CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE E PROBLEMAS AMBIENTAIS: uma análise dos silenciamentos e níveis de aprofundamento crítico em livros didáticos de Ciências (PNLD 2024)
Esta dissertação investiga a abordagem dos problemas ambientais e suas implicações na preservação da biodiversidade dentro dos livros didáticos de Ciências dos anos finais do Ensino Fundamental (PNLD 2024). A fundamentação teórica parte da premissa de que a biodiversidade possui um valor intrínseco e que sua perda atual, impulsionada por atividades humanas em uma velocidade muito superior à taxa natural, compromete o equilíbrio planetário e a resiliência dos sistemas naturais (Lévêque, 1999; Barros; Bernard, 2024). O trabalho justifica-se pela influência do livro didático no cotidiano escolar como norteador de conteúdos e pela necessidade de promover uma Educação Ambiental Crítica que desvele as raízes políticas e econômicas da degradação ambiental (Lajolo, 1996; Guimarães, 2004). O estudo delimita seu foco nos dois principais vetores de ameaça à biodiversidade brasileira e da Mata Atlântica: a agropecuária e a expansão urbana. A agropecuária é identificada pela literatura como o principal fator de extinção de espécies em todos os biomas brasileiros, enquanto a expansão urbana figura como a segunda causa de maior impacto, especialmente no contexto da Mata Atlântica, onde se localiza o município de São Paulo, área de interesse específico da pesquisadora (ICMBio, 2018; Barros; Bernard, 2024). A pesquisa adota o formato multipaper, conforme a Portaria nº 2120/2021 da UFABC, organizando-se em três artigos independentes que utilizam a análise de conteúdo de Bardin para avaliar as três coleções mais consumidas na rede municipal de São Paulo. A análise qualitativa busca identificar não apenas a frequência dos problemas citados, mas o nível de aprofundamento crítico (criticidade), classificado em quatro níveis: do Nível 1 (Causa/Efeito Simples) ao Nível 4 (Ação Transformadora). Os resultados preliminares indicam uma forte concentração de conteúdos ambientais no volume do 7º ano, ocorrendo um expressivo silenciamento nos anos subsequentes (8º e 9º anos). Quanto ao nível de criticidade, observa-se a predominância do Nível 2 (Causa/Efeito Complexo), no qual os materiais conseguem contextualizar as causas dos problemas, mas falham em promover reflexões profundas ou propostas de intervenção social. Verificou-se uma lacuna significativa no Nível 4, evidenciando que os livros didáticos analisados ainda encontram dificuldades em propor ações transformadoras que capacitem os estudantes como sujeitos ecológicos ativos frente à crise da biodiversidade.