Biogeografia, Diversificação e Evolução de Serpentes e Lagartos nas Américas
O continente americano abriga uma das maiores diversidades de vertebrados do planeta, e sua história geológica e climática complexa o torna um cenário ideal para estudos em biogeografia histórica. Entre as transformações paisagísticas mais relevantes da região estão o surgimento do Istmo do Panamá e a formação da diagonal de vegetações abertas da América do Sul, eventos que reorganizaram a distribuição e a diversificação da fauna local. Os répteis Squamata constituem um modelo apropriado para investigar os efeitos desses eventos, em razão de sua elevada riqueza e ampla distribuição geográfica. Esta tese reúne três estudos sobre a biogeografia histórica de serpentes e lagartos nas Américas, com ênfase nas serpentes da família Viperidae. No primeiro capítulo, avaliamos o efeito do uso de habitat na evolução da distribuição geográfica de Viperidae a partir de quatro hipóteses filogenéticas e de modelos de estimativa de áreas ancestrais; os resultados apontam uma origem asiática para a família e uma rota de dispersão trans-Pacífica até a América Central, contrariando hipóteses anteriores. No segundo capítulo, aplicamos um modelo de diversificação dependente do estado geográfico e variável no tempo (Time-FIG) para testar como a dinâmica dos paleobiomas influenciou as taxas de especiação, extinção e dispersão das serpentes crotalíneas americanas ao longo dos últimos milhões de anos. No terceiro capítulo, confrontamos as duas hipóteses de idade de surgimento do Istmo do Panamá com base no tipo e na idade dos processos biogeográficos que produziram as distribuições atuais de répteis Squamata que ocorrem acima e abaixo do Istmo. Em conjunto, os capítulos articulam dados de distribuição, filogenias datadas e reconstruções paleoambientais para compreender como os processos biogeográficos geraram os padrões de distribuição atuais das espécies estudadas.