A INFLUÊNCIA DOS ASPECTOS SOCIOCULTURAIS NA APRENDIZAGEM MATEMÁTICA À LUZ DO NEUROCONSTRUTIVISMO
Este estudo tem por objetivo investigar contribuições da ciência para a identificação de influências dos aspectos socioculturais nos processos de aprendizagem matemática. Partiu-se da hipótese de que o neuroconstrutivismo oferece tais contribuições e, por isso, questiona-se nesta pesquisa: Qual a influência dos aspectos socioculturais na aprendizagem matemática à luz do neuroconstrutivismo? De acordo com Usha Goswami, Diretora do Centro de Neurociência na Educação, da University of Cambridge , o neuroconstrutivismo vincula explicações de dois teóricos do desenvolvimento e aprendizagem, Jean Piaget e Lev Vygotsky. Esses teóricos têm especial importância para a educação no Brasil, com papéis relevantes na aprendizagem da matemática. Para se compreender outras pesquisas que se apoiam no neuroconstrutivismo, examinar a vinculação desta abordagem com as teorias dodesenvolvimento e buscar evidências das influências dos aspectos socioculturais no
aprendizado, realizou-se uma revisão sistemática da literatura. Neste estudo revisional, selecionou-se 16 artigos dos quais foram elaboradas sínteses interpretativas em três eixos temáticos distintos: A) articulações entre teorias do desenvolvimento de Piaget e Vygotsky e o neuroconstrutivismo; B) limites da neurociência no neuroconstrutivismo, e; C) proposições neuroconstrutivistas aplicadas à educação. Posteriormente, elaborou-se uma síntese integrativa a partir desses eixos com as contribuições dos artigos analisados. Em se tratando da aprendizagem matemática, optou-se por aprofundar tanto a epistemologia genética de Piaget quanto alguns dados dos estudos da revisão sistemática, para se estabelecer uma relação entre fatores cognitivos como memória, atenção, linguagem e percepção, visando avançar na compreensão da formação do conhecimento no cérebro sobre objetos matemáticos. Identificou-se, ainda, com a revisão sistemática de literatura, a ausência de trabalhos desenvolvidos no Brasil com emprego de abordagem neuroconstrutivista, o que não permite por si a aferição de motivos, mas indica oportunidades de investigação futura. Os fundamentos teóricos da pesquisa e os resultados da revisão sistemática, embora não tragam novas descobertas científicas, evidenciam que o neuroconstrutivismo permite compreender a aprendizagem como um processo de co-construção entre o indivíduo e o ambiente, no qual interagem fatores biológicos, cognitivos e socioculturais. Destaca-se a influência dos conhecimentos prévios, das experiências familiares e sociais, da linguagem, das interações e dos sistemas simbólicos na formação de conceitos e representações mentais. Esses resultados reforçam a importância de se considerar o ambiente em que o indivíduo se constitui, e as dinâmicas desta constituição nos processos de aprendizagem.