O BLOCO DA DONA YAYÁ E O BIXIGA: 25 ANOS DA INCIDÊNCIA DO MOVIMENTO FEMINISTA NO ESPAÇO URBANO DE SÃO PAULO
O YAYARTES Bloco Carnavalesco Casa da Dona Yayá, conhecido apenas como Bloco da Dona Yayá, ocupou pela primeira vez as ruas do bairro do Bixiga, na região central da cidade de São Paulo, no carnaval de março de 2000. O bloco surgiu como uma ação feminista da União de Mulheres do município de São Paulo, das Promotoras Legais Populares (PLPs) e do movimento da luta antimanicomial que reivindicavam uma destinação adequada à casa que foi ocupada por Sebastiana de Mello Freire, conhecida como Dona Yayá. No início do século XX, Yayá passou mais de 40 anos em cárcere privado em sua casa na Rua Major Diogo, em decorrência de violência de gênero e um suposto diagnóstico de problemas com a saúde mental. Esta pesquisa de caráter indutivo pretende resgatar e analisar a história do Bloco, que surgiu há 25 anos a partir das lutas do movimento feminista e da luta antimanicomial, e sua atuação em conjunto com demais movimentos no bairro do Bixiga, território de mulheres, incidindo na luta por direitos, na reivindicação de políticas públicas e na preservação da memória. As mulheres que compõem o Bloco têm participado na reivindicação de direitos durante, ao menos, as últimas cinco décadas de história do Brasil. Por isso, a literatura sobre a cidade e as mulheres, planejamento insurgente feminista, urbanismo feminista e a epistemologia feminista são utilizados na análise desta experiência. Dessa forma, é possível mapear lugares de resistência e verificar a construção alternativa de ações e políticas para além do estado e do mercado a partir do protagonismo das mulheres, que incidem no espaço urbano e nas políticas públicas