Do corpo-território à cidade-armário: apontamentos sobre territorialidades LGBTQIA+ na cidade de Santos (SP)
Nos últimos anos, a categoria “corpo-território” tem sido trazida cada vez mais como aporte para guiar os olhares sobre o território, em diálogo com a extensa revisão das agendas de instrumentos, métodos e teorias da pesquisa em planejamento. No âmbito das territorialidades LGBTQIA+, “corpo-território” emerge como possibilidade de compreensão das corporeidades dissidentes enquanto territórios de resistência. Partindo desses pressupostos, esta pesquisa tem como objetivo geral compreender e mapear territorialidades LGBTQIA+ contemporâneas na cidade de Santos, analisando-as interseccionalmente em seus processos de integração (ou não) ao referido espaço urbano a partir do fazer territorial dos corpos LGBTQIA+. Essa relação entre corpos e o espaço urbano também é fortemente marcada pela consolidação de armários sociais - "cidade-armário"¹. Entende-se que a operacionalização intercruzada das categorias “cidade-armário” e “corpo-território” permitem o aprofundamento das análises territoriais, potencializando os debate sobre territorialidades LGBTQIA+ enquanto produções corporificadas por meio da análise crítica da mobilidade e da acessibilidade urbana diante dos circuitos de sociabilidades, focalizando-se a dialética territorial das corporificações dissidentes das normas de gênero e sexualidade. Metodologicamente, no intuito de garantir a apreensão dos entendimentos referentes às territorialidades em questão por meio dos interlocutores, as ferramentas de coleta e análise qualitativas de dados estarão articulada a partir: 1) da pesquisa bibliográfica sobre territorialidades LGBTQIA+; 2) da leitura crítica à luz da questão LGBTQIA+ de instrumentos como o Plano Diretor; 3) da pesquisa etnográfica de campo (nos circuitos) e de entrevistas semi-estruturadas, com uso de gravador de voz. Por fim, pretende-se a construção de uma cartografia queer da cidade de Santos.