PPGEVD PÓS-GRADUAÇÃO EM EVOLUÇÃO E DIVERSIDADE FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC Telefone/Ramal: Não informado http://propg.ufabc.edu.br/ppgevd

Banca de QUALIFICAÇÃO: JÚLIO HENRIQUE GARCIA DA SILVA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JÚLIO HENRIQUE GARCIA DA SILVA
Data: 17/07/2026
HORA: 14:00
LOCAL: https://conferenciaweb.rnp.br/sala/gustavo-349
TÍTULO:

Estratégias para minimizar a introdução e expansão de espécies exóticas e aumentar a diversidade nativa em habitats artificiais marinhos


PÁGINAS: 337
RESUMO:

A urbanização costeira e o transporte marítimo promovem a introdução de espécies exóticas, o que, em larga escala, pode levar à homogeneização da biota global. A ecoengenharia surge como oportunidade para conciliar a ocupação costeira com a redução dos impactos ecológicos. Nessa tese de doutorado, testamos soluções para o combate a espécies exóticas em áreas costeiras antropizadas e avaliamos como uma construção costeira revitalizada, com protocolos de ecoengenharia, se diferencia das tradicionais e pode promover o aumento da diversidade em regiões urbanizadas. No Brasil trabalhamos com duas técnicas para combater o invasor coral-sol. No primeiro capítulo, testamos como a presença de uma comunidade pré-estabelecida e diversa pode conter o crescimento e a expansão do coral-sol. Para isso, comparamos a diversidade de placas de concreto recém-colocadas no mar com a de placas submersas por 6 meses antes do início do experimento. Comparamos também o crescimento das colônias do coral-sol transplantadas em cada um desses cenários. Embora os corais-sol tenham aumentado a diversidade e a semelhança entre as comunidades transplantadas, as colônias em substratos com comunidades já estabelecidas cresceram 50% menos e geraram 35% menos pólipos do que no substrato vazio, evidenciando que implantar uma comunidade durante os primeiros meses de submersão de uma construção pode ser uma simples estratégia de baixo custo para o combate às invasoras em estruturas marinhas. No segundo capítulo, testamos qual estratégia de manejo é mais interessante do ponto de vista do aumento da diversidade. Comparamos a remoção manual do invasor, isolada, com a combinada com a semeadura de uma esponja nativa. Embora a semeadura da esponja Mycale angulosa não tenha superado amplamente a remoção manual em relação à diversidade β, riqueza de espécies e cobertura de espécies nativas, essa estratégia promoveu a equitabilidade da comunidade, diminuindo a dominância por poucas espécies (diversidade de Shannon) e ambas resultaram em uma estratégia eficaz de manejo do coral-sol. Surpreendentemente, ao longo dos quase 20 meses de experimentação, o recrutamento e a expansão da população do coral-sol na região estudada foram mínimos. O intenso recrutamento de um briozoário nativo após a remoção manual do coral-sol, pode explicar por que, nessas circunstâncias, a semeadura não promoveu nenhum benefício além da remoção manual. No terceiro capítulo, avaliamos as consequências da revitalização de uma orla na Austrália baseada nos critérios de ecoengenharia. Comparamos como a adição de paredes, degraus ou poças de maré que aumentam a complexidade do habitat afeta a diversidade na região do entremarés. A revitalização promoveu diversidade similar à de costões rochosos ao redor, e elevou a diversidade dos locais revitalizados para o mesmo nível dos muros de contenção tradicionais, que anteriormente apresentavam maior diversidade do que os outros habitats. Poças de maré não foram a melhor abordagem para aumentar a riqueza de espécies, pois apresentaram altos níveis de sedimentação, contudo, promoveram comunidades distintas, impulsionadas por espécies únicas, e apresentaram maior recrutamento no supralitoral. Paredes verticais e muros de contenção apresentaram a maior riqueza, seguidos pelos substratos horizontais. Por essa razão, futuros projetos devem considerar o tipo de habitat e as condições de sedimentação do local para que a revitalização seja bem-sucedida e com o menor custo possível. Todas as técnicas testadas aqui são pioneiras e ainda carecem de testes em escalas mais amplas. Apesar disso, os resultados demonstram que a semeadura de espécies nativas ou de comunidades inteiras, bem como as intervenções nas construções que mimetizem o substrato natural, são promissoras.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - Interno ao Programa - 1768895 - GUSTAVO MUNIZ DIAS
Membro Titular - Examinador(a) Externo à Instituição - KÁTIA CRISTINA CRUZ CAPEL
Membro Titular - Examinador(a) Externo à Instituição - RICARDO JESSOUROUN DE MIRANDA - UFBA
Membro Suplente - Examinador(a) Interno ao Programa - 1763449 - FERNANDO ZANIOLO GIBRAN
Membro Suplente - Examinador(a) Externo à Instituição - AUGUSTO ALBERTO VALERO FLORES - USP
Notícia cadastrada em: 26/06/2026 17:07
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