O ENSINO DE CIÊNCIAS E O DESENVOLVIMENTO DAS PRÁTICAS EPISTÊMICAS DE ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES
Esta pesquisa tem como objetivo compreender como a formação continuada de professores de Ciências contribui para o desenvolvimento de práticas epistêmicas voltadas à promoção de uma alfabetização científica transformadora nos anos finais do Ensino Fundamental. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter interpretativo, cujos dados foram obtidos a partir de entrevistas semiestruturadas, realizada com cinco professores de Ciências, de cinco escolas de uma rede pública municipal da Baixada Santista e analisados com base na Análise de Conteúdo. O processo analítico, orientado pelos eixos formação continuada, práticas epistêmicas e alfabetização científica transformadora, resultou na construção de cinco categorias: Formação continuada e distanciamento da realidade escolar; Interdisciplinaridade e crítica à fragmentação do conhecimento; Práticas epistêmicas e protagonismo estudantil; Alfabetização científica e consciência crítica; e Desafios estruturais e lacunas na formação. Os resultados indicam que a relação entre formação continuada e desenvolvimento de práticas epistêmicas não ocorre de maneira linear ou automática. Nas narrativas analisadas, a formação continuada é significada como uma dimensão do desenvolvimento profissional que pode favorecer a reflexão, a ampliação de repertórios e a ressignificação dos saberes e das práticas docentes, especialmente quando articulada à experiência profissional e às demandas concretas da escola. Evidencia-se, ainda, que a participação dos estudantes em práticas epistêmicas está relacionada à atuação intencional do professor e é atravessada pelas condições institucionais e estruturais do contexto escolar. Conclui-se que a contribuição atribuída à formação continuada para o desenvolvimento de práticas epistêmicas e para uma alfabetização científica transformadora se constitui na articulação entre processos formativos, saberes docentes, experiência profissional, intencionalidade pedagógica e condições concretas de atuação. Todos os procedimentos éticos foram observados, incluindo o consentimento livre e esclarecido, o sigilo das informações e o direito de desistência, conforme determina a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.