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Dissertações |
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JOÃO GABRIEL RIBEIRO
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MEMBRANAS POROSAS BIODEGRADÁVEIS CONTENDO MICRO E NANO CELULOSES MODIFICADAS PARA REMOÇÃO DE ÍONS METÁLICOS EM ÁGUAS CONTAMINADAS
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Orientador : DERVAL DOS SANTOS ROSA
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Data: 25/02/2025
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A presença de contaminantes metálicos em água de consumo humano configura um sério problema ambiental e de saúde pública, dada a alta toxicidade, não biodegradabilidade e potencial de bioacumulação destes contaminantes nos seres vivos. Enquanto os métodos tradicionais de tratamento de água se mostram insuficientes para a remoção de pequenas quantidades de metais potencialmente tóxicos de maneira satisfatória, membranas porosas biodegradáveis contendo aditivos adsorventes se destacam como possíveis materiais para o emprego na remoção de contaminantes metálicos. Este trabalho apresenta os resultados do desenvolvimento de membranas porosas biodegradáveis com matrizes de PBAT e celulose contendo como fase dispersa micro (MCC-m) e nano (NCC-m) estruturas de celulose modificadas quimicamente para a remoção de íons metálicos potencialmente tóxicos (Cd2+, Zn2+, Ni2+ e Mn2+) de água, com foco em íons divalentes de cádmio e zinco. As membranas com matriz de PBAT foram produzidas pelo método do air-brushing contendo MCC-m como fase dispersa nos teores de 0, 1, 3 e 5%, em massa, formando compósitos do tipo layer-by-layer. As membranas com matriz de celulose foram preparadas por casting, contendo MCC-m e NCC-m nos teores de 0, 5, 10, 20, 50 e 100% em massa. Para o preparo dos aditivos adsorventes utilizados como fase dispersa nas membranas, a celulose microcristalina (MCC) e a celulose nanocristalina (NCC) foram modificadas pela reação com anidrido succínico para a inserção de grupos carboxilato na superfície dos materiais (MCC-m e NCC-m). As modificações da celulose foram comprovadas por 13C RMN e FTIR, e estudos de sorção demonstraram um aumento substancial nas capacidades de sorção de MCC-m e NCC-m em comparação às formas não modificadas. Ambas NCC-m e MCC-m apresentaram afinidades superiores para Cd2+ e Zn2+ em relação aos demais íons avaliados (Ni2+ e Mn2+) e tiveram o pH 7 como pH ótimo de sorção. As membranas compósitas com matriz de PBAT demostraram incompatibilidade frente às fases dispersas, sendo enfrentadas adversidades no preparo destes materiais, os quais, mesmo nas melhores formulações, apresentaram resultados insatisfatórios de sorção. Em contrapartida, as membranas ACC com matriz de celulose contendo MCC-m e NCC-m apresentaram desempenhos muito superiores aos observados pelas membranas compósitas de PBAT, apresentando remoções de até 94, 84, 80 e 45% de Zn2+, Cd2+, Ni2+ e Mn2+, respectivamente em ensaios multicomposto na melhor formulação obtida, contendo 10% de NCC-m (C10n). A membrana C10n, em específico, apresentou capacidades máximas de adsorção de 0,31 e 0,79 mmol/g de Zn2+ e Cd2+ respectivamente, além de uma recuperação de 100% em dois ciclos de adsorção e dessorção, demonstrando de maneira inequívoca o potencial destes materiais para a atuação no tratamento de águas contaminadas.
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A presença de contaminantes metálicos em água de consumo humano configura um sério problema ambiental e de saúde pública, dada a alta toxicidade, não biodegradabilidade e potencial de bioacumulação destes contaminantes nos seres vivos. Enquanto os métodos tradicionais de tratamento de água se mostram insuficientes para a remoção de pequenas quantidades de metais potencialmente tóxicos de maneira satisfatória, membranas porosas biodegradáveis contendo aditivos adsorventes se destacam como possíveis materiais para o emprego na remoção de contaminantes metálicos. Este trabalho apresenta os resultados do desenvolvimento de membranas porosas biodegradáveis com matrizes de PBAT e celulose contendo como fase dispersa micro (MCC-m) e nano (NCC-m) estruturas de celulose modificadas quimicamente para a remoção de íons metálicos potencialmente tóxicos (Cd2+, Zn2+, Ni2+ e Mn2+) de água, com foco em íons divalentes de cádmio e zinco. As membranas com matriz de PBAT foram produzidas pelo método do air-brushing contendo MCC-m como fase dispersa nos teores de 0, 1, 3 e 5%, em massa, formando compósitos do tipo layer-by-layer. As membranas com matriz de celulose foram preparadas por casting, contendo MCC-m e NCC-m nos teores de 0, 5, 10, 20, 50 e 100% em massa. Para o preparo dos aditivos adsorventes utilizados como fase dispersa nas membranas, a celulose microcristalina (MCC) e a celulose nanocristalina (NCC) foram modificadas pela reação com anidrido succínico para a inserção de grupos carboxilato na superfície dos materiais (MCC-m e NCC-m). As modificações da celulose foram comprovadas por 13C RMN e FTIR, e estudos de sorção demonstraram um aumento substancial nas capacidades de sorção de MCC-m e NCC-m em comparação às formas não modificadas. Ambas NCC-m e MCC-m apresentaram afinidades superiores para Cd2+ e Zn2+ em relação aos demais íons avaliados (Ni2+ e Mn2+) e tiveram o pH 7 como pH ótimo de sorção. As membranas compósitas com matriz de PBAT demostraram incompatibilidade frente às fases dispersas, sendo enfrentadas adversidades no preparo destes materiais, os quais, mesmo nas melhores formulações, apresentaram resultados insatisfatórios de sorção. Em contrapartida, as membranas ACC com matriz de celulose contendo MCC-m e NCC-m apresentaram desempenhos muito superiores aos observados pelas membranas compósitas de PBAT, apresentando remoções de até 94, 84, 80 e 45% de Zn2+, Cd2+, Ni2+ e Mn2+, respectivamente em ensaios multicomposto na melhor formulação obtida, contendo 10% de NCC-m (C10n). A membrana C10n, em específico, apresentou capacidades máximas de adsorção de 0,31 e 0,79 mmol/g de Zn2+ e Cd2+ respectivamente, além de uma recuperação de 100% em dois ciclos de adsorção e dessorção, demonstrando de maneira inequívoca o potencial destes materiais para a atuação no tratamento de águas contaminadas.
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LUCAS DA SILVA RODRIGUES
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Propriedades estruturais e físicas de nanoestruturas de La1-xYxNiO3 preparadas pelo metodo hidrotermal
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Orientador : MARCIA TSUYAMA ESCOTE
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Data: 18/03/2025
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Compostos RNiO3 (R = terra rara) são uma série de materiais que se destacam por suas propriedades elétricas, óticas e magnéticas estarem relacionadas a sua composição química e estrutura cristalina. Tais compostos, apresentam um rico diagrama de fases, com transições magnéticas (transição de Néel) e elétricas (transição metal-isolante) que podem ser controladas por substituição química, tensão na rede cristalina, densidade de defeitos entre outras variáveis. Estas características tornam estes compostos interessantes em vários campos de aplicações como em catalise, transistores, biossensores, dentre outros. Um dos grandes desafios na síntese desses materiais é estabilizar o Ni3+, que requer em métodos tradicionais altas temperaturas (T > 900 ºC) e altas pressões de O2 (400 – 2000 bar). Vários trabalhos foram realizados com o intuito de obter estes compostos em condições menos extremas ou por processos mais complexos, como deposição de filmes finos por técnicas de deposição física e/ou química de vapor e síntese de nanoestruturas por rotas como eletrofiação, preenchimento de membrana porosa e síntese hidrotermal assistida por micro-ondas (SHAM). Neste contexto, foi sintetizado o composto La1-xYxNiO3 (0 ≤ x ≤ 0,2) por meio da rota de SHAM, onde a síntese foi realizada a 180 ºC por 90 min em um reator de micro-ondas. O precipitado obtido foi lavado, seco, tratado termicamente a 800 °C ao ar. As amostras foram caracterizadas por: microscopia eletrônica de varredura (MEV), difração de raios-X (DRX), termogravimetria (TGA), e foi avaliada sua resistividade elétrica em função da temperatura (ρ x T) e seu comportamento magnético em função da temperatura e de diferentes campos aplicados. Imagens de MEV mostram que o LaNiO3 apresenta na sua microestrutura nanopartículas cúbicas as demais amostras apresentaram partículas de tamanhos e formas irregulares. Análises de difração de raios mostram que as amostras (x < 0,10) são policristalinas e monofásicas. Elas se cristalizam-se respectivamente numa estrutura perovskita romboédrica () para X < 0,05 e ortorrômbica para demais (Pbnm). Também foi verificado que o limite de solubilidade do Y na matriz de LaNiO3 é próximo de 0,10, as amostras com x > 0,15 apresentam reflexões adicionais de NiO, Y2O3 e La2O3. Nas medidas de transporte elétrico, na faixa entre 2-300 K as amostras exibem comportamento metálico em toda faixa de temperatura, já em relação a presença de Y, a região de baixa temperatura das amostras com x > 0,1 apresentam um aumento da resistividade na região de baixa temperatura. Medidas magnéticas revelam contribuições adicionais na região de baixa temperatura (< 100K) que desviam o comportamento linear a curva de susceptibilidade e que indicam a presença de ferromagnetismo fraco nestes compostos (~10 K). Análises preliminares desta síntese sugere o LaNiO3 como um material promissor a sensibilidade ao ozônio em concentrações na faixa de partes por bilhão em temperatura ambiente.
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Compostos RNiO3 (R = terra rara) são uma série de materiais que se destacam por suas propriedades elétricas, óticas e magnéticas estarem relacionadas a sua composição química e estrutura cristalina. Tais compostos, apresentam um rico diagrama de fases, com transições magnéticas (transição de Néel) e elétricas (transição metal-isolante) que podem ser controladas por substituição química, tensão na rede cristalina, densidade de defeitos entre outras variáveis. Estas características tornam estes compostos interessantes em vários campos de aplicações como em catalise, transistores, biossensores, dentre outros. Um dos grandes desafios na síntese desses materiais é estabilizar o Ni3+, que requer em métodos tradicionais altas temperaturas (T > 900 ºC) e altas pressões de O2 (400 – 2000 bar). Vários trabalhos foram realizados com o intuito de obter estes compostos em condições menos extremas ou por processos mais complexos, como deposição de filmes finos por técnicas de deposição física e/ou química de vapor e síntese de nanoestruturas por rotas como eletrofiação, preenchimento de membrana porosa e síntese hidrotermal assistida por micro-ondas (SHAM). Neste contexto, foi sintetizado o composto La1-xYxNiO3 (0 ≤ x ≤ 0,2) por meio da rota de SHAM, onde a síntese foi realizada a 180 ºC por 90 min em um reator de micro-ondas. O precipitado obtido foi lavado, seco, tratado termicamente a 800 °C ao ar. As amostras foram caracterizadas por: microscopia eletrônica de varredura (MEV), difração de raios-X (DRX), termogravimetria (TGA), e foi avaliada sua resistividade elétrica em função da temperatura (ρ x T) e seu comportamento magnético em função da temperatura e de diferentes campos aplicados. Imagens de MEV mostram que o LaNiO3 apresenta na sua microestrutura nanopartículas cúbicas as demais amostras apresentaram partículas de tamanhos e formas irregulares. Análises de difração de raios mostram que as amostras (x < 0,10) são policristalinas e monofásicas. Elas se cristalizam-se respectivamente numa estrutura perovskita romboédrica () para X < 0,05 e ortorrômbica para demais (Pbnm). Também foi verificado que o limite de solubilidade do Y na matriz de LaNiO3 é próximo de 0,10, as amostras com x > 0,15 apresentam reflexões adicionais de NiO, Y2O3 e La2O3. Nas medidas de transporte elétrico, na faixa entre 2-300 K as amostras exibem comportamento metálico em toda faixa de temperatura, já em relação a presença de Y, a região de baixa temperatura das amostras com x > 0,1 apresentam um aumento da resistividade na região de baixa temperatura. Medidas magnéticas revelam contribuições adicionais na região de baixa temperatura (< 100K) que desviam o comportamento linear a curva de susceptibilidade e que indicam a presença de ferromagnetismo fraco nestes compostos (~10 K). Análises preliminares desta síntese sugere o LaNiO3 como um material promissor a sensibilidade ao ozônio em concentrações na faixa de partes por bilhão em temperatura ambiente.
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GUILHERME BARNEZ GRAMCIANINOV
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Nanocompósitos de poli(tereftalato de etileno) com nanopartículas híbridas contendo prata para potencial aplicação em cortinas hospitalares
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Orientador : MATHILDE JULIENNE GISELE CHAMPEAU
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Data: 28/04/2025
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O desenvolvimento de materiais voltados à proteção em ambientes hospitalares, como cortinas separadoras de leitos, tem crescido em resposta a exigências sanitárias e regulatórias. A pandemia de COVID-19 intensificou a preocupação com a transmissão de microrganismos por superfícies de contato. Além da atividade antimicrobiana, outras propriedades funcionais são desejáveis, como resistência à chama e ação autolimpante. Este trabalho visa à síntese de nanopartículas híbridas de prata em dióxido de titânio (Ag/TiO₂) e nanoargila de montmorilonita organomodificada (Ag/C30B), bem como à produção de nanocompósitos de poli(tereftalato de etileno) (PET) via processamento no estado fundido, com foco em aplicações potenciais em cortinas hospitalares. As nanopartículas Ag/TiO₂ foram sintetizadas por redução química, enquanto as Ag/C30B foram obtidas por troca iônica, seguida de redução térmica in situ no PET fundido. A incorporação da prata foi confirmada por Difração de Raios-X e Espectroscopia por Dispersão de Raios-X. Por Microscopia Eletrônica de Transmissão e Espalhamento Dinâmico de Luz, estimou-se o tamanho das nanopartículas. A Espectroscopia UV-Vis revelou maior absorção de radiação no espectro ultravioleta e visível em Ag/TiO₂ em comparação ao TiO₂ puro. Na primeira etapa de processamento, os nanocompósitos foram desenvolvidos via misturador externo, com concentração de nanopartículas total fixada em 5%, e alternadas de 0 a 5% entre Ag/TiO2 e Ag/C30B para avaliação de propriedades antivirais (SARS-CoV-2) segundo a ISO 21702:2019. Na segunda etapa, os nanocompósitos foram desenvolvidos via extrusão com TiO2, Ag/TiO2, C30B e Ag/C30B em concentrações de 1, 3 e 5%. A formulação com 2% Ag/TiO₂ e 3% Ag/C30B, avaliada previamente como virucida, foi mantida para análise adicional. Foram também realizadas análises térmicas, estruturais e funcionais, incluindo atividade antibacteriana frente a E. coli (método Kirby-Bauer), hidrofobicidade (ASTM D7334) e resistência à chama (UL-94).
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O desenvolvimento de materiais voltados à proteção em ambientes hospitalares, como cortinas separadoras de leitos, tem crescido em resposta a exigências sanitárias e regulatórias. A pandemia de COVID-19 intensificou a preocupação com a transmissão de microrganismos por superfícies de contato. Além da atividade antimicrobiana, outras propriedades funcionais são desejáveis, como resistência à chama e ação autolimpante. Este trabalho visa à síntese de nanopartículas híbridas de prata em dióxido de titânio (Ag/TiO₂) e nanoargila de montmorilonita organomodificada (Ag/C30B), bem como à produção de nanocompósitos de poli(tereftalato de etileno) (PET) via processamento no estado fundido, com foco em aplicações potenciais em cortinas hospitalares. As nanopartículas Ag/TiO₂ foram sintetizadas por redução química, enquanto as Ag/C30B foram obtidas por troca iônica, seguida de redução térmica in situ no PET fundido. A incorporação da prata foi confirmada por Difração de Raios-X e Espectroscopia por Dispersão de Raios-X. Por Microscopia Eletrônica de Transmissão e Espalhamento Dinâmico de Luz, estimou-se o tamanho das nanopartículas. A Espectroscopia UV-Vis revelou maior absorção de radiação no espectro ultravioleta e visível em Ag/TiO₂ em comparação ao TiO₂ puro. Na primeira etapa de processamento, os nanocompósitos foram desenvolvidos via misturador externo, com concentração de nanopartículas total fixada em 5%, e alternadas de 0 a 5% entre Ag/TiO2 e Ag/C30B para avaliação de propriedades antivirais (SARS-CoV-2) segundo a ISO 21702:2019. Na segunda etapa, os nanocompósitos foram desenvolvidos via extrusão com TiO2, Ag/TiO2, C30B e Ag/C30B em concentrações de 1, 3 e 5%. A formulação com 2% Ag/TiO₂ e 3% Ag/C30B, avaliada previamente como virucida, foi mantida para análise adicional. Foram também realizadas análises térmicas, estruturais e funcionais, incluindo atividade antibacteriana frente a E. coli (método Kirby-Bauer), hidrofobicidade (ASTM D7334) e resistência à chama (UL-94).
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DAVIDSON LUIS ONORIO
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Estudo do desenvolvimento de nanocompósitos de polieteretercetona com adição de nanopartículas de grafeno
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Orientador : DANILO JUSTINO CARASTAN
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Data: 25/08/2025
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A manufatura aditiva, especialmente por impressão 3D, tem crescido como alternativa para a produção de dispositivos biomédicos que demandam propriedades mecânicas e térmicas elevadas, além de biocompatibilidade. Nesse cenário, a poli(éter-éter-cetona) (PEEK) configura-se como um polímero de destaque, por sua notável estabilidade química, resistência térmica e rigidez próxima à do osso humano. Entretanto, há grande interesse em aprimorar ainda mais o desempenho do PEEK por meio da incorporação de nanopartículas de grafeno, objetivando aumentar sua resistência mecânica e sua estabilidade térmica para aplicações avançadas em implantes e próteses. Este trabalho investigou rotas de processamento baseadas em ultrassonicação e mistura em estado fundido para dispersar o grafeno no pó de PEEK, seguida de extrusão e injeção em bancada. Foram estudadas concentrações de 0,25%, 1% e 4% de grafeno, avaliando-se a influência de cada método na homogeneidade do compósito. As análises microestruturais, por microscopia eletrônica de varredura e microscopia óptica, evidenciaram menor formação de aglomerados em concentrações reduzidas e com o uso de sonda ultrassônica. Estudos térmicos (TGA e DSC) confirmaram que baixas concentrações de grafeno podem aumentar levemente a estabilidade térmica e favorecer a cristalização, ao passo que teores mais altos tendem a gerar aglomerações que prejudicam as propriedades. Ensaios reológicos e de tração mostraram ganhos consideráveis em módulo elástico e resistência mecânica quando a dispersão foi mais eficaz. Os resultados demonstram que a incorporação controlada de grafeno aprimora o desempenho do PEEK em aplicações que requerem peças personalizadas, resistentes e termicamente estáveis, destacando-se como opção promissora para a fabricação de dispositivos médicos de alta complexidade via impressão 3D.
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A manufatura aditiva, especialmente por impressão 3D, tem crescido como alternativa para a produção de dispositivos biomédicos que demandam propriedades mecânicas e térmicas elevadas, além de biocompatibilidade. Nesse cenário, a poli(éter-éter-cetona) (PEEK) configura-se como um polímero de destaque, por sua notável estabilidade química, resistência térmica e rigidez próxima à do osso humano. Entretanto, há grande interesse em aprimorar ainda mais o desempenho do PEEK por meio da incorporação de nanopartículas de grafeno, objetivando aumentar sua resistência mecânica e sua estabilidade térmica para aplicações avançadas em implantes e próteses. Este trabalho investigou rotas de processamento baseadas em ultrassonicação e mistura em estado fundido para dispersar o grafeno no pó de PEEK, seguida de extrusão e injeção em bancada. Foram estudadas concentrações de 0,25%, 1% e 4% de grafeno, avaliando-se a influência de cada método na homogeneidade do compósito. As análises microestruturais, por microscopia eletrônica de varredura e microscopia óptica, evidenciaram menor formação de aglomerados em concentrações reduzidas e com o uso de sonda ultrassônica. Estudos térmicos (TGA e DSC) confirmaram que baixas concentrações de grafeno podem aumentar levemente a estabilidade térmica e favorecer a cristalização, ao passo que teores mais altos tendem a gerar aglomerações que prejudicam as propriedades. Ensaios reológicos e de tração mostraram ganhos consideráveis em módulo elástico e resistência mecânica quando a dispersão foi mais eficaz. Os resultados demonstram que a incorporação controlada de grafeno aprimora o desempenho do PEEK em aplicações que requerem peças personalizadas, resistentes e termicamente estáveis, destacando-se como opção promissora para a fabricação de dispositivos médicos de alta complexidade via impressão 3D.
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RODRIGO PRETEL ANTUNES VIEIRA
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Desenvolvimento de potenciais empíricos para ligas Fe-Si
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Orientador : ROBERTO GOMES DE AGUIAR VEIGA
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Data: 27/08/2025
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Os aços são a principal classe de ligas metálicas para aplicações estruturais, desde a construção civil até componentes de alto desempenho como os vasos de pressão de reatores nucleares (RPVs). Suas propriedades são otimizadas por elementos de liga como o silício (Si), que influencia a resistência mecânica e à corrosão. Este trabalho tem como objetivo o desenvolvimento de potenciais interatômicos do tipo Embedded Atom Method (EAM) para ligas binárias Fe-Si com baixas concentrações de silício, suprindo a escassez de potenciais empíricos capazes de descrever a influência do silício em ligas ferrosas. Foram realizados cálculos de primeiros princípios utilizando a Teoria do Funcional da Densidade (DFT) implementada no pacote Quantum Espresso. As simulações envolveram supercélulas cúbicas de ferro com defeitos pontuais — átomos de silício substitucionais, lacunas e suas combinações — cujas energias de interação e distâncias interatômicas serviram como dados no processo de ajuste dos parâmetros de potenciais EAM. Dois potenciais EAM foram ajustados utilizando a heurística de otimização global chamada Simulated Annealing, acoplado ao pacote LAMMPS. Os resultados obtidos com os potenciais empíricos após a otimização mostraram boa concordância com os dados de teste obtidos por DFT, de modo que a transferabilidade dos potenciais foi considerada satisfatória, sendo particularmente destacada no caso do Potencial 1. Adicionalmente, verificou-se a estabilidade da estrutura cúbica de corpo centrado (CCC) em simulações com defeitos estendidos. Assim, os resultados validam o protocolo para o sistema Fe-Si, e também demonstram que a metodologia pode ser estendida com baixo custo computacional para suprir a carência de potenciais para outras ligas de importância tecnológica, partindo-se de modelos já existentes para suas matrizes metálicas puras.
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Os aços são a principal classe de ligas metálicas para aplicações estruturais, desde a construção civil até componentes de alto desempenho como os vasos de pressão de reatores nucleares (RPVs). Suas propriedades são otimizadas por elementos de liga como o silício (Si), que influencia a resistência mecânica e à corrosão. Este trabalho tem como objetivo o desenvolvimento de potenciais interatômicos do tipo Embedded Atom Method (EAM) para ligas binárias Fe-Si com baixas concentrações de silício, suprindo a escassez de potenciais empíricos capazes de descrever a influência do silício em ligas ferrosas. Foram realizados cálculos de primeiros princípios utilizando a Teoria do Funcional da Densidade (DFT) implementada no pacote Quantum Espresso. As simulações envolveram supercélulas cúbicas de ferro com defeitos pontuais — átomos de silício substitucionais, lacunas e suas combinações — cujas energias de interação e distâncias interatômicas serviram como dados no processo de ajuste dos parâmetros de potenciais EAM. Dois potenciais EAM foram ajustados utilizando a heurística de otimização global chamada Simulated Annealing, acoplado ao pacote LAMMPS. Os resultados obtidos com os potenciais empíricos após a otimização mostraram boa concordância com os dados de teste obtidos por DFT, de modo que a transferabilidade dos potenciais foi considerada satisfatória, sendo particularmente destacada no caso do Potencial 1. Adicionalmente, verificou-se a estabilidade da estrutura cúbica de corpo centrado (CCC) em simulações com defeitos estendidos. Assim, os resultados validam o protocolo para o sistema Fe-Si, e também demonstram que a metodologia pode ser estendida com baixo custo computacional para suprir a carência de potenciais para outras ligas de importância tecnológica, partindo-se de modelos já existentes para suas matrizes metálicas puras.
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CARLOS ROBERTO DA SILVA GUIMARÃES JUNIOR
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Manufatura e Avaliação da Permeabilidade de Polimerossomos com Potencial Aplicação na Construção de Células Artificiais e Nanoreatores
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Orientador : FERNANDO CARLOS GIACOMELLI
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Data: 12/09/2025
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Esta Dissertação de Mestrado vislumbra a verificação da potencial utilização de vesículas poliméricas (polimerossomos) para diferentes aplicações no âmbito da biotecnologia, tais como plataformas para liberação controlada de agentes ativos e fabricação de biorreatores. Neste sentido, o conhecimento em que pese a permeabilidade das membranas produzidas é de relevância ímpar visto que pequenas moléculas devem ser mantidas retidas no núcleo aquoso dos sistemas ocos, ou serem capazes de atravessar as paredes poliméricas, a depender da aplicação pretendida. Neste contexto, mostrou-se inicialmente que é possível produzir vesículas poliméricas a partir de copolímeros em bloco contendo (poli[(2-diisopropil etil) metacrilato]) - PDPA ou poli(metilmetacrilato) - PMMA ligados quimicamente ao bloco hidrofílico (poli(1-palmitoil-2-miristoil-fosfatidilcolina)) - PMPC (PMPC35-b-PDPA98 e PMPC40-b-PMMA80), sendo o PDPA um bloco sensível ao pH. Os sistemas auto-organizados foram caracterizados utilizando-se as técnicas experimentais de espalhamento de luz dinâmico (DLS), estático (SLS) e eletroforético (ELS), bem como microscopia eletrônica de transmissão criogênica (crio-TEM) e possuem tamanho menor do que 100 nm, sendo temporalmente estáveis por pelo menos 6 meses. Mostrou-se na sequência que as vesículas poliméricas possuindo PDPA como segmento hidrofóbico são inerentemente permeáveis, independente do local onde a sonda é encapsulada, seja no interior no núcleo aquoso, seja inserida na parede hidrofóbica. Por outro lado, demonstrou-se também que polimerossomos produzidos a partir de copolímero em bloco contendo PMMA como segmento hidrofóbico são notadamente menos permeáveis, ou até mesmo impermeáveis a pequenas moléculas. Sendo assim, mudando-se a natureza química do material polimérico pode se obter sistemas menos ou mais permeáveis o que é muito relevante dependendo da aplicação desejada. Como próximos passos, tentaremos fabricar também sistemas híbridos contendo tanto cadeias poliméricas de PMPC35-b-PDPA98 quanto de PMPC40-b-PMMA80 para ser verificar se é possível modular a permeabilidade mudando-se a fração mássica dos polímeros constituintes das vesículas poliméricas.
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Esta Dissertação de Mestrado vislumbra a verificação da potencial utilização de vesículas poliméricas (polimerossomos) para diferentes aplicações no âmbito da biotecnologia, tais como plataformas para liberação controlada de agentes ativos e fabricação de biorreatores. Neste sentido, o conhecimento em que pese a permeabilidade das membranas produzidas é de relevância ímpar visto que pequenas moléculas devem ser mantidas retidas no núcleo aquoso dos sistemas ocos, ou serem capazes de atravessar as paredes poliméricas, a depender da aplicação pretendida. Neste contexto, mostrou-se inicialmente que é possível produzir vesículas poliméricas a partir de copolímeros em bloco contendo (poli[(2-diisopropil etil) metacrilato]) - PDPA ou poli(metilmetacrilato) - PMMA ligados quimicamente ao bloco hidrofílico (poli(1-palmitoil-2-miristoil-fosfatidilcolina)) - PMPC (PMPC35-b-PDPA98 e PMPC40-b-PMMA80), sendo o PDPA um bloco sensível ao pH. Os sistemas auto-organizados foram caracterizados utilizando-se as técnicas experimentais de espalhamento de luz dinâmico (DLS), estático (SLS) e eletroforético (ELS), bem como microscopia eletrônica de transmissão criogênica (crio-TEM) e possuem tamanho menor do que 100 nm, sendo temporalmente estáveis por pelo menos 6 meses. Mostrou-se na sequência que as vesículas poliméricas possuindo PDPA como segmento hidrofóbico são inerentemente permeáveis, independente do local onde a sonda é encapsulada, seja no interior no núcleo aquoso, seja inserida na parede hidrofóbica. Por outro lado, demonstrou-se também que polimerossomos produzidos a partir de copolímero em bloco contendo PMMA como segmento hidrofóbico são notadamente menos permeáveis, ou até mesmo impermeáveis a pequenas moléculas. Sendo assim, mudando-se a natureza química do material polimérico pode se obter sistemas menos ou mais permeáveis o que é muito relevante dependendo da aplicação desejada. Como próximos passos, tentaremos fabricar também sistemas híbridos contendo tanto cadeias poliméricas de PMPC35-b-PDPA98 quanto de PMPC40-b-PMMA80 para ser verificar se é possível modular a permeabilidade mudando-se a fração mássica dos polímeros constituintes das vesículas poliméricas.
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TAMIRIS BASAN HUBMANN
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AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DE LIGNINA MODIFICADA COMO AGENTE ANTIOZONANTE SUSTENTÁVEL
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Orientador : DEMETRIO JACKSON DOS SANTOS
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Data: 26/09/2025
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O antiozonante usual da indústria de pneus é o 6PPD, o qual apresenta toxicidade para o meio ambiente e está sendo proibido em alguns países. Estudos mostram que a lignina Kraft, principalmente quando aminada, apresenta estrutura química parecida ao do 6PPD, apresentando potencial para substituí-lo. O presente projeto teve como objetivo avaliar o potencial antiozonante da lignina Kraft, assim como da lignina Kraft aminada com três diferentes aminas, com o intuito de propor um substituto sustentável ao 6PPD para a indústria de pneus. Inicialmente foi realizada a caracterização das amostras de lignina recebidas, através da qual foi possível concluir que as amostras foram devidamente aminadas, pois estas apresentaram picos de fotoemissão e bandas de transmitância característicos de ligações envolvendo carbono e nitrogênio, bem como alterações no comportamento térmico e aumento do percentual de nitrogênio presente na estrutura, tanto por XPS quanto por análise elementar. Em seguida as amostras de lignina foram utilizadas no processamento dos compostos de borracha. Com base nos resultados obtidos por meio das amostras de borracha processadas, foi possível constatar que a lignina aminada apresenta potencial para atuar como aditivo antiozonante em compostos de borracha NR/BR, no entanto observou-se que esse efeito depende fortemente do tipo de amina incorporado à sua estrutura química, sendo que apenas a amostra KL-EDA apresentou efeito antiozonante para todos os regimes de envelhecimento dentre as amostras de lignina estudadas. Dentre os demais testes, constatou-se que esta lignina resultou em menor impacto nas propriedades mecânicas do composto do que as demais. Embora seu fator de envelhecimento seja menor do que o da amostra 6PPD, esta lignina se destaca como uma alternativa promissora de origem renovável para substituir total ou parcialmente esse aditivo sintético em pneus, contribuindo para o desenvolvimento de compostos com menor impacto ambiental e mantendo desempenho técnico compatível com as exigências do setor.
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O antiozonante usual da indústria de pneus é o 6PPD, o qual apresenta toxicidade para o meio ambiente e está sendo proibido em alguns países. Estudos mostram que a lignina Kraft, principalmente quando aminada, apresenta estrutura química parecida ao do 6PPD, apresentando potencial para substituí-lo. O presente projeto teve como objetivo avaliar o potencial antiozonante da lignina Kraft, assim como da lignina Kraft aminada com três diferentes aminas, com o intuito de propor um substituto sustentável ao 6PPD para a indústria de pneus. Inicialmente foi realizada a caracterização das amostras de lignina recebidas, através da qual foi possível concluir que as amostras foram devidamente aminadas, pois estas apresentaram picos de fotoemissão e bandas de transmitância característicos de ligações envolvendo carbono e nitrogênio, bem como alterações no comportamento térmico e aumento do percentual de nitrogênio presente na estrutura, tanto por XPS quanto por análise elementar. Em seguida as amostras de lignina foram utilizadas no processamento dos compostos de borracha. Com base nos resultados obtidos por meio das amostras de borracha processadas, foi possível constatar que a lignina aminada apresenta potencial para atuar como aditivo antiozonante em compostos de borracha NR/BR, no entanto observou-se que esse efeito depende fortemente do tipo de amina incorporado à sua estrutura química, sendo que apenas a amostra KL-EDA apresentou efeito antiozonante para todos os regimes de envelhecimento dentre as amostras de lignina estudadas. Dentre os demais testes, constatou-se que esta lignina resultou em menor impacto nas propriedades mecânicas do composto do que as demais. Embora seu fator de envelhecimento seja menor do que o da amostra 6PPD, esta lignina se destaca como uma alternativa promissora de origem renovável para substituir total ou parcialmente esse aditivo sintético em pneus, contribuindo para o desenvolvimento de compostos com menor impacto ambiental e mantendo desempenho técnico compatível com as exigências do setor.
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TAMARA DA SILVA CHALEGRE
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Desenvolvimento de nanocompósitos de polieterimida, policarbonato e suas blendas com adição de nanopartículas de grafeno
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Orientador : DANILO JUSTINO CARASTAN
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Data: 02/10/2025
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Neste trabalho foram desenvolvidos nanocompósitos à base de polieterimida (PEI), policarbonato (PC) e suas blendas com adição de grafeno, obtidos através de mistura mecânica e extrudados em extrusora dupla rosca cônica. A PEI é um polímero avançado com alta temperatura de transição vítrea, que requer processamento em altas temperaturas. A formação de nanocompósitos com grafeno pode promover melhora de propriedades mecânicas e funcionalidades como condutividade elétrica. A adição de PC pode ajudar no processamento da PEI assim como a utilização do grafeno melhora a lubrificação e facilita a produção de filamentos para impressão 3D. Foram avaliadas a morfologia, propriedades térmicas, elétricas e mecânicas do material. O trabalho foi subdividido em 3 grupos com amostras de concentrações variando desde 0,1g a 0,5g de grafeno com diferentes cargas, inseridos em outros 5 grupos utilizando a PEI como matriz polimérica e variando a concentração de PC de 10% a 50% na composição das blendas. As amostras foram caracterizadas pelas técnicas de microscopia eletrônica de varredura (MEV), reometria rotacional e espectroscopia no infravermelho (FTIR). As propriedades térmicas foram avaliadas por análise termogravimétrica (TGA). Observou-se que a blenda formada pela PEI e pelo PC capitaliza as vantagens complementares desses polímeros, proporcionando um material que atende a requisitos específicos em diversas aplicações, oferecendo um equilíbrio entre resistência térmica, resistência ao impacto e outras propriedades essenciais. O ajuste da proporção na mistura pode ser utilizado para personalizar as características da blenda conforme necessário e o aumento da concentração de grafeno pode promover condutividade elétrica dos nanocompósitos.
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Neste trabalho foram desenvolvidos nanocompósitos à base de polieterimida (PEI), policarbonato (PC) e suas blendas com adição de grafeno, obtidos através de mistura mecânica e extrudados em extrusora dupla rosca cônica. A PEI é um polímero avançado com alta temperatura de transição vítrea, que requer processamento em altas temperaturas. A formação de nanocompósitos com grafeno pode promover melhora de propriedades mecânicas e funcionalidades como condutividade elétrica. A adição de PC pode ajudar no processamento da PEI assim como a utilização do grafeno melhora a lubrificação e facilita a produção de filamentos para impressão 3D. Foram avaliadas a morfologia, propriedades térmicas, elétricas e mecânicas do material. O trabalho foi subdividido em 3 grupos com amostras de concentrações variando desde 0,1g a 0,5g de grafeno com diferentes cargas, inseridos em outros 5 grupos utilizando a PEI como matriz polimérica e variando a concentração de PC de 10% a 50% na composição das blendas. As amostras foram caracterizadas pelas técnicas de microscopia eletrônica de varredura (MEV), reometria rotacional e espectroscopia no infravermelho (FTIR). As propriedades térmicas foram avaliadas por análise termogravimétrica (TGA). Observou-se que a blenda formada pela PEI e pelo PC capitaliza as vantagens complementares desses polímeros, proporcionando um material que atende a requisitos específicos em diversas aplicações, oferecendo um equilíbrio entre resistência térmica, resistência ao impacto e outras propriedades essenciais. O ajuste da proporção na mistura pode ser utilizado para personalizar as características da blenda conforme necessário e o aumento da concentração de grafeno pode promover condutividade elétrica dos nanocompósitos.
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MARA CARDOSO MACHADO
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Peapods híbridos: estrutura e propriedades mecânicas
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Orientador : PEDRO ALVES DA SILVA AUTRETO
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Data: 10/10/2025
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Os peapods híbridos, compostos por átomos de carbono, nitrogênio e boro, representam uma classe única de materiais moleculares. Essas estruturas consistem em nanotubos de carbono de parede simples (SWCNTs) encapsulando fulerenos de nitreto de boro, combinando as propriedades excepcionais de ambos os componentes. Enquanto os SWCNTs oferecem alta condutividade elétrica e resistência mecânica, os fulerenos de nitreto de boro apresentam propriedades ópticas singulares e notável estabilidade química.
Os peapods híbridos exibem propriedades mecânicas, térmicas e ópticas promissoras, como emissão de luz na faixa do infravermelho próximo, sendo especialmente relevantes para aplicações em optoeletrônica e terapia fotodinâmica. Uma análise comparativa destaca que, enquanto os nanotubos de carbono se destacam em resistência à tração e estabilidade térmica, os fulerenos de nitreto de boro possuem superior resistência química. A sinergia dessas características nos peapods híbridos abre caminho para o desenvolvimento de nanocompósitos avançados, capazes de suportar altos esforços mecânicos e ambientes adversos.
Neste trabalho realizamos simulações peapods híbridos utilizando dinâmica molecular atomística e campo de forças ReaxFF buscando entender sua estabilidade e propriedades mecânicas.
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Os peapods híbridos, compostos por átomos de carbono, nitrogênio e boro, representam uma classe única de materiais moleculares. Essas estruturas consistem em nanotubos de carbono de parede simples (SWCNTs) encapsulando fulerenos de nitreto de boro, combinando as propriedades excepcionais de ambos os componentes. Enquanto os SWCNTs oferecem alta condutividade elétrica e resistência mecânica, os fulerenos de nitreto de boro apresentam propriedades ópticas singulares e notável estabilidade química.
Os peapods híbridos exibem propriedades mecânicas, térmicas e ópticas promissoras, como emissão de luz na faixa do infravermelho próximo, sendo especialmente relevantes para aplicações em optoeletrônica e terapia fotodinâmica. Uma análise comparativa destaca que, enquanto os nanotubos de carbono se destacam em resistência à tração e estabilidade térmica, os fulerenos de nitreto de boro possuem superior resistência química. A sinergia dessas características nos peapods híbridos abre caminho para o desenvolvimento de nanocompósitos avançados, capazes de suportar altos esforços mecânicos e ambientes adversos.
Neste trabalho realizamos simulações peapods híbridos utilizando dinâmica molecular atomística e campo de forças ReaxFF buscando entender sua estabilidade e propriedades mecânicas.
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JÚLIA BATISTA GRILLO PRADO
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NANOCOMPÓSITOS BASEADOS EM POLI(BUTILENO ADIPATO-CO-TEREFTALATO) REFORÇADOS COM MATERIAIS RENOVÁVEIS NANOESTRUTURADOS PELO MÉTODO DE FREEZE-DRYING
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Orientador : RUBIA FIGUEREDO GOUVEIA
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Data: 07/11/2025
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O crescimento industrial, impulsionado pela expansão do mercado e pelo aumento populacional, tem intensificado o consumo de produtos e energia, resultando em maior geração de resíduos sólidos, especialmente plásticos. Esses materiais apresentam elevada persistência ambiental, podendo levar séculos para se degradarem, o que contribui significativamente para os impactos ambientais negativos. Diante desse cenário, observa-se o aumento do interesse da comunidade científica por alternativas sustentáveis, com ênfase no desenvolvimento de materiais biodegradáveis, sobretudo com potencial para aplicação em embalagens alimentícias. Os polímeros biodegradáveis têm sido amplamente estudados como substitutos aos polímeros sintéticos derivados de fontes fósseis. Entre eles, destaca-se o poli(butileno adipato-co-tereftalato) (PBAT), um copoliéster com propriedades favoráveis de flexibilidade, processabilidade e biodegradação. Contudo, esse material apresenta limitações, sobretudo quando comparado a outros, em termos de resistência mecânica e propriedades de barreira, o que pode restringir sua utilização em aplicações específicas. Para superar essas limitações, a incorporação de partículas nanoestruturadas (PNs) tem sido investigada como estratégia para o reforço estrutural e funcional de matrizes poliméricas. Dentre as PNs de maior interesse, os nanocristais de celulose (CNCs) têm se destacado por suas características como alta cristalinidade, baixa densidade, renovabilidade e excelente potencial como agente de reforço, apresentando elevada tensão de ruptura e módulo de Young. No entanto, devido à sua natureza hidrofílica, os CNCs apresentam baixa compatibilidade com matrizes hidrofóbicas, como o PBAT, resultando em dispersão limitada e menor interação interfacial. Para contornar essa limitação, o presente estudo empregou látex de borracha natural (LBN) como agente compatibilizante, com o objetivo de favorecer a interação entre os componentes do sistema. A deposição do CNC em LBN foi realizada por meio da preparação de PNs contendo uma suspensão aquosa de CNC (4% m/v) associada a diferentes concentrações de LBN (0, 1, 5 e 10 m/m% em relação a massa de CNC), seguida de congelamento com nitrogênio líquido. As PNs obtidas foram incorporadas à matriz de PBAT por extrusão, em concentrações de 0,25; 0,5; 1; 3 e 5% em massa de PN em relação a matriz. Os filmes resultantes foram submetidos a análises físico-químicas, térmicas, mecânicas, morfológicas e de barreira, com o objetivo de avaliar o desempenho do material nanocompósito. Os resultados obtidos indicaram que as formulações com teores baixos a intermediários de PNs, associadas a maiores concentrações de LBN apresentaram desempenho superior em comparação em comparação ao PBAT puro, com destaque para maior homogeneidade, estabilidade térmica, reforço mecânico e menor permeabilidade ao vapor d’água. Dessa forma, o método de produção adotado, por não utilizar solventes orgânicos, também contribuiu para a sustentabilidade do processo. Este estudo tem como propósito o desenvolvimento de um material polimérico funcional, apresentando transparência adequada, resistência mecânica satisfatória, estabilidade térmica compatível com o processamento e propriedades de barreira aprimoradas, de modo a garantir eficiência técnica e viabilidade industrial, com potencial aplicação em embalagens biodegradáveis.
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O crescimento industrial, impulsionado pela expansão do mercado e pelo aumento populacional, tem intensificado o consumo de produtos e energia, resultando em maior geração de resíduos sólidos, especialmente plásticos. Esses materiais apresentam elevada persistência ambiental, podendo levar séculos para se degradarem, o que contribui significativamente para os impactos ambientais negativos. Diante desse cenário, observa-se o aumento do interesse da comunidade científica por alternativas sustentáveis, com ênfase no desenvolvimento de materiais biodegradáveis, sobretudo com potencial para aplicação em embalagens alimentícias. Os polímeros biodegradáveis têm sido amplamente estudados como substitutos aos polímeros sintéticos derivados de fontes fósseis. Entre eles, destaca-se o poli(butileno adipato-co-tereftalato) (PBAT), um copoliéster com propriedades favoráveis de flexibilidade, processabilidade e biodegradação. Contudo, esse material apresenta limitações, sobretudo quando comparado a outros, em termos de resistência mecânica e propriedades de barreira, o que pode restringir sua utilização em aplicações específicas. Para superar essas limitações, a incorporação de partículas nanoestruturadas (PNs) tem sido investigada como estratégia para o reforço estrutural e funcional de matrizes poliméricas. Dentre as PNs de maior interesse, os nanocristais de celulose (CNCs) têm se destacado por suas características como alta cristalinidade, baixa densidade, renovabilidade e excelente potencial como agente de reforço, apresentando elevada tensão de ruptura e módulo de Young. No entanto, devido à sua natureza hidrofílica, os CNCs apresentam baixa compatibilidade com matrizes hidrofóbicas, como o PBAT, resultando em dispersão limitada e menor interação interfacial. Para contornar essa limitação, o presente estudo empregou látex de borracha natural (LBN) como agente compatibilizante, com o objetivo de favorecer a interação entre os componentes do sistema. A deposição do CNC em LBN foi realizada por meio da preparação de PNs contendo uma suspensão aquosa de CNC (4% m/v) associada a diferentes concentrações de LBN (0, 1, 5 e 10 m/m% em relação a massa de CNC), seguida de congelamento com nitrogênio líquido. As PNs obtidas foram incorporadas à matriz de PBAT por extrusão, em concentrações de 0,25; 0,5; 1; 3 e 5% em massa de PN em relação a matriz. Os filmes resultantes foram submetidos a análises físico-químicas, térmicas, mecânicas, morfológicas e de barreira, com o objetivo de avaliar o desempenho do material nanocompósito. Os resultados obtidos indicaram que as formulações com teores baixos a intermediários de PNs, associadas a maiores concentrações de LBN apresentaram desempenho superior em comparação em comparação ao PBAT puro, com destaque para maior homogeneidade, estabilidade térmica, reforço mecânico e menor permeabilidade ao vapor d’água. Dessa forma, o método de produção adotado, por não utilizar solventes orgânicos, também contribuiu para a sustentabilidade do processo. Este estudo tem como propósito o desenvolvimento de um material polimérico funcional, apresentando transparência adequada, resistência mecânica satisfatória, estabilidade térmica compatível com o processamento e propriedades de barreira aprimoradas, de modo a garantir eficiência técnica e viabilidade industrial, com potencial aplicação em embalagens biodegradáveis.
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MATHEUS RODRIGUES DE AMORIM MEDINA
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Efeito do estresse e deformação na atividade catalítica de reação de evolução de hidrogênio em nanoestruturas de carbono
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Orientador : PEDRO ALVES DA SILVA AUTRETO
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Data: 28/11/2025
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O acelerado desenvolvimento tecnológico, junto com a crescimento da população e urbanização facilitados por este, elevam a demanda por energia em todo o mundo. Com uma matriz energética baseada em combustíveis fósseis acaba sendo inevitável uma elevada taxa de emissão de gases do efeito estufa. Como consequência disto pode-se observar os mais diversos efeitos das mudanças climáticas ao redor do mundo. Nestas circunstâncias a busca por fontes alternativas de energia, baseadas em recursos renováveis e com emissão zero de gases do efeito estufa, se torna uma necessidade fundamental. Dentre os esforços atuais para produção de energia renovável, o hidrogênio verde, produzido por meio da eletrólise da água por meio da reação de evolução de hidrogênio (HER), é considerado um promissor candidato para a produção e armazenamento de energia, isso graças à sua alta densidade de energia gravimétrica e versatilidade de uso quando comparado à outras fontes de energia renováveis, geralmente intermitentes e de difícil transporte. Entretanto, para sua viabilidade em escala comercial um desafio atual é a produção de catalisadores livres de metais nobres e eficientes. Métodos computacionais como a dinâmica molecular clássica e reativa (MD) e cálculos de primeiros princípios baseados na teoria do funcional da densidade (DFT) têm sido cada vez mais aplicados para o estudo de novos materiais e suas propriedades para novas potenciais aplicações. Recentemente, materiais considerados promissores por possuírem propriedades excelentes para uma grande gama de aplicações, além de possuírem uma notável variedade estrutural foram os materiais baseados em carbono. Estes materiais, aliados à técnicas de modificação estrutural, em especial a deformação estrutural, motivaram esse trabalho. Neste trabalho propomos o uso de diferentes formas de deformações estruturais para modificar as propriedades catalíticas de materiais bidimensionais baseados em carbono e investigamos a atividade catalítica destes materiais para aplicação na HER.
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O acelerado desenvolvimento tecnológico, junto com a crescimento da população e urbanização facilitados por este, elevam a demanda por energia em todo o mundo. Com uma matriz energética baseada em combustíveis fósseis acaba sendo inevitável uma elevada taxa de emissão de gases do efeito estufa. Como consequência disto pode-se observar os mais diversos efeitos das mudanças climáticas ao redor do mundo. Nestas circunstâncias a busca por fontes alternativas de energia, baseadas em recursos renováveis e com emissão zero de gases do efeito estufa, se torna uma necessidade fundamental. Dentre os esforços atuais para produção de energia renovável, o hidrogênio verde, produzido por meio da eletrólise da água por meio da reação de evolução de hidrogênio (HER), é considerado um promissor candidato para a produção e armazenamento de energia, isso graças à sua alta densidade de energia gravimétrica e versatilidade de uso quando comparado à outras fontes de energia renováveis, geralmente intermitentes e de difícil transporte. Entretanto, para sua viabilidade em escala comercial um desafio atual é a produção de catalisadores livres de metais nobres e eficientes. Métodos computacionais como a dinâmica molecular clássica e reativa (MD) e cálculos de primeiros princípios baseados na teoria do funcional da densidade (DFT) têm sido cada vez mais aplicados para o estudo de novos materiais e suas propriedades para novas potenciais aplicações. Recentemente, materiais considerados promissores por possuírem propriedades excelentes para uma grande gama de aplicações, além de possuírem uma notável variedade estrutural foram os materiais baseados em carbono. Estes materiais, aliados à técnicas de modificação estrutural, em especial a deformação estrutural, motivaram esse trabalho. Neste trabalho propomos o uso de diferentes formas de deformações estruturais para modificar as propriedades catalíticas de materiais bidimensionais baseados em carbono e investigamos a atividade catalítica destes materiais para aplicação na HER.
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ERIK FELIX DOS SANTOS
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PRODUÇÃO DE SCAFFOLDS DE QUITOSANA CONTENDO NANOFIOS DE PRATA POR MEIO DE IMPRESSÃO 3D VISANDO A REGENERAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO
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Orientador : JULIANA MARCHI
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Data: 02/12/2025
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Nao disponivel
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Nao disponivel
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Teses |
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GUILHERME ELIAS SALTARELLI GARCIA
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ENDURECEDORES DE RESINAS EPÓXI BASEADOS EM FRAÇÕES DE LIGNINA KRAFT AMINADAS: INFLUÊNCIA DA MASSA MOLAR NAS PROPRIEDADES MECÂNICAS E NA ADESÃO PRÁTICA DE JUNÇÕES ADESIVAS
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Orientador : DEMETRIO JACKSON DOS SANTOS
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Data: 28/02/2025
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O uso de ligninas aminadas como endurecedores de resinas epóxi tem ganhado força recentemente, embora a elevada heterogeneidade química e polidispersidade continuem a dificultar o desenvolvimento de termofixos baseados em ligninas técnicas (LT). Um maior controle da estrutura química e das MM das LT pode ser alcançado com processos de fracionamento. Frações de LT com estruturas mais homogêneas e distribuições de massa molar (MM) mais estreitas são desejadas para aplicações que envolvam endurecedores epóxi, embora na literatura a maior parte dos trabalhos empregue LT não fracionada para esta aplicação. Buscando contribuir para este cenário, o presente trabalho almejou avaliar a influência da MM e da estrutura química de frações de lignina Kraft aminadas (FLKA) nas propriedades mecânicas de uma resina epóxi DGEBA, sendo as FLKA empregadas como endurecedores. Lignina Kraft (LK) de grau técnico foi fracionada por um protocolo de fracionamento sequencial com solventes orgânicos (FSSO). A técnica de cromatografia de permeação em gel acoplada ao espalhamento de luz laser de múltiplos ângulos (GPC-MALLS) foi usada para avaliar as MMs da LK e de suas frações (FLK), as quais também tiveram suas estruturas químicas avaliadas por meio das espectroscopias de ressonância magnética nuclear de fósforo (31P NMR) e 2D (HSQC). A fração de menor MM (F2), a fração de maior MM (F3) e a LK foram modificadas por meio da reação de Mannich (RM) com o uso de duas diaminas alifáticas: etan-1,2-diamina (EDA) e butan-1,4-diamina (BDA). A aminação das FLK foi confirmada por espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X (XPS) e por HSQC. A influência da MM das diaminas utilizadas na aminação das frações sobre as propriedades mecânicas da resina também foi avaliada de forma secundária. Os resultados de XPS e HSQC sugerem que as FLKA baseadas em F2 são mais reativas com a EDA, enquanto as FLKA baseadas em F3 se mostraram mais reativas com a BDA. Este padrão pode decorrer do fato de que F2 e F3 apresentam, respectivamente, o menor e o maior número de hidroxilas alifáticas, como verificado por NMR 31P. A diamina de maior cadeia tem maior propensão a interagir com a fração que apresenta maior MM e maior número de hidroxilas alifáticas. Por fim, foi verificado o aumento da estabilidade térmica e das temperaturas de transição vítrea (Tg) com o aumento das MMs das FLK.
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O uso de ligninas aminadas como endurecedores de resinas epóxi tem ganhado força recentemente, embora a elevada heterogeneidade química e polidispersidade continuem a dificultar o desenvolvimento de termofixos baseados em ligninas técnicas (LT). Um maior controle da estrutura química e das MM das LT pode ser alcançado com processos de fracionamento. Frações de LT com estruturas mais homogêneas e distribuições de massa molar (MM) mais estreitas são desejadas para aplicações que envolvam endurecedores epóxi, embora na literatura a maior parte dos trabalhos empregue LT não fracionada para esta aplicação. Buscando contribuir para este cenário, o presente trabalho almejou avaliar a influência da MM e da estrutura química de frações de lignina Kraft aminadas (FLKA) nas propriedades mecânicas de uma resina epóxi DGEBA, sendo as FLKA empregadas como endurecedores. Lignina Kraft (LK) de grau técnico foi fracionada por um protocolo de fracionamento sequencial com solventes orgânicos (FSSO). A técnica de cromatografia de permeação em gel acoplada ao espalhamento de luz laser de múltiplos ângulos (GPC-MALLS) foi usada para avaliar as MMs da LK e de suas frações (FLK), as quais também tiveram suas estruturas químicas avaliadas por meio das espectroscopias de ressonância magnética nuclear de fósforo (31P NMR) e 2D (HSQC). A fração de menor MM (F2), a fração de maior MM (F3) e a LK foram modificadas por meio da reação de Mannich (RM) com o uso de duas diaminas alifáticas: etan-1,2-diamina (EDA) e butan-1,4-diamina (BDA). A aminação das FLK foi confirmada por espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X (XPS) e por HSQC. A influência da MM das diaminas utilizadas na aminação das frações sobre as propriedades mecânicas da resina também foi avaliada de forma secundária. Os resultados de XPS e HSQC sugerem que as FLKA baseadas em F2 são mais reativas com a EDA, enquanto as FLKA baseadas em F3 se mostraram mais reativas com a BDA. Este padrão pode decorrer do fato de que F2 e F3 apresentam, respectivamente, o menor e o maior número de hidroxilas alifáticas, como verificado por NMR 31P. A diamina de maior cadeia tem maior propensão a interagir com a fração que apresenta maior MM e maior número de hidroxilas alifáticas. Por fim, foi verificado o aumento da estabilidade térmica e das temperaturas de transição vítrea (Tg) com o aumento das MMs das FLK.
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ALEXANDRE NEVES RIBEIRO
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MICROESTRUTURA, PROPRIEDADES MECÂNICAS E RESISTÊNCIA À CORROSÃO DA LIGA Ti-29Nb-13Ta-4Mo PROCESSADA POR EXTRUSÃO EM CANAL ANGULAR (ECAP)
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Orientador : SYDNEY FERREIRA SANTOS
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Data: 20/03/2025
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Ligas de titânio têm sido utilizadas para aplicações biomédicas, como ortopedia e ortodontia, devido às suas excelentes propriedades mecânicas e funcionais, principalmente as ligas do tipo β, por apresentarem módulos de elasticidade mais próximos ao do osso humano e não terem elementos nocivos à saúde e suas composições. Neste estudo, foram avaliadas a microestrutura, propriedades mecânicas e a resistência à corrosão da liga Ti-29Nb-13Ta-4Mo (TNTM), após processamento por extrusão em canal angular (ECAP). As amostras foram processadas variando-se o número de passes de ECAP, até um máximo de 8 passes. As microestruturas das ligas obtidas foram analisadas por microscopia confocal de varredura a laser e microscopia eletrônica de varredura. As fases presentes foram identificadas por difração de raios X, enquanto que as suas propriedades mecânicas foram analisadas através de ensaios de nanoindentação. As amostras obtidas foram também avaliadas quanto aos seus comportamentos corrosivos e tribológicos. Observou-se uma redução mais acentuada no tamanho médio dos grãos nas duas primeiras passagens pela matriz de ECAP. Após 6 passes de ECAP, foi constatado o surgimento da fase α”, que não apareceu para as amostras processadas por 7 e 8 passes de ECAP, devido uma recuperação dinâmica. Observou-se que a microdureza aumentou no sexto passe de 147 HV100gf para 218 HV100gf, assim como o módulo de elasticidade de 91 GPa para 185 GPa, valores estes que diminuíram após o sétimo e oitavo passes, atingindo 190 HV100gf e 100 GPa. Avaliou-se a resistência ao desgaste das amostras processadas por ECAP e verificou-se que a amostra de maior dureza apresentou menor resistência ao desgaste. Os estudos eletroquímicos e ensaios de espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X (XPS) mostraram que um filme de óxido passivo estável foi formado na superfície da liga TNTM processada por ECAP. A amostra referente ao sexto passe exibiu as melhores propriedades de corrosão devido a formação de um filme passivo mais espesso, composto principalmente pelo óxido TiO2.
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Ligas de titânio têm sido utilizadas para aplicações biomédicas, como ortopedia e ortodontia, devido às suas excelentes propriedades mecânicas e funcionais, principalmente as ligas do tipo β, por apresentarem módulos de elasticidade mais próximos ao do osso humano e não terem elementos nocivos à saúde e suas composições. Neste estudo, foram avaliadas a microestrutura, propriedades mecânicas e a resistência à corrosão da liga Ti-29Nb-13Ta-4Mo (TNTM), após processamento por extrusão em canal angular (ECAP). As amostras foram processadas variando-se o número de passes de ECAP, até um máximo de 8 passes. As microestruturas das ligas obtidas foram analisadas por microscopia confocal de varredura a laser e microscopia eletrônica de varredura. As fases presentes foram identificadas por difração de raios X, enquanto que as suas propriedades mecânicas foram analisadas através de ensaios de nanoindentação. As amostras obtidas foram também avaliadas quanto aos seus comportamentos corrosivos e tribológicos. Observou-se uma redução mais acentuada no tamanho médio dos grãos nas duas primeiras passagens pela matriz de ECAP. Após 6 passes de ECAP, foi constatado o surgimento da fase α”, que não apareceu para as amostras processadas por 7 e 8 passes de ECAP, devido uma recuperação dinâmica. Observou-se que a microdureza aumentou no sexto passe de 147 HV100gf para 218 HV100gf, assim como o módulo de elasticidade de 91 GPa para 185 GPa, valores estes que diminuíram após o sétimo e oitavo passes, atingindo 190 HV100gf e 100 GPa. Avaliou-se a resistência ao desgaste das amostras processadas por ECAP e verificou-se que a amostra de maior dureza apresentou menor resistência ao desgaste. Os estudos eletroquímicos e ensaios de espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X (XPS) mostraram que um filme de óxido passivo estável foi formado na superfície da liga TNTM processada por ECAP. A amostra referente ao sexto passe exibiu as melhores propriedades de corrosão devido a formação de um filme passivo mais espesso, composto principalmente pelo óxido TiO2.
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GREICIELE FERREIRA YAMANAKA
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DESENVOLVIMENTO DE EMULSÕES DE PICKERING ANTIBACTERICIDA, ANTIFUNGICIDA E ANTIVIRAIS DE BURITI E MELALEUCA PARA O USO EM SUPERFÍCIES CONTAMINADAS POR BACTERIA, FUNGO E O SARS-CoV-2.
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Orientador : DERVAL DOS SANTOS ROSA
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Data: 20/03/2025
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Este estudo avaliou a eficácia das emulsões de Pickering (PKEGs) estabilizadas com nanofibrilas de celulose (CNFs) e nano/micropartículas de quitosana (CNMP), preparadas a partir do óleo essencial de Melaleuca alternifolia (MaEO) e do óleo vegetal de Buriti Mauritia Flexuosa (OVB), como potenciais agentes antimicrobiana, antifúngica e antivirais. O trabalho foi conduzido em três etapas principais, abrangendo desde a caracterização dos componentes até a avaliação da estabilidade e eficácia biológica. Na etapa 1, os componentes das emulsões foram caracterizados por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa (GC-MS), identificando no MaEO compostos bioativos, como terpinen-4-ol, que contribuíram para a estabilidade e eficácia antimicrobiana. O OVB apresentou compostos de cadeia longa, como carotenoides e tocoferóis, associadas à baixa solubilidade e dificuldade de adsorção na interface óleo-água (O/A). Através da técnica de espalhamento dinâmico de luz (DLS), as partículas estabilizadoras de CNMP foram analisadas quanto ao tamanho e distribuição, enquanto as partículas de CNFs foram caracterizadas por difração de laser. Na etapa 2, as emulsões foram formuladas utilizando o método de design de experimentos com modelo “Regular two-level factorial design” variando concentração de óleo (20% e 30%), tipo de estabilizante CNFs e CNMP (0,5% 1%p/v), velocidade de homogeneização (12.000 e 15.000 rpm) e tempo de emulsificação (5 e 7 minutos) resultou em um total de 64 amostras. As emulsões foram preparadas e avaliadas quanto à estabilidade estática ao longo de 30 dias, com auxílio de microscopia óptica (MO) e análise de Pareto por design de experimentos. As emulsões de MaEO estabilizadas com CNMP destacaram-se por ausência de separação de fases e transparência, indicando maior estabilidade. Emulsões de OVB apresentaram estabilidade parcial, com separação de fases visível. A velocidade de homogeneização foi determinante para as emulsões com CNFs, enquanto a concentração de CNMP foi o principal fator nas emulsões de MaEO. Com base nos resultados de morfologia e estabilidade estática, foram selecionadas as amostras mais estáveis para serem caracterizadas na etapa 3. Nessa etapa, as emulsões foram submetidas a análises de potencial zeta (ζ), reometria, fluorescência e a espectroscopia no infravermelho com transformada de Fourier (FTIR). As emulsões estabilizadas com CNMP exibiram potencial zeta positivo (+65 a +70 mV), refletindo alta estabilidade coloidal eletrostática, enquanto as emulsões com CNFs apresentaram valores negativos (-30 a -40 mV). Os ensaios reológicos indicaram que todas as emulsões apresentaram comportamento pseudoplástico, caracterizado pela redução da viscosidade com o aumento da taxa de cisalhamento. Esse comportamento foi mais pronunciado nas emulsões estabilizadas com CNMP. As emulsões estabilizadas com CNFs apresentaram estabilidade estrutural moderada, com menor resistência ao cisalhamento. A análise de FTIR indicou que o mecanismo de estabilização predominante foi eletrostático nas emulsões com CNMP e estérico nas com CNFs, esses resultados foram confirmados por microscopia de fluorescência. Na etapa 3 os ensaios biológicos evidenciaram que o MaEO puro foi altamente eficaz contra Escherichia coli (E. coli) e Staphylococcus aureus (S. aureus), e Penicillium sp. As emulsões de MaEO com CNFs apresentaram atividade antimicrobiana reduzida, enquanto as emulsões com CNMP exibiram excelente efeito bactericida e fungicida, um indicativo que há sinergia entre a CNMP e o MaEO. O OVB puro e estabilizado com CNFs não apresentou atividade antimicrobiana, mas as emulsões com CNMP inibiram S. aures, evidenciando a importância das interações entre as partículas coloidais e os componentes biológicos. Nos ensaios antivirais, o MaEO e as emulsões estabilizadas com CNMP inativaram o SARS-CoV-2 imediatamente após o contato. Em contrapartida, o OVB necessitou de 60 minutos para inativar esse vírus, enquanto as emulsões com OVB estabilizada com CNFs e CNMP não apresentaram efeito antiviral. Esses resultados destacam o potencial do MaEO e das emulsões estabilizadas com CNMP como agentes biológicos eficazes contra bactérias, fungo e vírus, sendo candidatos promissores para aplicação em desinfetantes voltadas para superfícies altamente contaminadas, e com potencial para formulações dermatológicas.
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Este estudo avaliou a eficácia das emulsões de Pickering (PKEGs) estabilizadas com nanofibrilas de celulose (CNFs) e nano/micropartículas de quitosana (CNMP), preparadas a partir do óleo essencial de Melaleuca alternifolia (MaEO) e do óleo vegetal de Buriti Mauritia Flexuosa (OVB), como potenciais agentes antimicrobiana, antifúngica e antivirais. O trabalho foi conduzido em três etapas principais, abrangendo desde a caracterização dos componentes até a avaliação da estabilidade e eficácia biológica. Na etapa 1, os componentes das emulsões foram caracterizados por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa (GC-MS), identificando no MaEO compostos bioativos, como terpinen-4-ol, que contribuíram para a estabilidade e eficácia antimicrobiana. O OVB apresentou compostos de cadeia longa, como carotenoides e tocoferóis, associadas à baixa solubilidade e dificuldade de adsorção na interface óleo-água (O/A). Através da técnica de espalhamento dinâmico de luz (DLS), as partículas estabilizadoras de CNMP foram analisadas quanto ao tamanho e distribuição, enquanto as partículas de CNFs foram caracterizadas por difração de laser. Na etapa 2, as emulsões foram formuladas utilizando o método de design de experimentos com modelo “Regular two-level factorial design” variando concentração de óleo (20% e 30%), tipo de estabilizante CNFs e CNMP (0,5% 1%p/v), velocidade de homogeneização (12.000 e 15.000 rpm) e tempo de emulsificação (5 e 7 minutos) resultou em um total de 64 amostras. As emulsões foram preparadas e avaliadas quanto à estabilidade estática ao longo de 30 dias, com auxílio de microscopia óptica (MO) e análise de Pareto por design de experimentos. As emulsões de MaEO estabilizadas com CNMP destacaram-se por ausência de separação de fases e transparência, indicando maior estabilidade. Emulsões de OVB apresentaram estabilidade parcial, com separação de fases visível. A velocidade de homogeneização foi determinante para as emulsões com CNFs, enquanto a concentração de CNMP foi o principal fator nas emulsões de MaEO. Com base nos resultados de morfologia e estabilidade estática, foram selecionadas as amostras mais estáveis para serem caracterizadas na etapa 3. Nessa etapa, as emulsões foram submetidas a análises de potencial zeta (ζ), reometria, fluorescência e a espectroscopia no infravermelho com transformada de Fourier (FTIR). As emulsões estabilizadas com CNMP exibiram potencial zeta positivo (+65 a +70 mV), refletindo alta estabilidade coloidal eletrostática, enquanto as emulsões com CNFs apresentaram valores negativos (-30 a -40 mV). Os ensaios reológicos indicaram que todas as emulsões apresentaram comportamento pseudoplástico, caracterizado pela redução da viscosidade com o aumento da taxa de cisalhamento. Esse comportamento foi mais pronunciado nas emulsões estabilizadas com CNMP. As emulsões estabilizadas com CNFs apresentaram estabilidade estrutural moderada, com menor resistência ao cisalhamento. A análise de FTIR indicou que o mecanismo de estabilização predominante foi eletrostático nas emulsões com CNMP e estérico nas com CNFs, esses resultados foram confirmados por microscopia de fluorescência. Na etapa 3 os ensaios biológicos evidenciaram que o MaEO puro foi altamente eficaz contra Escherichia coli (E. coli) e Staphylococcus aureus (S. aureus), e Penicillium sp. As emulsões de MaEO com CNFs apresentaram atividade antimicrobiana reduzida, enquanto as emulsões com CNMP exibiram excelente efeito bactericida e fungicida, um indicativo que há sinergia entre a CNMP e o MaEO. O OVB puro e estabilizado com CNFs não apresentou atividade antimicrobiana, mas as emulsões com CNMP inibiram S. aures, evidenciando a importância das interações entre as partículas coloidais e os componentes biológicos. Nos ensaios antivirais, o MaEO e as emulsões estabilizadas com CNMP inativaram o SARS-CoV-2 imediatamente após o contato. Em contrapartida, o OVB necessitou de 60 minutos para inativar esse vírus, enquanto as emulsões com OVB estabilizada com CNFs e CNMP não apresentaram efeito antiviral. Esses resultados destacam o potencial do MaEO e das emulsões estabilizadas com CNMP como agentes biológicos eficazes contra bactérias, fungo e vírus, sendo candidatos promissores para aplicação em desinfetantes voltadas para superfícies altamente contaminadas, e com potencial para formulações dermatológicas.
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CARLA CAROLINA SILVA BANDEIRA
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Substratos de ouro/boemita para detecção baseada em SERS do hormônio hepcidina na saliva para detecção rápida de hiperinflamação.
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Orientador : HERCULANO DA SILVA MARTINHO
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Data: 10/04/2025
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A hiperinflamação é uma resposta biológica descontrolada do sistema imunológico, que pode causar danos ao próprio corpo, podendo levar à morte. Está associada a níveis graves ou severos de várias doenças, incluindo COVID-19, dengue, sepse, doença do vírus ebola e diversas doenças autoimunes. Esse processo está ligado a uma liberação excessiva de citocinas, conhecida como "tempestade de citocinas". Alguns estudos apontam a relação de casos graves com o aumento do nível de interleucina 6 (IL-6), que é um regulador essencial da hepcidina durante a inflamação, responsável pela absorção e disponibilidade de ferro no sangue. Os níveis de hepcidina podem ser medidos na saliva de pacientes acometidos por doenças relacionadas à hiperinflamação, tornando-a um excelente biomarcador para o rastreamento rápido de hiperinflamação em diversas doenças, atuando como preditor de fatalidade. O método amplamente utilizado para detecção é o RT-PCR, considerado o padrão-ouro, entre outras técnicas. Porém, devido às suas limitações, busca-se desenvolver métodos eficazes que supram essas deficiências. Nesse sentido, a espectroscopia vem sendo inserida nesse campo de detecção de biomarcadores, mesmo em concentrações baixas, o que impossibilita a detecção apenas com a espectroscopia Raman convencional, mas permite o uso da Surface-Enhanced Raman Spectroscopy (SERS). Com base nessa necessidade, foi proposto o desenvolvimento de substratos SERS com componentes promissores, como ouro e boemita, para a detecção do hormônio hepcidina a partir da saliva, visando ao rastreamento rápido da hiperinflamação. Os substratos, que variam quanto à espessura da camada de ouro (20 a 100 nm) e ao método de obtenção da boemita (27 nm), foram preparados e amplamente caracterizados pelas técnicas de espectroscopia Raman, FTIR e análises morfológicas por MEV-FEG. Soluções de hepcidina comercial foram testadas para verificar a possível eficiência desses substratos na detecção do hormônio. Os resultados obtidos até o momento comprovam que os substratos foram capazes de detectar a hepcidina, mesmo em baixas concentrações, além de demonstrar a amplificação do sinal Raman através do SERS. Os próximos testes a serem realizados utilizarão saliva de pacientes com COVID-19 para avaliar a eficiência desses substratos.
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A hiperinflamação é uma resposta biológica descontrolada do sistema imunológico, que pode causar danos ao próprio corpo, podendo levar à morte. Está associada a níveis graves ou severos de várias doenças, incluindo COVID-19, dengue, sepse, doença do vírus ebola e diversas doenças autoimunes. Esse processo está ligado a uma liberação excessiva de citocinas, conhecida como "tempestade de citocinas". Alguns estudos apontam a relação de casos graves com o aumento do nível de interleucina 6 (IL-6), que é um regulador essencial da hepcidina durante a inflamação, responsável pela absorção e disponibilidade de ferro no sangue. Os níveis de hepcidina podem ser medidos na saliva de pacientes acometidos por doenças relacionadas à hiperinflamação, tornando-a um excelente biomarcador para o rastreamento rápido de hiperinflamação em diversas doenças, atuando como preditor de fatalidade. O método amplamente utilizado para detecção é o RT-PCR, considerado o padrão-ouro, entre outras técnicas. Porém, devido às suas limitações, busca-se desenvolver métodos eficazes que supram essas deficiências. Nesse sentido, a espectroscopia vem sendo inserida nesse campo de detecção de biomarcadores, mesmo em concentrações baixas, o que impossibilita a detecção apenas com a espectroscopia Raman convencional, mas permite o uso da Surface-Enhanced Raman Spectroscopy (SERS). Com base nessa necessidade, foi proposto o desenvolvimento de substratos SERS com componentes promissores, como ouro e boemita, para a detecção do hormônio hepcidina a partir da saliva, visando ao rastreamento rápido da hiperinflamação. Os substratos, que variam quanto à espessura da camada de ouro (20 a 100 nm) e ao método de obtenção da boemita (27 nm), foram preparados e amplamente caracterizados pelas técnicas de espectroscopia Raman, FTIR e análises morfológicas por MEV-FEG. Soluções de hepcidina comercial foram testadas para verificar a possível eficiência desses substratos na detecção do hormônio. Os resultados obtidos até o momento comprovam que os substratos foram capazes de detectar a hepcidina, mesmo em baixas concentrações, além de demonstrar a amplificação do sinal Raman através do SERS. Os próximos testes a serem realizados utilizarão saliva de pacientes com COVID-19 para avaliar a eficiência desses substratos.
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RAFAEL GIOVANINI DE LIMA
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Estudo sobre a Auto-Organização e a Formação de Redes de Nanocelulose em Meio Aquoso
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Orientador : JULIANA DA SILVA BERNARDES
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Data: 15/04/2025
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Nanomateriais baseados em celulose têm atraído significativa atenção de diversos setores industriais, incluindo os setores biomédico, cosmético e alimentício. Suas propriedades, como biodegradabilidade, abundância, funcionalidade, alta área superficial, resistência mecânica, controle reológico e capacidade estabilizante mesmo em baixas concentrações, tornam esses materiais essenciais para um desenvolvimento mais sustentável. Este estudo teve como objetivo investigar como a interação entre nanoceluloses oxidadas afeta a auto-associação e a formação de rede em meio aquoso.
No primeiro estudo, utilizou-se técnicas como microscopia de força atômica (AFM), medição de potencial ζ (zeta), espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X (XPS), reologia e criomicroscopia eletrônica de transmissão (cryo-TEM) para analisar como grupos carboxilatos (COO⁻) adicionados na superfície das nanofibrilas de celulose (CNFs) afetam sua interação com a arginina e como essa interação pode auxiliar na formação de rede e na redispersão da celulose seca. Os resultados indicaram que, além de facilitar a redispersão dos criogéis de CNF, a arginina também aumenta consideravelmente a viscosidade da dispersão, devido à diminuição da repulsão entre as nanofibrilas causada pela interação eletrostática entre os grupos carboxilatos da CNF e guanidina da arginina.
O segundo estudo investigou a organização dos CNCs em dispersão, utilizando imagens com luz polarizada para análise de birrefringência, cryo-TEM e criotomografia eletrônica (cryo-ET). Observou-se que a oxidação dos nanocristais aumentou a viscosidade e induziu a birrefringência nas dispersões em um menor teor de sólidos em comparação com amostras não oxidadas, indicando o favorecimento da formação de fase nemática. No entanto, ao contrário do esperado, a análise em nanoescala revelou que as amostras que não demonstraram formação de fase nemática ou birrefringência tinham partículas mais alinhadas lateralmente, possivelmente devido à maior repulsão entre os nanocristais, devido à menor força iônica do meio (menor concentração de contra-íons).
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Nanomateriais baseados em celulose têm atraído significativa atenção de diversos setores industriais, incluindo os setores biomédico, cosmético e alimentício. Suas propriedades, como biodegradabilidade, abundância, funcionalidade, alta área superficial, resistência mecânica, controle reológico e capacidade estabilizante mesmo em baixas concentrações, tornam esses materiais essenciais para um desenvolvimento mais sustentável. Este estudo teve como objetivo investigar como a interação entre nanoceluloses oxidadas afeta a auto-associação e a formação de rede em meio aquoso.
No primeiro estudo, utilizou-se técnicas como microscopia de força atômica (AFM), medição de potencial ζ (zeta), espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X (XPS), reologia e criomicroscopia eletrônica de transmissão (cryo-TEM) para analisar como grupos carboxilatos (COO⁻) adicionados na superfície das nanofibrilas de celulose (CNFs) afetam sua interação com a arginina e como essa interação pode auxiliar na formação de rede e na redispersão da celulose seca. Os resultados indicaram que, além de facilitar a redispersão dos criogéis de CNF, a arginina também aumenta consideravelmente a viscosidade da dispersão, devido à diminuição da repulsão entre as nanofibrilas causada pela interação eletrostática entre os grupos carboxilatos da CNF e guanidina da arginina.
O segundo estudo investigou a organização dos CNCs em dispersão, utilizando imagens com luz polarizada para análise de birrefringência, cryo-TEM e criotomografia eletrônica (cryo-ET). Observou-se que a oxidação dos nanocristais aumentou a viscosidade e induziu a birrefringência nas dispersões em um menor teor de sólidos em comparação com amostras não oxidadas, indicando o favorecimento da formação de fase nemática. No entanto, ao contrário do esperado, a análise em nanoescala revelou que as amostras que não demonstraram formação de fase nemática ou birrefringência tinham partículas mais alinhadas lateralmente, possivelmente devido à maior repulsão entre os nanocristais, devido à menor força iônica do meio (menor concentração de contra-íons).
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AIRTON NIZETI SIQUEIRA
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MODIFICAÇÃO DE lignina KRAFT COM DIFERENTES DIÓIS PARA SÍNTESE DE POLIURETANOS TERMOPLÁSTICOS: EFEITOS DA PRESERVAÇÃO DA LIGAÇÃO β-O-4
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Orientador : DEMETRIO JACKSON DOS SANTOS
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Data: 21/05/2025
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A lignina tem se destacado nas últimas décadas como uma matéria-prima promissora para substituir derivados de petróleo na síntese de polímeros, especialmente como intermediária na produção de poliésteres e poliuretanos. No entanto, a funcionalização da lignina por meio da hidroxilação, com o objetivo de adicionar grupos hidroxila alifáticos primários (-OH) à sua estrutura, necessitava de estudos mais aprofundados. Neste trabalho, investigou-se a reação de diferentes dióis, como MEG (1,2-etanodiol), BDO (1,4-butanodiol) e DEG (dietilenoglicol), com o carbono alfa (C-α) da cadeia propanóide e os grupos carboxila da lignina. As reações foram realizadas em uma única etapa, sob condições severas (até 230 °C), visando a obtenção de compostos adequados para a síntese de poliuretanos termoplásticos. Os processos de modificação influenciaram o número de grupos hidroxilas e a massa molar dos derivados de lignina. Sendo que as amostras obtidas pela reação com DEG (LDEG) apresentou um aumento de hidroxilas de 1,37 para 3,07 mmol/g e massa molar de 3810 para 3700 Mw. Em contrapartida, a amostra obtida pela reação com BDO (LBDO) mostrou uma diminuição de hidroxilas de 1,37 para 0,48 mmol/g e um aumento da massa molar de 3810 para 21610 Mw. As alterações estruturais na lignina foram confirmadas por meio de espectroscopia de ressonância magnética nuclear de fósforo (RMN31P), cromatografia em gel permeável (GPC), calorimetria exploratória diferencial (DSC), análise termogravimétrica (TGA), espectroscopia na região do infravermelho por transformação de Fourier (FTIR) e espectroscopia de ressonância magnética nuclear bidimensional (HSQC). Posteriormente, as ligninas modificadas foram empregadas na síntese de poliuretano termoplástico (TPU), com diferentes porcentagens de lignina, variando de 10% e 20% em massa na composição dos polióis. Os resultados permitiram relacionar as alterações causadas pelos diferentes dióis com o comportamento reológico dos TPUs desenvolvidos, evidenciando a preservação parcial da ligação β-O-4 na lignina obtida pela reação com o DEG. Este trabalho contribuiu com um novo processo de modificação de lignina em etapa única e evidenciou a influência dos dióis no comportamento da ligação β-O-4.
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A lignina tem se destacado nas últimas décadas como uma matéria-prima promissora para substituir derivados de petróleo na síntese de polímeros, especialmente como intermediária na produção de poliésteres e poliuretanos. No entanto, a funcionalização da lignina por meio da hidroxilação, com o objetivo de adicionar grupos hidroxila alifáticos primários (-OH) à sua estrutura, necessitava de estudos mais aprofundados. Neste trabalho, investigou-se a reação de diferentes dióis, como MEG (1,2-etanodiol), BDO (1,4-butanodiol) e DEG (dietilenoglicol), com o carbono alfa (C-α) da cadeia propanóide e os grupos carboxila da lignina. As reações foram realizadas em uma única etapa, sob condições severas (até 230 °C), visando a obtenção de compostos adequados para a síntese de poliuretanos termoplásticos. Os processos de modificação influenciaram o número de grupos hidroxilas e a massa molar dos derivados de lignina. Sendo que as amostras obtidas pela reação com DEG (LDEG) apresentou um aumento de hidroxilas de 1,37 para 3,07 mmol/g e massa molar de 3810 para 3700 Mw. Em contrapartida, a amostra obtida pela reação com BDO (LBDO) mostrou uma diminuição de hidroxilas de 1,37 para 0,48 mmol/g e um aumento da massa molar de 3810 para 21610 Mw. As alterações estruturais na lignina foram confirmadas por meio de espectroscopia de ressonância magnética nuclear de fósforo (RMN31P), cromatografia em gel permeável (GPC), calorimetria exploratória diferencial (DSC), análise termogravimétrica (TGA), espectroscopia na região do infravermelho por transformação de Fourier (FTIR) e espectroscopia de ressonância magnética nuclear bidimensional (HSQC). Posteriormente, as ligninas modificadas foram empregadas na síntese de poliuretano termoplástico (TPU), com diferentes porcentagens de lignina, variando de 10% e 20% em massa na composição dos polióis. Os resultados permitiram relacionar as alterações causadas pelos diferentes dióis com o comportamento reológico dos TPUs desenvolvidos, evidenciando a preservação parcial da ligação β-O-4 na lignina obtida pela reação com o DEG. Este trabalho contribuiu com um novo processo de modificação de lignina em etapa única e evidenciou a influência dos dióis no comportamento da ligação β-O-4.
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ELIANE APARECIDA MORAIS
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Substituição de ânions e redução de dimensionalidade em perovskitas de haleto para emissão UV
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Orientador : JOSE ANTONIO SOUZA
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Data: 29/05/2025
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As perovskitas de haletos metálicos são candidatas promissoras para aplicação em dispositivos fotovoltaicos e diodos emissores de luz (LEDs). Elas têm excelentes propriedades optoeletrônicas, incluindo alto rendimento quântico de fotoluminescência e bandas proibidas diretas e ajustáveis. A fabricação de dispositivos emissores de luz usando esta família de perovskitas com alta eficiência pode ser utilizada em diversos campos interdisciplinares. Por exemplo, a luz ultravioleta tem sido usada para inativar germes como bactérias e vírus e tem um efeito significativo na desinfecção de superfícies. O maior desafio, atualmente, é sintetizar esses materiais com emissão na região do UV por efeito de tamanho ou redução de dimensionalidade. Assis, nesta tese, estudamos sistematicamente duas famílias semicondutoras de perovskitas de haletos: (1) pontos quânticos 3D inorgânicos e (2) 2D Ruddlesden-Popper em camadas. Na primeira parte, as perovskitas de haleto CsPbX3 totalmente inorgânicas na forma de pontos quânticos (PQs) com X = I-, Br-, Cl- e F- foram investigadas. A importância deste estudo consiste no método sistemático para avaliar as propriedades optoeletrônicas usando a estratégia de troca aniônica. As caracterizações estruturais e morfológicas indicaram que todas as amostras de PQs foram sintetizadas com sucesso por meio de rotas de injeção a quente. À medida que os íons Cl- são introduzidos na estrutura da perovskita, o volume da célula unitária e os parâmetros de rede diminuem, a energia da banda proibida aumenta e um desvio para o azul é observado no espectro de fotoluminescência. A adição adicional de íons F-, que têm maior eletronegatividade e menor raio iônico, leva a uma melhoria no rendimento quântico de fotoluminescência, mas o desvio para o UV não é observado. Na segunda parte da tese, apresentamos os resultados das perovskitas de haleto 2D (M)2MAn-1PbnX3n+1, com X = I-, Br-, Cl-; MA+ = metilamônio e M = n-butilamônio, feniletilamina e fenilmetilamina. As moléculas orgânicas (M) atuam como um espaçador entre n camadas octaédricas [PbX6]4-. Os resultados indicam que as camadas inorgânicas mostram um forte efeito de confinamento quântico, ampliando a energia da banda proibida e deslocando o pico de emissão de PL para a região UV. Neste contexto, um estudo sistemático envolvendo a síntese e as propriedades físicas é apresentado para esses materiais 2D. Ao mudar o ânion haleto de I- para Br- e Cl- em (BA)2PbX4, observamos um deslocamento UV, onde a perovskita (BA)2PbCl4 mostrou uma emissão em 357 nm. Mais importante, foi observado um fenômeno incomum no último composto. Esta perovskita à base de BA apresenta divisão de spin na banda de condução, o que dá origem ao efeito Rashba. Como resultado, a emissão de fotoluminescência é quase extinta e um rendimento quântico de fotoluminescência muito baixo é observado. Tal descoberta limita a aplicação deste material como emissor de luz. Na última parte da tese, um estudo de rendimento quântico correlacionado com a temperatura é apresentado para a perovskita (BA)2PbBr4, onde foi observado que, ao aumentar a temperatura durante a síntese, o rendimento quântico desta amostra aumenta. Os resultados descritos nesta tese representam uma nova perspectiva para a comunidade científica de semicondutores e abrirão caminho para uma nova rota em relação as propriedades estruturais e ópticas, proporcionando um melhor entendimento para aplicação em dispositivos optoeletrônicos.
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As perovskitas de haletos metálicos são candidatas promissoras para aplicação em dispositivos fotovoltaicos e diodos emissores de luz (LEDs). Elas têm excelentes propriedades optoeletrônicas, incluindo alto rendimento quântico de fotoluminescência e bandas proibidas diretas e ajustáveis. A fabricação de dispositivos emissores de luz usando esta família de perovskitas com alta eficiência pode ser utilizada em diversos campos interdisciplinares. Por exemplo, a luz ultravioleta tem sido usada para inativar germes como bactérias e vírus e tem um efeito significativo na desinfecção de superfícies. O maior desafio, atualmente, é sintetizar esses materiais com emissão na região do UV por efeito de tamanho ou redução de dimensionalidade. Assis, nesta tese, estudamos sistematicamente duas famílias semicondutoras de perovskitas de haletos: (1) pontos quânticos 3D inorgânicos e (2) 2D Ruddlesden-Popper em camadas. Na primeira parte, as perovskitas de haleto CsPbX3 totalmente inorgânicas na forma de pontos quânticos (PQs) com X = I-, Br-, Cl- e F- foram investigadas. A importância deste estudo consiste no método sistemático para avaliar as propriedades optoeletrônicas usando a estratégia de troca aniônica. As caracterizações estruturais e morfológicas indicaram que todas as amostras de PQs foram sintetizadas com sucesso por meio de rotas de injeção a quente. À medida que os íons Cl- são introduzidos na estrutura da perovskita, o volume da célula unitária e os parâmetros de rede diminuem, a energia da banda proibida aumenta e um desvio para o azul é observado no espectro de fotoluminescência. A adição adicional de íons F-, que têm maior eletronegatividade e menor raio iônico, leva a uma melhoria no rendimento quântico de fotoluminescência, mas o desvio para o UV não é observado. Na segunda parte da tese, apresentamos os resultados das perovskitas de haleto 2D (M)2MAn-1PbnX3n+1, com X = I-, Br-, Cl-; MA+ = metilamônio e M = n-butilamônio, feniletilamina e fenilmetilamina. As moléculas orgânicas (M) atuam como um espaçador entre n camadas octaédricas [PbX6]4-. Os resultados indicam que as camadas inorgânicas mostram um forte efeito de confinamento quântico, ampliando a energia da banda proibida e deslocando o pico de emissão de PL para a região UV. Neste contexto, um estudo sistemático envolvendo a síntese e as propriedades físicas é apresentado para esses materiais 2D. Ao mudar o ânion haleto de I- para Br- e Cl- em (BA)2PbX4, observamos um deslocamento UV, onde a perovskita (BA)2PbCl4 mostrou uma emissão em 357 nm. Mais importante, foi observado um fenômeno incomum no último composto. Esta perovskita à base de BA apresenta divisão de spin na banda de condução, o que dá origem ao efeito Rashba. Como resultado, a emissão de fotoluminescência é quase extinta e um rendimento quântico de fotoluminescência muito baixo é observado. Tal descoberta limita a aplicação deste material como emissor de luz. Na última parte da tese, um estudo de rendimento quântico correlacionado com a temperatura é apresentado para a perovskita (BA)2PbBr4, onde foi observado que, ao aumentar a temperatura durante a síntese, o rendimento quântico desta amostra aumenta. Os resultados descritos nesta tese representam uma nova perspectiva para a comunidade científica de semicondutores e abrirão caminho para uma nova rota em relação as propriedades estruturais e ópticas, proporcionando um melhor entendimento para aplicação em dispositivos optoeletrônicos.
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LILIAN MARTINS NASCIMENTO
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Incorporação de Compostos Tiazínicos em Tecidos para Ação Microbicida Ativada por Luz
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Orientador : ISELI LOURENCO NANTES
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Data: 11/06/2025
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Considerando o aumento da ocorrência de bactérias resistentes e o potencial para o surgimento de novas pandemias, é importante ter estratégias preventivas para contaminação e infecção. O desenvolvimento de materiais microbicidas constitui uma estratégia eficiente para prevenir infecções bacterianas e virais. Neste estudo, investigamos o potencial microbicida de corantes contendo o núcleo de fenotiazina, capazes de gerar radicais livres estáveis que poderiam ser repopulados após exposição à luz UV e visível. A eficácia da adsorção de cátions radicais foi demonstrada por técnicas analíticas avançadas, incluindo ressonância paramagnética eletrônica (EPR), espectroscopia UV-visível e FT-Raman, que confirmaram a presença de cátions radicais nos tecidos, mesmo após lavagem e reexposição à luz. Tecidos impregnados com o corante comercial de fenotiazina, sulfur black, 10H-fenotiazina e flufenazina, modelos de compostos fenotiazínicos, foram testados. Medidas de EPR mostraram que todos os tecidos apresentaram formação de radicais livres estáveis quando irradiados com luz visível e UV. No entanto, apenas os tecidos tratados com 10H-fenotiazina e flufenazina apresentaram ação microbicida eficiente contra bactérias e vírus. A exposição desses tecidos a lipossomos de fosfatidilcolina, modelo de membrana biológica, promoveu extinção completa do cátion radical de 10H-fenotiazina e flufenazina e apenas redução parcial do cátion radical de súlfur black. A análise da emissão de oxigênio singlete monomol por tecidos tratados com fenotiazinas mostrou que apenas o tecido tratado com súlfur black não apresentou o espectro de oxigênio singlete monomol. Considerando que o dano à fração lipídica das membranas é crucial para a ação microbicida de tecidos tratados com fenotiazinas, o presente estudo sugere que a capacidade de gerar oxigênio singlete, que pode se deslocar da fonte fotossensibilizadora para as membranas de micro-organismos, tem uma contribuição importante para a ação microbicida desses compostos em tecidos. Este estudo abre caminho para o design de novos corantes para tecidos que conciliem cores com ação microbicida.
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Considerando o aumento da ocorrência de bactérias resistentes e o potencial para o surgimento de novas pandemias, é importante ter estratégias preventivas para contaminação e infecção. O desenvolvimento de materiais microbicidas constitui uma estratégia eficiente para prevenir infecções bacterianas e virais. Neste estudo, investigamos o potencial microbicida de corantes contendo o núcleo de fenotiazina, capazes de gerar radicais livres estáveis que poderiam ser repopulados após exposição à luz UV e visível. A eficácia da adsorção de cátions radicais foi demonstrada por técnicas analíticas avançadas, incluindo ressonância paramagnética eletrônica (EPR), espectroscopia UV-visível e FT-Raman, que confirmaram a presença de cátions radicais nos tecidos, mesmo após lavagem e reexposição à luz. Tecidos impregnados com o corante comercial de fenotiazina, sulfur black, 10H-fenotiazina e flufenazina, modelos de compostos fenotiazínicos, foram testados. Medidas de EPR mostraram que todos os tecidos apresentaram formação de radicais livres estáveis quando irradiados com luz visível e UV. No entanto, apenas os tecidos tratados com 10H-fenotiazina e flufenazina apresentaram ação microbicida eficiente contra bactérias e vírus. A exposição desses tecidos a lipossomos de fosfatidilcolina, modelo de membrana biológica, promoveu extinção completa do cátion radical de 10H-fenotiazina e flufenazina e apenas redução parcial do cátion radical de súlfur black. A análise da emissão de oxigênio singlete monomol por tecidos tratados com fenotiazinas mostrou que apenas o tecido tratado com súlfur black não apresentou o espectro de oxigênio singlete monomol. Considerando que o dano à fração lipídica das membranas é crucial para a ação microbicida de tecidos tratados com fenotiazinas, o presente estudo sugere que a capacidade de gerar oxigênio singlete, que pode se deslocar da fonte fotossensibilizadora para as membranas de micro-organismos, tem uma contribuição importante para a ação microbicida desses compostos em tecidos. Este estudo abre caminho para o design de novos corantes para tecidos que conciliem cores com ação microbicida.
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NADIA ANDRADE ALEIXO
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Desenvolvimento de nanocompósitos porosos híbridos baseados em nanocelulose, látex de borracha natural e óxido de cobre para aplicações antibacterianas
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Orientador : RUBIA FIGUEREDO GOUVEIA
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Data: 17/06/2025
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Em alinhamento com os princípios da economia circular e com o uso de fontes renováveis para o controle microbiológico ambiental, este trabalho desenvolveu materiais híbridos porosos funcionais baseados em nanocelulose oxidada (CNFox), látex de borracha natural (LBN) e nanopartículas de óxido de cobre (NPsCuO). A combinação de matérias-primas orgânicas e inorgânicas resultou em materiais híbridos que agregam propriedades de ambas as fases, atribuindo novas funcionalidades ao compósito. A nanocelulose apresenta elevada cristalinidade, ampla área superficial e excelentes propriedades mecânicas e de flexibilidade, podendo ser organizada em um suporte tridimensional (3D) altamente poroso, além de ser biodegradável e biocompatível. No entanto, essa estrutura possui baixa estabilidade em meios aquosos, por ser altamente hidrofílica. Logo, a adição de compostos hidrofóbicos, como o LBN confere resiliência estrutural em água e modula o caráter hidrofílico-hidrofóbico do sistema, produzindo um suporte 3D altamente poroso, denominado de NC_S, o qual é constituído de CNFox e LBN. Adicionalmente, o depósito de NPsCuO ao NC_S contribui para a atividade antimicrobiana do compósito. A deposição de NPsCuO sobre o suporte NC_S foi realizada por síntese in situ, via precipitação alcalina sob temperatura controlada. Esse método resultou no material híbrido orgânico-inorgânico (NC_CuO20), onde as condições de síntese foram previamente otimizadas. Caracterizações morfológicas e morfométricas do NC_CuO20 foram avaliadas por microtomografia computadorizada de raios X (CT), microscopias eletrônicas de varredura (MEV) e transmissão (TEM). A análise elementar foi conduzida por espectroscopia de dispersão de energia de raios X (EDS), acoplada ao MEV. Já a composição química e as fases cristalinas do material foram avaliadas por espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X (XPS) e difração de raios X (DRX), respectivamente. As análises confirmaram a presença de óxido de cobre II e a formação de estruturas nanométricas semelhantes a flores quando agrupadas (diâmetro <7 nm). A CT revelou um material altamente poroso (96% de porosidade total) e indicou uma reorganização da arquitetura interna do NC_CuO20, que resultou em um aumento de cerca de 130 % na resistência à compressão, em comparação ao NC_S. Além disso, o compósito híbrido apresentou maior hidrofobicidade e manteve 85% da massa após 48 h em meio aquoso. A atividade antibacteriana foi confirmada por ensaios de densidade ótica, unidades formadoras de colônia (UFC) e lixiviação do cobre em água ultrapura. NC_CuO20 inibiu (100%) a proliferação da cepa sensível de Escherichia coli (AmpS) e promoveu uma redução estatisticamente equivalente à Canamicina (antibiótico controle) frente à cepa resistente (AmpR). Por fim, o ensaio de liberação controlada de cobre, ao longo de 24h, indicou que o NC_CuO20 não representa risco à saúde humana. Notavelmente, a síntese de nanopartículas de óxido de cobre em um suporte 3D preexistente possibilitou a obtenção de um material híbrido funcional, combinando propriedades antibacterianas e resiliência estrutural em ambientes aquosos. Os mecanismos de atuação antibacteriana em materiais híbridos podem decorrer de processos químicos e físicos, devido a combinação das diferentes fases deste material. Dessa forma, o NC_CuO20 surge como um potencial candidato para remediação de meios contaminados por bactérias, atuando como material filtrante.
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Em alinhamento com os princípios da economia circular e com o uso de fontes renováveis para o controle microbiológico ambiental, este trabalho desenvolveu materiais híbridos porosos funcionais baseados em nanocelulose oxidada (CNFox), látex de borracha natural (LBN) e nanopartículas de óxido de cobre (NPsCuO). A combinação de matérias-primas orgânicas e inorgânicas resultou em materiais híbridos que agregam propriedades de ambas as fases, atribuindo novas funcionalidades ao compósito. A nanocelulose apresenta elevada cristalinidade, ampla área superficial e excelentes propriedades mecânicas e de flexibilidade, podendo ser organizada em um suporte tridimensional (3D) altamente poroso, além de ser biodegradável e biocompatível. No entanto, essa estrutura possui baixa estabilidade em meios aquosos, por ser altamente hidrofílica. Logo, a adição de compostos hidrofóbicos, como o LBN confere resiliência estrutural em água e modula o caráter hidrofílico-hidrofóbico do sistema, produzindo um suporte 3D altamente poroso, denominado de NC_S, o qual é constituído de CNFox e LBN. Adicionalmente, o depósito de NPsCuO ao NC_S contribui para a atividade antimicrobiana do compósito. A deposição de NPsCuO sobre o suporte NC_S foi realizada por síntese in situ, via precipitação alcalina sob temperatura controlada. Esse método resultou no material híbrido orgânico-inorgânico (NC_CuO20), onde as condições de síntese foram previamente otimizadas. Caracterizações morfológicas e morfométricas do NC_CuO20 foram avaliadas por microtomografia computadorizada de raios X (CT), microscopias eletrônicas de varredura (MEV) e transmissão (TEM). A análise elementar foi conduzida por espectroscopia de dispersão de energia de raios X (EDS), acoplada ao MEV. Já a composição química e as fases cristalinas do material foram avaliadas por espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X (XPS) e difração de raios X (DRX), respectivamente. As análises confirmaram a presença de óxido de cobre II e a formação de estruturas nanométricas semelhantes a flores quando agrupadas (diâmetro <7 nm). A CT revelou um material altamente poroso (96% de porosidade total) e indicou uma reorganização da arquitetura interna do NC_CuO20, que resultou em um aumento de cerca de 130 % na resistência à compressão, em comparação ao NC_S. Além disso, o compósito híbrido apresentou maior hidrofobicidade e manteve 85% da massa após 48 h em meio aquoso. A atividade antibacteriana foi confirmada por ensaios de densidade ótica, unidades formadoras de colônia (UFC) e lixiviação do cobre em água ultrapura. NC_CuO20 inibiu (100%) a proliferação da cepa sensível de Escherichia coli (AmpS) e promoveu uma redução estatisticamente equivalente à Canamicina (antibiótico controle) frente à cepa resistente (AmpR). Por fim, o ensaio de liberação controlada de cobre, ao longo de 24h, indicou que o NC_CuO20 não representa risco à saúde humana. Notavelmente, a síntese de nanopartículas de óxido de cobre em um suporte 3D preexistente possibilitou a obtenção de um material híbrido funcional, combinando propriedades antibacterianas e resiliência estrutural em ambientes aquosos. Os mecanismos de atuação antibacteriana em materiais híbridos podem decorrer de processos químicos e físicos, devido a combinação das diferentes fases deste material. Dessa forma, o NC_CuO20 surge como um potencial candidato para remediação de meios contaminados por bactérias, atuando como material filtrante.
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RENAN FERREIRA MENEGASSI DE SOUZA
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Bioadesivo sustentável à base aquosa para substrato de madeira
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Orientador : MARCIA APARECIDA DA SILVA SPINACE
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Data: 18/06/2025
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A crescente preocupação ambiental com o uso dos polímeros de fontes não renováveis tem aumentado a pesquisa por alternativas sustentáveis, como os biopolímeros, que são compostos ambientalmente amigáveis obtidos de fontes renováveis. Um bioadesivo sustentável é um material adesivo composto de biopolímeros economicamente viáveis que são obtidos da biomassa ou de resíduos agroindústrias. Neste trabalho, foi produzido um bioadesivo sustentável à base aquosa obtido de polissacarídeos para a aplicação em substratos de madeira. A matriz aquosa do bioadesivo foi formulada a partir de biomassa e reforçada com diferentes agentes plastificantes, reticulantes e hidrolisantes, além de fibras naturais, com o objetivo de desenvolver um adesivo de base biológica isento de compostos de origem fóssil, e com desempenho comparável aos adesivos industriais. As matérias-primas do bioadesivo foram caracterizadas por meio de análises estruturais e granulométricas. Diferentes formulações do bioadesivo foram produzidas variando os teores dos agentes químicos e das fibras naturais, assim como o tempo de processamento. As juntas adesivas foram preparadas seguindo a norma europeia EN 205 (2013) e pelo menos 10 amostras de cada formulação foram submetidas ao teste de adesão. Os efeitos de cada variável das formulações na adesão prática foram analisados e os resultados mostraram que a otimização dos parâmetros estudados permitiu o melhor ajuste das propriedades mecânicas das formulações adesivas. As considerações finais são que estudos futuros podem explorar as interações adicionais entre esses fatores e a sua aplicabilidade em diferentes substratos, ampliando o potencial do bioadesivo sustentável à base aquosa produzido nesse trabalho.
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A crescente preocupação ambiental com o uso dos polímeros de fontes não renováveis tem aumentado a pesquisa por alternativas sustentáveis, como os biopolímeros, que são compostos ambientalmente amigáveis obtidos de fontes renováveis. Um bioadesivo sustentável é um material adesivo composto de biopolímeros economicamente viáveis que são obtidos da biomassa ou de resíduos agroindústrias. Neste trabalho, foi produzido um bioadesivo sustentável à base aquosa obtido de polissacarídeos para a aplicação em substratos de madeira. A matriz aquosa do bioadesivo foi formulada a partir de biomassa e reforçada com diferentes agentes plastificantes, reticulantes e hidrolisantes, além de fibras naturais, com o objetivo de desenvolver um adesivo de base biológica isento de compostos de origem fóssil, e com desempenho comparável aos adesivos industriais. As matérias-primas do bioadesivo foram caracterizadas por meio de análises estruturais e granulométricas. Diferentes formulações do bioadesivo foram produzidas variando os teores dos agentes químicos e das fibras naturais, assim como o tempo de processamento. As juntas adesivas foram preparadas seguindo a norma europeia EN 205 (2013) e pelo menos 10 amostras de cada formulação foram submetidas ao teste de adesão. Os efeitos de cada variável das formulações na adesão prática foram analisados e os resultados mostraram que a otimização dos parâmetros estudados permitiu o melhor ajuste das propriedades mecânicas das formulações adesivas. As considerações finais são que estudos futuros podem explorar as interações adicionais entre esses fatores e a sua aplicabilidade em diferentes substratos, ampliando o potencial do bioadesivo sustentável à base aquosa produzido nesse trabalho.
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FERNANDO TAKASHI DA ROCHA ARITA
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Filmes Finos à Base de Óxido de Cobre como Camadas de Transporte de Buracos em Células Solares de Perovskita
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Orientador : ANDRE SANTAROSA FERLAUTO
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Data: 21/07/2025
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Os crescentes impactos das mudanças climáticas globais têm intensificado a busca por fontes de energia eficientes e sustentáveis. As células solares de perovskita (PSCs) surgem como uma alternativa promissora, com eficiências que se aproximam das dos dispositivos comerciais à base de silício. No entanto, sua comercialização é limitada pela instabilidade da camada de perovskita em condições ambientais, especialmente em ambientes úmidos — um problema que pode ser mitigado por modificações nas camadas adjacentes. Este trabalho investiga o uso de filmes finos de óxidos metálicos como camadas de transporte de buracos (CTBs) em células solares de perovskita invertidas (CSPIs). Diversos filmes de óxidos de cobre foram depositados por sputtering reativo, enquanto filmes de delafossita à base de cobre foram fabricados tanto por sputtering seguido de recozimento em alta temperatura quanto por spin-coating a partir de suspensões de nanopartículas. Esses filmes foram amplamente caracterizados para obtenção de suas propriedades optoeletrônicas, utilizadas posteriormente em simulações numéricas que avaliaram seu desempenho como CTBs em CSPIs. Na série de óxidos de cobre, filmes monofásicos de Cu₂O, CuO e da fase intermediária Cu₄O₃ foram depositados com sucesso, apresentando propriedades consistentes com a literatura. Medidas de efeito Hall e capacitância-voltagem identificaram todos os óxidos de cobre como semicondutores do tipo-p, sendo o Cu₄O₃ destacado como um eficiente material transportador de buracos, com mobilidade de 30,4 cm²·V⁻¹·s⁻¹ — cerca de cinquenta vezes maior do que as de Cu₂O e CuO. Dessa forma, o Cu₄O₃ proporcionou um aumento significativo na eficiência de conversão de energia simulada do dispositivo, superando tanto os outros óxidos de cobre quanto a HTL orgânica amplamente utilizada, PEDOT:PSS. Para a série de delafossitas, filmes finos foram obtidos por sputtering seguido de recozimento a 900°C em atmosfera de argônio, uma temperatura significativamente inferior à normalmente requerida em condições ambientais. Além disso, filmes finos também foram depositados a partir de suspensões de nanopartículas sintetizadas pelo método de Pechini e moídas em moinho de bolas, sendo possível controlar a espessura dos filmes por meio da concentração da suspensão e da velocidade de rotação no processo de deposição. Dispositivos baseados em Cu₄O₃ promoveram intensa degradação da perovskita, mesmo com a aplicação de estratégias de passivação de superfície. Por outro lado, dispositivos com CuCrO₂ apresentaram parâmetros comparáveis aos dispositivos com NiOₓ, utilizados como referência neste estudo. Todos os dispositivos foram fabricados em condições ambientais, o que pode ter agravado os processos de degradação. Ainda assim, os filmes finos de óxidos metálicos demonstraram grande potencial como camadas extratoras de buracos em células solares de perovskita invertidas e podem ser mais profundamente investigados em condições controladas de fabricação.
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Os crescentes impactos das mudanças climáticas globais têm intensificado a busca por fontes de energia eficientes e sustentáveis. As células solares de perovskita (PSCs) surgem como uma alternativa promissora, com eficiências que se aproximam das dos dispositivos comerciais à base de silício. No entanto, sua comercialização é limitada pela instabilidade da camada de perovskita em condições ambientais, especialmente em ambientes úmidos — um problema que pode ser mitigado por modificações nas camadas adjacentes. Este trabalho investiga o uso de filmes finos de óxidos metálicos como camadas de transporte de buracos (CTBs) em células solares de perovskita invertidas (CSPIs). Diversos filmes de óxidos de cobre foram depositados por sputtering reativo, enquanto filmes de delafossita à base de cobre foram fabricados tanto por sputtering seguido de recozimento em alta temperatura quanto por spin-coating a partir de suspensões de nanopartículas. Esses filmes foram amplamente caracterizados para obtenção de suas propriedades optoeletrônicas, utilizadas posteriormente em simulações numéricas que avaliaram seu desempenho como CTBs em CSPIs. Na série de óxidos de cobre, filmes monofásicos de Cu₂O, CuO e da fase intermediária Cu₄O₃ foram depositados com sucesso, apresentando propriedades consistentes com a literatura. Medidas de efeito Hall e capacitância-voltagem identificaram todos os óxidos de cobre como semicondutores do tipo-p, sendo o Cu₄O₃ destacado como um eficiente material transportador de buracos, com mobilidade de 30,4 cm²·V⁻¹·s⁻¹ — cerca de cinquenta vezes maior do que as de Cu₂O e CuO. Dessa forma, o Cu₄O₃ proporcionou um aumento significativo na eficiência de conversão de energia simulada do dispositivo, superando tanto os outros óxidos de cobre quanto a HTL orgânica amplamente utilizada, PEDOT:PSS. Para a série de delafossitas, filmes finos foram obtidos por sputtering seguido de recozimento a 900°C em atmosfera de argônio, uma temperatura significativamente inferior à normalmente requerida em condições ambientais. Além disso, filmes finos também foram depositados a partir de suspensões de nanopartículas sintetizadas pelo método de Pechini e moídas em moinho de bolas, sendo possível controlar a espessura dos filmes por meio da concentração da suspensão e da velocidade de rotação no processo de deposição. Dispositivos baseados em Cu₄O₃ promoveram intensa degradação da perovskita, mesmo com a aplicação de estratégias de passivação de superfície. Por outro lado, dispositivos com CuCrO₂ apresentaram parâmetros comparáveis aos dispositivos com NiOₓ, utilizados como referência neste estudo. Todos os dispositivos foram fabricados em condições ambientais, o que pode ter agravado os processos de degradação. Ainda assim, os filmes finos de óxidos metálicos demonstraram grande potencial como camadas extratoras de buracos em células solares de perovskita invertidas e podem ser mais profundamente investigados em condições controladas de fabricação.
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FREDDY ALEJANDRO NÚÑEZ ESTEVES
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Biossensores Eletroquímicos com Nanobastões de Óxido de Zinco para Detecção de Anticorpos e Proteína Spike do SARS-CoV-2
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Orientador : WENDEL ANDRADE ALVES
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Data: 24/07/2025
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A pandemia de COVID-19 evidenciou limitações críticas na infraestrutura diagnóstica global e reforçou a necessidade de ferramentas sorológicas descentralizadas, rápidas e precisas. Neste estudo, foram desenvolvidos e avaliados biossensores eletroquímicos baseados em nanobastões de óxido de zinco (ZnONRs) para a detecção de anticorpos anti-SARS-CoV-2 e da proteína Spike em amostras de soro humano. Foram construídas quatro plataformas de detecção: (i) um imunossensor utilizando a proteína Spike trimérica recombinante do SARS-CoV-2 do tipo selvagem (WT); (ii) um dispositivo funcionalizado com a proteína Spike da variante Gamma (P.1); (iii) um sensor baseado no epítopo imunodominante P44 da região de ligação ao receptor (RBD); e (iv) um imunossensor empregando um peptídeo ACE-2 imobilizado sobre ZnONRs dopados com níquel para detecção direta do antígeno viral. Todos os dispositivos foram completamente caracterizados e validados com amostras de soro de indivíduos infectados, convalescentes, vacinados (CoronaVac, ChAdOx1-S e BNT162b2) e amostras pré-pandêmicas. O imunossensor baseado na proteína Spike WT apresentou 88,67% de sensibilidade e 100% de especificidade, com limite de detecção (LOD) de 19,34 ng·mL⁻¹. O sensor adaptado para a variante Gamma apresentou LOD de 52,55 ng·mL⁻¹ e revelou uma resposta imunológica mais robusta em indivíduos vacinados com BNT162b2 em comparação com ChAdOx1-S. O sensor peptídico com o epítopo P44 reconheceu anticorpos WT contra mutações pontuais no resíduo K417 (presentes nas variantes WT, Gamma e Omicron), com LODs na faixa sub-nanograma. Por fim, o dispositivo baseado em ACE-2 permitiu a detecção direta da proteína Spike, com LOD de 60,13 ng·mL⁻¹ e AUC de 0,917. Em conjunto, os resultados destacam a versatilidade, sensibilidade e o potencial diagnóstico dos biossensores desenvolvidos para aplicações em testes de triagem, vigilância imunológica e monitoramento de variantes da COVID-19 em ambientes descentralizados.
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A pandemia de COVID-19 evidenciou limitações críticas na infraestrutura diagnóstica global e reforçou a necessidade de ferramentas sorológicas descentralizadas, rápidas e precisas. Neste estudo, foram desenvolvidos e avaliados biossensores eletroquímicos baseados em nanobastões de óxido de zinco (ZnONRs) para a detecção de anticorpos anti-SARS-CoV-2 e da proteína Spike em amostras de soro humano. Foram construídas quatro plataformas de detecção: (i) um imunossensor utilizando a proteína Spike trimérica recombinante do SARS-CoV-2 do tipo selvagem (WT); (ii) um dispositivo funcionalizado com a proteína Spike da variante Gamma (P.1); (iii) um sensor baseado no epítopo imunodominante P44 da região de ligação ao receptor (RBD); e (iv) um imunossensor empregando um peptídeo ACE-2 imobilizado sobre ZnONRs dopados com níquel para detecção direta do antígeno viral. Todos os dispositivos foram completamente caracterizados e validados com amostras de soro de indivíduos infectados, convalescentes, vacinados (CoronaVac, ChAdOx1-S e BNT162b2) e amostras pré-pandêmicas. O imunossensor baseado na proteína Spike WT apresentou 88,67% de sensibilidade e 100% de especificidade, com limite de detecção (LOD) de 19,34 ng·mL⁻¹. O sensor adaptado para a variante Gamma apresentou LOD de 52,55 ng·mL⁻¹ e revelou uma resposta imunológica mais robusta em indivíduos vacinados com BNT162b2 em comparação com ChAdOx1-S. O sensor peptídico com o epítopo P44 reconheceu anticorpos WT contra mutações pontuais no resíduo K417 (presentes nas variantes WT, Gamma e Omicron), com LODs na faixa sub-nanograma. Por fim, o dispositivo baseado em ACE-2 permitiu a detecção direta da proteína Spike, com LOD de 60,13 ng·mL⁻¹ e AUC de 0,917. Em conjunto, os resultados destacam a versatilidade, sensibilidade e o potencial diagnóstico dos biossensores desenvolvidos para aplicações em testes de triagem, vigilância imunológica e monitoramento de variantes da COVID-19 em ambientes descentralizados.
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ELIEL WELLINGTON MARCELINO
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Efeitos de nanopartículas de alumina e Mxenes em comportamento térmico, tribológico e reológico de nanofluidos
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Orientador : HUMBERTO NAOYUKI YOSHIMURA
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Data: 15/08/2025
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A concepção de nanofluidos engloba a dispersão de nanopartículas em um líquido base, que propicia a alteração nas propriedades do fluido, podendo trazer melhorias significativas no desempenho de uma dada aplicação. O uso de nanofluidos tem se tornado relevante, devido a necessidade de melhoria na eficiência de sistemas, que se utilizam de fluidos para o atendimento de requisitos de projeto relacionados, por exemplo, com troca de calor, lubrificação e geração de energia. Assim, nanofluidos podem propiciar soluções em diversas áreas, por exemplo, automotiva, aeroespacial, metalúrgica, tratamento de água e sistemas biológicos. O objetivo deste trabalho é estudar experimentalmente o impacto da dispersão de nanoestruturas 2D MXenes, Ti3C2Tx, e de alumina, no comportamento térmico e tribológico de nanofluidos, tendo o óleo PAG (Polialquilenoglicol) como fluido base. Inicialmente, foram feitas as caracterizações das nanoestruturas sólidas, por meio de difração de raios X, análises de microscopia eletrônica de varredura e de transmissão. Em seguida, foram preparados nanofluidos com fração em massa de 0,1% m/m e 0,5% m/m, por meio do método de 2-passos. A análise da estabilidade dos nanofluidos foi realizada por meio de medição do potencial Zeta e da absorbância UV-Vis. Foram feitas medições de condutividade térmica, cálculo do volume de trilha de desgaste e coeficiente de atrito, além das medições dos parâmetros reológicos, por meio das curvas de fluxo e viscosidade, na faixa de temperatura entre 20ºC e 60ºC. Os resultados mostraram que a condutividade térmica diminuiu com o aumento de temperatura para todos os nanofluidos. Os nanofluidos de PAG-MXenes apresentaram maiores taxas de condutividade térmica, para temperaturas acima de 50ºC, enquanto os outros nanofluidos, apresentaram maiores taxas de condutividade, para temperaturas abaixo de 50ºC. Todos os nanofluidos apresentaram comportamento Newtoniano e notou-se que os nanofluidos compostos de nanoestruturas de MXenes tendem a apresentar menores valores de viscosidade, quando comparados aos outros nanofluidos. Os nanofluidos de PAG-MXenes apresentaram uma relação direta entre o aumento da fração em massa e o aumento da viscosidade para temperaturas até 30ºC. Em temperaturas acima de 30ºC, a viscosidade tende a diminuir, mesmo havendo aumento na fração em massa. Finalmente, todos nanofluidos apresentaram uma redução nos parâmetros tribológicos, quando comparados ao PAG puro. Entretanto, os nanofluidos de PAG-MXenes, apresentaram as maiores reduções, em torno de 80%, nos parâmetros tribológicos, indicando um efeito protetivo na superfície e funcionado como um aditivo anti-desgaste.
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A concepção de nanofluidos engloba a dispersão de nanopartículas em um líquido base, que propicia a alteração nas propriedades do fluido, podendo trazer melhorias significativas no desempenho de uma dada aplicação. O uso de nanofluidos tem se tornado relevante, devido a necessidade de melhoria na eficiência de sistemas, que se utilizam de fluidos para o atendimento de requisitos de projeto relacionados, por exemplo, com troca de calor, lubrificação e geração de energia. Assim, nanofluidos podem propiciar soluções em diversas áreas, por exemplo, automotiva, aeroespacial, metalúrgica, tratamento de água e sistemas biológicos. O objetivo deste trabalho é estudar experimentalmente o impacto da dispersão de nanoestruturas 2D MXenes, Ti3C2Tx, e de alumina, no comportamento térmico e tribológico de nanofluidos, tendo o óleo PAG (Polialquilenoglicol) como fluido base. Inicialmente, foram feitas as caracterizações das nanoestruturas sólidas, por meio de difração de raios X, análises de microscopia eletrônica de varredura e de transmissão. Em seguida, foram preparados nanofluidos com fração em massa de 0,1% m/m e 0,5% m/m, por meio do método de 2-passos. A análise da estabilidade dos nanofluidos foi realizada por meio de medição do potencial Zeta e da absorbância UV-Vis. Foram feitas medições de condutividade térmica, cálculo do volume de trilha de desgaste e coeficiente de atrito, além das medições dos parâmetros reológicos, por meio das curvas de fluxo e viscosidade, na faixa de temperatura entre 20ºC e 60ºC. Os resultados mostraram que a condutividade térmica diminuiu com o aumento de temperatura para todos os nanofluidos. Os nanofluidos de PAG-MXenes apresentaram maiores taxas de condutividade térmica, para temperaturas acima de 50ºC, enquanto os outros nanofluidos, apresentaram maiores taxas de condutividade, para temperaturas abaixo de 50ºC. Todos os nanofluidos apresentaram comportamento Newtoniano e notou-se que os nanofluidos compostos de nanoestruturas de MXenes tendem a apresentar menores valores de viscosidade, quando comparados aos outros nanofluidos. Os nanofluidos de PAG-MXenes apresentaram uma relação direta entre o aumento da fração em massa e o aumento da viscosidade para temperaturas até 30ºC. Em temperaturas acima de 30ºC, a viscosidade tende a diminuir, mesmo havendo aumento na fração em massa. Finalmente, todos nanofluidos apresentaram uma redução nos parâmetros tribológicos, quando comparados ao PAG puro. Entretanto, os nanofluidos de PAG-MXenes, apresentaram as maiores reduções, em torno de 80%, nos parâmetros tribológicos, indicando um efeito protetivo na superfície e funcionado como um aditivo anti-desgaste.
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GABRIELLE LUANA JIMENEZ
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BIOPSIA ÓPTICA LÍQUIDA UTILIZANDO ABSORÇÃO NO INFRARVERMELHO POR TRANSFORMADA DE FOURIER PARA IDENTIFICAR BIOMARCADORES DE INFLAMAÇÃO
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Orientador : HERCULANO DA SILVA MARTINHO
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Data: 02/09/2025
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Nos últimos anos, técnicas que ofereçam maior precisão e rapidez no diagnóstico e na monitorização da evolução dos tratamentos têm despertado grande interesse, especialmente aquelas que sejam minimamente invasivas para o paciente. Indivíduos acometidos por patologias consideradas problemas de saúde global, como o câncer, as doenças cardiovasculares e outras enfermidades crônicas, podem ser beneficiados por métodos de diagnóstico rápido, o que contribui para a implementação de tratamentos personalizados e para a melhora da qualidade de vida. A Espectroscopia FT-IR fornece informações moleculares através de fenômenos ópticos observado pela vibração de suas moléculas. Tem sido empregada em estudos biológicos para a caracterização de alterações moleculares em diversas patologias. Neste trabalho, propomos uma investigação de amostras de biofluidos salivares utilizando a espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FT-IR). Nosso estudo inclui pacientes com periodontite, peri-implantite e câncer de boca (OSCC), além de indivíduos que utilizam cigarros eletrônicos e crack. O objetivo principal foi identificar biomoléculas específicas que possam ser utilizadas como biomarcadores em diversos processos inflamatórios, tanto aqueles decorrentes das patologias orais mencionadas quanto os associados ao uso de drogas. Além disso, buscamos explorar possíveis associações e mecanismos inflamatórios comuns entre essas diferentes condições clínicas, contribuindo para uma compreensão mais ampla da inflamação sistêmica. Os resultados mostraram assinaturas vibracionais comuns que sugerem a ativação de vias imunometabólicas interligadas, com destaque para bandas associadas ao metabolismo de fosfatos (945–960 cm-1) e ao estresse oxidativo/lipoperoxidação (1712–1762 cmcm-1). Além disso, bandas discriminantes permitiram a diferenciação entre doenças orais inflamatórias (1457, 1500, 1581, 1722–1749 cm-1) e os grupos de usuários de drogas (985, 1043, 1313, 1400–1563, 1776, 1795 cm-1), refletindo perfis bioquímicos distintos relacionados ao metabolismo lipídico, proteico e da matriz extracelular, bem como a diferentes padrões de modulação imunológica. Concluímos que a FT-IR salivar representa uma abordagem promissora para o diagnóstico precoce, monitoramento clínico e compreensão dos mecanismos moleculares subjacentes a diferentes condições inflamatórias, distinguindo não apenas a presença de um estado inflamatório, mas também suas origens específicas.
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Nos últimos anos, técnicas que ofereçam maior precisão e rapidez no diagnóstico e na monitorização da evolução dos tratamentos têm despertado grande interesse, especialmente aquelas que sejam minimamente invasivas para o paciente. Indivíduos acometidos por patologias consideradas problemas de saúde global, como o câncer, as doenças cardiovasculares e outras enfermidades crônicas, podem ser beneficiados por métodos de diagnóstico rápido, o que contribui para a implementação de tratamentos personalizados e para a melhora da qualidade de vida. A Espectroscopia FT-IR fornece informações moleculares através de fenômenos ópticos observado pela vibração de suas moléculas. Tem sido empregada em estudos biológicos para a caracterização de alterações moleculares em diversas patologias. Neste trabalho, propomos uma investigação de amostras de biofluidos salivares utilizando a espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FT-IR). Nosso estudo inclui pacientes com periodontite, peri-implantite e câncer de boca (OSCC), além de indivíduos que utilizam cigarros eletrônicos e crack. O objetivo principal foi identificar biomoléculas específicas que possam ser utilizadas como biomarcadores em diversos processos inflamatórios, tanto aqueles decorrentes das patologias orais mencionadas quanto os associados ao uso de drogas. Além disso, buscamos explorar possíveis associações e mecanismos inflamatórios comuns entre essas diferentes condições clínicas, contribuindo para uma compreensão mais ampla da inflamação sistêmica. Os resultados mostraram assinaturas vibracionais comuns que sugerem a ativação de vias imunometabólicas interligadas, com destaque para bandas associadas ao metabolismo de fosfatos (945–960 cm-1) e ao estresse oxidativo/lipoperoxidação (1712–1762 cmcm-1). Além disso, bandas discriminantes permitiram a diferenciação entre doenças orais inflamatórias (1457, 1500, 1581, 1722–1749 cm-1) e os grupos de usuários de drogas (985, 1043, 1313, 1400–1563, 1776, 1795 cm-1), refletindo perfis bioquímicos distintos relacionados ao metabolismo lipídico, proteico e da matriz extracelular, bem como a diferentes padrões de modulação imunológica. Concluímos que a FT-IR salivar representa uma abordagem promissora para o diagnóstico precoce, monitoramento clínico e compreensão dos mecanismos moleculares subjacentes a diferentes condições inflamatórias, distinguindo não apenas a presença de um estado inflamatório, mas também suas origens específicas.
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HENRIQUE FERREIRA DOS SANTOS
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CIÊNCIA DE DADOS DE MATERIAIS APLICADA À DESCOBERTA DE SEMICONDUTORES
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Orientador : GUSTAVO MARTINI DALPIAN
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Data: 18/09/2025
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Ciência de Dados de Materiais é definida pela intersecção entre a Informática de Materiais e a Simulação Computacional de Materiais, visando a aplicação de técnicas de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina para a Ciência de Materiais. Um dos seus principais objetivos é fornecer um paradigma para o design inverso de materiais, aprimorando a descoberta de novos compostos. Nesta tese utilizamos este tipo de metodologia na busca por materiais que tenham um gap de energia grande, objetivando a descoberta de potenciais candidatos para LEDs que emitam na região do ultravioleta. O potencial desta metodologia é demonstrado através de uma abordagem hierárquica de metodologias em diferentes cenários: no primeiro foi usada a abordagem convencional de experimentos e simulações tilizando a Teoria do Funcional da Densidade (DFT) para estudar perovskitas híbridas pseudo-2D do tipo Dion-Jacobson; no segundo, foram realizados cálculos high throughput DFT para estudar uma nova família de compostos perovkistas pseudo-1D obtidos através de substituição química na estrutura protótipo da jakobssonita, um mineral vulcânico de composição CaAlF5; no terceiro, gerou-se compostos binários usando combinações químicas com a subsequente exploração desse espaço por modelos de aprendizado de máquina treinados com features atômicas para selecionar semicondutores estáveis. Esses estudos correspondem a uma gradativa mudança de paradigma, com cerca de 5 variações de materiais no primeiro caso, cerca de 3 mil materiais no segundo, e mais de 1 milhão no terceiro. Os resultados desta tese demonstram o poder da metodologia proposta, abrindo novas fronteiras para o desenvolvimento de materiais com propriedades específicas.
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Ciência de Dados de Materiais é definida pela intersecção entre a Informática de Materiais e a Simulação Computacional de Materiais, visando a aplicação de técnicas de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina para a Ciência de Materiais. Um dos seus principais objetivos é fornecer um paradigma para o design inverso de materiais, aprimorando a descoberta de novos compostos. Nesta tese utilizamos este tipo de metodologia na busca por materiais que tenham um gap de energia grande, objetivando a descoberta de potenciais candidatos para LEDs que emitam na região do ultravioleta. O potencial desta metodologia é demonstrado através de uma abordagem hierárquica de metodologias em diferentes cenários: no primeiro foi usada a abordagem convencional de experimentos e simulações tilizando a Teoria do Funcional da Densidade (DFT) para estudar perovskitas híbridas pseudo-2D do tipo Dion-Jacobson; no segundo, foram realizados cálculos high throughput DFT para estudar uma nova família de compostos perovkistas pseudo-1D obtidos através de substituição química na estrutura protótipo da jakobssonita, um mineral vulcânico de composição CaAlF5; no terceiro, gerou-se compostos binários usando combinações químicas com a subsequente exploração desse espaço por modelos de aprendizado de máquina treinados com features atômicas para selecionar semicondutores estáveis. Esses estudos correspondem a uma gradativa mudança de paradigma, com cerca de 5 variações de materiais no primeiro caso, cerca de 3 mil materiais no segundo, e mais de 1 milhão no terceiro. Os resultados desta tese demonstram o poder da metodologia proposta, abrindo novas fronteiras para o desenvolvimento de materiais com propriedades específicas.
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RENNAN FÉLIX DA SILVA BARBOSA
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Desenvolvimento de hidrogéis de quitosana contendo nanoestruturas de celulose modificadas para remoção e recuperação de metais em água contaminada
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Orientador : DERVAL DOS SANTOS ROSA
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Data: 30/09/2025
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A presença de elementos potencialmente tóxicos, com destaque aos íons metálicos, em água tem representado uma grande preocupação ambiental devido aos seus efeitos à saúde dos seres vivos. Os efeitos persistentes desses elementos no ambiente e a dificuldade de tratamento são pontos de atenção, de modo que o uso de adsorção tem se mostrado como uma alternativa para promover sua remoção e recuperação. O emprego de estruturas porosas tridimensionais na forma de hidrogéis apresenta potencial de remoção destes contaminantes, sendo que a incorporação de nanoestruturas se mostra uma alternativa para potencializar as propriedades sortivas dos hidrogéis. Esta tese de doutorado teve como objetivo desenvolver hidrogéis de quitosana contendo nanoestruturas de celulose modificadas para remoção de íons cobre, níquel, cádmio e cromo. Resíduos de eucalipto foram utilizados para isolamento de celulose através de tratamentos alcalinos e oxidativos. Os tratamentos empregados se mostraram adequados para remover componentes não celulósicos e mantiveram a estrutura celulósica, conforme investigado pelas análises de infravermelho e termogravimétrica. Foi então realizado o isolamento mecânico combinado utilizando moinho de bolas e homogeneização via ultra-Turrax para obtenção de nanoestruturas de celulose (CN). O tratamento isolamento combinado foi eficaz na obtenção de nanoestruturas de celulose apresentando raio hidrodinâmico de 360 nm e aspecto morfológico similar a nanofibras obtidas por métodos convencionais, demonstrando a viabilidade do método proposto. As CNs foram então modificadas utilizando três rotas distintas: 1) anidrido succínico – CN-Suc, 2) carboximetilação – CN-CMC, 3) dianidrido de EDTA – CN-EDTA. As modificações foram empregadas buscando introduzir grupos carboxilatos de modo a potencializar as propriedades sortivas das nanoestruturas. As análises de infravermelho e ressonância magnética nuclear indicaram a efetiva modificação para as CN-Suc e CN-EDTA. O impacto da introdução de grupos carboxilatos pode ser observado no potencial de carga zero, que apresentou uma diminuição, o que tende a favorecer a interação com contaminantes com carga positiva, especialmente para maiores pHs. A capacidade de sorção foi então investigada, sendo observado que um sistema multielementar impacta as propriedades devido ao caráter competitivo presente. A avaliação de pH ilustrou que cada íon metálico apresenta um pH melhor, sendo pH 5 para cobre, pH 7 para níquel e cádmio, e pH 2 para cromo. O estudo cinético indicou que a interação por quimissorção é prevalente, apesar de fisissorção também estar presente. Além disso, a etapa limitante para sorção está associada à difusão no filme externo . Foi realizada a investigação por isotermas, que ilustraram que diferentes modelos apresentaram um fit adequado, sugerindo que a superfície de interação apresenta um caráter heterogêneo no qual tanto interações de quimisorção são destaque, mas que interações de fisisorção também estão presentes. Os valores de qmax, obtidos pelo modelo de Sips, foram de 1,83, 2,32, 1,67 e 1,96 para cobre, níquel, cadmio e cromo, respectivamente. O desenvolvimento de hidrogéis de quitosana foi investigado utilizando um planejamento experimental para definir o melhor balanço entre a concentração de quitosana e de glutaraldeído nas propriedades do hidrogel obtido. O planejamento experimental permitiu avaliar por meio de superfícies de resposta o impacto da concentração de quitosana e glutaraldeído nas propriedades de absorção de água e adsorção de íons metálicos, destacando a formulação com 2% de quitosana e 1% de glutaraldeído. A reticulação da estrutura pode ser corroborada pela análise de infravermelho. O hidrogel selecionado (CH) apresentou capacidade de absorção de água de 452% e tamanho de poros de 9,5 μm. As nanoestruturas de celulose obtidas foram então incorporadas à matriz do hidrogel de quitosana para potencializar as propriedades adsorventes. Foi observado que diferentes teores apresentaram melhores propriedades de sorção e absorção de água, possivelmente indicando que efeitos de dispersão e aglomeração impactaram as propriedades dos hidrogéis compósitos, destacando as formulações CH-5%CN, CH-3%CN-Suc e CH-10%CN-EDTA. O estudo cinético para os hidrogéis indicou a presença de quimissorção na interação com os íons metálicos, sendo que a difusão interna teve uma influência maior no processo, apesar de não representar a etapa limitante. O estudo de isotermas ilustrou que diferentes modelos apresentaram um fit adequado, sugerindo que a superfície de interação apresenta um caráter heterogêneo no qual tanto interações de quimisorção são destaque, mas que interações de fisisorção também estão presentes. Os valores de qmax, obtidos pelo modelo de Sips, foram de 0,88, 1,44, 1,39 e 2,45 para cobre, níquel, cadmio e cromo, respectivamente. Os resultados indicam que os materiais desenvolvidos apresentam potencial de aplicação para remoção e recuperação de íons metálicos, sendo atrativos por empregarem materiais ambientalmente amigáveis.
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A presença de elementos potencialmente tóxicos, com destaque aos íons metálicos, em água tem representado uma grande preocupação ambiental devido aos seus efeitos à saúde dos seres vivos. Os efeitos persistentes desses elementos no ambiente e a dificuldade de tratamento são pontos de atenção, de modo que o uso de adsorção tem se mostrado como uma alternativa para promover sua remoção e recuperação. O emprego de estruturas porosas tridimensionais na forma de hidrogéis apresenta potencial de remoção destes contaminantes, sendo que a incorporação de nanoestruturas se mostra uma alternativa para potencializar as propriedades sortivas dos hidrogéis. Esta tese de doutorado teve como objetivo desenvolver hidrogéis de quitosana contendo nanoestruturas de celulose modificadas para remoção de íons cobre, níquel, cádmio e cromo. Resíduos de eucalipto foram utilizados para isolamento de celulose através de tratamentos alcalinos e oxidativos. Os tratamentos empregados se mostraram adequados para remover componentes não celulósicos e mantiveram a estrutura celulósica, conforme investigado pelas análises de infravermelho e termogravimétrica. Foi então realizado o isolamento mecânico combinado utilizando moinho de bolas e homogeneização via ultra-Turrax para obtenção de nanoestruturas de celulose (CN). O tratamento isolamento combinado foi eficaz na obtenção de nanoestruturas de celulose apresentando raio hidrodinâmico de 360 nm e aspecto morfológico similar a nanofibras obtidas por métodos convencionais, demonstrando a viabilidade do método proposto. As CNs foram então modificadas utilizando três rotas distintas: 1) anidrido succínico – CN-Suc, 2) carboximetilação – CN-CMC, 3) dianidrido de EDTA – CN-EDTA. As modificações foram empregadas buscando introduzir grupos carboxilatos de modo a potencializar as propriedades sortivas das nanoestruturas. As análises de infravermelho e ressonância magnética nuclear indicaram a efetiva modificação para as CN-Suc e CN-EDTA. O impacto da introdução de grupos carboxilatos pode ser observado no potencial de carga zero, que apresentou uma diminuição, o que tende a favorecer a interação com contaminantes com carga positiva, especialmente para maiores pHs. A capacidade de sorção foi então investigada, sendo observado que um sistema multielementar impacta as propriedades devido ao caráter competitivo presente. A avaliação de pH ilustrou que cada íon metálico apresenta um pH melhor, sendo pH 5 para cobre, pH 7 para níquel e cádmio, e pH 2 para cromo. O estudo cinético indicou que a interação por quimissorção é prevalente, apesar de fisissorção também estar presente. Além disso, a etapa limitante para sorção está associada à difusão no filme externo . Foi realizada a investigação por isotermas, que ilustraram que diferentes modelos apresentaram um fit adequado, sugerindo que a superfície de interação apresenta um caráter heterogêneo no qual tanto interações de quimisorção são destaque, mas que interações de fisisorção também estão presentes. Os valores de qmax, obtidos pelo modelo de Sips, foram de 1,83, 2,32, 1,67 e 1,96 para cobre, níquel, cadmio e cromo, respectivamente. O desenvolvimento de hidrogéis de quitosana foi investigado utilizando um planejamento experimental para definir o melhor balanço entre a concentração de quitosana e de glutaraldeído nas propriedades do hidrogel obtido. O planejamento experimental permitiu avaliar por meio de superfícies de resposta o impacto da concentração de quitosana e glutaraldeído nas propriedades de absorção de água e adsorção de íons metálicos, destacando a formulação com 2% de quitosana e 1% de glutaraldeído. A reticulação da estrutura pode ser corroborada pela análise de infravermelho. O hidrogel selecionado (CH) apresentou capacidade de absorção de água de 452% e tamanho de poros de 9,5 μm. As nanoestruturas de celulose obtidas foram então incorporadas à matriz do hidrogel de quitosana para potencializar as propriedades adsorventes. Foi observado que diferentes teores apresentaram melhores propriedades de sorção e absorção de água, possivelmente indicando que efeitos de dispersão e aglomeração impactaram as propriedades dos hidrogéis compósitos, destacando as formulações CH-5%CN, CH-3%CN-Suc e CH-10%CN-EDTA. O estudo cinético para os hidrogéis indicou a presença de quimissorção na interação com os íons metálicos, sendo que a difusão interna teve uma influência maior no processo, apesar de não representar a etapa limitante. O estudo de isotermas ilustrou que diferentes modelos apresentaram um fit adequado, sugerindo que a superfície de interação apresenta um caráter heterogêneo no qual tanto interações de quimisorção são destaque, mas que interações de fisisorção também estão presentes. Os valores de qmax, obtidos pelo modelo de Sips, foram de 0,88, 1,44, 1,39 e 2,45 para cobre, níquel, cadmio e cromo, respectivamente. Os resultados indicam que os materiais desenvolvidos apresentam potencial de aplicação para remoção e recuperação de íons metálicos, sendo atrativos por empregarem materiais ambientalmente amigáveis.
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BRUNO HENRIQUE DOS SANTOS
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Nanocompósito inteligente de amido termoplástico reforçado com nanocelulose
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Orientador : MARCIA APARECIDA DA SILVA SPINACE
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Data: 16/10/2025
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A crescente preocupação com os impactos ambientais dos resíduos plásticos tem impulsionado a busca por alternativas sustentáveis e funcionais. Este projeto de doutorado propõe o desenvolvimento de embalagens inteligentes biodegradáveis, capazes de reunir propriedades estruturais adequadas e indicadores visuais que informem sobre a qualidade e o frescor de produtos perecíveis. O trabalho se baseia na exploração de recursos renováveis e resíduos agroindustriais, valorizando matérias-primas abundantes no Brasil e contribuindo para a economia circular. A pesquisa combina ciência dos materiais e nanotecnologia, com foco na criação de soluções inovadoras que unam sustentabilidade, segurança alimentar e redução de desperdícios, alinhando-se às demandas globais por sistemas de acondicionamento ambientalmente responsáveis.
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A crescente preocupação com os impactos ambientais dos resíduos plásticos tem impulsionado a busca por alternativas sustentáveis e funcionais. Este projeto de doutorado propõe o desenvolvimento de embalagens inteligentes biodegradáveis, capazes de reunir propriedades estruturais adequadas e indicadores visuais que informem sobre a qualidade e o frescor de produtos perecíveis. O trabalho se baseia na exploração de recursos renováveis e resíduos agroindustriais, valorizando matérias-primas abundantes no Brasil e contribuindo para a economia circular. A pesquisa combina ciência dos materiais e nanotecnologia, com foco na criação de soluções inovadoras que unam sustentabilidade, segurança alimentar e redução de desperdícios, alinhando-se às demandas globais por sistemas de acondicionamento ambientalmente responsáveis.
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ITALO RICARDO SERRAO BEZERRA
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BIOSSENSORES ELETROQUÍMICOS BASEADOS EM ELETRODOS DE CARBONO: Soluções em anti-biopassivação, estabilidade do biorreceptor e throughput visando seu uso de rotina em aplicações point-of-care
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Orientador : RENATO SOUSA LIMA
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Data: 30/10/2025
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Este projeto de doutorado aborda avanços no desenvolvimento de biossensores eletroquímicos voltados para o diagnóstico sorológico de rotina da COVID-19, com ênfase na melhoria da sensibilidade em fluidos biológicos e no custo e estabilidade do elemento de reconhecimento. A detecção eletroquímica em fluidos biológicos complexos ainda enfrenta desafios expressivos; um exemplo é a biopassivação dos eletrodos, o que compromete a acurácia das análises. Para mitigar essa limitação, desenvolvemos um biossensor eletroquímico impedimétrico label-free baseado em um eletrodo de papel pirolisado funcionalizado com o surfactante não iônico Tween 20 (T20). Este último promove a formação in-situ de uma nanocamada hidrofílica (2 nm), permitindo dois fenômenos sinérgicos: (i) a proteção da superfície do eletrodo contra a adsorção inespecífica de biomoléculas e (ii) a capilaridade das amostras através dos poros do papel pirolisado, preservando a taxa das reações redox e aumentando a área eletroativa do eletrodo. Como consequência, observou-se um aumento significativo na sensibilidade do biossensor, com amplificação da corrente de detecção em até 12,5 vezes após uma hora de exposição ao plasma humano não diluído. Além disso, baseado na proteína Spike como elemento de reconhecimento e em nanopartículas de ouro para aumento da sensibilidade, o biossensor permitiu a triagem da COVID-19 em amostras de soro de pacientes.
Outro aspecto fundamental abordado neste projeto diz respeito ao elemento de reconhecimento biológico, algo determinante para a escalabilidade e a viabilidade prática dos biossensores. Mais especificamente, o custo de síntese e a estabilidade reduzida (em função da desnaturação) de biomacromoléculas têm sido entraves ao uso de rotina e à comercialização dos biossensores eletroquímicos. Para contornar essas limitações, desenvolvemos um biossensor impedimétrico label-free usando, como elemento de reconhecimento, um peptídeo (PEP2003) obtido por rota química para testes sorológicos da COVID-19. Inspirado na interação natural entre a proteína Spike do SARS-CoV-2 e seu anticorpo específico, esse peptídeo gerou a detecção desse anticorpo com uma sensibilidade 3,4 vezes maior do que aquela obtida com a proteína Spike como elemento de reconhecimento. Além disso, devido à sua resistência à desnaturação, o peptídeo preservou 95,1% da resposta eletroquímica original mesmo 20 dias após o armazenamento dos biossensores a seco a 4 °C, o que mostra a sua estabilidade. Cabe também mencionar que o uso de aprendizagem de máquina possibilitou a classificação de 39 amostras biológicas entre indivíduos saudáveis e infectados com a COVID-19 com uma acurácia de 100%.
Combinando inovações em áreas como engenharia de materiais, funcionalização de superfícies e inteligência artificial, as plataformas desenvolvidas ao longo deste projeto de doutorado podem avançar o diagnóstico da COVID-19 em aplicações de rotina e em testes em massa, contribuindo para a descentralização do diagnóstico. Por fim, espera-se também que as soluções aqui apresentadas, em particular o uso do T20 como nanocamada de anti-biopassivação e de peptídeos como elementos de reconhecimento em biossensores do tipo label-free, possam também contribuir para o diagnóstico de outras doenças.
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Este projeto de doutorado aborda avanços no desenvolvimento de biossensores eletroquímicos voltados para o diagnóstico sorológico de rotina da COVID-19, com ênfase na melhoria da sensibilidade em fluidos biológicos e no custo e estabilidade do elemento de reconhecimento. A detecção eletroquímica em fluidos biológicos complexos ainda enfrenta desafios expressivos; um exemplo é a biopassivação dos eletrodos, o que compromete a acurácia das análises. Para mitigar essa limitação, desenvolvemos um biossensor eletroquímico impedimétrico label-free baseado em um eletrodo de papel pirolisado funcionalizado com o surfactante não iônico Tween 20 (T20). Este último promove a formação in-situ de uma nanocamada hidrofílica (2 nm), permitindo dois fenômenos sinérgicos: (i) a proteção da superfície do eletrodo contra a adsorção inespecífica de biomoléculas e (ii) a capilaridade das amostras através dos poros do papel pirolisado, preservando a taxa das reações redox e aumentando a área eletroativa do eletrodo. Como consequência, observou-se um aumento significativo na sensibilidade do biossensor, com amplificação da corrente de detecção em até 12,5 vezes após uma hora de exposição ao plasma humano não diluído. Além disso, baseado na proteína Spike como elemento de reconhecimento e em nanopartículas de ouro para aumento da sensibilidade, o biossensor permitiu a triagem da COVID-19 em amostras de soro de pacientes.
Outro aspecto fundamental abordado neste projeto diz respeito ao elemento de reconhecimento biológico, algo determinante para a escalabilidade e a viabilidade prática dos biossensores. Mais especificamente, o custo de síntese e a estabilidade reduzida (em função da desnaturação) de biomacromoléculas têm sido entraves ao uso de rotina e à comercialização dos biossensores eletroquímicos. Para contornar essas limitações, desenvolvemos um biossensor impedimétrico label-free usando, como elemento de reconhecimento, um peptídeo (PEP2003) obtido por rota química para testes sorológicos da COVID-19. Inspirado na interação natural entre a proteína Spike do SARS-CoV-2 e seu anticorpo específico, esse peptídeo gerou a detecção desse anticorpo com uma sensibilidade 3,4 vezes maior do que aquela obtida com a proteína Spike como elemento de reconhecimento. Além disso, devido à sua resistência à desnaturação, o peptídeo preservou 95,1% da resposta eletroquímica original mesmo 20 dias após o armazenamento dos biossensores a seco a 4 °C, o que mostra a sua estabilidade. Cabe também mencionar que o uso de aprendizagem de máquina possibilitou a classificação de 39 amostras biológicas entre indivíduos saudáveis e infectados com a COVID-19 com uma acurácia de 100%.
Combinando inovações em áreas como engenharia de materiais, funcionalização de superfícies e inteligência artificial, as plataformas desenvolvidas ao longo deste projeto de doutorado podem avançar o diagnóstico da COVID-19 em aplicações de rotina e em testes em massa, contribuindo para a descentralização do diagnóstico. Por fim, espera-se também que as soluções aqui apresentadas, em particular o uso do T20 como nanocamada de anti-biopassivação e de peptídeos como elementos de reconhecimento em biossensores do tipo label-free, possam também contribuir para o diagnóstico de outras doenças.
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LAÍS ROSSETTO FERRAZ DE BARROS
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NANOESTRUTURAS LÍPIDICO-POLIMÉRICAS AUTO-ORGANIZADAS DECORADAS COM CARBOIDRATOS PARA CARREAMENTO DO ÁCIDO URSÓLICO COMO PLATAFORMA DE LIBERAÇÃO CONTROLADA DE MEDICAMENTOS CONTRA O CÂNCER
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Orientador : WENDEL ANDRADE ALVES
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Data: 31/10/2025
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Ácido ursólico (AU) é um triterpenoide pentacíclico encontrado em plantas, capaz de inibir, estagnar e induzir apoptose em células cancerígenas. No entanto, o AU é altamente hidrofóbico, limitando sua administração in vivo. Neste contexto, dois copolímeros anfifílicos contendo uma fração hidrofóbica de colesterol (Col), conjugada a uma fração hidrofílica formada por óxido de polietileno (PEO) contendo azida (Col-PEO22-N3) ou substituída pelo carboidrato N-acetil-β-D-glucosamina (Col-PEO22-GlcNAc), preparados pela reação química de click em Col-PEO22-N3, foram usados como sistemas de liberação de fármacos. A técnica de nanoprecipitação foi empregada para preparar nanopartículas poliméricas na ausência (NPsB) e na presença de 5% (m/m) de ácido ursólico (NPsAU). O raio hidrodinâmico médio aumenta de 36–40 nm para 48–79 nm, indicando o encapsulamento do fármaco pela matriz polimérica. Além disso, as nanopartículas (NPs) apresentaram boa estabilidade (< -19 mV) e boa eficiência de encapsulamento (> 70%). Em relação aos ensaios biológicos, NPsB não apresentaram atividade hemolítica em diferentes concentrações (até 50 μg mL-1). O teste MTT de citotoxicidade celular para as linhagens celulares MRC-5 e A549 indica que NPsAU tem um efeito inibitório melhor (a partir de 5 µg mL-1) do que NPsB (a partir de 10 µg mL-1). Foi descoberto que o copolímero Col-PEO22-N3 apresentou um efeito apoptótico e necrótico maior em comparação com Col-PEO22-GlcNAc, que foi atribuído a grupos azida. Além disso, Col-PEO22-GlcNAc se destacou mais na captação celular para células A549, uma vez que os transportadores de glicose e receptores semelhantes a lectina são superexpressos em quase todos os tecidos tumorais. Nesse contexto, microagulhas (MAs) solúveis preparadas com soluções 10% (p/v) de carboximetilcelulose (CMC) e hidroxipropilmetilcelulose (HPMC) 90 kDa, fundidas em moldes piramidais de polidimetilsiloxano (PDMS), foram produzidas com sucesso e foram estudadas como via de administração transdérmica para NPsAU. As MAs apresentaram boa resistência mecânica sob força de compressão, boa estabilidade térmica e, profundidade de inserção suficiente (> 400 µm). No estudo de permeação in vitro utilizando células de difusão de Franz, as NPsAU mantiveram seu tamanho médio muito semelhante aos dados anteriores à preparação das MAs: 51 nm e 88 nm para Col-PEO22-N3 (AU) e Col-PEO22-GlcNAc (AU), respectivamente. A permeação de AU para MA de HPMC apresentou taxa de liberação mais lenta do que a de CMC; provavelmente devido a diferenças no comportamento higroscópico de cada polímero, reflexo da natureza aniônica/não iônica, e dos tipos de substituição hidrofílica e hidrofóbica. As MAs também não apresentaram citotoxicidade in vitro quando expostas à linhagem celular HaCaT. No geral, esse trabalho contribui para que estudos futuros explorem o potencial terapêutico de nanocarreadores em conjunto com microagulhas como plataforma promissora para a administração transdérmica de NPs.
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Ácido ursólico (AU) é um triterpenoide pentacíclico encontrado em plantas, capaz de inibir, estagnar e induzir apoptose em células cancerígenas. No entanto, o AU é altamente hidrofóbico, limitando sua administração in vivo. Neste contexto, dois copolímeros anfifílicos contendo uma fração hidrofóbica de colesterol (Col), conjugada a uma fração hidrofílica formada por óxido de polietileno (PEO) contendo azida (Col-PEO22-N3) ou substituída pelo carboidrato N-acetil-β-D-glucosamina (Col-PEO22-GlcNAc), preparados pela reação química de click em Col-PEO22-N3, foram usados como sistemas de liberação de fármacos. A técnica de nanoprecipitação foi empregada para preparar nanopartículas poliméricas na ausência (NPsB) e na presença de 5% (m/m) de ácido ursólico (NPsAU). O raio hidrodinâmico médio aumenta de 36–40 nm para 48–79 nm, indicando o encapsulamento do fármaco pela matriz polimérica. Além disso, as nanopartículas (NPs) apresentaram boa estabilidade (< -19 mV) e boa eficiência de encapsulamento (> 70%). Em relação aos ensaios biológicos, NPsB não apresentaram atividade hemolítica em diferentes concentrações (até 50 μg mL-1). O teste MTT de citotoxicidade celular para as linhagens celulares MRC-5 e A549 indica que NPsAU tem um efeito inibitório melhor (a partir de 5 µg mL-1) do que NPsB (a partir de 10 µg mL-1). Foi descoberto que o copolímero Col-PEO22-N3 apresentou um efeito apoptótico e necrótico maior em comparação com Col-PEO22-GlcNAc, que foi atribuído a grupos azida. Além disso, Col-PEO22-GlcNAc se destacou mais na captação celular para células A549, uma vez que os transportadores de glicose e receptores semelhantes a lectina são superexpressos em quase todos os tecidos tumorais. Nesse contexto, microagulhas (MAs) solúveis preparadas com soluções 10% (p/v) de carboximetilcelulose (CMC) e hidroxipropilmetilcelulose (HPMC) 90 kDa, fundidas em moldes piramidais de polidimetilsiloxano (PDMS), foram produzidas com sucesso e foram estudadas como via de administração transdérmica para NPsAU. As MAs apresentaram boa resistência mecânica sob força de compressão, boa estabilidade térmica e, profundidade de inserção suficiente (> 400 µm). No estudo de permeação in vitro utilizando células de difusão de Franz, as NPsAU mantiveram seu tamanho médio muito semelhante aos dados anteriores à preparação das MAs: 51 nm e 88 nm para Col-PEO22-N3 (AU) e Col-PEO22-GlcNAc (AU), respectivamente. A permeação de AU para MA de HPMC apresentou taxa de liberação mais lenta do que a de CMC; provavelmente devido a diferenças no comportamento higroscópico de cada polímero, reflexo da natureza aniônica/não iônica, e dos tipos de substituição hidrofílica e hidrofóbica. As MAs também não apresentaram citotoxicidade in vitro quando expostas à linhagem celular HaCaT. No geral, esse trabalho contribui para que estudos futuros explorem o potencial terapêutico de nanocarreadores em conjunto com microagulhas como plataforma promissora para a administração transdérmica de NPs.
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MATHEUS MENDES DE OLIVEIRA
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Redes poliméricas semi-interpenetrantes condutivas nanorreforçadas à base de epoxy/polieterimida para aplicações aeroespaciais
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Orientador : DANILO JUSTINO CARASTAN
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Data: 05/11/2025
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Há pouco mais de um século, o advento dos materiais poliméricos revolucionou a engenharia ao substituírem metais em diversas aplicações. No entanto, polímeros convencionais são isolantes elétricos, impedindo seu uso em muitas aplicações tecnológicas. Compósitos poliméricos reforçados com nanomateriais condutivos surgiram neste contexto. A indústria aeronáutica está particularmente interessada em nanocompósitos poliméricos condutores, pois a redução de peso é essencial para reduzir o consumo de combustível e emissões de CO2. Compósitos poliméricos reforçados com fibra de carbono não possuem condutividade elétrica suficiente para evitar danos causados por raios e interferências eletromagnéticas (EMI). Portanto, as estruturas das aeronaves são equipadas com proteções contra raios (LSP) metálicas pesadas e que podem levar à problemas de corrosão. Nanomateriais como nanoplaquetas de grafeno (GNP) e nanotubos de carbono (CNTs) oferecem alternativas leves e multifuncionais para LSP, blindagem EMI, descongelamento e monitoramento de danos. Esforços têm sido feitos para maximizar a condutividade elétrica em nanocompósitos e minimizar a quantidade de nanopartículas necessária. Nesse sentido, as redes poliméricas interpenetrantes (IPNs) são uma classe promissora de materiais poliméricos bifásicos que permanecem amplamente inexplorados. Esta tese investiga o potencial de semi-IPNs de epóxi/polieterimida reforçadas com GNPs, e os efeitos de outros nanomateriais de carbono, incluindo CNTs e negro de fumo, na morfologia e no desempenho dos nanocompósitos. Resultados revelam que essas nanopartículas residem exclusivamente dentro da fase rica em PEI. Porém, uma separação de fase secundária gera gotas ricas em epóxi que interrompem a conectividade de longo alcance entre as nanopartículas. Cada nanopartícula é afetada de forma diferente, dependendo de sua geometria, fração mássica e da morfologia da semi-IPN. No aspecto mecânico, a PEI pode melhorar a tenacidade do epóxi quando uma morfologia dispersa é gerada, ao passo que uma morfologia co-contínua a degrada devido à fraca interação interfacial entre as fases. GNPs aumentam a rigidez às custas da resistência ao impacto, tanto em matrizes de epóxi quanto em semi-IPNs. Além disso, pela primeira vez, o alinhamento das nanopartículas por campo elétrico em um nanocompósito baseado em semi-IPN é demonstrado e monitorado por meio da eletrorreologia. Testes preliminares mostram melhoria na condutividade elétrica abaixo do limiar de percolação devido ao alinhamento. Esses resultados destacam a complexa interação entre nanomateriais, a estrutura da matriz polimérica e as propriedades resultantes do material, contribuindo para o desenvolvimento de nanocompósitos condutores avançados para aplicações aeroespaciais.
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Há pouco mais de um século, o advento dos materiais poliméricos revolucionou a engenharia ao substituírem metais em diversas aplicações. No entanto, polímeros convencionais são isolantes elétricos, impedindo seu uso em muitas aplicações tecnológicas. Compósitos poliméricos reforçados com nanomateriais condutivos surgiram neste contexto. A indústria aeronáutica está particularmente interessada em nanocompósitos poliméricos condutores, pois a redução de peso é essencial para reduzir o consumo de combustível e emissões de CO2. Compósitos poliméricos reforçados com fibra de carbono não possuem condutividade elétrica suficiente para evitar danos causados por raios e interferências eletromagnéticas (EMI). Portanto, as estruturas das aeronaves são equipadas com proteções contra raios (LSP) metálicas pesadas e que podem levar à problemas de corrosão. Nanomateriais como nanoplaquetas de grafeno (GNP) e nanotubos de carbono (CNTs) oferecem alternativas leves e multifuncionais para LSP, blindagem EMI, descongelamento e monitoramento de danos. Esforços têm sido feitos para maximizar a condutividade elétrica em nanocompósitos e minimizar a quantidade de nanopartículas necessária. Nesse sentido, as redes poliméricas interpenetrantes (IPNs) são uma classe promissora de materiais poliméricos bifásicos que permanecem amplamente inexplorados. Esta tese investiga o potencial de semi-IPNs de epóxi/polieterimida reforçadas com GNPs, e os efeitos de outros nanomateriais de carbono, incluindo CNTs e negro de fumo, na morfologia e no desempenho dos nanocompósitos. Resultados revelam que essas nanopartículas residem exclusivamente dentro da fase rica em PEI. Porém, uma separação de fase secundária gera gotas ricas em epóxi que interrompem a conectividade de longo alcance entre as nanopartículas. Cada nanopartícula é afetada de forma diferente, dependendo de sua geometria, fração mássica e da morfologia da semi-IPN. No aspecto mecânico, a PEI pode melhorar a tenacidade do epóxi quando uma morfologia dispersa é gerada, ao passo que uma morfologia co-contínua a degrada devido à fraca interação interfacial entre as fases. GNPs aumentam a rigidez às custas da resistência ao impacto, tanto em matrizes de epóxi quanto em semi-IPNs. Além disso, pela primeira vez, o alinhamento das nanopartículas por campo elétrico em um nanocompósito baseado em semi-IPN é demonstrado e monitorado por meio da eletrorreologia. Testes preliminares mostram melhoria na condutividade elétrica abaixo do limiar de percolação devido ao alinhamento. Esses resultados destacam a complexa interação entre nanomateriais, a estrutura da matriz polimérica e as propriedades resultantes do material, contribuindo para o desenvolvimento de nanocompósitos condutores avançados para aplicações aeroespaciais.
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RAPHAEL ANACLETO MARTINS PIRES DE OLIVEIRA
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Efeitos do teor de lantânio em filmes finos de céria-lantânia obtidos por deposição por laser pulsado
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Orientador : ANDRE SANTAROSA FERLAUTO
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Data: 02/12/2025
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Filmes finos de céria dopada com lantânio (LDC) foram crescidos por deposição por laser pulsado (PLD) em Si(100), quartzo amorfo e SrTiO₃(100) para modular a química de vacâncias de oxigênio e o transporte. A estrutura e as superfícies foram investigadas por DRX, AFM/MEV, Raman no UV e XPS; as propriedades eletroquímicas foram medidas por EIE em atmosferas controladas. O Raman-UV acompanhou o deslocamento para o vermelho e o alargamento do modo F₂g da fluorita, e o envelope D₁/D₂ ativado por vacâncias, marcadores canônicos de não-estequiometria em céria, enquanto o XPS quantificou Ce³⁺/Ce⁴⁺ e a especiação O 1s. Em Si(100) (10⁻¹ mbar), os filmes exibem forte textura (200) para x ≈ 0.10–0.20, com aumento de assinaturas de defeitos; valores maiores de x induzem aglomeração de defeitos e maior rugosidade. Em quartzo (10⁻² mbar), La e menor pO₂ aumentam a redutibilidade e a condução mista em H₂, compatíveis com geração de vacâncias e formação de pequenos polarons. LDC10 epitaxial em SrTiO₃(100) (10⁻³ mbar) apresentou F₂g amolecido e alargado e O 1s dominado por oxigênio de rede com hidroxilação desprezível, indicando superfície quimicamente limpa e estabilizada por vacâncias. No ar, exibiu um único semicírculo, com Eₐ ≈ 0.29 eV e σ até ~10⁻² S cm⁻¹ a 600 °C; em H₂, σ aumentou em 1–2 ordens de magnitude, com Eₐ ≈ 0.5–0.6 eV, refletindo condução iônico–eletrônica mista em céria reduzida. O canal eletrônico é bem descrito por um salto de pequenos polarons em centros Ce³⁺/Ce⁴⁺, enquanto a migração de vacâncias de oxigênio define a barreira iônica. O desempenho ótimo ocorre próximo de 10 mol% de La, quando a criação de vacâncias é alta, porém, o agrupamento é limitado; dopagens maiores degradam o transporte por associação dopante–vacância e ordenamento de curto alcance. Esses resultados conectam condições de crescimento, química de defeitos e transporte de carga, orientando a escolha de substrato/atmosfera para SOFCs de baixa temperatura e dispositivos óxidos de condução mista.
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Filmes finos de céria dopada com lantânio (LDC) foram crescidos por deposição por laser pulsado (PLD) em Si(100), quartzo amorfo e SrTiO₃(100) para modular a química de vacâncias de oxigênio e o transporte. A estrutura e as superfícies foram investigadas por DRX, AFM/MEV, Raman no UV e XPS; as propriedades eletroquímicas foram medidas por EIE em atmosferas controladas. O Raman-UV acompanhou o deslocamento para o vermelho e o alargamento do modo F₂g da fluorita, e o envelope D₁/D₂ ativado por vacâncias, marcadores canônicos de não-estequiometria em céria, enquanto o XPS quantificou Ce³⁺/Ce⁴⁺ e a especiação O 1s. Em Si(100) (10⁻¹ mbar), os filmes exibem forte textura (200) para x ≈ 0.10–0.20, com aumento de assinaturas de defeitos; valores maiores de x induzem aglomeração de defeitos e maior rugosidade. Em quartzo (10⁻² mbar), La e menor pO₂ aumentam a redutibilidade e a condução mista em H₂, compatíveis com geração de vacâncias e formação de pequenos polarons. LDC10 epitaxial em SrTiO₃(100) (10⁻³ mbar) apresentou F₂g amolecido e alargado e O 1s dominado por oxigênio de rede com hidroxilação desprezível, indicando superfície quimicamente limpa e estabilizada por vacâncias. No ar, exibiu um único semicírculo, com Eₐ ≈ 0.29 eV e σ até ~10⁻² S cm⁻¹ a 600 °C; em H₂, σ aumentou em 1–2 ordens de magnitude, com Eₐ ≈ 0.5–0.6 eV, refletindo condução iônico–eletrônica mista em céria reduzida. O canal eletrônico é bem descrito por um salto de pequenos polarons em centros Ce³⁺/Ce⁴⁺, enquanto a migração de vacâncias de oxigênio define a barreira iônica. O desempenho ótimo ocorre próximo de 10 mol% de La, quando a criação de vacâncias é alta, porém, o agrupamento é limitado; dopagens maiores degradam o transporte por associação dopante–vacância e ordenamento de curto alcance. Esses resultados conectam condições de crescimento, química de defeitos e transporte de carga, orientando a escolha de substrato/atmosfera para SOFCs de baixa temperatura e dispositivos óxidos de condução mista.
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