A população como protagonista da sua história: movimentos de moradia no Bixiga (São Paulo) e a disputa de sentidos no território
Na disputa territorial da região central de São Paulo a partir da década de 1990, destaca-se as ocupações dos edifícios ociosos como estratégia importante no repertório de atuação dos movimentos de moradia enquanto forma insurgente da prática do planejamento urbano. Este trabalho busca investigar como se dá o processo de articulação da Inclusa da Frente de Luta por Moradia (FLM) com a população moradora das pensões, cortiços e ocupações do Bixiga no sentido de transformar o imaginário urbano que concebe e produz o planejamento para constituição da inclusão cidadã e da resistência socioespacial no território com seu maior instrumento de atuação, a ocupação. Por meio da observação participante e entrevistas semiestruturadas com agentes da sua dinâmica, em diálogo com literatura secundária e informações de documentos de domínio público, procura analisar essa atuação e os sentidos incorporados em suas ações. Com isso, pretende-se avançar na discussão de como os movimentos sociais podem contribuir para políticas públicas que efetivamente consigam ressignificar os modelos hegemônicos do planejamento urbano.