EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA INCLUSIVA: acessibilidade e participação de grupos marginalizados em Universidades Federais
Esta tese, organizada em formato multipaper, investiga a relação entre as políticas de inclusão, acessibilidade e permanência e a extensão universitária nas universidades federais brasileiras, com atenção à participação de grupos historicamente marginalizados — pessoas com deficiência, pessoas negras, indígenas e quilombolas, pessoas LGBTQIA+, estudantes de baixa renda e comunidades periféricas — tanto como público quanto como sujeitos das ações extensionistas. A questão central é: como as políticas de inclusão se articulam à extensão universitária, agora curricularizada, e em que medida asseguram a participação desses grupos? A versão apresentada ao Exame de Qualificação reúne quatro estudos concluídos e um estudo empírico em desenvolvimento. O primeiro, teórico e documental, reconstitui a trajetória histórica das políticas de inclusão no Brasil e mostra que elas deslocaram progressivamente o problema do indivíduo para as barreiras institucionais. O segundo, um estado da arte de 219 artigos indexados no SciELO Brasil (1980-2026), revela que a inclusão aparece sobretudo do lado da comunidade atendida e que a relação entre extensão e políticas institucionais de inclusão constitui lacuna de pesquisa. O terceiro, uma revisão crítica de 17 teses e dissertações da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, indica que o Brasil dispõe de amplo aparato legal, mas carece da institucionalização de serviços de apoio observada em outros países. O quarto, uma análise documental das chamadas de 115 cursos de extensão da Universidade Federal do ABC, aponta que a inclusão depende mais de iniciativas pontuais do que de política regular inscrita nas regras de acesso. O quinto estudo, de abordagem qualitativa, prevê entrevistas semiestruturadas com 12 a 15 coordenadores de extensão da UFABC, da Unifesp e da UFSCar, tratadas por Análise de Conteúdo. Os resultados parciais sustentam a existência de distância entre a norma e a prática e orientam o produto da pesquisa: as Diretrizes para Políticas de Inclusão e Permanência na Extensão Universitária.