Diversidade genética e estrutura populacional de ariranhas (Pteronura brasiliensis) no Pantanal e na bacia Tocantins-Araguaia
A perda e a fragmentação de habitats decorrentes das ações antrópicas resultam em pequenas populações isoladas, que enfrentam a perda de diversidade genética e maior risco de extinção. Este trabalho buscou contribuir para a conservação de espécies ameaçadas, com foco na ariranha (Pteronura brasiliensis), um mamífero social carnívoro da família Mustelidae. As populações dessa espécie têm diminuído drasticamente, principalmente devido à caça e à degradação de habitats, e a espécie é atualmente considerada ameaçada de extinção pela IUCN. Como objetivos, analisaram-se a diversidade genética e a estrutura populacional das ariranhas no Pantanal e na bacia Tocantins-Araguaia, além de se avaliar a relação dessas populações com grupos filogeográficos previamente identificados. Para isso, além de sequências de DNA disponíveis em bases de dados, amostras de fezes de ariranhas foram coletadas em campo e sequenciadas para análise genética. A análise da diversidade e da estrutura genética foi conduzida com base em sequências de DNA mitocondrial e em marcadores nucleares de microssatélites. Os resultados obtidos revelaram estruturação genética entre as unidades evolutivas analisadas com base no DNA mitocondrial, mas indicaram que a bacia Tocantins-Araguaia não forma um grupo isolado, mantendo proximidade com linhagens do Pantanal e da Amazônia-Orinoco-Guianas. A unidade do Pantanal apresentou a menor diversidade genética mitocondrial, corroborando estudos anteriores e reforçando evidência de um histórico de gargalo populacional. As análises com microssatélites, por sua vez, também evidenciaram fraca diferenciação genética entre Pantanal e Tocantins-Araguaia, sugerindo sinais de conectividade histórica entre essas regiões. Este trabalho é importante para a compreensão da diversidade genética da ariranha e pode contribuir para medidas de conservação voltadas à proteção das populações em perigo.