam populações ribeirinhas que vivem às margens dos rios explorando de forma sustentável os recursos da floresta e dos rios para sua subsistência. Porém, elas ainda precisam se deslocar para as áreas urbanas ou para outras comunidades mais próximas em busca de serviços públicos. Esta pesquisa preocupa-se fundamentalmente com a falta de acesso dessas populações às políticas sociais, especificamente às políticas de saúde no que tange ao acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo da pesquisa é analisar como a participação social no município de Santarém-PA possibilitou a garantia de direito universal de saúde às populações ribeirinhas da Amazônia. Os métodos aplicados serão de base qualitativa com a pesquisa de campo e a pesquisa participante que visam investigar a experiência da participação social na implementação da política pública de saúde (foco na atenção primária) especificamente na região da RESEX Tapajós Arapiuns no município de Santarém-Pa. As técnicas de coleta de dados empregados serão: a pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, entrevistas semi-estruturadas com diversos atores e a observação participante nas visitas de campo nas comunidades ribeirinhas da RESEX Tapajós-Arapiuns. A lente teórica para análise do objeto empírico está voltada para os temas da participação social no contexto do período de pós-democratização no Brasil onde o SUS e outras políticas de saúde foram institucionalizados (GOHN, 2019a, 2019b, 2022; AVRITZER 2012, 2009; MILANI, 2008; ABERS e BULOW, 2011; LOUREIRO 2014; MILHOMENS, 2017). Espera-se que os resultados desta pesquisa contribuam para o debate e para o fortalecimento de práticas democráticas e participativas em políticas sociais no contexto das populações tradicionais e vulneráveis que vivem na região amazônica.
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As cidades amazônicas abrigam populações ribeirinhas que vivem às margens dos rios explorando de forma sustentável os recursos da floresta e dos rios para sua subsistência. Porém, elas ainda precisam se deslocar para as áreas urbanas ou para outras comunidades mais próximas em busca de serviços públicos. Esta pesquisa preocupa-se fundamentalmente com a falta de acesso dessas populações às políticas sociais, especificamente às políticas de saúde no que tange ao acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo da pesquisa é analisar como a participação social no município de Santarém-PA possibilitou a garantia de direito universal de saúde às populações ribeirinhas da Amazônia. Os métodos aplicados serão de base qualitativa com a pesquisa de campo e a pesquisa participante que visam investigar a experiência da participação social na implementação da política pública de saúde (foco na atenção primária) especificamente na região da RESEX Tapajós Arapiuns no município de Santarém-Pa. As técnicas de coleta de dados empregados serão: a pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, entrevistas semi-estruturadas com diversos atores e a observação participante nas visitas de campo nas comunidades ribeirinhas da RESEX Tapajós-Arapiuns. A lente teórica para análise do objeto empírico está voltada para os temas da participação social no contexto do período de pós-democratização no Brasil onde o SUS e outras políticas de saúde foram institucionalizados (GOHN, 2019a, 2019b, 2022; AVRITZER 2012, 2009; MILANI, 2008; ABERS e BULOW, 2011; LOUREIRO 2014; MILHOMENS, 2017). Espera-se que os resultados desta pesquisa contribuam para o debate e para o fortalecimento de práticas democráticas e participativas em políticas sociais no contexto das populações tradicionais e vulneráveis que vivem na região amazônica.
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RAQUEL DE OLIVEIRA MENDES
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Ações afirmativas e a questão étnico-racial nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia: análise das políticas de assistência estudantil para os estudantes negros cotistas
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Orientador : IVAN FILIPE DE ALMEIDA LOPES FERNANDES
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Data: 27/02/2026
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A presente tese analisa a implementação das políticas de permanência e assistência estudantil (AE) voltadas para os estudantes negros cotistas nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFETs) do Brasil. O estudo investiga a lacuna histórica entre as políticas de acesso, garantidas pela Lei de Cotas, e a efetivação de políticas de permanência que assegurem o êxito acadêmico desse público, historicamente posto em situação de exclusão social. A metodologia adotada é de natureza quali-quantitativa, com delineamento documental, abrangendo a análise de normativas institucionais, Planos de Desenvolvimento Institucional (PDI) e dados estatísticos sobre a oferta de vagas e a composição étnico-racial nos IFETs, além da aplicação de questionários junto a membros da gestão, técnicos de equipes e estudantes. Os resultados revelam que a maioria dos IFETs não cumpre o percentual legal de vagas para cotistas e, de forma predominante, não oferece programas específicos de assistência estudantil com recorte étnico-racial, limitando-se a ações genéricas ou delegando a responsabilidade aos Núcleos de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABIs). A pesquisa evidencia a manifestação do racismo institucional na esfera político-programática, traduzida na inação ou na adoção de medidas protocolares, comprometendo a inclusão efetiva e qualificada dos discentes negros cotistas. Contudo, o estudo aponta para um momento de inflexão regulatória, a partir das recentes alterações legislativas (Nova Lei de Cotas e Novo PNAES), que buscam articular de forma mais direta o acesso e a permanência, sinalizando um horizonte de superação dos gargalos e de maior compromisso institucional com a equidade.
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A presente tese analisa a implementação das políticas de permanência e assistência estudantil (AE) voltadas para os estudantes negros cotistas nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFETs) do Brasil. O estudo investiga a lacuna histórica entre as políticas de acesso, garantidas pela Lei de Cotas, e a efetivação de políticas de permanência que assegurem o êxito acadêmico desse público, historicamente posto em situação de exclusão social. A metodologia adotada é de natureza quali-quantitativa, com delineamento documental, abrangendo a análise de normativas institucionais, Planos de Desenvolvimento Institucional (PDI) e dados estatísticos sobre a oferta de vagas e a composição étnico-racial nos IFETs, além da aplicação de questionários junto a membros da gestão, técnicos de equipes e estudantes. Os resultados revelam que a maioria dos IFETs não cumpre o percentual legal de vagas para cotistas e, de forma predominante, não oferece programas específicos de assistência estudantil com recorte étnico-racial, limitando-se a ações genéricas ou delegando a responsabilidade aos Núcleos de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABIs). A pesquisa evidencia a manifestação do racismo institucional na esfera político-programática, traduzida na inação ou na adoção de medidas protocolares, comprometendo a inclusão efetiva e qualificada dos discentes negros cotistas. Contudo, o estudo aponta para um momento de inflexão regulatória, a partir das recentes alterações legislativas (Nova Lei de Cotas e Novo PNAES), que buscam articular de forma mais direta o acesso e a permanência, sinalizando um horizonte de superação dos gargalos e de maior compromisso institucional com a equidade.
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MARIANNA PERCINIO MOREIRA BOMFIM
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Avaliação de política pública: uma investigação sobre a Biblioteca de São Paulo
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Orientador : LUCIO NAGIB BITTENCOURT
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Data: 08/04/2026
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A pesquisa avalia políticas públicas no campo cultural utilizando a Biblioteca de São Paulo (BSP) como estudo de caso. Inserida no Parque da Juventude, onde antes se localizava o Presídio do Carandiru, área com forte carga simbólica, a BSP permite analisar a gestão por organizações sociais, a função cidadã da biblioteca contemporânea e os limites estruturais das políticas culturais. Do ponto de vista metodológico, a avaliação baseou-se no Modelo AV-VA, orientado por uma abordagem axiológica que identifica valores expressos pela pesquisadora, por gestores públicos, organização social, usuários e outros atores. Foram examinados mais de 90 documentos de gestão e avaliações produzidos entre 2010 e 2024, além de observações de campo e conversas informais com atores envolvidos. Os resultados mostram avanços da BSP em inclusão, diversidade, cidadania e atualização tecnológica, mas evidenciam barreiras comuns às políticas culturais, como fragilidades orçamentárias, limites de articulação e dificuldades com objetivos da política e acompanhamento da execução. Conclui-se que a pesquisa contribui tanto para o campo de políticas públicas ao demonstrar o potencial das avaliações axiológicas quanto para o campo cultural, posta a dificuldade de avaliação nessa seara diante das questões subjetivas e da natureza simbólica e, muitas vezes, imaterial dos resultados e impactos.
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A pesquisa avalia políticas públicas no campo cultural utilizando a Biblioteca de São Paulo (BSP) como estudo de caso. Inserida no Parque da Juventude, onde antes se localizava o Presídio do Carandiru, área com forte carga simbólica, a BSP permite analisar a gestão por organizações sociais, a função cidadã da biblioteca contemporânea e os limites estruturais das políticas culturais. Do ponto de vista metodológico, a avaliação baseou-se no Modelo AV-VA, orientado por uma abordagem axiológica que identifica valores expressos pela pesquisadora, por gestores públicos, organização social, usuários e outros atores. Foram examinados mais de 90 documentos de gestão e avaliações produzidos entre 2010 e 2024, além de observações de campo e conversas informais com atores envolvidos. Os resultados mostram avanços da BSP em inclusão, diversidade, cidadania e atualização tecnológica, mas evidenciam barreiras comuns às políticas culturais, como fragilidades orçamentárias, limites de articulação e dificuldades com objetivos da política e acompanhamento da execução. Conclui-se que a pesquisa contribui tanto para o campo de políticas públicas ao demonstrar o potencial das avaliações axiológicas quanto para o campo cultural, posta a dificuldade de avaliação nessa seara diante das questões subjetivas e da natureza simbólica e, muitas vezes, imaterial dos resultados e impactos.
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ANA LETÍCIA MAFRA SALLA
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Políticas climáticas e policy capacities municipais: da construção à implementação no nível local
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Orientador : VANESSA ELIAS DE OLIVEIRA
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Data: 29/04/2026
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Esta tese investiga o papel das policy capacities na construção e na implementação de políticas climáticas no nível municipal no Brasil, em um contexto marcado por profundas desigualdades territoriais, heterogeneidades climáticas e desafios de coordenação federativa. Partindo do reconhecimento de que as mudanças climáticas intensificam desigualdades socioeconômicas e territoriais, a pesquisa analisa como municípios brasileiros têm mobilizado diferentes capacidades frente às agendas de mitigação e adaptação.
O trabalho dialoga com a literatura sobre local climate action e de policy capacities, com destaque para o Policy Capacity Framework (PCF) de Wu, Howlett e Ramesh (2015; 2018), além de abordagens complementares sobre capacidades adaptativas, capacidades estatais e justiça climática. A tese contribui para esse campo ao articular o debate teórico das policy capacities com a agenda climática municipal, explorando lacunas ainda pouco investigadas na literatura brasileira, sobretudo no que se refere à implementação de políticas climáticas em contextos subnacionais heterogêneos.
Metodologicamente, a pesquisa adota um desenho qualitativo estruturado em duas etapas complementares. A primeira consiste na análise do cenário nacional e resultou em um artigo sobre o papel das redes transnacionais de cidades na formulação de Planos Locais de Ação Climática (PLAC) – a partir do mapeamento dos municípios brasileiros maiores emissões de gases de efeito estufa por estado e identificados aqueles que possuem PLAC.
A segunda etapa investiga como as policy capacities são mobilizadas no processo de implementação de políticas climáticas locais. Para isso, foram conduzidas entrevistas semiestruturadas com gestores públicos e especialistas, observação participante em workshops municipais e análise de documentos e legislações locais. Essa etapa inclui um estudo de múltiplos casos em municípios paulistas e um estudo de caso aprofundado da cidade de São Paulo, com foco em inovações institucionais, estratégias de implementação e policy capacities mobilizadas para tal.
Os resultados indicam que a formulação e implementação de políticas climáticas municipais está fortemente associada à presença e à mobilização combinada de capacidades analíticas, operacionais e políticas, sobretudo nos níveis organizacional e sistêmico. A tese conclui que políticas climáticas eficazes no Brasil exigem abordagens territorializadas, maior coordenação federativa e estratégias de fortalecimento de capacidades locais, sob pena de limitar o alcance e a equidade da ação climática no país. Evidencia-se que municípios com maior capacidade prévia — em termos de recursos técnicos, financeiros, arranjos institucionais e inserção em redes — tendem a avançar mais rapidamente na agenda climática, o que pode aprofundar desigualdades territoriais.
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Esta tese investiga o papel das policy capacities na construção e na implementação de políticas climáticas no nível municipal no Brasil, em um contexto marcado por profundas desigualdades territoriais, heterogeneidades climáticas e desafios de coordenação federativa. Partindo do reconhecimento de que as mudanças climáticas intensificam desigualdades socioeconômicas e territoriais, a pesquisa analisa como municípios brasileiros têm mobilizado diferentes capacidades frente às agendas de mitigação e adaptação.
O trabalho dialoga com a literatura sobre local climate action e de policy capacities, com destaque para o Policy Capacity Framework (PCF) de Wu, Howlett e Ramesh (2015; 2018), além de abordagens complementares sobre capacidades adaptativas, capacidades estatais e justiça climática. A tese contribui para esse campo ao articular o debate teórico das policy capacities com a agenda climática municipal, explorando lacunas ainda pouco investigadas na literatura brasileira, sobretudo no que se refere à implementação de políticas climáticas em contextos subnacionais heterogêneos.
Metodologicamente, a pesquisa adota um desenho qualitativo estruturado em duas etapas complementares. A primeira consiste na análise do cenário nacional e resultou em um artigo sobre o papel das redes transnacionais de cidades na formulação de Planos Locais de Ação Climática (PLAC) – a partir do mapeamento dos municípios brasileiros maiores emissões de gases de efeito estufa por estado e identificados aqueles que possuem PLAC.
A segunda etapa investiga como as policy capacities são mobilizadas no processo de implementação de políticas climáticas locais. Para isso, foram conduzidas entrevistas semiestruturadas com gestores públicos e especialistas, observação participante em workshops municipais e análise de documentos e legislações locais. Essa etapa inclui um estudo de múltiplos casos em municípios paulistas e um estudo de caso aprofundado da cidade de São Paulo, com foco em inovações institucionais, estratégias de implementação e policy capacities mobilizadas para tal.
Os resultados indicam que a formulação e implementação de políticas climáticas municipais está fortemente associada à presença e à mobilização combinada de capacidades analíticas, operacionais e políticas, sobretudo nos níveis organizacional e sistêmico. A tese conclui que políticas climáticas eficazes no Brasil exigem abordagens territorializadas, maior coordenação federativa e estratégias de fortalecimento de capacidades locais, sob pena de limitar o alcance e a equidade da ação climática no país. Evidencia-se que municípios com maior capacidade prévia — em termos de recursos técnicos, financeiros, arranjos institucionais e inserção em redes — tendem a avançar mais rapidamente na agenda climática, o que pode aprofundar desigualdades territoriais.
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MARCIO ANDERSON KONTOPP
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Governança climática regional: um estudo comparado entre o Consórcio Intermunicipal Grande ABC e as associações regionais do Ruhr
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Orientador : KLAUS FREY
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Data: 29/04/2026
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Esta tese analisa a governança climática regional a partir de um estudo comparado entre o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, no Brasil, e as associações regionais do Ruhr, na Alemanha. O problema de pesquisa consiste em compreender em que medida arranjos regionais e supramunicipais podem constituir instâncias adequadas de governança climática, considerando os limites e possibilidades da cooperação intermunicipal em contextos federativos distintos. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa e comparativa de pequeno N, ancorada em um estudo de caso principal articulado a um caso comparado subsidiário, mobilizando reconstrução histórico-institucional, análise documental, comparação estruturada e análise longitudinal, com foco nas trajetórias institucionais, nos mecanismos de coordenação, na especialização funcional e nas capacidades de implementação dos casos investigados. Os resultados mostram que, no Ruhr, a governança climática se apoia em uma estrutura institucional densa, historicamente estabilizada e funcionalmente diferenciada, capaz de sustentar coordenação supramunicipal, continuidade organizacional e capacidade de implementação. No Grande ABC, por sua vez, a pesquisa identificou capacidades regionais relevantes, construídas a partir de trajetórias de cooperação intermunicipal e da sedimentação prévia da agenda ambiental, mas apenas parcialmente estabilizadas, permanecendo mais expostas a descontinuidades político-administrativas, fragilidades organizacionais e limites de monitoramento e implementação. A comparação permite concluir que a coordenação regional não se converte em instância efetiva de governança climática apenas pelo reconhecimento formal do problema climático, mas pela capacidade de estabilizar, ao longo do tempo, coordenação, densidade institucional, especialização funcional e instrumentos de ação. Com base nesses achados, a tese propõe ainda um framework analítico e uma matriz avaliativa para a análise comparada da governança climática regional em outros contextos.
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Esta tese analisa a governança climática regional a partir de um estudo comparado entre o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, no Brasil, e as associações regionais do Ruhr, na Alemanha. O problema de pesquisa consiste em compreender em que medida arranjos regionais e supramunicipais podem constituir instâncias adequadas de governança climática, considerando os limites e possibilidades da cooperação intermunicipal em contextos federativos distintos. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa e comparativa de pequeno N, ancorada em um estudo de caso principal articulado a um caso comparado subsidiário, mobilizando reconstrução histórico-institucional, análise documental, comparação estruturada e análise longitudinal, com foco nas trajetórias institucionais, nos mecanismos de coordenação, na especialização funcional e nas capacidades de implementação dos casos investigados. Os resultados mostram que, no Ruhr, a governança climática se apoia em uma estrutura institucional densa, historicamente estabilizada e funcionalmente diferenciada, capaz de sustentar coordenação supramunicipal, continuidade organizacional e capacidade de implementação. No Grande ABC, por sua vez, a pesquisa identificou capacidades regionais relevantes, construídas a partir de trajetórias de cooperação intermunicipal e da sedimentação prévia da agenda ambiental, mas apenas parcialmente estabilizadas, permanecendo mais expostas a descontinuidades político-administrativas, fragilidades organizacionais e limites de monitoramento e implementação. A comparação permite concluir que a coordenação regional não se converte em instância efetiva de governança climática apenas pelo reconhecimento formal do problema climático, mas pela capacidade de estabilizar, ao longo do tempo, coordenação, densidade institucional, especialização funcional e instrumentos de ação. Com base nesses achados, a tese propõe ainda um framework analítico e uma matriz avaliativa para a análise comparada da governança climática regional em outros contextos.
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DANILO AUGUSTO BARBOSA BENEDICTO
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Entre a participação e a exclusão: a agenda do movimento negro no terceiro Plano Nacional de Educação (2014-2024)
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Orientador : SALOMAO BARROS XIMENES
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Data: 02/06/2026
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Esta tese investiga como a agenda educacional antirracista, aprovada na Conferência Nacional de Educação (CONAE) de 2010, foi sistematicamente filtrada durante a tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE 2014–2024), mesmo sob um governo progressista. A pesquisa parte de um paradoxo: apesar da participação social ampliada e do compromisso governamental com a igualdade racial, medidas estruturantes como a criação de um Fundo Nacional de Educação Quilombola, metas racializadas e vinculação orçamentária da educação das relações étnico-raciais foram suprimidas, diluídas ou esvaziadas. Utilizando rastreamento processual (process tracing) e análise documental sistemática, a tese acompanha o destino de 38 propostas antirracistas desde sua aprovação na CONAE até o texto final da Lei n. 13.005/2014. O referencial teórico articula os conceitos de racismo estrutural (OLIVEIRA e ALMEIDA), branquitude institucional (BENTO), neoliberalismo progressista (FRASER) e Estado racial. Os resultados evidenciam três níveis de seletividade racializada que operaram no ciclo: epistêmica (desqualificação do saber produzido pelo movimento negro), institucional-burocrática (uso de transversalidade e regulamentação posterior como mecanismos de esvaziamento) e econômico-fiscal (aplicação rigorosa de normas de austeridade fiscal contra propostas redistributivas). A tese formula o conceito de Estado racial progressista para caracterizar um padrão estatal que incorpora demandas antirracistas seletivamente, reconhecendo o racismo discursivamente mas bloqueando transformações estruturais por meio da gramática da neutralidade técnica. Conclui-se que a persistência da desigualdade racial na educação não decorre apenas de resistências explícitas, mas de uma engenharia institucional que administra o racismo através da técnica, da austeridade fiscal e da aparência de neutralidade, perpetuando a inclusão subordinada da população negra no sistema educacional brasileiro.
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Esta tese investiga como a agenda educacional antirracista, aprovada na Conferência Nacional de Educação (CONAE) de 2010, foi sistematicamente filtrada durante a tramitação do Plano Nacional de Educação (PNE 2014–2024), mesmo sob um governo progressista. A pesquisa parte de um paradoxo: apesar da participação social ampliada e do compromisso governamental com a igualdade racial, medidas estruturantes como a criação de um Fundo Nacional de Educação Quilombola, metas racializadas e vinculação orçamentária da educação das relações étnico-raciais foram suprimidas, diluídas ou esvaziadas. Utilizando rastreamento processual (process tracing) e análise documental sistemática, a tese acompanha o destino de 38 propostas antirracistas desde sua aprovação na CONAE até o texto final da Lei n. 13.005/2014. O referencial teórico articula os conceitos de racismo estrutural (OLIVEIRA e ALMEIDA), branquitude institucional (BENTO), neoliberalismo progressista (FRASER) e Estado racial. Os resultados evidenciam três níveis de seletividade racializada que operaram no ciclo: epistêmica (desqualificação do saber produzido pelo movimento negro), institucional-burocrática (uso de transversalidade e regulamentação posterior como mecanismos de esvaziamento) e econômico-fiscal (aplicação rigorosa de normas de austeridade fiscal contra propostas redistributivas). A tese formula o conceito de Estado racial progressista para caracterizar um padrão estatal que incorpora demandas antirracistas seletivamente, reconhecendo o racismo discursivamente mas bloqueando transformações estruturais por meio da gramática da neutralidade técnica. Conclui-se que a persistência da desigualdade racial na educação não decorre apenas de resistências explícitas, mas de uma engenharia institucional que administra o racismo através da técnica, da austeridade fiscal e da aparência de neutralidade, perpetuando a inclusão subordinada da população negra no sistema educacional brasileiro.
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KAROLINE DE OLIVEIRA
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COMO SE IMPLEMENTA A COLABORAÇÃO? Arranjos dos programas de alfabetização na idade certa no Maranhão e em Sergipe
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Orientador : CATARINA IANNI SEGATTO
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Data: 27/07/2026
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A experiência do estado do Ceará, amplamente analisada pela literatura, tem inspirado a criação de programas de alfabetização na idade certa em outros estados brasileiros. Esses programas são coordenados pelos estados em regime de colaboração com os municípios, instituídos, sobretudo, nos últimos dez anos. Os programas de alfabetização são, portanto, uma oportunidade de analisar o papel coordenador dos estados e de suprir uma lacuna de pesquisas que analisam o funcionamento dos programas de alfabetização que adotam instrumentos similares ao do Ceará. Essa pesquisa tem por objetivo analisar os processos de implementação dos programas de alfabetização na idade certa, identificando como os arranjos de implementação (atores, instrumentos e capacidades) se configuram e operam em cada contexto. Para tanto, adota-se como metodologia um estudo de caso de pequeno N, de abordagem qualitativa e comparação não controlada. Os casos foram selecionados com base nos seguintes filtros: i) tempo de implementação dos programas; ii) Despesa em educação similar, porém com contextos distintos em termos de indicadores sociais, econômicos e territoriais. A seleção resultou na análise do Programa Pacto pelo Fortalecimento da Aprendizagem no Maranhão e do Programa Alfabetizar pra Valer em Sergipe. Os resultados mostram que enquanto o Maranhão avança de forma incremental e controlada no desenvolvimento de suas capacidades técnico-administrativa e relacional, Sergipe enfrenta obstáculos administrativos que minam consistentemente o desenvolvimento de tais capacidades e o potencial de sua colaboração com os municípios. Os casos mostram que essas capacidades se retroalimentam: a continuidade das equipes técnicas contribui para o fortalecimento dos vínculos relacionais que, por sua vez, criam condições para a manutenção e aprimoramento das capacidades técnico-administrativas. Em suma, ainda que os arranjos apresentem padrões distintos nos casos, o relacionamento intergovernamental ainda depende fortemente da capacidade de coordenação e engajamento dos governos estaduais, evidenciando que a implementação ainda não se traduz em maior autonomia para os municípios definirem suas agendas e prioridades.
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A experiência do estado do Ceará, amplamente analisada pela literatura, tem inspirado a criação de programas de alfabetização na idade certa em outros estados brasileiros. Esses programas são coordenados pelos estados em regime de colaboração com os municípios, instituídos, sobretudo, nos últimos dez anos. Os programas de alfabetização são, portanto, uma oportunidade de analisar o papel coordenador dos estados e de suprir uma lacuna de pesquisas que analisam o funcionamento dos programas de alfabetização que adotam instrumentos similares ao do Ceará. Essa pesquisa tem por objetivo analisar os processos de implementação dos programas de alfabetização na idade certa, identificando como os arranjos de implementação (atores, instrumentos e capacidades) se configuram e operam em cada contexto. Para tanto, adota-se como metodologia um estudo de caso de pequeno N, de abordagem qualitativa e comparação não controlada. Os casos foram selecionados com base nos seguintes filtros: i) tempo de implementação dos programas; ii) Despesa em educação similar, porém com contextos distintos em termos de indicadores sociais, econômicos e territoriais. A seleção resultou na análise do Programa Pacto pelo Fortalecimento da Aprendizagem no Maranhão e do Programa Alfabetizar pra Valer em Sergipe. Os resultados mostram que enquanto o Maranhão avança de forma incremental e controlada no desenvolvimento de suas capacidades técnico-administrativa e relacional, Sergipe enfrenta obstáculos administrativos que minam consistentemente o desenvolvimento de tais capacidades e o potencial de sua colaboração com os municípios. Os casos mostram que essas capacidades se retroalimentam: a continuidade das equipes técnicas contribui para o fortalecimento dos vínculos relacionais que, por sua vez, criam condições para a manutenção e aprimoramento das capacidades técnico-administrativas. Em suma, ainda que os arranjos apresentem padrões distintos nos casos, o relacionamento intergovernamental ainda depende fortemente da capacidade de coordenação e engajamento dos governos estaduais, evidenciando que a implementação ainda não se traduz em maior autonomia para os municípios definirem suas agendas e prioridades.
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LUÍS FERNANDO DE PAIVA BARACHO CARDOSO
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O Brasil e os Acordos Regionais Comerciais: a política comercial hesitante da Nova República
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Orientador : MARIA HERMÍNIA BRANDÃO TAVARES DE ALMEIDA
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Data: 29/08/2026
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Esta tese investiga por que o Brasil, uma das maiores e mais diversificadas economias do mundo, celebrou tão poucos Acordos Regionais de Comércio (ARCs) relevantes entre 1991 e 2019, e por que governos de orientações programáticas opostas mantiveram a mesma postura hesitante diante desses acordos. Para responder a esse duplo enigma, três hipóteses concorrentes são testadas por meio de abordagem metodológica mista: a hipótese estrutural (H₀), segundo a qual o comportamento brasileiro seria típico de economias de perfil semelhante; a hipótese programática (H₁), que atribui a variação na celebração de ARCs à orientação da coalizão governante; e a hipótese ideacional/institucional (H₂), que localiza a explicação na persistência de ideias protecionistas nas burocracias responsáveis pela Política Comercial. A dimensão quantitativa compreende a análise comparada com doze economias emergentes, a construção e validação do Índice de Relevância de Acordos Regionais de Comércio (IR-ARC) e do Índice de Orientação Programática do Governo, aplicados a uma matriz de decisão que cobre 25 processos negociais entre 1996 e 2022. A dimensão qualitativa mobiliza a análise de repertórios interpretativos e de enquadramento sobre os discursos de posse dos ministros do MRE e do MDIC e sobre 39 matérias da Revista Brasileira de Comércio Exterior (1995–2019). Os resultados indicam que o Brasil constitui um outlier persistente, afastando a explicação estrutural; que a orientação programática opera de forma bidimensional - governos socialdemocratas exibem maior ativismo negociador, e governos liberais, maior seletividade por parceiros relevantes -, sem contudo alterar a trajetória de fundo; e que um repertório protecionista atravessa de modo estável a produção discursiva ministerial e técnica no período. Conclui-se que a hesitação brasileira decorre da interação entre orientação programática e instituições, mediada por "ideias fora do contexto": crenças desenvolvimentistas que sobreviveram à transformação das condições materiais que lhes deram origem e seguiram operando como filtros cognitivos da Política Comercial, cuja força só começa a ceder a partir de 2016.
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Esta tese investiga por que o Brasil, uma das maiores e mais diversificadas economias do mundo, celebrou tão poucos Acordos Regionais de Comércio (ARCs) relevantes entre 1991 e 2019, e por que governos de orientações programáticas opostas mantiveram a mesma postura hesitante diante desses acordos. Para responder a esse duplo enigma, três hipóteses concorrentes são testadas por meio de abordagem metodológica mista: a hipótese estrutural (H₀), segundo a qual o comportamento brasileiro seria típico de economias de perfil semelhante; a hipótese programática (H₁), que atribui a variação na celebração de ARCs à orientação da coalizão governante; e a hipótese ideacional/institucional (H₂), que localiza a explicação na persistência de ideias protecionistas nas burocracias responsáveis pela Política Comercial. A dimensão quantitativa compreende a análise comparada com doze economias emergentes, a construção e validação do Índice de Relevância de Acordos Regionais de Comércio (IR-ARC) e do Índice de Orientação Programática do Governo, aplicados a uma matriz de decisão que cobre 25 processos negociais entre 1996 e 2022. A dimensão qualitativa mobiliza a análise de repertórios interpretativos e de enquadramento sobre os discursos de posse dos ministros do MRE e do MDIC e sobre 39 matérias da Revista Brasileira de Comércio Exterior (1995–2019). Os resultados indicam que o Brasil constitui um outlier persistente, afastando a explicação estrutural; que a orientação programática opera de forma bidimensional - governos socialdemocratas exibem maior ativismo negociador, e governos liberais, maior seletividade por parceiros relevantes -, sem contudo alterar a trajetória de fundo; e que um repertório protecionista atravessa de modo estável a produção discursiva ministerial e técnica no período. Conclui-se que a hesitação brasileira decorre da interação entre orientação programática e instituições, mediada por "ideias fora do contexto": crenças desenvolvimentistas que sobreviveram à transformação das condições materiais que lhes deram origem e seguiram operando como filtros cognitivos da Política Comercial, cuja força só começa a ceder a partir de 2016.
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