A CONSTRUÇÃO DAS FEIRAS DE CIÊNCIAS EM ESCOLAS PAULISTAS: contribuições para a educação científica
As feiras de ciências, entendidas como espaços férteis para a troca de conhecimento entre estudantes, professores, comunidade e escola, são grandes aliadas do Ensino de Ciências, estimulando a criatividade, autonomia e pensamento científico dos jovens. As pesquisas sobre o tema, no entanto, ainda apresentam lacunas no que se refere à investigação dos atores envolvidos, o caráter social do evento e as tendências da área. Para a literatura, são poucos os trabalhos que utilizam as feiras de ciências como objeto de estudo. Diante disso, a presente tese busca detalhar a construção de feiras científicas em três escolas, duas públicas e uma particular, do estado de São Paulo. Dentro dessa descrição, voltamos nosso olhar para identificar se, e como, as feiras contribuem com o processo de educação científica dos estudantes e com o processo de formação de professores, levantando os desafios e possibilidades que elas colocam no âmbito do ambiente escolar. Para isso, tomando como base entrevistas com docentes, funcionários da gestão, estudantes e visitantes criamos, utilizando a Análise Textual Discursiva, nove categorias que ilustram os principais pontos que apareceram durante a coleta de dados. Notou-se, a partir da observação da construção das feiras e dos relatos, como os padrões de educação científica se chocam com as realidades socioeconômicas das escolas. As feiras foram vistas, no geral, como forma de resgatar a comunidade e emancipar os estudantes, colocando-os como pesquisadores e produtores do conhecimento. Diversos desafios foram levantados, mas se sobressaíram os sentimentos positivos envolvidos na construção das feiras.