Aprendizados, potências e limites de metodologias participativas mediados por assessorias técnicas e movimentos sociais
A participação social nas práticas de gestão e planejamento territorial constitui um terreno em disputa, variando de práticas transformadoras a ritos puramente informativos. Esta dissertação tem como objetivo central investigar os limites, desafios e contribuições das Assessorias Técnicas (ATs) e dos movimentos sociais no desenvolvimento de metodologias participativas aplicadas a projetos de urbanização de favelas e habitação de interesse social. A pesquisa busca desatar o “nó metodológico”, fenômeno caracterizado pelo enfraquecimento do debate sobre o “como fazer” o planejamento, que frequentemente reduz a participação social a protocolos burocráticos ou ao “assembleísmo vazio”. Fundamentada na Epistemologia da Complexidade e nos conceitos de “Território Usado e Praticado”, a investigação adota um desenho qualitativo orientado pela ciência cidadã, integrando revisão bibliográfica a 18 entrevistas semiestruturadas com agentes de cinco Assessorias Técnicas Paulistas e lideranças de sete movimentos sociais. O referencial teórico incorpora os conceitos metodológicos de Ideias Itinerantes, Bricolagem Metodológica e Rigor Inclusivo, que redefinem a qualidade do planejamento ao centralizar vozes marginalizadas e reconhecer que o rigor emana de uma visão ativa das escolhas metodológicas para garantir o valor de uso e a aprendizagem. Os resultados demonstram que as ATs redefinem o método como uma “tradução de códigos”, transformando o conhecimento técnico em instrumento de soberania e validando a Bricolagem Metodológica como resposta a manuais estáticos, onde o planejador atua como um “mestre de tecido” Por fim, a dissertação contribui para a construção de uma Epistemologia Territorial Popular, concluindo que o planejamento transformador exige a sustentabilidade do campo profissional e o reconhecimento de técnicos e lideranças como “trabalhadores da democracia”.