O repetoma de Scuticaria Lindl. (Maxillariinae, Orchidaceae) diverge entre os biomas de distribuição do gênero?
Scuticaria é um gênero restrito, composto por apenas 11 espécies, das quais nove são microendêmicas. Destaca-se por suas características morfológicas, como flores grandes e duradouras e folhas teretes, além de aspectos citogenéticos peculiares: embora compartilhe o número cromossômico padrão da subtribo (2n = 40), possui cromossomos e tamanho de genoma maiores que os de espécies relacionadas, sendo a amplificação de sequências repetitivas apontada como principal causa desse aumento. Apesar de suas singularidades, estudos filogenéticos anteriores indicavam que Scuticaria seria parafilético, com agrupamentos alinhados aos biomas: um clado amazônico e outro reunindo espécies da Mata Atlântica e dos campos rupestres. Para esclarecer essa questão, novos marcadores para o gênero e espécies próximas foram sequenciados, e análises de Máxima Verossimilhança e Inferência Bayesiana foram conduzidas com as regiões atpB, ITS, matK, rbcL e ycf1. Em todas as árvores resultantes, Scuticaria foi recuperado como monofilético, indicando que a falta de resolução em estudos anteriores pode ter ocorrido por amostragem limitada. Buscando entender quais sequências repetitivas sustentam o aumento genômico e se essas são compartilhadas entre biomas, foram sequenciados os genomas de cinco espécies de Scuticaria (S. steelii, amazônica; S. itirapinensis e S. irwiniana, campos rupestres; S. kautskyi e S. hadwenii, Mata Atlântica), além de espécies dos gêneros próximos, Bifrenaria (B. harrisoniae, B. tetragona e B. longicornis) e Rudolfiella aurantiaca. Em todas as espécies, os elementos Ty3-gypsy Ogre foram predominantes, compondo cerca de 35% do genoma, mas a análise comparativa revelou que algumas linhagens mais representativas desse elemento, além de SIRE e Tork, foram amplificadas de forma diferencial entre os biomas.