UMA ANÁLISE DOS LIVROS DIDÁTICOS DE QUÍMICA A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA DECOLONIAL E ANTIRRACISTA
O presente trabalho tem como objetivo analisar os livros didáticos de química do PNLD – 2026 por meio de uma perspectiva histórica decolonial e antirracista refletindo sobre como o mesmo pode realizar uma manutenção das colonialidades presentes no ensino de química, ou dispõe de elementos que possibilitem por meio desta lente, o desenvolvimento de uma educação antirracista em diálogo com o ensino de química. O ensino de químicas, em geral, não apresenta os conhecimentos e técnicas africanos, afrodiaspóricos, indígenas e tradicionais, embora estes grupos tenho desenvolvido conhecimentos e técnicas, especialmente no período colonial, como forma de resistência, e existência, o que observamos é que essas práticas foram silenciadas, usurpadas ou subalternizadas perante uma ciência desenvolvida pelo norte global. Consideramos que os livros didáticos tem grande importância no ensino de química, dessa forma, é necessário que ocorra uma análise dos mesmos a fim de compreendermos como o mesmo se configura como um recurso didático em potencial, ou não, para o desenvolvimento de uma educação antirracista. Consideramos que a abordagem qualitativa se apresenta como a mais adequada para a caracterização da pesquisa proposta. Uma vez que será realizada uma análise de informações textuais iremos utilizar a análise de conteúdo, alicerçada pelos estudos de Laurence Bardin (1995), como metodologia de análise dos dados coletados. Em nossa perspectiva uma das maneiras de tornar o ensino de química mais problematizador e crítico é através da história das ciências que pode e deve estar presente nos livros didáticos. Em contraposição à colonialidade, discutem-se perspectivas decoloniais que buscam visibilizar povos historicamente silenciados, resgatando suas histórias, culturas, conhecimentos, técnicas e produções científicas e tecnológicas. Nessa perspectiva, não se trata apenas de valorizar saberes invisibilizados, subalternizados ou usurpados, mas também de promover uma educação antirracista comprometida com o reconhecimento do papel das populações negras na construção do conhecimento científico. Tal abordagem busca evidenciar a participação de sujeitos africanos e afro-brasileiros no fazer científico, problematizando narrativas que associam a excelência intelectual exclusivamente a sujeitos brancos e que historicamente relegaram populações negras a posições de subalternidade. Além disso, propõe o enfrentamento dos mecanismos de reprodução do racismo por meio do resgate histórico, da valorização e da legitimação de conhecimentos, técnicas e saberes produzidos por populações africanas e afro-brasileiras. Assim, uma perspectiva histórica decolonial e antirracista possibilita a construção e a disseminação de outras narrativas sobre o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e do conhecimento, ampliando a compreensão acerca dos diferentes sujeitos, promovendo a igualdade e a diversidade epistêmica, para os grupos que tiveram seus saberes, técnicas e culturas invisibilizadas, subalternizadas e usurpadas.